fevereiro 2008 Archives

Pois é,

Copernico.jpgO lado bom da Ciência, é que ela admite que toda moeda tem dois lados. Talvez se possa dizer o mesmo da Religião, se pensarmos em Deus e no Diabo, como lados dessa moeda. A diferença entre ambas, ciência e religião, é que para a segunda somente um lado prevalecerá. Sempre. Para a ciência, no entanto, é natural que uma teoria se contraponha a outra e acabe se tornando adotada por todos. Basta lembrar do clássico Copérnico versus Ptolomeu, vencido pelo primeiro, embora a ajuda poderosa dada para o segundo pela religião.

Estamos assistindo ao retorno dos bons e velhos tempos medievais. Talvez um neomedievalismo. Vingança? Quem sabe. Se Adão realmente comeu da Árvore do Conhecimento, nada mais fez do ciência. E ali mesmo, diante do Criador. Um desafio inaceitável, a ser pago não com o suor do rosto, mas com a perseguição implacável - e aparentemente eterna - que a religião faz com a ciência.

A ciência não nega Deus. A religião tenta negar, ou nega em alguns casos, a ciência.Ptolomeu.jpg Cientistas, no mais das vezes, são pessoas que se deparam cotidianamente com a grandeza do universo e da vida; e aceitam que o que fazem apenas explica "um pedacinho" desse universo e dessa vida. Religiosos, no mais das vezes, são pessoas que param com a grandeza do universo e da vida; e simplesmente aceitam que esse universo e essa vida foram postos por Deus. E ponto final.

Cara e Coroa não se vêem e não se tocam. Estão em lados opostos. Não haverá diálogo possível entre ciência e religião, a menos que se funda a moeda. Mas aí será tarde!


Também publicado no Faça a sua parte.

A imagens de Copérnico e Ptolomeu foram copiadas da Wikipédia.


Pois é,

pedras.jpgNão conheço e nunca vi mais gordo ou mais magro. Ainda bem!

Antes, abro uma exceção para a possibilidade desse sujeito ter escrito isso de forma irônica, imbuído da vontade de "levantar" a lebre do assunto. Fora isso, não resta dúvida de que deveria ser banido do mundo. Mantido preso nessas prisões estelares das obras de ficção científica. Eternamente, para nunca mas  voltar a por os pés na Terra. Essa mesma Terra que ele acredita "gozar de plena saúde". E que leve junto uma assinatura, também eterna, do jornal que se digna a publicá-lo!

Por sorte, sei lá, o mesmo jornal, e talvez para não parecer que não é "democrático", publicou a réplica do Arnaldo Antunes.

Leiam os dois textos. E concluam por si mesmos.

"http://www1. folha.uol. com.br/fsp/ ilustrad/ fq0402200818. htm

São Paulo, segunda-feira, 04 de fevereiro de 2008
NELSON ASCHER

Quente ou frio?

O lobby mais poderoso e articulado é, sem dúvida, o dos verdes ou
ecologistas

QUANDO VIERAM atrás das lâmpadas incandescentes, não protestei porque já me
habituara a ler à luz de outras; quando baniram os bifes, não disse nada
porque podia comer pizzas; quando eliminaram os transgênicos, tampouco
reclamei, pois meu salário bastava para comprar alimentos orgânicos; quando
proscreveram os vôos internacionais, dei de ombros, pois já conhecia Paris,
Londres, Veneza; quando tornaram proibitivo o uso de automóveis, obrigando
todos a se aglomerarem em ônibus e metrôs, calei-me porque trabalhava em
casa; quando plastificaram as genitálias alheias para limitar a produção de
bebês, ri da história porque não me dizia respeito; quando criminalizaram a
sátira, os comentários politicamente incorretos, a obesidade, o fumo etc.,
aí, obviamente, já era tarde demais para abrir o bico.

