Pois é,
Muito baraulho por nada.
Como todos já sabem, a língua portuguesa deve sua existência aos meus antepassados "Afonsos". D. Afonso VI, rei de Leão e Castela (essa figurinha da imagem à esquerda. Cá pra nós: essa melena do D.Afonso VI... hummm, dá pra desconfiar...), brindou D. Henrique, por serviços prestados (que serviços terão sido?), com um condado, o Condado Portucalense. Seu filho, D. Afonso Henriques - ou D. Afonso I, de Portugal (e não esqueçam que sou D. Afonso XX), a figurinha aí da imagem à direita -
fundou o Reino de Portugal. Pronto, tava feita a caca do português, pois D. Afonso I estimulou a separação entre sulistas e nortistas, naquela pontinha do que hoje chamamos de Península Ibérica. Os do norte misturaram-se aos espanhóis e dessa mistura saiu o galêgo: uma mistureba ainda hoje compreensível quando se tem um pouco de conhecimento de espanhol e de português. Os sulistas permaneceram falando outra mistureba - com o árabe, por exemplo - que deu, em parte, no atual português. Não é pra menos que português e espanhol são muito mais parecidos entre si do que em relação às outras línguas românicas - ou romanços (francês, italiano, romeno...). Só quem não sabe disso são os paulistas e cariocas, que precisam de tradutor para espanhol.
Pois é na qualidade de descendente dessa turma, e de único herdeiro das tradições fundantes do português, que vos escrevo!
Foi natural? Claro que não! Como tudo nesse mundo, só abaixo de decreto. Não fosse isso, estaríamos falando tupi, guarani, etc... se é que...
Para que serve uma Língua? Tirando os usos sexuais, para comunicação (segundo os puristas e lingüistas - ih! o trema vai cair, tenho que me acostumar - o uso sexual da língua também é uma forma de comunicação: comunica se o(a) parceiro(a) é bom(a) naquilo ou não!). Logo, quem detém os meios de comunicação, detém o poder sobre a Língua. Foi isso que fez o rei D. Diniz: criou, em 1290, a Escola de Direitos Gerais. E, por decreto (pra variar) comunicou a todos que doravante só deveriam falar o tal de português. E por quê? Ora, porque era a única que o tal rei sabia falar. Nada sobrenatural ou qualquer outra explicação. Só isso:o ignorante só sabia falar português!
Depois os portugueses inventaram a globalização. Sim, sim, crianças incultas. Não foi tio Bil, foram os portugueses. Pena que eram portugueses e, naqueles tempos, ainda não sabiam falar inglês. Teríamos poupado tempo se os ingleses tivessem nos descoberto.
Simples assim. Nada de Camões ou com as pernas!
Fosse o dito rei galego, não nos entenderíamos.
Hoje falamos e escrevemos uma língua de decreto. De 1943, se não me falha a memória (nem tudo é Gooooog... nessa vida, viram? De quando em vez eu chuto por conta própria), e todo mundo acha lindo e maravilhoso. Ah! A(o)s viúva(o)s d(o)a trema. Mal sabem ele(a)s o que farão com os dois pontinhos... Querem uma sugestão?
Metade mais um da blogosfera se estapeia, com a metade menos um, defendendo um decreto. E tudo isso contra essa gurizada que fala o socialeto da vez.
Sessenta por cento dos norte-americanos briga contra os restantes quarenta por cento que não falam inglês, dentro do próprio território. O inglês parece dominar o mundo, mas vai se acabando dentro das próprias entranhas. Com o latim foi a mesma coisa: dominou o mundo ocidental da época e por ele foi transformado numa língua atualmente chamada de morta (só esqueceram de avisar os causídicos para comparecerem ao enterro... eita gente morta também! Pelamordedeus! Avisem logo a Ó-ah!-bê? Se depender dessa gente, o espírito do pobre latim jamais subirá aos céus!).
As línguas sobrevivem ou morrem independentemente dos seus parlantes. Línguas estão sujeitas à evolução: as mais fortes sobrevivem por mais tempo. Mas apenas isso: por mais tempo. Não demora muito (na escala cósmica) para que peixes virem seres humanos.
Besteira se agarrar com unhas e dentes a algo que sequer iremos sobreviver e contra o que não temos força para lutar. Força tem a bobo, que é a atual dona da comunicação. E, como tal, tem o poder de mudar a língua. E faz bem feitinho, diga-se de passagem!
O que vemos hoje (e até achamos bonitinho), que é a diferenciação entre Português do Brasil e Português de Portugal (ou Europeu) nada mais é do que reinício de algo que já aconteceu há quase mil anos. Não existe o novo; existe a interminável repetição do homem!
Segundo a reprodução de um artigo que o Edu fez (leiam, leiam, está escrito em português), a reforma irá atingir apenas 0,45% das palavras do nosso léxico. E não é isso que torna o português mais ou menos difícil.
