Cidadania sustentável

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Pois é,


O conceito de "desenvolvimento sustentável" tornou-se mundialmente conhecido por obra e graça de Gro Harlem Brundtland - no relatório "Nosso Futuro Comum (Our Common Future, 1987) - onde se dizia ser necessário um desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.

O conceito foi definitivamente incorporado ao jargão mundial na ECO92 (Rio de Janeiro) e dele derivou a tão famosa, e tão menos ainda aplicada, "Agenda 21". Nos anos que se seguiram à Conferência do Rio, o conceito foi criticado por correntes de pensamento dos mais diversos matizes. Defensores e detratores até hoje não se entendem.

No fundo, o conceito trazia - e ainda traz, como pano de fundo - a idéia de limite. Qual o nosso limite, hoje, que permite às gerações futuras estabelecerem, também, seus próprios limites? Ou, dito de outra forma, que direito tenho hoje de estabelecer o limite que as gerações futuras poderão ter? Quem me deu esse direito? Deus? A Lei? Minha consciência?

Qual é o meu limite? Até onde estou disposto a abrir mão daquilo que o desenvolvimento econômico pode me dar, para deixar que as gereções futuras decidam a mesma coisa?

Tranposto para o campo da cidadania, posso inventar o conceito de "cidadania sustentável".

Ora, dirão alguns, cidadania ou é cidadania ou não é nada! Como assim, sustentável? Queres dizer que posso roubar o suficiente, hoje, de modo a deixar uma beirinha para que as gerações futuras também tenham o que roubar?

Pode até parecer assim, mas não é. O conceito tem a ver com limites. E limites tem a ver com valores!

Existem três classes de pessoas no Brasil:

- os que pensam que o país é deles
- os que gostariam de ter um país que lhes permitisse viver com dignidade
- os que não sabem a qual das classes anteriores querem pertencer

Em uma divisão arbitrária, eu diria que temos a seguinte proporção:

- 70% para os primeiros, 5% para os segundos e 25% para os terceiros. A divisão, é bom lembrar, não tem nada a ver com classes sócio-econômicas. Tem a ver com valores; valores que establecem os limites.

Os valores que norteiam as três classes são antigos. O que mudou - e esse é o problema - foi justamente a proporção entre as classes. Até pouco tempo, a primeira classe era constituída de uns poucos abastados, políticos e seus apaniguados. Coisas da origem do país, e coisa e tal, que todos conhecemos.

A segunda classe sempre foi a mais numerosa e constiuia-se no que costumávamos chamar de pobres e classe media (servidores públicos, bancários, professores, pequenos comerciantes, etc.). Gente que tinha por valores a familia, o trabalho, a religião, a honestidade, etc., etc., etc. Aliás, gente que tinha valores.

Os terceiros, bem, os terceiros eram os malandros. Malandros no bom e antigo sentido do termo. Gente criativa que apenas queria se dar bem sem prejudicar a niguém.

Com o tempo, e em termos de valores, aos primeiros juntou-se grande parte da classe média; pouca gente ainda acredita na tal dignidade e os malandros, esses agora só querem levar vantagem em tudo, além de prejudicar a todo mundo.

Antes de chegar ao conceito de cidadania sustentável, há que explicitar valores e limites.

No próximo post, pois ainda está muito frio...

12 Comments

Afonso, eu soube do avião e fiquei preocupada com você. Alguém conhecido? Espero que esteja tudo bem com os seus. Emocionei-me muito com aquelas famílias ao ouvir os nomes de seus familiares e queridos na lista. Sei bem o que é essa dor.
abraço, garoto

Comentei antes de saber do avião. Espero que não tenhas conhecidos nele. :-(

Afonso, concordo com a Luma. Esse tipo de gente é o que existe de pior. Beijocas

Dependendo da platéia, é só começar a falar em valores pra desancar bons adjetivos, como 'moralista', 'puritano' e 'conservador'. Enquanto isso, o mundo vai mal...

Grande abraço!

Cadê o post novo?

Pois é Don...A negligência dolosa gerou mais 200 vitimas e seus familiares....
Que classe de gente é essa?
que pais é esse, grita o poeta...
estou com ele!
bom dia

Afonso, queria que lesse esse texto
http://antigasternuras.blogspot.com/2007/07/em-algum-lugar-no-futuro_16.html

Li seu texto ontem e ainda não cheguei a conclusão nenhuma, porque acho que está faltando um classe de pessoas nesta sua relação. Existe aquela classe que não faz nada, que não se assume cidadão e que deixa para o outro tomar a decisão. Este é o verme da sociedade, o sanguessuga, ou o coitadinho, como queira. Assumir responsabilidades temos desde criança.
Está na hora do Chato baixar nova portaria!
Boa semana! Beijus, Luma

Afonso, em um mundo cada vez mais individualista, onde todos só querem garantir o seu quinhão, será que existe cidadania? E, ainda por cima, sustentável? Bem, quero crer que exista e que seja possível torná-la sustentável.

Eu ando muito desanimada com essa questão de respeito pelo próximo, quem sabe agora que estou de mudança para uma cidade menor (porque o Rio de Janeiro continua lindo, mas, ô, povinho mal-educado, viu?) talvez eu mude meu ponto de vista. Tomara, né? A esperança é a última que morre.

Quero crer que é possível, sim, deixar um mundo melhor para as nossas meninas.

Primeiramente, o senhor está sempre no topo da minha parada de sucessos, seja a ordem/tag que for.

Segundamente, depois de um fim-de-semana movido a Al Gore estes posts vieram a calhar. Eu estou pensando em me incluir numa quarta classe: a dos que acham que a Humanidade não fez nada de bom realmente para merecer/justificar sua permanência no planeta...

parodiando...a insustentável levesa de ser, faz coom que nós esqueçamos de viver com o proximo. Vivemos na procura da nossa classe, da nossa identidade, dos nossos valores, pois, cada dia, o que valia ontem, não vale mais hoje.
Voce terá que postar para explicar. Não saberia dizer em qual classe estou. Eu sempre fui minoria absoluta, pois contestoo pronto, o estabelecido, o limite. bom dia, senão vou escrever uma tese...rsss
abraços na condessinha, e nos seus seis gatinhos...

Afonso,
Barbaridade este frio aí! Eu aqui congelando com 26º !!! Cuidado com a Condessa, não deixa a lindinha congelar não!
Não vou comentar os textos, embora tenha lido todos, mas estou com o cérebro meio em ritmo de férias.
abraço, garoto

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on julho 16, 2007 8:10 PM.

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