julho 2007 Archives

Pois é,

Menos de 2% dos deputados foram a todas as sessões até agora. Apenas 30, dos 1734 projetos apresentados, viraram lei.

Confira tudo no infográfico do G1.

Se fechar essa merda ninguém vai dar falta. E tem vantagens: sobra dinheiro...

Atualização: O site Congresso em Foco traz matéria completa, com dados por parlamentar, partido e estado. Veja quantas faltas o vagabundo em quem você votou teve. E APROVEITE PARA VER QUE TIPO DE PROJETOS ELE ANDA APRESENTANDO. Visite o site do congresso.

Ou você é do tipo de eleitor que já esqueceu em quem votou ou que sequer acompanha o quanto está valendo seu voto?



Pois é,


Lezio para o Diário Da Região (copiei do Varal de Idéias)

Aproveito o comentário, feito ao post anterior, do Eduardo P.L., do blog Varal de Idéias:

"Sem querer ser chato, mas ACHO que esta na hora de sair das teorias e COLOCAR O POVO NA RUA! Estou fazendo minha parte. Faça a sua!"

Sim, Eduardo, é necessário colocar o povo nas ruas. Para protestar contra a inépcia de um governo legitimamente eleito pelo povo e que, portanto, ao povo deveria defender acima de qualquer coisa, mas também, para lutar por algo maior que um passageiro governo e seus descalabros que somente favorecem a inciativa privada já abastada.

Colocar o povo na rua por uma IDÉIA é fácil. Dificil será colocar o povo nas ruas por um IDEAL!

E o que perdemos foi justamente o ideal. A reação ao acidente da TAM e a todo o caos aéreo instalado é conjuntural. Tomadas as medidas certas e necesárias, o problema se resolve. Isso é uma idéia que coloca o povo nas ruas.

Diferente é quando se trata do que queremos para a pátria. E aí as teorias se fazem necessárias, pois povo nas ruas sem ideal é como gado: vai atrás da idéia que melhor foi vendida. Mas há que se cuidar com certos ideais que, mascarados, são vendidos como projeto de nação. Não esqueçamos os exemplos do século passado.

Daí a necessidade de um amplo debate para que se possa construir, primeiro, um ideal e, depois, lutar por ele. Não é outro o meu propósito ao sugerir que esse ideal possa ser construído a partir de um conceito de cidadania sustentável. Outros, certamente, sugerem outros pontos de partida. Alguns falam em um novo pacto social. Não importa. Importa que estejamos mobilizados para construir um ideal que seja de todos e não apenas de uns poucos abastados detentores do poder.

E para isso, a meu ver, é preciso mais do que idéias, é preciso um ideal.

De qualquer forma, quando uma idéia por si só é capaz demobilizar o povo, nada mais justo que propagá-la. Assim, meus caros:

visitem o Eduardo e a Marília para se inteirarem da caminhada que será realizada nesse domingo, dia 29/07 em São Paulo.



Pois é,


Essa série de posts trata de cidadania. Mais, trata de estabelecer o conceito de cidadania sustentável. Necessário se faz, antes, tratar da questão dos valores e limites. É o que venho fazendo. Digo isso, para que não se perca de vista o objetivo principal, dado que alguns posts podem parecer fora do tema.

Há, também, que fazer referência ao seguinte: o meio ou limita, ou expande. Gênios extrapolam os limites físicos dos meios onde se expressam. Pobres mortais, como eu, vêem-se limitados ao meio. Não por outra razão vejo-me forçado a escrever diversos posts sobre o mesmo assunto, até que sinta ter conseguido expressar a minha idéia (para um completo entendimento, infelizmente há que ter o saco de ler todos os posts, desde o primeiro).

Perco muito com isso, pois alguns assuntos, embora tangenciando o tema, são incidentais. Servem apenas para construir uma idéia que não sou competente para expressar com genialidade nas apenas poucas linhas de um único post. Preciso de mais. Um único post seria muito longo e, certamente, ninguém leria (o meio limitando); com vários posts corre-se o risco de incidentes ocuparem o foco. Assim o foi com Deus, a morte, o acidente da TAM, o T@ninho, etc.

Foram incidentais no último post. Que versa, diga-se de passagem, não sobre o bem e o mal, ou na luta entre bem e mal, lembrando da crônica do chará, Afonso Santana, gentilmente trazida à baila pela Marília.

Repito: trata-se da diferença entre agires, entre ações: bondade e maldade. Construir o conceito de cidadania sustentável passa, como tenho repisado, por entender quais são nossos atuais valores e quais os nossos limites.

Eu, pelo menos, não consigo entender isso sem tentar estabelecer, primeiro, o fundamento do agir humano. E não vejo esse fundamento determinadado entre o "bem" e o "mal", seja lá qual proporção se queira atribuir a esses conceitos na formação do ser humano.

O fundamento dos valores e limites que adotamos hoje é o agir deliberado para destruir. Essa é a base da tese. A partir dela e aos poucos, dado que o meio que escolhi - posts num blog - para mim é um limitante, é que tento construir o conceito, a ideia de cidadania sustentável.

Felizmente meus poucos leitores sempre estão a postos para acrescentar elementos à questão dos valores. Alguns, à primeira vista, até não parecem pertinentes. É o caso do post que o Edu, com muita propriedade, acrescenta, na discussão entre "achismo" e "pensamento", que o achismo seria derivado da paixão (embora citando um caso em particular). Nas próprias palavras:

"O 'achismo', a meu ver - por mais bem intencionado que seja e por mais bem informado no assunto que o 'achador' se 'ache' - tem, neste meu exemplo, a ver com a 'paixão'."

Contrapõe, ainda, paixão e razão: "Já o 'pensar' tem a ver com a razão. Fatos. Objetividade. Conhecimento real. Quem 'acha' geralmente é inflamado. Quem 'pensa' geralmente é zen."

