Dia chegaremos em que essa frase-título será ouvida em todas as sinaleiras do mundo, substituindo a atual "Tio, tem uma moedinha pra me dar? É pra comprar comida!"Temos um sério problema de percepção do tempo. Somos capazes de perceber apenas um ciclo "dia-noite". Mais, foge da nossa capacidade. Vira futuro! E só sabemos lidar com o futuro na imaginação. O "aqui-e-agora" é o que vale. Cartão-ponto!
As coisas são fáceis para nós. Bateu o cartão na hora, é salário integral no fim do mês. E salário integral para pagar a conta que a grande maioria, que vive de aluguél, não vê, pois vem imbutida no "condomínio": a conta da água!
Desista de ler agora! Para ler o que vem por aí é preciso ter "estômago". Vais prosseguir? Será por conta e risco, hein? O post faz parte da blogagem coletiva que promovemos lá no Faça a sua parte. Acesse o Calendário Verde do Faça a sua parte e informe-se mais sobre esse dia. Leia, também, os posts que estão participando da blogagem.
Tem gente que urina 100 ml (e até menos) e gasta 20 litros da mais pura e tratada água para "limpar" aquilo que considera a "sua sujeira". Já ouvi gente dizendo: "mas é feia aquela água amarelada...". Feio, gente, vai ser pedir água nas esquinas.... E até parece que a casa está sempre cheia de visitas que irão ao banheiro a todo momento e notar. Na maior parte das vezes, nossa urina é da mesma "cor" da água (mas atenção: se isso não acontece com você, procure um médico ou alimente-se melhor). Claro que para o n.° 2 não há alternativa, mas pelo menos esse é apenas uma vez por dia (mas atenção: se isso não acontece com você, procure um médico ou alimente-se melhor).
Ainda se vê por aí (e muito) pessoas "varrendo" calçadas com água. E por que moradores de condomínios deixam isso acontecer? Porque a conta da água não aparece. Mas principalmente porque, ironicamente, fomos educados a não dar bola para a água. E digo ironicamente porque todos sabemos que a água é vital para a nossa própria existência.
Nosso problema de percepção do tempo não nos deixa perceber que a água potável, além de cara, vai acabar. E quando comeeçar a acabar, alguém irá lembrar que estamos sentados sobre uma das maiores reservas mundiais de água doce: o Aqüífero Guarani. Sim, esse da imagem que ilustra o post (região em azul). Já se apregoa, por aí, que existem "movimentações" no lado dos hermanos da tríplice fronteira, como forma de garantir essa disponibilidade de água num futuro não muito distante.
Um vídeo sobre o Aqüífero Guarani, pode ser visto aqui.
Teorias da conspiração à parte, o fato que o Brasil está sobre 70% desse manancial. E "A combinação da qualidade da água ser, regra geral, adequada para consumo humano, com o fato do aqüífero apresentar boa proteção contra os agentes de poluição que afetam rapidamente as águas dos rios e outros mananciais de água de superfície, aliado ao fato de haver uma possibilidade de captação nos locais onde ocorrem as demandas e serem grandes as suas reservas de água, faz com que o Aqüífero Guarani seja o manancial mais econômico, social e flexível para abastecimento do consumo humano na área." (daqui).
Mais, "Sob condições naturais, apenas uma parcela das reservas reguladoras é passível de explotação. Em geral, esta parcela é calculada entre 25% e 50% (Rebouças, 1992) das reservas reguladoras, respectivamente entre 40 a 80 km³/ano. Este volume pode aumentar dependendo da adoção de técnicas de desenvolvimento de aqüíferos disponíveis; contudo, os estudos deverão ser aprofundados para definir a taxa de explotação sustentável das reservas, uma vez que a soma das extrações com as descargas naturais do aqüífero para rios e oceano, não pode ser superior a sua recarga natural.

