Pois é,
Nasci e cresci ao tempo da Guerra Fria. Meu principal jargão incluia expressões como "Terceiro Mundo", "Cortina de Ferro", "Guerra Fria", "Guerra do Vietnam", "Guerra dos Seis Dias", "Brasília", "Ditadura Militar", "AI-5", "Brizola", "Cuba", "Ame-o ou Deixe-o", "Woodstock", "Hippies", "Revolução Feminina", "Bossa Nova", "Jovem Guarda", "Tropicália", "Beatles", Roling Stones", "The Who, Pink Floyd, Yes, Cream, Led Zeppelin...", o fim de "The Who, Pink Floyd, Yes, Led Zeppelin...", "Conferência de Estocolmo", "era acordado às seis da manhã para ir pra escola", "o governo vende o país para a Rede Bobo"... "éramos a décima-quarta economia do mundo", "Prenúncio da Era de Aquarios... When the Moon...", "Cinqüenta..."
Tornei-me adulto jovem e meu jargão foi quase todo para o espaço: "Terceiro Mundo" virou "Países em Desenvolvimento", "Cortina de Ferro", "Guerra Fria", "Guerra do Vietnam", Guerra dos Seis Dias" viraram "Queda do Muro de Berlim", "Disco", "MPB", "Anistia", "Abertura lenta e gradual", "Brizola", "Lula metalúrgico", "Rio-92",... "dois casmentos e uma filha", "me acordavam às seis da manhã para trabalhar", "a Rede Bobo toma conta do país", "C@llor na Presidência, junto com os outros...", "chegamos a ser a oitava economia do mundo", "computador e internet", "e a tal da Era de Aquários parece que afundou..."
Já ando um adulto de meia idade e novamente meu jargão está indo pro espaço: "Países em Desenvolvimento" virou "Economias Emergentes"; as guerras viraram "terrorismo" e "Israel massacrando Gaza", "três casamentos e duas filhas", "me acordo involuntariamente às seis da manhã...", "a Rede Seitas começa a tomar conta do país", "somos a décima economia do mundo, a "Jovem-Bossa-Tropicália-MPB-Nova" está quase esclerosada, caducando, trocada por uma joça que chamam de "Axé-Pagode-Hip-gente que mata gente-Madona-e-por-aí-vai", "trocaram o aquário pelo aquecimento global, mas parece que não adiantou...", "Pós-Modernidade", "C@llor no Senado... junto com os outros..."
Bueno, dava pra ficar uns bons dez anos enumerando comparações. Dava até pra pensar que meu tempo era melhor do que o tempo atual das minhas filhas, como por vezes cheguei a pensar em relação ao tempo dos meus pais, que viveram a Grande Depressão e Segunda Grande Guerra. Mas viveram o tempo das Grandes Orquestras... Por sinal, tudo nessa época era taxado de "Grande".
Deve ser isso: não temos nada de grande a não ser a merda global que criaram nos últimos trinta anos. GRANDE MERDA. Os historiadoes mais puristas chamarão, quem sabe, de SEGUNDA IDADE MÉDIA. Mas penso que deverá prevalescer, na história, a IDADE DA GRANDE MERDA. Como, aliás, foram todas as épocas de transição da humanidade. Veja-se os recentes casos da China e dos EUA: a China, de obscura sombra do comunismo, virou a terceira maior economia do mundo. Só sabe espalhar merda pro planeta; os EUA, de primeira potência do capitallismo, está virando num declarado comunista: o mundo inteiro sustenta a quebradeira que eles mesmos provocam. Além, claro, de outro "ismo" - quem sabe pior ainda - o consumismo.
Enquanto isso, nós continuamos dançando e espalhando merda, alegres em torno das salas dos BBBsmerdas da vida...
Pensando bem, não dá uma certa sensação de inutilidade? Cinquenta anos (até isso mudou...) e nada! Pertenço a uma geração inútil que só fez disfarçar, para si mesma, que mudou o mundo. Mudar até mudou, sejamos francos. MAS PARA PIOR!
Nasci quando alguém dizia "50 em 5". Parece que nem em mais 500 vai dar... Cresci quando alguns diziam que "tomando conta do poder" iriam resolver os problemas do país... Foram embora sem que resolvessem nada... Saí às ruas berrando pelas diretas... e daí?
E daí, olhem para os quase tricentenários três poderes: continuam a ser apenas um, o PODER DO UMBIGO!
Vou começar a procurar alento na outra vida. Nessa já não há mais esperança!
