Pois é,
Essa série de posts trata de cidadania. Mais, trata de estabelecer o conceito de cidadania sustentável. Necessário se faz, antes, tratar da questão dos valores e limites. É o que venho fazendo. Digo isso, para que não se perca de vista o objetivo principal, dado que alguns posts podem parecer fora do tema.
Há, também, que fazer referência ao seguinte: o meio ou limita, ou expande. Gênios extrapolam os limites físicos dos meios onde se expressam. Pobres mortais, como eu, vêem-se limitados ao meio. Não por outra razão vejo-me forçado a escrever diversos posts sobre o mesmo assunto, até que sinta ter conseguido expressar a minha idéia (para um completo entendimento, infelizmente há que ter o saco de ler todos os posts, desde o primeiro).
Perco muito com isso, pois alguns assuntos, embora tangenciando o tema, são incidentais. Servem apenas para construir uma idéia que não sou competente para expressar com genialidade nas apenas poucas linhas de um único post. Preciso de mais. Um único post seria muito longo e, certamente, ninguém leria (o meio limitando); com vários posts corre-se o risco de incidentes ocuparem o foco. Assim o foi com Deus, a morte, o acidente da TAM, o T@ninho, etc.
Foram incidentais no último post. Que versa, diga-se de passagem, não sobre o bem e o mal, ou na luta entre bem e mal, lembrando da crônica do chará, Afonso Santana, gentilmente trazida à baila pela Marília.
Repito: trata-se da diferença entre agires, entre ações: bondade e maldade. Construir o conceito de cidadania sustentável passa, como tenho repisado, por entender quais são nossos atuais valores e quais os nossos limites.
Eu, pelo menos, não consigo entender isso sem tentar estabelecer, primeiro, o fundamento do agir humano. E não vejo esse fundamento determinadado entre o "bem" e o "mal", seja lá qual proporção se queira atribuir a esses conceitos na formação do ser humano.
O fundamento dos valores e limites que adotamos hoje é o agir deliberado para destruir. Essa é a base da tese. A partir dela e aos poucos, dado que o meio que escolhi - posts num blog - para mim é um limitante, é que tento construir o conceito, a ideia de cidadania sustentável.
Felizmente meus poucos leitores sempre estão a postos para acrescentar elementos à questão dos valores. Alguns, à primeira vista, até não parecem pertinentes. É o caso do post que o Edu, com muita propriedade, acrescenta, na discussão entre "achismo" e "pensamento", que o achismo seria derivado da paixão (embora citando um caso em particular). Nas próprias palavras:
"O 'achismo', a meu ver - por mais bem intencionado que seja e por mais bem informado no assunto que o 'achador' se 'ache' - tem, neste meu exemplo, a ver com a 'paixão'."
Contrapõe, ainda, paixão e razão: "Já o 'pensar' tem a ver com a razão. Fatos. Objetividade. Conhecimento real. Quem 'acha' geralmente é inflamado. Quem 'pensa' geralmente é zen."
Uma das características fundamentais do "ser chato" é discordar. Assim, discordo do dindo. E daí a origem do título: "Ignorância, paixão ou sabedoria. Até onde podemos ir?".
Sabedoria é razão e paixão! Diferente é o agir por ignorância. Ignorância no sentido original da palavra e ignorância no sentido mais usual, ofensivo.
Há que se perdoar a quem expressa opinião ignorando a realidade. São pessoas que não têm, efetivamente, contato com o conhecimento. Nasceram em condições sociais que nãolhes permitem o "conhecer" da razão. Muitas vezes, no entanto, possuem o "conhecer" da paixão. O conhecer da dor, das dificuldades que a vida lhes proporciona. E manifestam a sua indignação, que não deve ser confundida com "achismo".
Por outro lado, a maior parte das pessoas que se manifesta em espaços públicos, principalmente na blogosfera (fazendo dela uma verdadeira "blogoseira") o faz com base em apenas uma única fonte de informação: a mídia. Mal e porcamente sabem ler uma manchete, ou ouvir a chamada de uma notícia no telejornal e já saem manifestando opiniões.
Esses são, apesar do conhecimento que possuem, os verdadeiros ignorantes, os "achistas".
Tomando por exemplo o caso do último acidente do avião da TAM, 99,999999% das pessoas se manifestaram apenas com base no que a mídia divulgou. E assim é com qualquer assunto. Culpa da mídia? Em grande parte sim, pois faz questão de propagar a ignorância. Mas a outra grande parte é das próprias pessoas que não fazem a mínima questão de se informar, EM FONTES SÉRIAS, sobre o assunto.
Ninguém aguarda que as pessoas que realmente conhecem o assunto (os especialistas) se manifestem. Isso não é paixão, É IGNORÂNCIA!
Vivemos do fútil, do INÚTIL, do descartável vendido como necessário; da notícia com "roupa" de conhecimento. E não faltam imbecis que, em troca de prover o próprio umbigo, vêm a público dizer que a mídia transmite (leia-se vende) o que as pessoas querem. E não faltam ACHISTAS de plantão para propagar ignorâncias travestidas de razão!
Se a humanidade já teve a Era das Trevas e o Século das Luzes, hoje damos início ao Milênio da Ignorância.
Transponha-se isso para o campo da cidadania. Em um país onde a maioria das pessoas que possuem um mínimo de conhecimento age por IGNORÂNCIA (no sentido ofensivo do termo) e onde a maioria das pessoas são ignorantes (no sentido correto do termo), como é possível desenvolver uma cidadania? Mais, como será possível desenvolver uma cidadania sustentável?
A resposta está na última parte do título: ate onde podemos ir? Valores e limites...
Imagem, via Google, daqui: http://purl.pt/106/1/P153.htm









































é, Afonso, a velha temática do "me disseram". Dá trabalho pesquisar nas fontes sérias , confiáveis.
abraço, garoto
Sem querer ser chato, mas ACHO que esta na hora de sair das teorias e COLOCAR O POVO NA RUA!
Estou fazendo minha parte. Faça a sua!
Abçs
Infelizmente, a mídia se tornou um ressoador de opiniões e de mitos, onde os fatos deixam de ser notícias para servirem, apenas, de gatilhos para argumentos pró ou contra.
PS: divulguei estes últimos posts lá no PrasCabeças. Abração.
Tenho dito assim, é muito fácil, ver e condenar, sempre um dos lados, sem querer nem ouvia falar do outro lado.
Seria interessante se toda vez que acho alguma coisa, imediatamente fosse procurar a certeza, mas na verdade não é isto que acontece.
E digo isso por mim mesma, me pego em muitas situações "achando" as coisas.
Valeu pelo alerta, por me fazer pensar.
Um beijo
Bom dia...
quero que saiba que gostaria de copiar esses ensaios, e discutir com minha filha ...
estou adorando e , acredite, ao voltar a reflexão, minha mente tem estado mais ágil...
PS: por favor, passe no meu blog ou no do eduardo, e se puder copie e divulgue o que está lá!!
bjos
Don Afonso, estou meio oco hoje. Não vou "achar" nada.
Grande abraço
Gostei, Cumpadre, da Terceira Via: os achistas. Porque o que eu quis dizer foi justamente isso: pessoas que têm toda a condição de realmente saber, adquirir conhecimento embasado, mas que preferem ver somente aquilo que lhes interessa. Por isso disse da "paixão". A paixão de falar mal do Lula, por exemplo, sem pelo menos o trabalho (ou a vontade) de ler Conversa Afiada ou Carta Capital ou Eduardo Guimarães. Ou fanáticos por futebol. Ou por religião. Qualquer tema que desperte esse tipo achista de "paixão".