A proteção contra os agentes de poluição que comumente afetam os mananciais de água na superfície, que decorre de mecanismos naturais de filtração e autodepuração bio-geoquímica que ocorrem no subsolo, resulta numa água de excelente qualidade. A qualidade da água e a possibilidade de captação nos próprios locais onde ocorrem as demandas fazem com que o aproveitamento das águas do aqüífero Guarani assuma características econômicas, sociais e políticas destacadas para abastecimento da população.
Aspectos relativos ao desenvolvimento e uso das funções do aqüífero são ainda incipientes. O uso da energia termal de suas águas poderá resultar, eventualmente, em economia de energia de outras fontes e em processos de co-geração de energia elétrica. Atualmente, destaca-se o uso energético em balneários e indústrias agropecuárias.
Um dos principais problemas existentes é o risco de deterioração do aqüífero em decorrência do aumento dos volumes explotados e do crescimento das fontes de poluição pontuais e difusas. Essa situação exige gerenciamento adequado por parte das esferas de governo federal, estadual e municipal sobre as condições de aproveitamento dos recursos do aqüífero." (daqui)
Um das principais fontes de poluição dos mananciais, além da poluição causada por uso de agrotóxicos, é a falta de sanemento. O Brasil apresenta, infelizmente, um quadro alarmante com relação ao saneamento. O texto a seguir ilustra bem a nossa situação:
"Apesar da importância para saúde e meio ambiente, o saneamento básico no Brasil está longe de ser adequado. Mais da metade da população não conta, sequer, com redes para coleta de esgotos e 80% dos resíduos gerados são lançados diretamente nos rios, sem nenhum tipo de tratamento.
O descaso e a ausência de investimentos no setor de saneamento em nosso País, em especial nas áreas urbanas, compromete a qualidade de vida da população e do meio ambiente. Enchentes, lixo, contaminação dos mananciais, água sem tratamento e doenças apresentam uma relação estreita. Diarréias, dengue, febre tifóide e malária, que resultam em milhares de mortes anuais, especialmente de crianças, são transmitidas por água contaminada com esgotos humanos, dejetos animais e lixo.
Em 2000, 60% da população brasileira não tinha acesso à rede coletora de esgotos e apenas 20% do esgoto gerado no País recebia algum tipo de tratamento. Nesse mesmo ano, quase um quarto da população não tinha acesso à rede de abastecimento de água. Este quadro foi apresentado em 2004, no Atlas de Saneamento do IBGE, que teve como base os dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), divulgada em 2002, combinado com informações do Censo 2000 e de instituições do governo e universidades.
A avaliação da abrangência dos serviços de saneamento no País feita pelo IBGE considerou a existência ou não de serviços de saneamento nos municípios, independentemente de sua extensão, eficiência e quantidade de domicílios atendidos. O resultado é que a maioria dos municípios brasileiros, cerca de 97,7%, conta com rede de abastecimento de água e apenas metade deles possui rede de esgoto. Ainda segundo o Atlas, mais de 77,8% dos domicílios brasileiros tinham acesso à água potável em 2000, enquanto apenas 47,2% das casas eram servidas pela rede de esgoto.
Ainda segundo esta pesquisa, entre os 5.507 municípios do País, mais de 1,3 mil enfrentam problemas com enchentes. A coleta de lixo é amplamente difundida, porém a grande maioria dos municípios (63,3%) deposita seus resíduos em lixões a céu aberto e sem nenhum tratamento. Os aterros sanitários estão presentes em apenas 13,8% dos municípios brasileiros, e apenas 8% deles afirmam ter coleta seletiva.

A ausência de investimentos em itens tão fundamentais como os serviços de saneamento têm impactos sobre a saúde da população e o meio ambiente. O estudo do IBGE mostra que, em 2000, foram registrados mais de 800 mil casos de seis doenças - dengue, malária, hepatite A, leptospirose, tifo e febre amarela - que estão diretamente ligadas à má qualidade da água, às enchentes, à falta de tratamento adequado do esgoto e do lixo. Naquele ano, mais de 3 mil crianças com menos de cinco anos morreram de diarréia.