Poucas décadas atrás, todas as proibições mencionadas teriam parecido
ridículas, quando não absurdas. Dependendo de onde a vítima viva, hoje a
maioria delas se tornou real demais. E muitas estão sendo impostas aos
cidadãos não por meio de mecanismos democráticos, como a discussão e o voto,
mas através de lobbies endinheirados que pressionam governos para que estes
imponham à sociedade as manias desta ou daquela minoria obsessiva.
O lobby mais poderoso e articulado é, sem dúvida, o dos verdes ou
ecologistas. Esse pessoal não apenas meteu na cabeça que, devido a algumas
variações de frações de graus nos últimos cem anos, o planeta está prestes a
se derreter, como se convenceram também de que nós, ou seja, os seres
humanos, é que somos a causa do suposto desastre. Gente como Al Gore, os
militantes do Greenpeace e os burocratas transnacionais da ONU selecionam a
dedo, entre inúmeras hipóteses contraditórias, as poucas que lhes confirmam
os preconceitos, obtêm apoio de alguns cientistas que acreditam nelas,
conseguem o silêncio de muitos outros e, valendo-se de modelos
computacionais às vezes duvidosos, muitas vezes discutíveis e discutidos,
transformam em verdade absoluta o que mal passa, no momento, de uma
especulação entre tantas, declarando, precipitada e acientificamente, que se
trata de consenso indiscutível. Para completar, demonizam ou isolam quem
quer que levante a menor objeção.

Mas, como não faltam mais aqueles que estão devidamente habituados a/e
vacinados contra seu terrorismo conceitual (e, não raro, seu terrorismo
propriamente dito), o fato é que, se submetidas aos processos decisórios
normais de uma democracia, as medidas que eles reivindicam para combater
tais males imaginários jamais seriam referendadas pelo grosso do eleitorado.
Aí entram milionários como George Soros, companhias preocupadas com o efeito
da propaganda negativa, firmas interessadas em vender produtos
ecologicamente corretos, economias estagnadas que vêem nessa medida uma
maneira de prejudicar as que andam a pleno vapor, países, ou antes, governos
e elites do Terceiro Mundo aos quais se promete certa vantagem financeira em
troca de apoio e assim por diante.

Um exemplo ajuda: pouco antes de deixar a presidência dos EUA para se tornar
uma presença requisitada em Davos e lobbista internacional, Bill Clinton
assinou o Protocolo de Kyoto. Por que é que só o fez então? Porque sabia que
o documento não tinha a menor chance de passar pelo Senado. Embora seu gesto
fosse, como tal, inútil, este aumentava sua popularidade entre o jet-set
internacional em detrimento, é claro, da imagem de seu país. E isso apesar
de sabermos que Kyoto era praticamente inútil, que as nações mais vocalmente
empenhadas em seu sucesso têm sido as que mais longe ficaram das metas
propostas.

A preocupação exacerbada com o clima e o meio ambiente, coisas cujo
funcionamento se conhece pouco e mal, já resultaria em problemas imediatos,
pois, para a parcela miserável da humanidade, dificulta cada vez mais a
superação de seu estado. O que a faz ainda pior é o fato de que seja usada
para encobrir ou eclipsar as questões verdadeiramente urgentes, os perigos
autênticos que nos rondam: fanatismo religioso e conflitos interétnicos,
terrorismo e banditismo internacionais, contrabando de armas e narcotráfico,
migrações descontroladas, ditaduras genocidas em vias de adquirir armamentos
nucleares. Nada disso, porém, desviará a atenção de milhares ou milhões de
militantes que, como os adeptos de qualquer seita, são movidos por dois
desejos prazerosos, a saber, o de policiar a vida alheia e o de punir o
sucesso de sociedades inteiras que não comungam de sua fé apocalíptica.

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http://www1. folha.uol. com.br/fsp/ ilustrad/ fq1702200819. htm

São Paulo, domingo, 17 de fevereiro de 2008

RÉPLICA

Uma piada de mau gosto

Em resposta a texto do colunista Nelson Ascher, o músico Arnaldo Antunes
destaca a urgência da questão ambiental

ARNALDO ANTUNES
ESPECIAL PARA A FOLHA

É DE derrubar o queixo o artigo de Nelson Ascher de 4 de fevereiro, nesta
Ilustrada, em que declara que "o lobby mais poderoso e articulado é, sem
dúvida, o dos verdes ou ecologistas" , que estaria impondo ao mundo inúmeras
restrições, baseado em "males imaginários".

Tendo em conta as enormes dificuldades para conseguir reduzir minimamente os
efeitos de uma situação planetária que vem se revelando muito mais alarmante
do que até então todos supúnhamos, tal afirmação do colunista parece uma
piada de mau gosto.