Nasci e cresci ao tempo da Guerra Fria. Meu principal jargão incluia expressões como "Terceiro Mundo", "Cortina de Ferro", "Guerra Fria", "Guerra do Vietnam", "Guerra dos Seis Dias", "Brasília", "Ditadura Militar", "AI-5", "Brizola", "Cuba", "Ame-o ou Deixe-o", "Woodstock", "Hippies", "Revolução Feminina", "Bossa Nova", "Jovem Guarda", "Tropicália", "Beatles", Roling Stones", "The Who, Pink Floyd, Yes, Cream, Led Zeppelin...", o fim de "The Who, Pink Floyd, Yes, Led Zeppelin...", "Conferência de Estocolmo", "era acordado às seis da manhã para ir pra escola", "o governo vende o país para a Rede Bobo"... "éramos a décima-quarta economia do mundo", "Prenúncio da Era de Aquarios... When the Moon...", "Cinqüenta..."
Tornei-me adulto jovem e meu jargão foi quase todo para o espaço: "Terceiro Mundo" virou "Países em Desenvolvimento", "Cortina de Ferro", "Guerra Fria", "Guerra do Vietnam", Guerra dos Seis Dias" viraram "Queda do Muro de Berlim", "Disco", "MPB", "Anistia", "Abertura lenta e gradual", "Brizola", "Lula metalúrgico", "Rio-92",... "dois casmentos e uma filha", "me acordavam às seis da manhã para trabalhar", "a Rede Bobo toma conta do país", "C@llor na Presidência, junto com os outros...", "chegamos a ser a oitava economia do mundo", "computador e internet", "e a tal da Era de Aquários parece que afundou..."
Já ando um adulto de meia idade e novamente meu jargão está indo pro espaço: "Países em Desenvolvimento" virou "Economias Emergentes"; as guerras viraram "terrorismo" e "Israel massacrando Gaza", "três casamentos e duas filhas", "me acordo involuntariamente às seis da manhã...", "a Rede Seitas começa a tomar conta do país", "somos a décima economia do mundo, a "Jovem-Bossa-Tropicália-MPB-Nova" está quase esclerosada, caducando, trocada por uma joça que chamam de "Axé-Pagode-Hip-gente que mata gente-Madona-e-por-aí-vai", "trocaram o aquário pelo aquecimento global, mas parece que não adiantou...", "Pós-Modernidade", "C@llor no Senado... junto com os outros..."
Bueno, dava pra ficar uns bons dez anos enumerando comparações. Dava até pra pensar que meu tempo era melhor do que o tempo atual das minhas filhas, como por vezes cheguei a pensar em relação ao tempo dos meus pais, que viveram a Grande Depressão e Segunda Grande Guerra. Mas viveram o tempo das Grandes Orquestras... Por sinal, tudo nessa época era taxado de "Grande".
Deve ser isso: não temos nada de grande a não ser a merda global que criaram nos últimos trinta anos. GRANDE MERDA. Os historiadoes mais puristas chamarão, quem sabe, de SEGUNDA IDADE MÉDIA. Mas penso que deverá prevalescer, na história, a IDADE DA GRANDE MERDA. Como, aliás, foram todas as épocas de transição da humanidade. Veja-se os recentes casos da China e dos EUA: a China, de obscura sombra do comunismo, virou a terceira maior economia do mundo. Só sabe espalhar merda pro planeta; os EUA, de primeira potência do capitallismo, está virando num declarado comunista: o mundo inteiro sustenta a quebradeira que eles mesmos provocam. Além, claro, de outro "ismo" - quem sabe pior ainda - o consumismo.
Enquanto isso, nós continuamos dançando e espalhando merda, alegres em torno das salas dos BBBsmerdas da vida...
Pensando bem, não dá uma certa sensação de inutilidade? Cinquenta anos (até isso mudou...) e nada! Pertenço a uma geração inútil que só fez disfarçar, para si mesma, que mudou o mundo. Mudar até mudou, sejamos francos. MAS PARA PIOR!
Nasci quando alguém dizia "50 em 5". Parece que nem em mais 500 vai dar... Cresci quando alguns diziam que "tomando conta do poder" iriam resolver os problemas do país... Foram embora sem que resolvessem nada... Saí às ruas berrando pelas diretas... e daí?
E daí, olhem para os quase tricentenários três poderes: continuam a ser apenas um, o PODER DO UMBIGO!
Vou começar a procurar alento na outra vida. Nessa já não há mais esperança!

Gostei!! Também sou um cinquentão.
A última frase é genial: "PODER DO UMBIGO"! Na mosca!
Forte abraço.
Dejanir
Bem vindo ao meu grupo amigo. Sei absolutamente tudo que você escreveu.
Beijocas