Os gatos

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Pois é,

Minha história com os gatos até parece coisa de novela indiana, tipo essa que anda nas telinhas atualmente.

Devo ter encarnado como "dalit" nessa vida, e minha vingança parece ter se voltado para os pobres bichinhos. Confesso que não recordo, mas quando adquiri um mínimo de consciência, passei a ouvir as tais histórias de família. E as preferidas, nos encontros, tinham sempre os mesmos protagonistas: eu e os gatos.

Seria lindo não fosse o fato de que as histórias versavam sobre como eu, criança de cinco, seis ou sete anos, nem lembro, havia me tornado um expert em jogar os gatos na sanga que havia nos fundos da chácara dos meus tios, onde passávamos o verão.

Requintes de crueldade até, diria um adulto. Mas como era feito por uma criança, não passavam de "coisa de criança". Pegar os gatos pela cauda, rodá-los o quanto os pequenos braços suportassem e, depois, jogá-los na água. Para dizer o mínimo.

Como que a pagar os pecados supostamente cometidos contra os bichanos na infância, jamais passei um dia sequer sem ter um gato por onde morei. São cinquenta anos de vida e todos eles acompanhados por gatos.

E hoje em dia são seis. O pai chama-se Joseph Afonso. Claro que numa auto homenagem (ou será auto-homenagem?). A mãe? Natasha, ou Naná, como ela mesma se identificou e atende. Pois Joseph Afonso e Naná eram pequenos gatos impúberes quando resolvemos viajar para entregar os convites do casamento. Meu e da Kaya, claro. Afinal, os gatinhos tinham apenas oito meses. Mesmo assim, e preocupados, consultamos o veterinário sobre a possibilidade de que algo acontecesse na nossa ausência (uma semana), embora tivessemos contratado uma baby-cat (yes, isso existe!). O pai (sim, afinal foi dele a culpa), quer dizer, o veterinário nos garantiu que ela era muito novinha para fazer essas coisas (o que ele esqueceu de nos dizer é que ele não era tão novinho assim, apesar de ter a mesma idade) e que poderíamos viajar tranquilos.

Na volta? Um brinde pra quem advinhar! Naná estava grávida! Mas já estou a me perder em meio a tantas histórias. O que queria contar aconteceu há duas semanas. Só para saberem, a história do nascimento, por si só merece um post. Em todos os casos, vieram ao mundo e estão miando enquanto escrevo: Mimoso (vulgo Mimi), Fafá, Frederico (vulgo Fred ou Demo, dependendo do comportamento) e Joseph Afonso Junior (vulgo JJ - tadinho, sempre acho que ele é meio retardadinho... vai ver puxou...)

Enfim, a história é sobre Fafá. A começar pelo nome. Fafá nasceu menina. A Fafá. E assim permaneceu até que, duas semanas após, o veterinário nos mostrou a realidade: Fafá tinha duas bolinhas. Invisíveis para leigos, mas não para mãos experientes. Pronto! A Fafá virou "O" Fafá.

Dia desses:

- Afonso?
- Sim, Kaya?
- O Fafá tá meio esquisito. Parece que está com dificuldade de respirar.
- Vai ver é a mudança do tempo. Deixa ele quieto que passa. Amanhã a gente vê como ele está.
- Sei não, tá muito estranho. Nunca vi ele assim.

Passado uns minutos, escutei uns miados diferentes. Subi (os gatos ficam na parte de cima do ap) para ver o que era e vi algo que espero não ver novamente: o Fafá, com os olhos arregalados, me encarou e soltou um miado profundo. E assim ficou a me olhar, como a dizer, "Tchê, fui!"

Aquele olhar me paralizou pelo tempo em que fiquei pensando: esse gato tá pedindo ajuda!

- Kaya, o Fafá tá muito mal!
- Como assim?
- Sei lá, ele ficou me olhando de um jeito...
- Vamos levá-lo ao veterinário agora mesmo!

Resultado: um dia a mais e o coração do Fafá teria explodido dentro dele. Isso mesmo "explodido"! Foi a expressão que o veterinário utilizou. Fizemos uma ecografia que mostrou que o coração estava aumentado em cinco vezes, em relação ao tamanho normal.

Diagnóstico: morte nas próximas vinte e quatro horas!

Resultado: ter que lidar com a Kaya. Ela pariu os gatos. Ajudou a Naná. Tirou um por um. Pariu o Fafá. Quase lambeu a todos no lugar da Naná. Sou capaz de dizer que morro e ela não vai chorar tanto quanto certamente irá chorar o dia que qualquer um dos gatos morrer.

Uma semana na UTI. Já viram gato em UTI? Pois eu vi! Até tubo de oxigênio tinha, caso a respiração faltasse.

Parece incrível, mas sobreviveu. E tem que tomar remédio para o coração todos os dias pelo resto da vida. Todos os dias, pela manhã, a Kaya dá um comprimido para ele. E o mais interessante é que ele toma direitinho, como se soubesse que isso é a vida dele.

E toma no colo, porque, no fundo no fundo, o colo é que cura!

(já vai Fafá, já vai. Espera eu terminar de contar a tua história...)

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2 Comments

História triste e me lembra que eu não estou preparada para perder Brisa, minha pincher zero.

Eu acho que vi um gatinho!!

Fafá é o primeiro gato travesti-transexual que eu conheço. Cuidem bem dele! :-)

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on fevereiro 27, 2009 10:40 PM.

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