A urgência em se tratar da questão ambiental vem sendo comprovada por
inúmeras pesquisas científicas e evidências incontestáveis, a despeito das
já reportadas pressões que o governo americano vem exercendo sobre seus
cientistas para atenuarem, retardarem, alterarem ou excluírem suas
conclusões sobre o meio ambiente dos relatórios oficiais.

Nelson Ascher repete aqui a ladainha do "não é bem assim", que vem sendo
usada com freqüência pelos representantes dos interesses das indústrias
poluentes para tapar o sol com a peneira e não alterar suas condutas em
relação ao meio ambiente. Faz isso desde o título de seu texto ("Quente ou
frio?"), pondo em dúvida, não só o aquecimento global, como também a
responsabilidade humana sobre ele.

É claro que medidas ecológicas implicam diretamente reduções drásticas nos
lucros imediatos de determinados grupos empresariais, diante dos quais as
reivindicações dos ambientalistas (como reduções nas emissões de CO2,
tratamento adequado do lixo, descontaminaçã o das águas, restrição ao
desmatamento das florestas) ainda engatinham, contra muita resistência e
pouca consciência.

Metáforas medonhas
Ao mesmo tempo, não é de espantar a postura de Nelson Ascher, para quem já
vem acompanhando, em doses semanais, sua campanha a favor da desastrosa
política externa da administração Bush e de seus métodos para combater o
terrorismo internacional.

Nos primeiros momentos da invasão norte-americana no Iraque, Ascher
comemorou com entusiasmo a suposta vitória (com metáforas medonhas como as
de bombas caindo como pizzas "delivery"), sem perceber o quanto não se
tratava de um termo, e sim do início de um conflito armado que se estende
até hoje, sem uma solução à vista.

Dessa visada, seu artigo parece fazer sentido, pois serve bem ao que almeja
a nova ordem americana (marcada pela intolerância nas relações exteriores,
assim como pela recusa em aceitar as restrições internacionais para controle
do aquecimento global), contra o que já chamou, em outros artigos, de "velha
Europa".

Ainda, para Nelson Ascher, os defensores do meio ambiente seriam
responsáveis por uma série de "proibições" que, "poucas décadas atrás,
teriam parecido ridículas": "baniram os bifes", "eliminaram os
transgênicos" , "proscreveram os vôos internacionais" , "tornaram proibitivo o
uso de automóveis", "plastificaram as genitálias alheias para limitar a
produção de bebês", "criminalizaram a obesidade, o fumo etc.".

Um mínimo de sensatez basta para duvidar da maioria dessas colocações. O
culto à forma física e a proibição ao fumo têm origem mais ligada a questões
de saúde pública e conservadorismo moral do que à defesa do meio ambiente.
Por sua vez, o uso de preservativos -apesar de atualmente ter mais relação
direta com a ameaça da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis
do que com causas ecológicas, como o controle de natalidade- apresenta uma
alternativa libertária e necessária, contra a qual o puritanismo das forças
neoconservadoras (as mesmas que tentam substituir Darwin por Adão e Eva no
ensino primário) investe com a defesa das relações monogâmicas e do sexo
apenas com fins de procriação. Quanto às outras restrições, parecem
ilusórias ante a constatação da realidade cotidiana.

As ofertas para consumo de carne aumentaram em quantidade e variedade nas
últimas décadas, e não parece preciso lembrar aqui que parte da floresta
amazônica vem sendo devastada para se tornar pasto. Os preços das passagens
para vôos internacionais caíram consideravelmente. As facilidades de compra
parcelada de automóveis também aumentaram, ao ponto de o número de veículos
nas ruas levar a uma situação indomável, da qual nenhuma espécie de rodízio
parece dar conta.

Enfim, por mais que nos queira fazer crer no contrário o colunista, o fato é
que venceu a cultura do excesso, do desperdício e da irresponsabilidade em
relação a um futuro que não seja imediato.

É por isso que, a cada dia mais, temos que conviver com insanidades como,
para ficar em pequenos exemplos, guardanapos de papel embrulhados um a um em
embalagens plásticas, canudos de plástico revestidos um a um em embalagens
de papel, sachês de material plástico embalando pequenas porções de
mostarda, ketchup, azeite, maionese etc., que, numa estúpida assepsia (que
há poucas décadas, sim, pareceria ridícula), vêm, gota a gota, degradando o
planeta.