Difícil é essa gente que não faz a mínima idéia do que era esse tal de português há mil anos e sequer faz idéia do que ele será daqui a cem. E brigam...
(O Grêmio será tri-campeão da América. Entenderam? Isso é português, ora!)









































muitíssimo bem colocado, afonso. gostei. e o blog da condessa, hein? já tem atualização? bjins
Afonso querido, lembra que aprendemos no ginásio aqueles versos portugueses quase que incompreensíveis? A língua é dinâmica e muda sempre. Muito recentemente fui saber que a palavra mágoa originalmente significava hematoma.
Confesso a você que fico muito irritada quando vejo que as pessoas estão mudando o sentido de certas palavras, mas o que posso fazer? A última moda é: "Fulano, enquanto blogueiro acha que ...". Outra também terrível é "Afonso, posso fazer uma colocação?". Ora bolas, ninguém mais dá opinião?Paciência, né?
Quanto aos estrangeirismos, não temos como fugir porque já se tornaram universais.
Beijocas
Muuuuito bem, sr. D. Afonso! Vosmicê tem razão de sobra: muito barulho por nada: uma língua não se mata por decreto nem se cria na maternidade. Desde que nos deixamos atravessar pelo significante, fomos por ele moldados. A língua nos faz, e não o contrário. Até mesmo pensamos porque falamos. O resto: aos linguistas o que é dos linguistas. A gente vai conversando e tá bão dimais!
Lembrei de ti!
http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/arquivos/2007/06/deixemme_dormir.html
hahaha
Abraço!
Eu tenho uma genealogia, cuja origem é o latim, onde o galego-português é a língua mais antiga, ela tem um registro anterior ao castelhano. Ou seja, o castelhano é posterior ao galego. Inclusive o galego é antecessor ao português.
Quanto ao catalão ele é um idioma, parece ser uma mistura de outras mas ele tem sua origem bem definida. Qualquer língua latina parece com outra, umas mais que outras.
Morei em Barcelona, trabalhei na Galícia e todas línguas ibéricas são interessantes.
ah, bom, muito bom!
mas vai aqui uma outra perspectiva sobre um ponto: O latim não está mort! Nunca morreu e nunca teve sepultamento não. O que se falava na península ibérica e nas outras regiões dominadas por Roma era uma espécie de Latim corrompido, isso todos sabemos e concordamos. Não foi que um dia Dom Diniz tivesse dito: "a partir de hoje vamos parar de falar latim e começar a falar português". O que ele fez foi apenas oficializar (por motivos geopolíticos, obviamente) o dialeto do latim que se falava onde hoje é conhecido como Portugal, e resolveu dar-lhe outro nome. Ora, assim concluímos: o que falamos é latim. Mas, claro, com outro nome, e muito evoluído (não necessariamente para melhor).
beijos
Ainda bem que eu já passei no vestibular! Posso virar um daqueles velhinhos que colocam ^ onde não se deve. Long live the trema!!
P.S.: Os chilenos e venezuelanos tãopouco entendem LHUFAS de português, nem quando eu escolho as palavras parecidas (se não iguais). É muito interessante...
Caro Don Afonso XX,
fora aaula de história da língua portuguesa que foi brilhante e bem completa, vc ainda poderia ter dito da "globalização" que ela teve através dos tempos indo parar na China, África e Ásia além dessas paragens aqui.
Nós os palistas e cariocas, além dos mineiros, capixabas e baianos sofremos a ação da colonização dos portugueses, por isso não herdamos as características da língua espanhola como os povos do sul.
É de se notar também a beleza do português falado mais ao norte como no Maranhão, Rio Grande do Norte entre outros estados. Empunham a língua portuguesa como se fosse a arma mais pontiaguda, ferina e cortante numa perfeita colocação de palavras, concordâncias verbais e nominais, um espetáculo.
Grande língua portuguesa, a última flor do Lácio. E o latin como origem de todas só faz ficar mais bela e culta. Incultos somos nós que a usamos tão mal.
Grande abraço
Muito pedagógico, Afonso, e também muito "sui generis"!
EHEHEHE....
" A priori" a língua é um dos factores de coesão do povo,talvez os reis espanhóis pensassem que era uma questão de "lana caprina" e por isso deixaram o povo falar os dialectos de cada "solum",e o que resultou? Os bascos falam uma língua tão diferente do castelhano que só por isso justifica a independência e a colocação de bombas aqui e ali. Os catalãos, reivindicam o reconhecimento da LINGUA, quando na realidade é uma mistura cómica de português, espanhol e francês! Por isso, até que o nosso D.Diniz, que não foi uma "avis rara", mas sim extremamente inteligente, impôs uma lei quando o povo ainda era cordato e acatava a autoridade real sem contestação!
Quem disse que o Latim era uma língua morta? Está aí, talvez "ad eternum"!
Bjo!
Grêmio TRI é português mais que correto! :)