Uma das características fundamentais do "ser chato" é discordar. Assim, discordo do dindo. E daí a origem do título: "Ignorância, paixão ou sabedoria. Até onde podemos ir?".

Sabedoria é razão e paixão! Diferente é o agir por ignorância. Ignorância no sentido original da palavra e ignorância no sentido mais usual, ofensivo.

Há que se perdoar a quem expressa opinião ignorando a realidade. São pessoas que não têm, efetivamente, contato com o conhecimento. Nasceram em condições sociais que nãolhes permitem o "conhecer" da razão. Muitas vezes, no entanto, possuem o "conhecer" da paixão. O conhecer da dor, das dificuldades que a vida lhes proporciona. E manifestam a sua indignação, que não deve ser confundida com "achismo".

Por outro lado, a maior parte das pessoas que se manifesta em espaços públicos, principalmente na blogosfera (fazendo dela uma verdadeira "blogoseira") o faz com base em apenas uma única fonte de informação: a mídia. Mal e porcamente sabem ler uma manchete, ou ouvir a chamada de uma notícia no telejornal e já saem manifestando opiniões.

Esses são, apesar do conhecimento que possuem, os verdadeiros ignorantes, os "achistas".

Tomando por exemplo o caso do último acidente do avião da TAM, 99,999999% das pessoas se manifestaram apenas com base no que a mídia divulgou. E assim é com qualquer assunto. Culpa da mídia? Em grande parte sim, pois faz questão de propagar a ignorância. Mas a outra grande parte é das próprias pessoas que não fazem a mínima questão de se informar, EM FONTES SÉRIAS, sobre o assunto.

Ninguém aguarda que as pessoas que realmente conhecem o assunto (os especialistas) se manifestem. Isso não é paixão, É IGNORÂNCIA!

Vivemos do fútil, do INÚTIL, do descartável vendido como necessário; da notícia com "roupa" de conhecimento. E não faltam imbecis que, em troca de prover o próprio umbigo, vêm a público dizer que a mídia transmite (leia-se vende) o que as pessoas querem. E não faltam ACHISTAS de plantão para propagar ignorâncias travestidas de razão!

Se a humanidade já teve a Era das Trevas e o Século das Luzes, hoje damos início ao Milênio da Ignorância.

Transponha-se isso para o campo da cidadania. Em um país onde a maioria das pessoas que possuem um mínimo de conhecimento age por IGNORÂNCIA (no sentido ofensivo do termo) e onde a maioria das pessoas são ignorantes (no sentido correto do termo), como é possível desenvolver uma cidadania? Mais, como será possível desenvolver uma cidadania sustentável?

A resposta está na última parte do título: ate onde podemos ir? Valores e limites...

Imagem, via Google, daqui: http://purl.pt/106/1/P153.htm



Pois é,


Crudelitas (crueldade), Proditio (traição) e Fraus (maldade).
Detalhe do quadro Alegoria do Mau Governo. Ambrogio Lorenzetti (c. 1290-c. 1348).

Inevitável pensar na fragilidade da vida, diante de fatalidades como esses acidentes de avião. Deveria ser inevitável diante de qualquer dos outros milhares de mortes que acontecem no trânsito, nos homicídios, pelas doenças e, mesmo, para acidentes de avião em outros países. Mas para essas estamos amortecidos e tão pouco são manchetes vendáveis.

Ontem morreu o T@ninho. Que Deus o tenha, como ser humano, e que o Diabo o receba pela vida pública que teve. Fez, pintou e bordou nesse país por mais de 50 anos. Pra quê? Morreu como morre qualquer indigente por aí: sozinho. Sem carregar nada do que angariou a vida toda. E não foi pouco. Sua vida, certamente, foi causa da morte de milhares de pessoas. Terá pensado nisso nos derradeiros segundos de consciência? Terá pensado na inutilidade que foi sua vida?

Terão pensado na vida os passageiros deste último acidente, quando perceberam - e não teria como não perceber - que estavam prestes a saltar dessa para outra e não apenas sobre a avenida? Terão deixado para fazer isso somente naqueles últimos segundos antes do choque com o prédio?

Infelizmente fomos aculturados para isso. Ensinados para isso. Deixar para pensar na vida somente após a morte. Afinal, Deus está aí para nos salvar. Alá nos receberá e nos dará setenta virgens. Esse é um valor que nos diz: faça o que bem entender nessa vida, pois somente daremos explicações ao todo poderoso. E ele é tão bom, que nos manda para outra sem que tenhamos lembrança do que fizemos nas passadas. A questão se resolve apenas pelo tempo, isto é, pelo número de reencarnações que teremos para saldar a dívida. Mas sempre saldaremos. Os mais apressadinhos pagam numa e viram santos. Assim não precisam mais voltar.

E sempre, e acima de tudo, resta a dúvida que alimenta a todos nós (acho que mesmo o Papa deve ter essa duvida): e se essa história de Deus for realmente historinha pra boi dormir? Afinal, de verdade mesmo, ele nunca apareceu pra ninguém e tão pouco quem foi lá voltou para contar se ele existe. Então, pelo sim, pelo não, vou dirigir minha vida pelo meu umbigo.

Recuperamos, finalmente, após séculos de tentativas de demonstrar que o ser humano é bom por natureza, nosso maior valor: a maldade.

Maldade é o agir deliberado no sentido de destruir. Isso nos diferencia do resto dos animais (à exceção dos primatas, parentes próximos): eles destroem apenas o necessário para sobreviver e não o fazem de forma deliberada. O que distingue a maldade de outros atos humanos é justamente ser esta deliberada, consciente.