Era Bush
E, é claro, esse estado de coisas combina bem com a conjunção de
intransigências que marca a era Bush, apoiada principalmente pelos lobbies
das indústrias petrolífera e armamentista, não só imensamente mais poderosas
do que as que lutam pela preservação do meio ambiente, como também com
interesses antagônicos a elas.

Muito mais graves do que as "proibições" atribuídas por Ascher aos
ecologistas são as restrições à liberdade individual levadas a cabo pelo
governo americano em sua campanha antiterrorista -correspondências violadas,
prisões sem mandados ou advogados, perseguições a pessoas que se oponham à
guerra, cerceamento de manifestações de rua, restrições crescentes para
concessões de vistos a imigrantes.

Mas o que é mais inaceitável é a afirmação de que "a preocupação exacerbada
com o clima e o meio ambiente, coisas cujo funcionamento se conhece pouco e
mal, já resultaria em problemas imediatos, pois, para a parcela miserável da
humanidade, dificulta cada vez mais a superação de seu estado", ante a
evidência de que os mais desfavorecidos economicamente são também os que
mais sofrem as conseqüências das contaminações tóxicas e dos desvios
naturais decorrentes delas.

Além disso, Ascher ignora os inúmeros projetos de inclusão social
relacionados à coleta seletiva de lixo e reciclagem, por exemplo, entre
outras iniciativas ecológicas.

Quanto ao Protocolo de Kyoto (que os EUA não assinaram, apesar de serem os
maiores contaminantes) , cujas metas parecem hoje insuficientes diante dos
mais recentes relatórios sobre a situação ambiental, o articulista afirma
"sabermos que era praticamente inútil, que as nações mais vocalmente
empenhadas em seu sucesso têm sido as que mais longe ficaram das metas
propostas", como se uma lei devesse deixar de existir apenas pelo fato dela
não estar sendo devidamente cumprida.

Há pessoas que defendem esse estado de coisas dizendo: "poderia ser pior",
como no caso da ordem mundial ser tomada pelo fundamentalismo islâmico, em
que todos os considerados "infiéis" poderiam sofrer violência desmedida.
Eu acho que deveríamos pensar: "poderia ser melhor", se os Estados Unidos e
os países que os seguem assumissem seus compromissos com o controle de
abusos ambientais; se houvesse maior liberdade de trânsito entre as
fronteiras; se a intolerância desse lugar ao diálogo; se todos pensassem não
só nos seus filhos e netos, mas também nos tataranetos dos seus tataranetos.

ARNALDO ANTUNES é poeta, compositor e cantor"

Pensem a respeito...


Situação critica!

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Pois é,

sol.jpgA situação está atingindo um ponto crítico. Até bem pouco tempo ainda era possível parar nas sinaleiras com as janelas do carro abertas. Hoja já não dá mais. Pouquíssimas são as sinaleiras, ao menos aqui em Porto Alegre, que não estejam tomadas de pedintes de toda espécie.

E quando digo "espécie", me refiro tanto a gente que realmente necessita, quanto a um mundaréu de desocupados que fazem das esquinas seus "pontos" de sustento. Isso tudo sem falar dos "flanelihas". E gente com saúde, forte, jovem, que bem poderia estar trabalhando. Houve tempo em que quase somente crianças pediam nas esquinas. Agora só tem marmanjo.

Por ora se conformam com um "não tenho moedinha". Quando chegará o dia em que partirão para a agressão? O poder público parece fazer vistas grossas ao problema. Em qualquer deles o que se vê é o velho jogo de empurra.

E a coisa toda cresce. Quando passar do ponto crítico, vai ser difícil retornar!


Horário de verão

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Pois é,

folhas.jpgParodiando o Eclesiastes, há um da para estar feliz e há um dia para estar triste.

Hoje é dia para estar triste. Terminou mais um horário de verão. E com ele vem o prenúncio de que o verão também está por acabar. Tivesse acordado mais cedo e chegado antes na fila para ser deus, e o mundo certamente seria diferente. Sem frio. Apenas uma estação. Verão o ano todo. Tem coisa melhor que estar em casa, nove da noite, com céu ainda claro? E quente? Tirando gelar a cerveja, não vejo razão para o frio. Com algumas ressalvas, até se pode aceitar umas pitadas de primavera e de outono ao longo do ano.

