35 - PLágio II

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Pois é,

Alguns comentários sobre a iniciativa da Sandra Pontes.

Não foi porque gosto da Sandra que sugeri a ela que transformasse esse post em um manifesto (a sugestão está lá, registrada nos comentários); tão pouco por defender meus textos. Quem já se deu ao trabalho de ler o "Código do Chato" sabe que que não me incomodo com cópias dos meus textos, com ou sem referência ao fato de ser eu o autor.

Se me envolvi na questão e me propus a "trabalhar" o texto para que ficasse com cara de "manifesto" (apenas tirando algumas colocações de ordem pessoal, tipo uso da primeira pessoa e quetais) foi por duas únicas razões.

As três coisas que mais detesto nas pessoas são (em ordem rigorosa):

1. Falta de consideração
2. Falta de respeito
3. Hipocrisia

Há uma linha tênue a separar os dois primeiros: consideração e respeito. Dependendo da situação, podem representar o mesmo comportamento. E essas são as duas razões pelas quais me envolvi nisso.

Tendemos a imaginar que o estrago causado nas outras pessoas, em razão do nosso comportamento, seja mínimo, se é que até não o ignoramos. "Que mal vai fazer isso?", estamos acostumados a dizer, ignorando completamente a possibilidade de que "isso" venha realmente a fazer algum mal.

Mais, quando as pessoas reagem, ainda tendemos a considerá-las "bobas", "fúteis", "chatas" e tantos outros adjetivos que traduzem exatamente a nossa FALTA DE CONSIDERAÇÃO com as pessoas. IGNORAMOS, simplesmente, que elas existem e que têm direito a reagir conforme suas próprias crenças e não conforme as nossas.

O que fiz foi apenas ter CONSIDERAÇÃO com os sentimentos dela. Não impus meu julgamento aos sentimentos dela. Apenas considerei-os. Ainda que eu não tivesse a mesma reação. E aqui vai a tênue linha que separa consideração de respeito.

Embora não tivesse a mesma reação, RESPEITEI a atitude dela. A diferença é fácil de ver. Uma das pessoas que copiou o poema, e que portanto faltou com consideração, ao ser avisada, imediatamente tratou de fazer referência à autoria da Sandra. No primeiro gesto, faltou-lhe consideração; no segundo, sobrou-lhe respeito.

Um segundo ponto a ser analisado, envolve a questão da HIPOCRISIA. Já li comentários e posts de pessoas dizendo que não poderiam colocar o banner em seus blogs porque estão acostumadas a baixar músicas, filmes, fotos, etc., da internet. Mais, porque compram CDs e DVDs nos camelôs e que, portanto, estariam sendo hipocritas ao defender uma causa que, na prática, não seguem.

Pode parecer falta de consideração da minha parte com meus leitores, mas é necessário repetir algumas coisas (que imagino todos saibam): não devemos confundir PIRATARIA com PLÁGIO.

No primeiro, estamos falando de direitos autorais "patrimoniais". Ao comprar um CD na esquina, não pagamos ao autor mas, também, não saimos por aí dizendo que a obra é nossa; no segundo, estamos falando de assumir a autoria de uma obra de outra pessoa. Publicamos em nosso blog para fazer com que nossos leitores pensem que nós escrevemos. Há, claramente, uma intenção de "causar efeito" nos outros, mostrando algo que não somos e que, no mais das vezes, sequer temos capacidade para sê-lo. São direitos autorais intelectuais, que ensejam reparação moral (e não patrimonial), caso sofram dano, e que pode (o dano), ou não, ser convertida (a reparação) em pecúnia.

O que propomos é tão somente o segundo caso, que se respeite o direito intelectual de criação de obras intelectuais. RESPEITO E CONSIDERAÇÃO! Simples assim.

Não me sinto, de forma alguma, hipócrita, ao defender isso e baixar músicas da internet. Jamais disse, por aí, que eu as compus. E sempre que as coloco no meu blog, faço a devida referência ao autor. Eventualmente, quando não encontro o autor de alguma imagem, posto assim mesmo. E mesmo assim há um aviso de que se o autor aparecer é só avisar que a retiro, caso não autorize.

A questão está na INTENÇÃO com que fazemos as coisas. É nela, a intenção, que podemos diferenciar CONSIDERAÇÃO, RESPEITO e HIPOCRISIA.

O direito de defender nossos direitos é sagrado. Mas parece que já nos esquecemos disso, de tanto ver nossos direitos serem desreipeitados e nada fazermos.