Para controlar essa natureza, os seres humanos desenvolveram, também de forma deliberada, um conjunto de regras, as quais deu-se o nome genéirco de "valores". Até agora, tudo conhecido de todos. Não digo nada de novo. Apenas ressalto que esses valores são artificiais, criados por necessidade. Não pertencem a natureza humana.

"Ama teu próximo como a ti mesmo" é uma regra artificial que contraria a regra fundamental da natureza humana: "destrói teu próximo antes que ele te destrua!"

O que está acontecendo nos dias de hoje? Nada mais, nada menos, que a prevalência da regra da natureza sobre a regra artificial.

Segue...

Imagem, via Google, daqui: http://www.ricardocosta.com/pub/lorenzetti.htm

Atualização 1:

Em vista do comentário do Cláudio Costa:

"Realmente o ser humano não nasce bom nem mau. Nasce bicho, simplesmente. Aí, em contato com a cultura e tendo um cérebro preparado para aprender rapidamente a linguagem, entra no mundo da cultura, que é o contraponto ao mundo "natural", da natureza. Aliás, educar, aculturar, é exatamente "retirar da natureza" (ex-ducera = conduzir para fora)."

atualizo o post com algumas considerações. Deliberadamente, meu caro Cláudio, evitei falar em "bom ou mal", adjetivos que são (a referência feita diz respeito ao pensamento reinante). Preferi referir-me aos atos humanos, às ações que realmente podem provocar alterações no mundo: bondade e maldade. E por uma razão muito simples: seres humanos, ditos maus, podem cometer bondades. Mas isso é pouco diante da maioria, dos ditos bons, que cometem maldades. Ser bom ou mau não importa; importa, sempre, o ato que cometemos, pois este é que causa efeitos nos outros seres humanos e na natureza.

Há que deixar bem claro, apesar de parecer didático e, portanto, chato, que bondade e maldade não têm nada a ver com ser bom ou mau.

A diferença é importante para a questão da cidadania (tema central dessa série de posts), pois esta, assim como a bondade e a maldade, é um agir humano, diferente do que muitos parecem estar pensando. Cidadania não é um estado, como bom ou mau, e, sim, um ato como maldade ou bondade. Mas já estou adiantando tema do próximo post...

Atualização 2

Apesar de parecer fora do tema, não é. E é notícia que dve ser alardeada:

"Macalão admite revenda de selos
Em depoimento espontâneo na madrugada de ontem à PF, o ex-diretor da Casa disse que faturava entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por semana
ADRIANA IRION

Ubir@jara Ama@ral Mac@lão, ex-diretor do Departamento de Serviços Administrativos da Assembléia Legislativa, confessou à Polícia Federal que revendia selos comprados com verba da Casa. Também admitiu ter enterrado no pátio da casa da praia, há uma semana, os 232,7 mil selos encontrados pela PF durante buscas na quinta-feira em Rainha do Mar, balneário pertencente a Xangri-lá.

Mac@lão, que recebia salário em torno de R$ 17 mil da Assembléia, faturava entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por semana com a revenda de selos.

O dinheiro, segundo ele, era convertido em dólares. Os selos, afirmou, eram revendidos a terceiros a R$ 0,16 abaixo do preço de mercado. O esquema de revenda estaria ocorrendo desde 2005. A confissão ocorreu na madrugada de sexta-feira, quando Mac@lão compareceu de forma espontânea à sede da PF, horas depois de ter avisado que só voltaria a falar em juízo." (daqui: http://www.clicrbs.com.br/

O que explica alguém que ganha R$17mil fazer isso?



Pois é,

Valores e limites. Tudo tem a ver com a resposta para a seguinte pergunta:

Qual o meu limite?

Convém, para prosseguir, lembrar um pouco de Rousseau (1712-1778) (aqui, aqui, aqui):

(antes, uma observação: não concordo com a premissa básica do Rousseau, de que o homem é bom por natureza, mas concordo com a sua crítica à propriedade privada com fator essencial da transformação ocorrida com o homem)

"'Cada um de nós coloca em comum a sua pessoa e todo o seu poder sob a suprema direção da vontade geral, e nós recebemos em corpo cada membro como parte indivisível do todo'. Significa isto que cada associado se aliena totalmente e sem reserva, com todos os seus direitos, à comunidade. Assim, a condição é igual para todos. Cada um se compromete para com todos. Cada um, dando-se a todos, a ninguém se dá. Cada um adquire, sobre qualquer outro, exatamente o mesmo direito que lhe cede sobre si mesmo. Cada um ganha, pois, o equivalente de tudo quanto perde, e mais força para conservar o que possui." (Chevallier. Jean-Jacques. As grandes obras políticas: de Maquiavel a nossos dias. 4ª ed., Rio de Janeiro: Agir. 1989. p.163.)

O que falta em Rousseau? Limites. A "alienação" é total e sem reservas. A vontade geral representada pela lei.

Aproveitem para atualizar a leitura de Charles-Louis de Secondat, senhor de La Brède e Barão de Montesquieu (1689-1755), John Locke (1632-1704) e toda a turminha que há duzentos anos manda no mundo (Google neles, please...)

- Porra, Chato! Uma coisa é ser chato, outra é ficar pentelhando com essa gente e querendo se meter a besta!

Pois é, mas até hoje é das idéias dessa gente que nós sobrevivemos. Devo ser mais chato ainda, pois há uma diferença entre "achar" e "pensar".

Achar qualquer um acha; pensar exige conhecimento! Uma das razões pelas quais tem sido possível fazer qualquer coisa nesse país, é que a primeira classe, a que me referi, sabe bem que a maioria das pessoas vive de "achar", isto é , ninguém "pensa".

"Eu acho isso, eu acho aquilo", é só o que se ouve. Quando alguém pressiona por um pouco mais de fundamento, pronto, virou um chato!