Mas como disse, cheguei tarde na fila e o cara que ganhou o lugar resolveu fazer diferente. E criou o horário de inverno. Tem coisa pior do que estar na rua, seis da tarde, com o céu escuro? E frio? Sei que tem gente que gosta de frio, mas para esses eu criaria um espaço reservado no mundo, tipo desses que fazem para fumantes. Seria a Friolândia. Teria montanhas, para quem gosta de alpinismo na neve, e campos para esqui. Um país só para eles. Quem quisesse morar lá teria tudo a sua disposição: o que fosse produzido do lado de cá, estaria disponível para os moradores de Friolândia, que não precisariam sequer trabalhar para se sustentar. Haveria apenas uma condição: jamais poderiam sair. Quem ousasse ultrapassar a fronteira seria imediatamente queimado pelo calor do verão.

Que pena que eu sinto por não ter acordado mais cedo naquele dia...


Deu pau!

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Pois é,

Perdi meu template. Isso aqui vai ficar uma bagunça até eu terminar de ajeitar esse.


Direitos e Pedofilia

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Pois é,

inocenciaelyj3.gifOs Estados matam milhares e milhares de pessoas todos os dias, seja por falta de uma verdadeira opção no sentido de resolver a miséria (falta de alimentação, saúde, educação, trabalho, etc) em que a grande maioria da população mundial vive, seja em guerras ou ações terroristas disfarçadas de guerra.

O trânsito mata outras milhares. No mundo inteiro. No Brasil a situação já beira ao surrealismo, pois independente de qualquer campanha que seja feita, o número de mortos no trânsito só aumenta. Aqui o Estado também tem sua parcela de culpa: leis ainda brandas, justiça morosa, os chamados "direitos" acima de qualquer coisa, filinhos de papai que se safam, o que permite a verdadeiros assassinos andarem dirigindo por aí.

Pois bem, se o Estado mata tanta gente de forma oficiosa, porque não tornar oficial ao menosum dos piores crimes que se  pode  cometer contra um ser humano, a pedofilia?

Se para adultos ditos "normais", sexo já é um problema (tabus, vergonhas, dificuldades físicas e psicológicas e tantas outras coisas) o que dizer de crianças que sequer fazem idéia do que lhes esteja acontecendo?

É o rompimento do elemento central de toda formação de um ser humano: a inocência. Inocência que não deve ser perdida, mas transformada pela educação e pelo amor dos pais e da sociedade. O ato praticado na pedofilia arranca de vez essa inocência, impossibilitando que a criança, vítima, possa livremente desenvolver-se.
 
Talvez esteja na hora da sociedade rever alguns direitos. Uma sociedade que não pune de forma definitiva essa barbárie, está a um passo de se tornar tão bárbara quanto qualquer pedófilo. E bem sabemos que sociedade somos nós. Estamos nos tornando bárbaros!

Vejam mais no blog da Luma. Nesse post há uma lista dos participantes. É informação de sobra.




Tá certo!

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Pois é,

mata01.jpg

Foi carnaval, muita gente viajou. Então pra compensar, fica aqui a chance de apreciar a estréia do Chato no blog literário do Projeto Macabéa, o Macabelagem.


DEZ QUASE HAI KAI

I

Contrario-me!
Ou será,
que por ser do contra,
rio-me?


Vão ler os outros nove aqui. O Chato agradece!

Ah! E tem post novo lá no Faça a sua parte.


A Chata!