A pesquisa do IBGE demonstra grande desigualdade na distribuição dos serviços pelas grandes regiões do País. A região Sudeste se destaca como a área com os melhores serviços de saneamento. Por outro lado, as regiões Nordeste e Norte são as que apresentam os piores índices. No Nordeste, mais da metade dos municípios não conta com rede de abastecimento de água e de esgotos." (daqui)
O site do Ministério das Cidades tem muito material interessante sobre o assunto no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.
Bueno, se um país não consegue investir sequer em saneamento básico, que dirá investir na proteção dos seus mananciais, como o Aqüífero Guarani. Talvez nem seja o caso de uma guerra, pois é muto fácil tomar conta de algo que não é cuidado.
Só nos restará pedir: Tio, me dá um gole d'água, por favor!Imagens: Wikipédia, Embrapa e Santa Genebra.











































Parabéns,
foi uma ótima matéria.
Na minha opinião, os Estados Unidos estão de olho no aquífero guarani desde a tentativa deles de implantar a ALCA na américa do sul.
Também acho que o Brasil tinha que proteger ao máximo o aquifero, com grande proteção e espionagem militar na região, colocando várias bases bem distribuidas pela região da tríplice fronteira o mais rápido possível. Porque você acha que a ONU colocou o Brasil como lider na Guerra do Haiti, e mais recentemente tentou usar as FARC na colômbia para tentar promover uma guerra aqui na américa do sul, para desviar todas as atenções do Brasil ( que é a maior força militar da triplice fronteira ), e devagarinho e silênciosamente tomar o aquifero de nós, talvez num ataque surpresa já planejado à anos por eles.
por favor, queria um comentário desta minha intuição, saber suas opiniões.
Obrigado...
Excelente matéria!
Já passei a todos meus alunos!
Parabéns!
Engenharia Ambiental
Ambiente Livre
Afonso, um vaso sanitário preto ou marrom acabaria com a repulsa ao amarelo.
Eu encontrei um site super legal que fala do aquifero guarani e sua utilização no futuro
http://tinyurl.com/27avdx
Vi uma reportagem hoje na tv, na Band News falando da falta de água na Bahia e como a lagoa de abaeté está sumindo. A população das cidades vizinhas fechando o comercio e as pessoas deixaram de tomar banho para terem água para cozinhar.
Se as pessoas não aprendem por bem, aprendem na marra. Infelizmente! Beijus
O que me deixa chateado é que às vezes nem querendo a gente consegue melhorar as coisas. O exemplo do xixi. Casa com pererecas = dar descarga toda hora. Não tem jeito, as bichas não querem sentar num vaso amarelo. Então estou há tempos procurando uma privada que tenha dois fluxos: um "de leve" para o nr. 1 e o outro para o 2. Não acho. Já quando eu casar, aí não tem grilo: se não tiver mictório mesmo, terá água amarelinha durante boa parte do dia.
Eu vi os vídeos e achei bem legal. Eu pensei que o Aquífero estava localizado na terras dos Guarani de Mato Grosso do Sul. Você sabe por que o nome do Aquífero é Guarani?
A água é um direito humano, infelizmente existem pessoas que tem esse direito violado.
Afonso, você tem razão quando diz que fomos educados para não ligar para a água, gastando como se ela fosse inesgotável. Mas é tempo de repensar todos os gestos que fazemos e que envolvem a água, senão teremos graves problemas no futuro.
Quanto ao Aquífero Guarani, eu o desconhecia completamente. O Brasil tem riquezas naturais enormes, precisa ter responsabilidade para gerá-las, proteger da poluição e explorá-las em favor de toda a população.
Esta situação do saneamento básico é crítica e vergonhosa, pensar que ainda há pessoas que adoecem por não ter acesso a ele...
Tomara que esta blogagem consiga sensibilizar as pessoas em relação a todos estes problemas, né?
Abraços.