Somemos ao que disse a turminha citada, esses parágrafos:

"Toda a organização social se concretiza através da formação da tessitura de inter-relações humanas, o que é viabilizado pela objetivação de valores, ideais e pensamentos através da linguagem, da comunicação.

Como a existência do homem, que ocorre nesse espaço social, encontra-se originalmente vinculado a uma escassez de bens em face das necessidades que se apresentam, a conseqüência é o surgimento de conflitos, vivendo a liberdade humana o paradoxo de ter que se limitar para poder existir (1). Tal fato somente se torna possível através da deliberação e do acordo acerca dos valores envolvidos.

O resultado desse processo é um conjunto de noções éticas que pressupõem uma idéia de correção na opção do agir em face dos fins eleitos (de forma apriorística o convício social), sendo essa possibilidade de escolha ponto distintivo entre os homens e os demais animais que se encontram manietados ao instinto. Ao complexo desses padrões podemos denominar, num sentido bem largo, de moralidade.

Moral, ético, portanto, é o que não infringe os valores reinantes em um determinado contexto social e histórico, é o que não vai de encontro ao senso comum arraigado no corpo social. Nisso, a atividade humana rege-se, num primeiro e geral momento, por este sentido de moral, que é histórico: o que é de acordo com a moral em um determinado momento poderá não sê-lo em outro." (apesar de um texto essencialmente jurídico, relembra conceitos importantes. Autor: Lino Osvaldo Serra Sousa Segundo. Aqui)

Vão pensando, vão pensando... Ou, quem quiser, que continue achando...

Imagem do Rousseau, via Wikipedia



Pois é,


O conceito de "desenvolvimento sustentável" tornou-se mundialmente conhecido por obra e graça de Gro Harlem Brundtland - no relatório "Nosso Futuro Comum (Our Common Future, 1987) - onde se dizia ser necessário um desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.

O conceito foi definitivamente incorporado ao jargão mundial na ECO92 (Rio de Janeiro) e dele derivou a tão famosa, e tão menos ainda aplicada, "Agenda 21". Nos anos que se seguiram à Conferência do Rio, o conceito foi criticado por correntes de pensamento dos mais diversos matizes. Defensores e detratores até hoje não se entendem.

No fundo, o conceito trazia - e ainda traz, como pano de fundo - a idéia de limite. Qual o nosso limite, hoje, que permite às gerações futuras estabelecerem, também, seus próprios limites? Ou, dito de outra forma, que direito tenho hoje de estabelecer o limite que as gerações futuras poderão ter? Quem me deu esse direito? Deus? A Lei? Minha consciência?

Qual é o meu limite? Até onde estou disposto a abrir mão daquilo que o desenvolvimento econômico pode me dar, para deixar que as gereções futuras decidam a mesma coisa?

Tranposto para o campo da cidadania, posso inventar o conceito de "cidadania sustentável".

Ora, dirão alguns, cidadania ou é cidadania ou não é nada! Como assim, sustentável? Queres dizer que posso roubar o suficiente, hoje, de modo a deixar uma beirinha para que as gerações futuras também tenham o que roubar?

Pode até parecer assim, mas não é. O conceito tem a ver com limites. E limites tem a ver com valores!

Existem três classes de pessoas no Brasil:

- os que pensam que o país é deles
- os que gostariam de ter um país que lhes permitisse viver com dignidade
- os que não sabem a qual das classes anteriores querem pertencer

Em uma divisão arbitrária, eu diria que temos a seguinte proporção:

- 70% para os primeiros, 5% para os segundos e 25% para os terceiros. A divisão, é bom lembrar, não tem nada a ver com classes sócio-econômicas. Tem a ver com valores; valores que establecem os limites.

Os valores que norteiam as três classes são antigos. O que mudou - e esse é o problema - foi justamente a proporção entre as classes. Até pouco tempo, a primeira classe era constituída de uns poucos abastados, políticos e seus apaniguados. Coisas da origem do país, e coisa e tal, que todos conhecemos.

A segunda classe sempre foi a mais numerosa e constiuia-se no que costumávamos chamar de pobres e classe media (servidores públicos, bancários, professores, pequenos comerciantes, etc.). Gente que tinha por valores a familia, o trabalho, a religião, a honestidade, etc., etc., etc. Aliás, gente que tinha valores.

Os terceiros, bem, os terceiros eram os malandros. Malandros no bom e antigo sentido do termo. Gente criativa que apenas queria se dar bem sem prejudicar a niguém.

Com o tempo, e em termos de valores, aos primeiros juntou-se grande parte da classe média; pouca gente ainda acredita na tal dignidade e os malandros, esses agora só querem levar vantagem em tudo, além de prejudicar a todo mundo.

Antes de chegar ao conceito de cidadania sustentável, há que explicitar valores e limites.

No próximo post, pois ainda está muito frio...



Último post!

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Pois é,


Este poderá ser o último post que escrevo. A temperatura lá fora é de 5°C (noite de quarta). A previsão para amanhã é de ZERO GRAU! Nos proximos dias, não muito longe disso: no máximo dois ou três.

Já fui mais valente. Algo me fez sair do quarto quentinho, com o ar condicionado programado para 29°C e vir aqui escrever.

É uma despedida!

Sim. Enquanto o tal de aquecimento global não começar pra valer, não saio mais do quarto. Tirei licença saúde. Aleguei total incapacidade mental para o exercício das minhas funções. Como já estava com o cérebro embotado, devo ter dito um monte de asneiras para o médico. A tal ponto que ele imediatamente me dispensou por trinta dias.

Claro que a companhia de energia elétrica deve estar feliz com a notícia. Triplicarei meu consumo pelos próximos três meses. Dane-se. Um "viva" para Angra 3, outro para as hidrelétricas do Rio Madeira, e viva qualquer coisa que gere calor, menos exercícios físicos, claro, pois ainda sou um sedentário assumido.

