janeiro 2009 Archives

Pois é,

Das duas, uma: ou somos trouxas ou somos muito trouxas! Ou somos bobos ou nos fazem de muito bobos!

Nada contra a Copa do Mundo ser realizada no Brasil. Afinal, brasileiros, apesar da descendência que dizem ser divina, são humanos e humanos gostam de chutar. Qualquer coisa. Chutar o balde, o pau da barraca, dar um pé na bunda, chutar pra cima, chutar as respostas, e tantas outras expressões cotidianas que demonstram nossa paixão pelo futebol.

E nada mais justo! Quer o mundo queira, ou não, somos os melhores nisso. Ao menos nisso, pois no resto parece que está faltando chute. Pensando bem, não falta... Sobra chute...

O grande chute que tem sido dado com a tal da copa é que, de qualquer forma, os investimentos seriam realizados e que a copa apenas antecipou-os. Vejam o que disse o ministro do Esporte, Orlando Silva Junior (daqui), em 23/12/2208 (recentinho):

"A realização da Copa será uma oportunidade para enfrentar gargalho de infra-estrutura no País e antecipará investimentos que, mais cedo ou mais tarde, seriam necessários".

Das duas, uma: mais tarde ou muito mais tarde!

Das duas, uma: ou ele (e todos os nossos "representantes") pensa que somos idiotas ou ele pensa que somos muito idiotas!

Mais, diz ele, "É preciso dar solução de transporte público coletivo, que tenha capacidade para mover milhares de pessoas que chegarão às cidades. Esse é o desafio. Por isso, o centro do PAC da Copa será a mobilidade urbana".

Das duas, uma: ou apenas durante a copa "milhares de pessoas" se movimentam pelas cidades ou nossas grandes cidades vivem vazias de gente...

A centro da hipocrisia está em fazer o que não passa de obrigação desses caras (em quaisquer dos três níveis da federação) somente por causa da copa e dizer que seria feito de qualquer jeito.

Aí sequer há duas, mas apenas uma: somos todos palhaços!

E que não se diga que isso é coisa do Lula. Qualquer mané, formado ou não, como presidente, faria a mesma coisa!

Não será difícil adaptar a música "noventa milhões em ação" para "cento e noventa milhões em ação"; basta dizer o "cento" bem rapidinho... mas a palhaçada será a mesma da década de 70...

Dizem, mas ainda não consegui confirmar (afinal, transparência só vale para o bolso dos outros; governo, que é bom, nada), que a maior parte dos investimentos será realizada pela iniciativa privada. Até aí tudo bem, não fosse o fato de que para chegar nesses "investimentos privados" muita infra-estrutura pública deverá ser construída. Ou seja, para que o meu querido Grêmio possa ter seu novo estádio (a Arena) lotado e com os lucros somente para eles e para a empresa que está bancando a brincadeira (o mesmo vale para a reforma que farão no chiqueirão que se encontra "irregular" na beira do rio...) muito do nosso trabalho será "doado"; e nem mesmo um ingressinho "de grátis" eu vou ganhar pra compensar...

Afinal, futebol não é coisa "privada"? A tão adorada "seleção brasileira" não é privada? Os lucros oriundos do "espetáculo" não são privados? (e não me venham dizer que o governo arrecada impostos, porque isso, das duas uma: ou pensam que somos imbecis ou que somos imbecis esféricos).

Então por que não fazer a "iniciativa privada" arcar com os custos da infra-estrutura necessária e que depois "ficará" para o povo? Resolvem mudar de lugar um estádio de futebol particular e o povo que banque a brincadeira...

Isso não, né? Porque das duas, uma: ou eu sou pobre e burro e ainda não entendi como funciona o mundo ou quem tem capital é muito vivo e sabe direitinho como fazer para não gastar seu dinheirinho...

Afinal, brasileiros, apesar da descendência que dizem ser divina, são humanos e humanos brasileiros gostam de acreditar em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Saci Pererê, Mercado, que os R$ 14 bilhões (estimativa média... um chute) a serem gastos com a copa resolveriam o problema de saúde do país pelos próximos 10 anos...

Das duas, uma: a saúde pública não interessa ou a saúde pública que se foda!

Das duas, uma: o sou chato ou sou muito chato!









COP15

| | Comments (1)

Pois é,

Entre os dias 7 e 18 de dezembro deste ano ocorre a 15ª Conferência das Partes (COP15), da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, na capital do Reino da Dinamarca, Copenhague.