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Pois é,

casal1.jpg- Afonso?
- Quié, Chato?
- Tava aqui pensando...
- Imagino! Não tens feito outra coisa além disso...
- A culpa é tua. Quem mandou tirar férias?
- Antes tivesse me aposentado!
- Não falta muito, só dez anos. Isso se até lá não mudarem de novo as regras...
- Me chamou pra me azarar?
- Não, claro! Te chamei porque sei que a tua situação anda chata!
- Sim, e daí?
- Quero te propor um bom negócio.
- Qual?
- A chata! Tô precisando, sabe? O Chato e a Chata... e coisa e tal...
- Não entendi!
- A tua situação, pô! Não é chata? Pois é, quero ela pra mim!
- E o que vocês vão fazer, além do risco de eu ter que lidar com um monte de chatinhos?
- Te prometo que cuidamos deles sozinhos, se acontecer...
- Sei não. E o que tenho que te dar em troca?
- Nada!
- Como assim, nada! Não é um negócio?
- E, mas é tipo um negócio de pai pra filho, sabe como é...
- Pai pra filho uma ova. Não esquece que eu sou teu pai...
- Pai uma ova, pra ti também! Tu apenas me criaste...
- Pai é quem cria, não sabias disso?
- Ó, não vamos esquecer que o Chato aqui sou eu, tá? "Te liga", como anda dizendo a Condessa pra ti. Aliás, já paraste pra pensar que até a Condessinha, do alto dos seus dois aninhos, já anda te dizendo isso?
- Bobagem, isso ela aprende na escola e sai repetindo por aí.
- Bobagem, é? E hoje, quando mandaste ela parar de mexer nas tuas coisas e ela te respondeu: - problema teu, pai. Eu vi a cara de bobo que fizeste.
- Tá! Mas, voltando pra Chata, o que queres que eu faça?
- Dá ela pra mim! Simples assim.
- Não sei. Mal tenho tido tempo de lidar contigo, que dirá com uma Chata. Além do mais, é mulher, e mulher é...
- Deixa disso que eu sei que voltas a trabalhar depois do carnaval. E aí mesmo é que vai te sobrar tempo...



O Taim pegou fogo!

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Pois é,

Justo nos dias que antecederam esse Dia Internacional das Zonas Úmidas, no ano de 2008, uma das oito áreas brasileiras, consideradas sítios Ramsar, pegou fogo! Dia 28 de janeiro. Parece ter sido um ato da natureza (nenhuma causa foi divulgada ainda) para mostrar a importância da proteção que devemos as Zonas Úmidas. (cliquem nas fotos para vê-las ampliadas).


taim_incendio.jpg
taim_incendio03.jpg

Estou falando da Estação Ecológica do Taim, localizada aqui no extremo sul do Brasil. Graças a ação imediata do pessoal do IBAMA, bombeiros e voluntários, gente pra quem não era apenas uma "graminha" queimando, a fogo foi apagado. Até avião da FAB ajudou. A natureza também deu sua ajudinha: choveu por lá. Reproduzo duas fotos como homenagem a todos os que se dedicaram:


taim_incendio02.jpg
taim_incendio04.jpgTalvez pudessemos extrapolar o cansaço do bombeiro - e não seria má idéia - para um cansaço geral que sentimos quando a questão é a conservação do meio ambiente. Por incrível que possa parecer - e em pleno século XXI -, o meio ambiente ainda depende de gente disposta a exaurir suas forças.

A Estação Ecológica do Taim é um patrimônio mundial. É um sítio Ramsar. O tema desse ano, escolhido pela Convenção, é Healthy Wetlands, Healthy People", que, em tradução livre, poderia ser "Zonas Úmidas saudáveis, Gente saudavel".

Não vou falar aqui da Convenção de Ramsar sobre a proteção das zonas ùmidas. Há farto material no Calendário Verde do Faça a sua parte. Vão lá e leiam. Vou falar do Taim.

O Taim é uma Estação Ecológica. Segundo o site do Ministério do Meio Ambiente (nesta página), uma Estação Ecológica "Tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. É de posse e domínio públicos.", o que a diferencia das demais Unidades de Conservação.

taim_mapa.jpgQuem percorre a BR-471, em direção ao extremo sul do Brasil (lembram, do Oiapoque ao Chuí? Cliquem na imagem ao lado para vê-la ampliada) passa, ao longo de 16 Km, por dentro do Taim. Quem já teve essa oportunidade sabe bem que é um retão monótono cercado de arrozais e gado, de um lado (em parte), e de outro por um banhadinho sem graça.

Só percebe a diferença quando se vê obrigado a frear ao ver algum dos tantos animais ali existentes atravessando a pista. Isso quem respeita as placas de sinalização, que avisam para andar a 60Km/h. Muitos, infelizmente, ainda aproveitam o retão para "ganhar tempo" e acabam por matar capivaras, tartarugas e outros bichinhos que desconhecem os prazeres do petróleo.