Coisa boa esse tal de aquecimento global. Já imaginaram a temperatura média de Porto Alegre subir uns 10°C, passando dos atuais 13° para 23°C o ano inteiro, sendo que no verão chegaríamos aos agradabilíssimos 40°C? À sombra?

Vou tratar de fazer a minha parte: queimar carvão na churrasqueira, dar voltas e mais voltas, de carro, na quadra só para gerar bastante CO2...

Posso até morrer, mas morro (uh!) quentinho, confortável. Ontem morreu de frio o primeiro cidadão portoalegrense. Talvez essa madrugada morram mais alguns.

Há algo mais absurdo nesse mundinho infame do que morrer de frio em plena civilização? (Por favor, a pergunta tem lá seu lado de retórica... Nem percam tempo respondendo nos comentários...).

"Não adianta bater, que eu não deixo você entrar..." Lembram, queridos sete leitores com mais de 30 anos? Pois é, nem Pernanbucanas tenho mais para me proteger. Por sorte tenho seis gatos peludos. Vou amarrar o rabo de um no outro e prendê-los todos na guarda da cama. Assim me aquecem.

E deêm-se por satisfeitos, pois poderia fazer um cobertor...



As vias

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Pois é,

O Brasil, definitivamente, não pertence a esse mundo chamado Terra. Um país em que revolução perdida vira feriado? Aqui nada dá certo, nem mesmo revolução.

A maior de todas acabou como tudo nesse país: benesses para os poderosos do contra acabarem com a brincadeira e voltarem a jogar no time dos grandes. Algo parecido quando um grande time de futebol vai para a segundona e mudam as regras no tapetão. Vale tudo, desde que as moscas e a merda permaneçam as mesmas.

Deus é brasileiro, sem dúvida alguma. Até Ele ficou quieto - e está ainda hoje - mesmo depois de terem trucidado seu filhote preferido. O único legalmente assumido, diga-se de passagem.

História, meus caros sete leitores.

Um grande revolucionário romano, cujo nome virou título, não precisou fazer muito para ser assassinado pelo seu melhor amigo. Durou três parcos anos no poder. E teve que ser o melhor amigo, pois sequer os inimigos teriam coragem para tanto. Afinal, qualquer semelhança entre senadores romanos e senadores brasileiros terá sido mera coincidência...

Deus, antes de se assumir brasileiro, bem que tentou resolver alguns problemas. Convenceu os reis medievais a resgatarem a terra santa e os trouxas meteram o pé na estrada (já na época, é bom lembrar, quem enfiava o "pé na estrada" era o povão, pois os nobres iam a cavalo, ou como já era costume dizer, desde então, montados em belos corcéis, as BMWs da época) brigando para ver quem comia mais "virgens infiéis" pelo meio do caminho. Virgens, como sabemos, era apenas um pretexto. O que importava realmente era serem infiés, claro! Uma revolução no mundo.

Estados Unidos, França, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, América do Sul Espanhola, Rússia, Bósnios, Servos, Croatas, Império Austro-húngaro, China, Gregos, Romanos, Cubanos, África do Sul, Portugal, países da África atual, Talebãs, Palestinos e Israelenses, Curdos e Xiitas, Irã, Vietnan, Coréia, Haiti, Angola, México, El Salvador, Irlanda, País Basco, Japão, Tibete, Polônia, Tchecoeslováquia (antiga), Timor Leste... A lista é grande e inclui quase a totalidade dos países existentes, ou que existiram, no mundo. A menos de três, que eu me lembre: Suiça, Ilhas Caimã e Brasil.

Dos confederados helvéticos e caimenhos podemos dizer, ao menos, que se preocupam em ser o depósito das riquezas do mundo. Mas o que dizer do Brasil?

Duas vias a humanidade descobriu para resolver seus problemas. A via brasileira ainda não nos mostrou a que veio... O que me leva a afirmar, novamente, que o Brasil, definitivamente, não pertence a esse mundo chamado Terra.

Imagem de http://www.ricardocosta.com/textos/guilherme3.htm, via Google.



Pois é,


Diz o I Ching:

"Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... o movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano."

Diz Einstein:

"Não dá para resolver um problema com o mesmo raciocinio que o causou."

E diz Leonardo Boff:

"Digo que, se queremos salvar a biosfera e preservar nossa Casa Comum, habitável para toda a comunidade de vida, temos que resgatar, antes de qualquer outra medida, a dimensão do coração e a razão sensível. Se não sentirmos a Terra como nossa Grande Mãe que devemos cuidar, como filhos e filhas bons e responsáveis, serão insuficientes as necessárias iniciativas técnicas que tomarão as grandes empresas, os governos, outras instituições e as pessoas. Nascemos da generosidade do cosmos e da Terra que nos providenciaram as condições essenciais para a vida e sua evolução – e será a mesma generosidade a nossa contrapartida. (continue lendo aqui, a foto acima tem a var com o texto)." (negrito meu)

O resgate do coração e da razão sensível. A generosidade. Boff aplica Einstein ao propor que se faça algo diferente do que foi feito até agora e que nos conduziu ao ponto que estamos. Na verdade, um Ponto de Mutação, conforme nos diz o I Ching.

O que me faz lembrar das palavras de Boaventura de Souza Santos ao citar, em seu livro A Crítica da Razão Indolente: contra o desperdício da experiência, Leibniz, quando este se refere à razão indolente:

"No prefácio da Teodicéia, Leibniz refere a perplexidade que desde sempre tem causado o sofisma que os antigos chamavam a 'razão indolente' ou 'razão preguiçosa': se o futuro é necessário e o que tiver que acontecer acontece independentemente do que fizermos, é preferível não fazer nada, não cuidar de nada e gozar apenas o prazer do momento. Esta razão é indolente porque desiste de pensar perante a necessidade e o fatalismo de que Leibniz distingue três versões: o Fatum Mahometanun, o Fatum Stoicum e o Fatum Christianum."(negrito meu)

É o que somos: palhaços indolentes e preguiçosos! Estamos limitados à indignação virtual, versão moderna, que Leibniz não conhecia, do fatalismo: o Fatum Interneticum. E a grande maioria sequer esse meio possui para se expressar. Vive sob a fatalidade do Fatum Televisivum.