Tri-legal, Chato, que bom saber disso. Afinal, eu sequer sabia que já ocorreram outras 14 dessas tais convenções. Mentira, né? Uma pelo menos todos conhecem: a COP3. Tá, talvez conheçam mais pelo resultado dela, o tal famoso Protocolo de Quioto, ou Kyoto como é mais conhecido. Aliás, diga-se de passagem, o filho se tornou mais conhecido que a mãe (a Convenção) e que a avó (a RIO92). Da bisavó (ESTOCOLMO, 1972) seque há que falar, de tão esquecida que anda...

Dizem que quem sai aos seus não degenera. Não é o caso. Bem que o menino tentou crescer e vingar. Até contou com a ajuda de um monte de tios e amiguinhos, mas não houve jeito. Está fadado à morte por inação dos seus grandes irmãos. Ou, melhor dizendo, por asfixia causada pelos grandes.

Pensando bem, acho que o guri não degenerou. Afinal, nem  a bisa, a avó e nem mãe deram certo na vida. Só para relembrar (os menos preguiçosos podem ler o texto integral no link acima) os ensinamentos da bisa que, parece, foram para o brejo preparar o terreno para o netinho, cito o princípio 6, que tem tudo a ver com a COP15:

"Princípio 6 - Deve-se por fim à descarga de substâncias tóxicas ou de outras matérias e à liberação de calor, em quantidade ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente de modo a evitarem-se danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. Deve ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição".

Uma breve pausa para uma continha elementar: 1972 - 1982 - 1992 - 2002 - 2012 = 40 anos.

Putz, metade dos meus cinco leitores - não, é melhor achar que tenho seis, senão vai dar quebrado, né? - sequer tem essa idade. E devem estar se perguntando: PQP, tiveram 40 anos para melhorar e só fizeram piorar?

É véio, a bisa falou e disse! Pena que poucos deram bola pra ela. Mas a bisa queria porque queria preservar o sangue da família. Mocinha crescida, já com seus vinte anos, casou e teve uma filhinha, a ECO92. Beleza de filha. E não poderia ter nascido em melhor lugar: a cidade maravilhosa, símbolo dos símbolos da natureza. E a filhinha, bem educada que foi, repetia os ensinamentos da mamãe Estocolmo. De tanto falar, deu à luz a mais uma mulher: a Convenção para o Clima (dentre outras maninhas: a Carta da Terra, a Convenção sobre Biodiversidade e a Convenção sobre Desertificação, além de uma filha enjeitada, a Agenda 21).

Parece que o Reino das Boas Intenções Humanas estava fadado a não ter um filho varão. Mas eis que a Convenção para o Clima, a mais rebelde das filhas da ECO92, resolveu por um fim nessa longa cadeia feminina que parecia não estar dando certo. Fuçou, fuçou com as partes até que no terceiro encontro gerou seu filho macho: o Protocolo de Quioto.

Eis a breve história do futuro defunto (se bem que alguns sempre disseram que era um nati-morto).

Querem saber a moral da história? É que para dezembro esperamos o parto do filho do Protocolo de Quioto. Ou ao menos que ele arranje uma namorada até lá e que possamos, em 2012, ter um sucessor à altura do Reino.

E que preste! Senão...

Os sinais estão aí, só não vê quem não quer. Mas mais do que ver, há que fazer. Como por exemplo, acompanhar as ações, notícias, sites, blogs e tudo o mais que estaremos divulgando por aqui.

Essa é a importância do título: COP15. Nosso futuro!


 



Quem diria!

| | Comments (0)
Pois é,

Tem novidade na Condessa, no Ambiarte e Lili faz a sua parte. Vão lá, vão... Tá melhor que aqui...

A gente morre sem ver tudo nessa vida, diz o ditado.

O Papa Bento XVI inaugurou canal próprio no YouTube! E pensa fazer o mesmo no Facebook. Qualquer dia vai ter comunidade no Orkut...

E eu que achava que a internet era coisa do demo...




Pois é,

Antes, tem novidade na Condessa, no Ambiarte e no Faça a sua parte...

O comentário da Nívea Ribeiro, no post do Jubal (A Disputa da Água, no Faça a sua parte), "acho que a população esta sendo informada do que esta acontecendo,apenas informada.mas muita das vezes, não tem como por em pratica seu conhecimento" aponta para uma questão das mais importantes para a humanidade e que tem me intrigado muito: o que há entre o filosofar e o agir?