Cisne_de_pescoco_preto.jpgO Taim é um spa natural. E uma maternidade. Aves migratórias fazem dele seu descanço e seu berço. Tem algo mais inteligente que isso? Por que será que bichos que não "pensam" escolhem um lugar desses - perdido num aparente fim de mundo como é o sul do Rio Grande do Sul - para fazer aquilo que Deus teria dito apenas aos homens, crescei e multiplicai-vos?

Por que será que que as aves viajam milhares de quilômetros, do Hemisfério Norte à Patagônia, e vice-versa, e ali param para procriar?

Para dar vida à vida! Para fazer aquilo que ainda não aprendemos.

Notícia de ontem (Zero Hora) dá conta de que foram queimados 5 mil hectares da estação, podendo chegar a 7 mil hectares, segundo o chefe da Estação. O Taim tem 33.815 hectares e pode ter perdido quase 20% nesse incêncio. A estação foi criada em 1986 pelo Decreto 92.693, de 21/07, e, posteriormente, seus limites foram ampliados pelo Decreto de 05/06/2003.

Veja um belo álbum de fotos do Taim, no site da Zero Hora.

Há um grupo, o Jeep Clube Mergulhões do Taim, que organiza "Travessias do Taim" e fotografa tudo. Um site e tanto. Vale e pena ver. Há, inclusive, fotos aéreas. A imagem abaixo é só um exemplo:

taim04.jpeg
Um site com textos interessantes: aqui.

Por fim, poesia em forma de imagens e palavras. Uma paixão e uma dedicação a servir de exemplo. Felipe Dumont é um fotógrafo apaixonado pelo Taim. Vejam algumas das lindas fotos que ele fez, aqui. Fez, também, um livro com fotografias do Taim: "Taim, uma reserva de vida". Reproduzo suas palavras na apresentação. Poesia pura:

"Meu amigo o Taim
O início da relação com o Taim foi difícil. Ele não se revelava. Tudo  que eu conseguia dele eram dores nas costas por ficar horas agachado, molhado até a cintura, esperando um jacaré ou um cisne, esperando a luz melhorar, esperando... sempre esperando. Aos poucos eu fui aceitando o jeitão dele. Fechado, arredio, cara de poucos amigos. Também pudera. Tantos anos de maus tratos, tantas agressões que ele sofreu. Acho que um dia ele entendeu que eu queria apenas ser seu amigo. E aí permitiu que eu conhecesse sua intimidade. Hoje temos uma amizade sólida e de respeito. Embora eu receba dele muito mais do que dou. Espero que com este livro eu esteja ajudando meu amigo Taim. Mostrando suas criaturas, suas luzes, suas belezas, tenho a esperança que outras pessoas venham a se tornar seus amigos."

"Embora eu receba dele muito mais do que dou". É assim. Tiramos mais do que damos. Até o dia que pega fogo e perdemos.

Estamos menos saudáveis, ou ficaremos menos saudáveis. E, com toda a certeza, menos saudáveis ficarão os animais que fazem do Taim suas moradias, seus ninhos ou tão somente um local de repouso. E seus amigos.

Quando vier ao Rio Grande do Sul, experimente sair um pouco das rotas "turísticas". Visite o Taim. Olhe os jacarés, as capivaras, os cisnes, os juncos - agora queimados -, as flores, toda a flora e fauna de um dos lugares que a natureza escolheu para nos dizer: "aqui eu me faço. E me fazendo, posso fazer vocês, bichos humanos".

Certamente obterão a resposta para a pergunta que fiz acima: por que será que bichos que não "pensam" escolhem um lugar desses - perdido num aparente fim de mundo como é o sul do Rio Grande do Sul - para fazer aquilo que Deus teria dito apenas aos homens, crescei e multiplicai-vos?



Fontes:

Todas foram devidamente citadas ou lincadas diretamente no texto. Não há objetivo de proveito pessoal nas citações e cópias. Todas foram utilizadas para colaborar na divulgação do Dia Internacional das Zonas Úmidas e na divulgação de um patrimônio da natureza; um patrimônio de todos nós, os amigos do Taim. Qualquer insatisfação, por favor, basta deixar um comentário.



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