Violência; corrupção; consumismo; falta de caráter, de moral, de ética, de honestidade cotidiana, de cidadania, de solidariedade; individualismo em excesso; gersons e martas soltos por aí; poderes corrompidos e corruptores; ................

Estamos invertidos. E estamos quietos, indolentes. E por quê? Porque já tenho o que é meu. O resto que se foda! Sair à rua, brigar, reclamar, exigir, significa colocar em risco o que tenho. Então? Então "é preferível não fazer nada, não cuidar de nada e gozar apenas o prazer do momento", como dizia Leibniz.

Algo diferente deve ser feito, sob pena da cerejeira japonesa nunca mais florir.

O quê? Ainda não sei, mas estou pensando... Pensar, quem sabe, não será um primeiro passo para deixar a razão indolente e buscar a razão sensível?

Links, fotos e imagens da internet, em especial da Wikipédia. Todos via Google.



Pois é,

Quousque tandem abutere, legisladores, patientia nostra?




Vereadores da Capital reajustam os próprios salários em 19,66%

Ganhos dos parlamentares passam para mais de R$ 8,5 mil

Os vereadores de Porto Alegre aprovaram nesta tarde um reajuste de 19,66% para os próprios salários. A decisão foi tomada de forma unânime, com os 26 votos dos vereadores presentes na sessão. Dez parlamentares não compareceram.

O índice de 19,66% é equivalente aos ganhos dos servidores municipais nos últimos quatro anos. O salário dos vereadores passam de R$ 7.155 para R$ 8.561,67.

Na mesma sessão ordinária, foi aprovado, por unanimidade, o reajuste de 2,25%, para os funcionários da Câmara Municipal. O novo valor será concedido da seguinte forma: 1% a partir de 1º de maio de 2007; 0,5% a partir de 1º de janeiro de 2008; 0,25% a partir de 1º de maio de 2008; e 0,5% a partir de 1º de setembro de 2008.

Mais uma turba de palhaços a engrossar o coro. Mês passado foram os deputados da Assembléia Legislativa que se fizeram cafuné com 32% a mais no bolso. Um mês antes, recusaram um aumento para oos servidores do Judiciário, de 6,5%, que apenas repunha a inflação de três anos passados sem ver a cor do dindim aumentada, sob a alegação de que o "Estado vai mal, precisamos fazer economias...".

O pior de tudo é que, quando é para eles, o aumento é direto e recai já para a próxima folha (isso quando não é retroativo); mas, quando se trata de servidores - essa classe de palhaços que só atrapalha o país -, aí pode fazer parceladinho... Dois e meio em mais de um ano.

Seria hilário, não fosse triste. Muito triste um país em que um dos poderes tem plena liberdade de dar aumentos para si e de negar aumentos para os demais. Onde estão os freios e contrapesos? Enterrados junto com Montesquieu?

Até quando vamos aceitar que essa gente possa, a seu bel prazer, aumentar seus próprios salários sem que ninguém mais, dentre os mais de 190 milhões de habitantes desse país possa fazer algo a respeito?

Este caso se repete nos mais de 5.000 municípios, nos 26 estados e, claro, em Brasília. Nâo estava na hoa de dizer "CHEGA!"?

Noticia do ClicRBS

E não deixem de ler O Chato lá no Faça a sua parte.



Palhaços!

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Pois é,

Quousque tandem abutere, legisladores, patientia nostra?




Somos uma nação de PALHAÇOS!

A platéia, cujos integrantes se autodenominam de "agentes políticos", e que pertencem, evidentemente, aos três ditos poderes, ri às gargalhadas de nós.

Recentemente, um ministro japonês cometeu suicídio por simplesmente terem sido levantadas suspeitas. Pobre alma! Deve ter chegado no céu e perguntado a Deus por qual razão não o reencarnara brasileiro. Alem de vivo, estaria gozando e rindo de nós. Certamente na companhia da colega brasileira autora do dito que passará para a história junto com a famosa Lei de Gerson. Agora temos a Lei da Marta.

A um agente político não é dado o direito de cometer gafes. Ao menos no que se pressupõe seja um país civilizado; a um agente político não deveria ser dado o direito de renunciar quando, sobre ele, pairam suspeitas. Mais ainda quando, explicitamente, a renúncia serve para preservar direitos políticos e possibilitar um retorno triunfal.

Que se mate ou enfrente o julgamento dos pares e do povo.

Mas somos palhaços, né? Nossa única função nesse país é fazer rir a essa escumalha. E fazemos muito bem isso ao escutar a desculpa - E FICARMOS QUIETOS - de que o julgamento, se houvesse, seria político.

Somos milhões de palhaços dormindo nos aeroportos e nas ruas. MIlhões de palhaços que trabalham e pagam impostos para sustentar o salário de um cafajeste desses. Sim, o FDP sequer honra o fato de que recebeu do povo até o dia de ontem. POIS QUE DEVOLVA TUDO QUE GANHOU. Talvez sobrasse dinheiro para investir na criação de empregos para os milhões de palhaços desempregados.

Assim é fácil: vou lá, vivo bem às custas do povo e, quando me convém, renuncio!

É honesto? É inocente? Que seja! Enfrente de cara limpa e aberta o julgamento, então. Mas não! É covarde e foge! E foge porque sabe que continuaremos a rir. Afinal, somos palhaços e para isso servimos!