Dizem os entendidos que vivemos na tal da Sociedade do Conhecimento. Pura filosofia, pois como bem aponta a Nívea, nada mais temos feito do que disponibilizar informações (e, em boa parcela dos casos, apenas dados). Beira às raias do primarismo ter que diferenciá-los, mas é necessário, visto que, no caso do meio ambiente, a quantidade de informação disponível está definitivamente dissociada da qualidade. Qualidade aqui entendida como informação realmente capaz de produzir alterações positivas na realidade do meio ambiente e não meramente qualidade no sentido de eficácia. O sentido é ideológico, sem dúvida.

A pergunta básica, então, é: por que somos capazes de produzir tanta informação e tão pouco conhecimento sobre o meio ambiente?

Transformar informações em conhecimento é um ato que implica mudança. Mas, diferentemente do que muito se divulga por aí, essa mudança é, necessariamente, interna. É somente pela mudança de nossas crenças e valores que podemos gerar conhecimento a partir das informações que recebemos. Caso contrário, as informações estão fadadas ao esquecimento.

E como mudar as crenças e os valores das pessoas quanto ao meio ambiente?

Duas citações para começar. A primeira, do Fritjof Capra; a segunda, mais recente, do Leonardo Boff:

1. "O novo paradgma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo 'ecológica' for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos)."1

2. "Para onde iremos? Nem o Papa nem o Dalai Lama, nem Barack Obama nem muito menos os economistas nos poderão apontar uma solução. Mas pelo menos podemos indicar uma direção. Se esta estiver certa, o caminho poderá fazer curvas, subir e descer e até conhecer atalhos, esta direção nos levará a uma terra na qual os seres humanos podem ainda viver humananente e tratar com cuidado, com compaixão e com amor a Terra, Pacha Mama, Nana e nossa Grande Mãe.

Esta direção, como tantos outros já o assinalaram, se assenta nestes cinco eixos: (1) um uso sustentável, responsável e solidário dos limitados recursos e serviços da natureza; (2) o valor de uso dos bens deve ter prioridade sobre seu valor de troca; (3) um controle democrático deve ser construído nas relações sociais, especialmente sobre os mercados e os capitais especulativos; (4) o ethos mínimo mundial deve nascer do intercâmbio multicultural, dando ênfase à ética do cuidado, da compaixão, da cooperação e da responsabilidade universal; (5) a espiritualidade, como expressão da singularidade humana e não como monopólio das religiões, deve ser incentivada como uma espécie de aura benfazeja que acompanha a trajetória humana, pois ancora o ser humano e a história numa dimensão para além do espaço e do tempo, conferindo sentido à nossa curta passagem por este pequeno planeta.
"2

Bonito filosofar. Mas faço com a Nívea e pergunto: e daí? Como transformar, na prática, o meu paradgima, se somos, como pais ensinados, responsáveis perante a sociedade por transmitir justamente o paradigma dominante? Se somos as pessoas que continuam a dirigir bêbados, falando ao celular e matando, no trânsito, mais do que se mata nas atuais guerras? Como mudar essas crenças e esses valores?

Por outro lado, a direção apontada por Boff também requer uma mudança mais profunda ainda, pois depende de que mais gente, além de mim, mude seu paradigma, sob pena de que querer um "controle democrático sobre os mercados e capitais especulativos" não passe de mera ... especulação; sob pena de que o "intercâmbio multicultural" não passe, como sempre foi, de um intercâmbio de bombas... Bonito filosofar.

Num mundo onde trilhões de dólares são gastos ou perdidos tão somente para recuperar os "mercados e capitais especulativos", a miséria e a fome continuam matando crianças, jovens e adultos.

Há muito mais entre o filosofar e o agir: existem as crenças e valores que adotamos. Devemos oferecer um caminho prático para que as pessoas primeiro acreditem que mudar é possível e que a mudança não lhes causará prejuízo (as pessoas não mudam pensando nas vantagens que poderão obter e, sim, nos prejuízos que poderão evitar); segundo, que queiram mudar, por verem que uma nova crença - esta sim, baseada em uma "ética do cuidado, da compaixão, da cooperação e da responsabilidade universal" é boa para todos; terceiro, que seja um exercício (agir) que se adpte facilmente a vida das pessoas e não algo radical como muito das propostas que andam por aí.

Precisamos contruir esse caminho prático, que nos fará sair do filosofar e passar para o agir.

O mundo está sendo destruído pelos que fazem e não pelos que pensam.

Também publicado no Faça a sua parte.


Notas:
1 Capra, Fritjof. A teia da vida. uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. 13ª ed. São Paulo. Cultrix. p.25.
2 Leonardo Boff. Os limites do capital são os limites da Terra. Agência Carta Maior.