Minhas filhas, que certamente herdarão esse país, não merecem o sofrimento de terem que dizer do próprio pai, que foi um palhaço.

Por elas, CHEGA!

Imagem gentilmente copiada de um post da Cris, via Google



Pois é,


Quando comecei a digitar o título, vi que já existiam dois outros posts, a formarem uma série. Não os reli para saber se há alguma continuação. Por sinal, tenho um grave defeito: primeiro penso no título, depois escrevo. Do título derivo tudo. Ou melhor: ao pensar em determinado tema, vou tentando organizar as ideias. Um monte delas, que só tomam forma a partir do momento que escolho o título. Aí fica fácil. Basta controlar a mente para que tudo fique dentro da trilha imposta pelo título.

Há exatos 21 anos que dexei de assistir ao J@rnal N@cional. Há exatos dez anos cancelei minhas assinaturas dos jornais que lia.

E, mesmo antes da internet, vivia muito bem sem eles. Já devo ter escrito por aqui, que só fiquei sabendo do ataque ao W.. T.. C... lá pelo meio dia, quando cheguei ao trabalho.

Notícias que se não fossem dadas fariam muita falta ao bolso de muita gente, a mim não fazem falta alguma. Mas essa é justamente a função da publicidade: encher as burras de uns poucos com o pouco que muitos possuem.

Que me perdoem os amigos publicitários - e os desconhecidos também - mas esse não será um post muito agradável. Reducionista, dirão uns; generalizador, dirão outros. Não sei, Só sei é que considero a publicidade a maior estupidez humana. E viva Niccoló Machiavelli. Sua máxima, os fins justificam os meios, é o princípio basilar (redundância, eu sei) deste ramo do conhecimento humano.

Deus é pai de todos, mas é, em especial, dos publicitários, pois foi o primeiro deles ao anunciar a existência do fruto proibido. E aqui se adentra à velha questão da galinha e do ovo, tão discutida ainda hoje nos meios (lembro-me das aulas de Administração de Marketing, onde o tema já era debatido): a publicidade cria desejos ou apenas mostra onde podemos satisfazer desejos existentes?

Adão, Eva e a cobra completam o sistema que mais tarde viria a se chamar capitalismo. A cobra, fornecedora; Adão, os meios de comunicação, interessados no lucro (no caso, comer a Eva) e a Eva, coitada, já prenunciava nosso futuro de consumidores: se fudeu. Aliás, foi fodida pelo sistema: um fornecedor de maçãs, um publicitário que teve a idéia de como convencê-la e um meio para que ela passasse a desejar algo que jamais conhecera, como sendo uma necessidade a ser satisfeita.

Quem lucrou com isso - e até hoje ainda lucra? Adão, porque faturou a Eva; a cobra, porque vendeu sua maçã, e Deus, porque ficou olhando a festa (afinal, como Deus, seu prazer era mais.. digamos... platônico). Apesar de o dinheiro ainda não existir naquela época, ali mesmo nasceu o conceito de lucro. Lucraram todos, menos Eva.

É assim ate hoje, quando querem nos fazer pensar que também lucramos ao satisfazer desejos que não são nossos por natureza. Ah! Mas que seria do vermeho se todos gostassem do somente do azul? (para nós, gremistas, o mundo seria infinitamente melhor...). Essa é a desculpa que tentam nos incutir: respeito à individualidade. Na verdade, respeito ao individualismo, disfarçado de individualidade.

Esses dias, vi umadesivo na janela de um carro: "honestidade começa por você." Pensei, cá com meus botões: típica frase que jamais veremos numa propaganda comercial. E não é por ser comercial que não possa ser honesta. Claro que pode.

E é por aí que deveríamos mudar. Tarefa um tanto quanto difícil, por implicaria em convencer pessoas que passaram quatro ou cinco anos em uma faculdade sofrendo uma verdadeira lavagem cerebral. E convencer pessoas dos meios de comunicação a não venderem a alma em troca de salário.

É possível termos um sistema mais justo? Sim! E podemos continuar com a cobra e com Deus? Sim! E Adão? Também! Bastaria que Adão começasse por amainar a sua sede de prazer; que parasse de dizer "a Eva precisa disso, a Eva precisa daquilo" e realmente se preocupasse com o que a Eva quer. Talvez ele cobrasse preços mais justos. Talvez a cobra também cobrasse um preço mais justo para fornecer maçãs e, claro, o Grande Publicitário, vivesse uma vida mais adequada... e não no fausto.

Há que romper o sistema. E de todas as partes envolvidas, só há uma por onde podemos começar: pela Eva. Eva que somos!

Não fora Deus, e a cobra jamais teria convencido Adão, pois, sem vislumbrar o lucro, ele não teria perdido tempo com aquele ser estranho e diferente que estava por ali, "dando sopa!".

Produzir e querer algo em troca da sua produção é justo. Mas a pergunta que fica é: o que considero justo é o que é realmente necessário para uma vida digna ou é o que a publicidade me empurra goela abaixo?

Há quem defenda que aumentar seus próprios salários, em detrimento de outras aplicações para esse dinheiro, seja justo. Pior, há quem, mesmo não tendo seu salário aumentado, acha justo que outros se dêem esse aumento! Quem faz isso? Deus, ora! (deixando uma beirada para a cobra e para Adão, claro!).

Pobre Eva!

Imagem, daqui: http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=3345



Pois é,

Não me canso de dizer que não participo de memes e quaisquer dessas outras brincadeirinhas que rolam pela blogosfera. Nada contra. Até penso que servem bem ao propósito de aproximar as pessoas, coisa que este blog preza e valoriza demais, haja vista os últimos encontros.

Pelo geral, já não consigo escrever o que gostaria, imagina então dedicar o pouco tempo que tenho disponível para escrever sobre idéias de outras pessoas. Afora que, e a bem da verdade, muitos dos memes que por aí circulam, bem podemos classificá-los na categoria dos "absolutamente inúteis".