Pois é,

É desses textos que voam pela internet, sem fonte, mas sempre atribuídos a alguma personalidade. Seja verdadeiro ou não o fato e sua autoria, bem como o texto, é um belo exemplar da espécie:

"Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF,  ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

- 'De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

- 'Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

- 'Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o  bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.

- 'Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada ela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

- 'Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande  mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

- 'Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo,deveria pertencer ao mundo inteiro.

- 'Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de  brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

- 'Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha  possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

- 'Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. 'Só nossa!'
"

Pois é,

Nasci e cresci ao tempo da Guerra Fria. Meu principal jargão incluia expressões como "Terceiro Mundo", "Cortina de Ferro", "Guerra Fria", "Guerra do Vietnam", "Guerra dos Seis Dias", "Brasília", "Ditadura Militar", "AI-5", "Brizola", "Cuba", "Ame-o ou Deixe-o", "Woodstock", "Hippies", "Revolução Feminina", "Bossa Nova", "Jovem Guarda", "Tropicália", "Beatles", Roling Stones", "The Who, Pink Floyd, Yes, Cream, Led Zeppelin...", o fim de "The Who, Pink Floyd, Yes, Led Zeppelin...", "Conferência de Estocolmo", "era acordado às seis da manhã para ir pra escola", "o governo vende o país para a Rede Bobo"... "éramos a décima-quarta economia do mundo", "Prenúncio da Era de Aquarios... When the Moon...", "Cinqüenta..."

Tornei-me adulto jovem e meu jargão foi quase todo para o espaço: "Terceiro Mundo" virou "Países em Desenvolvimento", "Cortina de Ferro", "Guerra Fria", "Guerra do Vietnam", Guerra dos Seis Dias" viraram "Queda do Muro de Berlim", "Disco", "MPB", "Anistia", "Abertura lenta e gradual", "Brizola", "Lula metalúrgico", "Rio-92",... "dois casmentos e uma filha", "me acordavam às seis da manhã para trabalhar", "a Rede Bobo toma conta do país", "C@llor na Presidência, junto com os outros...", "chegamos a ser a oitava economia do mundo", "computador e internet", "e a tal da Era de Aquários parece que afundou..."
 
Já ando um adulto de meia idade e novamente meu jargão está indo pro espaço: "Países em Desenvolvimento" virou "Economias Emergentes"; as guerras viraram "terrorismo" e "Israel massacrando Gaza", "três casamentos e duas filhas", "me acordo involuntariamente às seis da manhã...", "a Rede Seitas começa a tomar conta do país", "somos a décima economia do mundo, a "Jovem-Bossa-Tropicália-MPB-Nova" está quase esclerosada, caducando, trocada por uma joça que chamam de "Axé-Pagode-Hip-gente que mata gente-Madona-e-por-aí-vai", "trocaram o aquário pelo aquecimento global, mas parece que não adiantou...", "Pós-Modernidade", "C@llor no Senado... junto com os outros..."

Bueno, dava pra ficar uns bons dez anos enumerando comparações. Dava até pra pensar que meu tempo era melhor do que o tempo atual das minhas filhas, como por vezes cheguei a pensar em relação ao tempo dos meus pais, que viveram a Grande Depressão e Segunda Grande Guerra. Mas viveram o tempo das Grandes Orquestras... Por sinal, tudo nessa época era taxado de "Grande".

Deve ser isso: não temos nada de grande a não ser a merda global que criaram nos últimos trinta anos. GRANDE MERDA. Os historiadoes mais puristas chamarão, quem sabe, de SEGUNDA IDADE MÉDIA. Mas penso que deverá prevalescer, na história, a IDADE DA GRANDE MERDA. Como, aliás, foram todas as épocas de transição da humanidade. Veja-se os recentes casos da China e dos EUA: a China, de obscura sombra do comunismo, virou a terceira maior economia do mundo. Só sabe espalhar merda pro planeta; os EUA, de primeira potência do capitallismo, está virando num declarado comunista: o mundo inteiro sustenta a quebradeira que eles mesmos provocam. Além, claro, de outro "ismo" - quem sabe pior ainda - o consumismo.

 Enquanto isso, nós continuamos dançando e espalhando merda, alegres em torno das salas dos BBBsmerdas da vida...

Pensando bem, não dá uma certa sensação de inutilidade? Cinquenta anos (até isso mudou...) e nada! Pertenço a uma geração inútil que só fez disfarçar, para si mesma, que mudou o mundo. Mudar até mudou, sejamos francos. MAS PARA PIOR!

Nasci quando alguém dizia "50 em 5". Parece que nem em mais 500 vai dar... Cresci quando alguns diziam que "tomando conta do poder" iriam resolver os problemas do país... Foram embora sem que resolvessem nada... Saí às ruas berrando pelas diretas... e daí?

E daí, olhem para os quase tricentenários três poderes: continuam a ser apenas um, o PODER DO UMBIGO!

Vou começar a procurar alento na outra vida. Nessa já não há mais esperança!


Pois é,

Digam que acreditam ou não em Deus e eu responderei que "tudo bem, faz parte"! Mas não venham me dizer que acreditam no tal "Poder Executivo". Seja de que "esfera" for. A única coisa que esse tal "poder" sabe fazer bem feito é nos fazer de palhaços.

Desta vez aconteceu na minha "Mui Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre", que ganhou esse título ao tempo da Guerra dos Farrapos. Bons tempos esses. Quem sabe nessa época tais fatos não seriam noticiados.

Constrói-se, COM DINHEIRO DOS NOSSOS BOLSOS, um corredor de ônibus onde não cabe um dos tipos de ônibus que por lá circulam. Não riam ainda, tem mais.

Depois de pronto, lembraram que deveriam ter instalado os cabos subterrâneos para o funcionamento das sinaleiras. Pronto. Quebra tudo o que fora feito.

O pior de tudo é o que disse o tal de superintendente da Metroplan (companhia do governo encarregada do transporte metropolitano da Grande Porto Alegre):

"-- Se tiver que ser feita alguma correção no projeto, vamos fazer e não haverá nenhum custo para o governo -- afirmou Nelson."

Nélson Lídio Nunes. Nome do Diretor-Superintendente da Metroplan.

Com quem esse babaca pensa que está falando? Será que ninguém disse pra ele que "governo" é o nosso bolso? Será que ele pensa que é assim tão fácil fazer cagada e depois dizer que não vai custar nada "para o governo"?

Quando é que vão colocar um merda desses pra fora do serviço público? Não por mera incompetência - o que está demonstrando de forma sobeja -, mas por pensar que somos, nós os contribuintes, trouxas que sustentam a vidinha fácil e bela e ele deve levar com o nosso dinheiro? (se é que não foi colocado lá por meros favores políticos, com soe acontecer...)

A avenida onde o corredor de ônibus foi construido chama-se Baltazar de Oliveira Garcia. Segundo a notícia (aqui), os funcionários da Metroplan já deram o apelido "Baitazar de Oliveira Garcia".

Baitazar temos nós com gente desse naipe comandando empresas públicas...

E se o babaca ainda tem dúvidas:

"Face à deficiência na prestação dos serviços públicos, as famílias têm que gastar cada vez mais com serviços privados em substituição àqueles que deveriam ser fornecidos pelo Poder Público, com isso a classe média brasileira  trabalha 75%  do ano para pagar tributos e adquirir serviços, revela  Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT." Daqui, ó! É de apavorar!


Pois é,

Habemos novidades na Condessa e no Ambiarte.

Abro aspas para uma afirmação:

"Nós aplaudimos os donos do City Crab and Seafood por sua decisão compassiva em permitir que este nobre ancião viva seus últimos dias em paz e liberdade."

Não é necessário citar a quantidade enorme de dinheiro gasto em guerras e para gerar mais dinheiro, o que mata além de milhares de "anciãos", milhares de crianças pelo mundo.

O ancião tem nome. Chama-se George. O detalhe é que o George da notícia é uma lagosta, cuja idade foi estimada em 140 anos por causa dos seus 9 quilos. Uma ONG se movimentou para salvá-la da panela, apesar das declarações dos donos do restaurante de que não fariam isso.

Há limites para a insanidade defensora da natureza. Assim como algum dia descobriremos limites para a insanidade destruidora, não da natureza, mas de nós mesmos.

Outras aspas:

"Nós sabemos que algumas pessoas podem ser um pouco sensíveis em relação a isso (comer esquilos), então decidimos tentar fazer um patê, de forma que não fique tão óbvio que se trata de carne de esquilo."

Declaração do dono de um restaurante inglês, referindo-se às panquecas feitas com carne de esquilo cinzento, considerado uma praga que está acabando com os esquilos vermelhos.

Será que não existem alguns esquilos cinzentos anciãos virando panqueca?

Limites, limites...




About this Archive

This page is an archive of entries from janeiro 2009 listed from newest to oldest.

dezembro 2008 is the previous archive.

fevereiro 2009 is the next archive.

Find recent content on the main index or look in the archives to find all content.

Pages

Powered by Movable Type 4.24-en