Mas há uma blogueira, de todos querida, que não se cansa. Admiro essa característica nas pessoas, principalmente quando o objeto dos "ataques" sou eu.

Vivo tentando escapar e, modéstia à parte, por vezes consigo com alguma maestria. A Luma é a autora desses ataques. Pessoa por quem tenho uma admiração motivada por duas razões: a primeira, pelo Luz de Luma. Admiro sua capacidade de escrever os posts que escreve. Sempre leves, com temas variados, informativos, por vezes provocadores. Poderia enumerar diversas outras qualidades do Luz. Seria, como se diz, chover no molhado e mostrar algo que todos já conhecem.

A segunda razão é pessoal e, de certa forma, egoísta. A Luma foi das primeiras a visitar este blog. Mais, se deu ao trabalho de ler todos - sim, todos - os meus posts. Por vezes funciona como minha "memória", ao lembrar que em priscas eras eu escrevi diferente do que escrevo hoje. E segue, por incrível que possa parecer, lendo até hoje.

Admiro as pessoas que vêem em mim algo que preste. É um complexo de inferioridade latente - e presente - desde criança, quem sabe nascido quando, aos sete anos, fui obrigado a usar óculos. Vá entender!

E, no entanto, ela continua a vir por aqui. Mesmo que eu não vá tão freqüente, atualmente, como gostaria, ao Luz de Luma. E aí, quem sabe, esteja uma grande lição dela para mim (e para quem mais quiser aproveitar): gostar não se mede pela freqüência, mas pela intensidade.

Se há algo que ainda acredito nessa vida, é que somente levamos dela a intensidade das nossas relações. Aquilo que verdadeiramente marca nossas "almas", para o bem e para o mal. Intensidade, que é a razão pela qual estou aqui. Não fosse pela intensidade da relação com o Gejfin, a Ana, o Diego, o Roberto e tantos outros colegas de curso, jamais teria a ousadia de criar um blog. Continuaria a pensar - como a maioria, penso - que blog é "diarinho de adolescente".

Não fosse pela intensidade, jamais teria conhecido pessoalmente o Milton, o Tiagón, a Sandra, o Cláudio Costa (a quem, por direito hereditário a mim conferido, atribuí o título de "Don") e outros tantos (viram? Nomear é cometer o pecado da exclusão!) que estão na minha lista.

Não fosse pela intensidade e estas cenas jamais teriam acontecido:





Duas cenas, dois abraços, dois carinhos E a blogosfera por trás.

Não poderia deixar passar esse post sem uma referência especial aos ciberdindos da Condessa: o Edu e a Yvonne, gente que me acompanha quase do início.

E o que tudo isso tem a ver com o tal meme? Se a Luma estiver lendo esse post, já imagino a expressão no rosto e a fala solta no ar: "mais uma vez esse Chato me enrolou!".

Não, Luma! Dessa vez, o tema proposto realmente é interessante:

"Há concorrência/competição na blogosfera?"

Quem teve paciência de chegar até aqui deve estar pensando: o Chato acha que não existe concorrência/competição na blogosfera!

Ledo engano!

Há, e muita! E da pior possível!

- Mas como assim, Chato? Como é que alguém que até escolhe padrinhos virtuais para a filha pode pensar assim?

Pois é, crianças! Engana-se quem pensa ser a blogosfera algo diferente da vida real. Tal qual, é com o tempo que aprendemos a conhecer as pessoas. Qualquer um(a) que tenha a mesma paciência que a Luma teve, acabará, certamente, vendo o Afonso no Chato. É assim com quem quer que seja que tenha um blog relativamente constante por mais de um ano (exceção feita aos blogs do tipo "um tema só", impessoais, técnicos, politicos). Acaba se mostrando. É inevitável, ao menos para os leitores mais atentos. E se mostram tambem nos comentários que fazem nos demais blogs.

E a concorrência/competição se estabelece naquilo que chamei da pior forma possivel: a concorrência do ego. É uma concorrência real transposta para o meio digital. Nada muda.

Quem não tem um colega que vive tentando "puxar o tapete"? Um chefe, que só por ser chefe, vive pisando em cima, embora um boçal de marca maior?

Lemos, com freqüência, a expressão "fulano é do primeiro time da blogosfera". Está aí, admitida, a competição. Se há um primeiro time, é porque há um segundo, um terceiro ... e os "miguxos".

A competição existe entre os que escrevem de forma gramaticalmente correta e os que escrevem aXxim. Os primeiros fulizando os segundos; os segundos literalmente "cagando e andando" para os primeiros.

Pobre Freud! Se imaginasse que um dia existiria a blogosfera...

Gente é gente, seja a sua manifestação real ou virtual. Ou, mesmo, impressa! Sim, pois a boa história, o bom post, a boa novela, o bom romance, todos são assim justamente por revelarem experiências do autor, aquilo que o formou e o faz ser tal qual é.

O que faz alguém pensar que, só por ser um espaço "virtual", poderíamos ser diferentes? Lutamos pelo reconhecimento, seja onde for. E ser reconhecido significa, no mais das vezes, competir com outros que também querem ser reconhecidos. Há ciúmes, há inveja, há brigas - algumas homéricas -, há gente que se detesta e deixa isso bem explicito nos comentários e até em posts.

Há comunidades cujos membros não lêem posts escritos por membros de outras comunidades. Há os de esquerda que falam mal dos de direita. E vice-versa. É a competição do ego. É a hipocrisia humana on-line.

O post de ontem (relatando os dez anos dos blogs) mostra que a competição se dá até entre aqueles que querem ser os "pais" da criança. Mas, apesar de tudo e com as exceções conhecidas por todos, ainda penso que a maior parte da blogosfera convive em harmonia e em cooperação.



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