11 Comments

Afonso, e os textos adaptados?
Beijus

A discussão é grande. Veja o post que fiz sobre o "plágio" de nossos grandes escritores. Ah, e sobre o banner, o WP não aceitou. Ficou só a imagem, sem link pra Sandra. Evocê , já está totalmente recuperado do tombo?
abraço, garoto

O que você diz aqui bate frontalmente com o comentário que deixou no meu blog, onde não apenas o poema é seguido do nome de seu autor *E* - isto é muito importante - de onde é que foi retirado, conclamando a que conheçam a obra. (direitos de produção)
Um forte abraço
Maria Elisa Guimaraes

Concordo em gênero, número, grau e indignação!

Plágio é uma merda! O sujeito não tem a criatividade que gostaria e simplesmente rouba a de outra pessoa. Além de anta, ladrão.

Afonso,

o negócio é complexo mesmo. Acho que você expôs bem os lados todos do problema. Essa de comprar CD e DVD de camelô é mesmo demais. O pior é que eu acho que tem gente que simplesmente não entende, ou finge muito bem.

bjs.

Não li a íntegra da Lei, mas me parece que Direitos Autorais englobam tanto pirataria como plágio. Ambos ferem, por assim dizer, o "lucro" do autor (e não me refiro apenas a dinheiro). E não sei se me sinto bem ao relativizar as coisas: estuprar pode, matar não; bater em viado pode, em negro não. É nesse sentido que interpreto a coisa - sempre com todo respeito e consideração a quem interpreta distintamente. Amo a Sandrinha e vou dar porrada em qualquer um que a magoar. Mas colocar o tal sê-lo me deu a impressão de "faça o que eu digo mas não o que eu faço". Meu sentimento, só meu. Beijo! :-)

Dindo, parece-me que te sentes constrangido. Não é esse o objetivo, constranger quem quer que seja a colocar o banner ou, mesmo, a concordar conosco. Não se trata de "pode" ou "não pode" e, sim, conforme coloquei, da INTENÇÃO com que fazemos as coisas. Aliás, a intenção (elemento volitvo) é importante, também, na hora de diferenciar os crimes: crimes dolosos de crimes culposos. Ambos crimes, mas com penas diferenciadas. Nosso objetivo é bem mais simples do que "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Trata-se apenas de coibir, na medida do possível, o plágio de posts. Nada mais. Condessa manda um beijo.

Puxa... e ninguém me convida... ssnniiffff

Pois aqui a lazanha foi no domingo passado, os meninos estavam por aqui.
Amanhã ainda não sei, mas como você disse, usando uma música do Guilherme Arantes, amanhã será um novo dia, da mais louca alegria, é isto aí.
Beijos aos três.

hahahah, estamos trocando os domingos. bjs

Se post está muito claro.
Na verdade as três coisas citadas cabem em qualquer situação.
A falta de consideração por si só já é uma falta de respeito. Quem respeita o outro, não sai pisando em cima, como se nada existisse pela frente.
E hipócrita está sendo aquele que por falta de consideração e respeito não enxerga além de seu próprio umbigo.
Um beijo e bom domingo, com um belo churrasco talvez....

Aninha, "amanhã será novo dia, da mais linda alegria, que se possa imaginar... ". Mas nada de churrasco. Fiz no domingo passado. Anda frio em POA. Quero mais é uma lazanha, hehehe bjs

Don Afonso, esse problema de plágio aqui na internet é complicado. Não sou favorável de maneira alguma ao plágio, puro e simples aquele a que vc se refere. O camarada acha um texto, gosta, copia e cola e não dá o devido crédito. Falta de respeito e de consideração sem dúvidas.
Mas também não acho que seja motivo para tanto barulho. Vai até o blog do autor da façanha e dá-lhe um toque, mstre que a autoria não é dele,etc. Se não der resultado, volta e desce o malho. Nada que meia dúzia de palavras bem colocadas não resolva.
No exato momento estou em dúvida. Lá no Rodadas Literárias costumo por um trecho, às vezes um conto, crônica, etc. Não tenho nenhum interesse comercial. Faço por gosto à literatura e como divulgação do autor. Dia desses fui alartado por um amigo que talvez não estivesse sendo ético com a família do escritor que ainda recebe direitos autorais.
Não entendo assim. Acho que faço um trabalho de divulgação. Poderia até ser reembolsado por isso, afinal de uma maneira ou de outra estou dando a possibilidade de uma venda, que gerará lucro para alguém, que não eu.
Complicado, não?
Ah! e sempre dou o respectivo crédito a tudo o que coloco por lá.
Boa luta por aí.
Um abraço forte, tchê!

Caríssimo, obrigado por tuas colocações. Levantas a lebre para um questão interessante: os direitos de sucessão, de herança. Embora a lei seja clara sobre isso, isto é, a produção intelectual é patrimônio da pessoa e, portanto, transmite-se aos herdeiros, com todas as suas conseqüências (apesar de delimitado no tempo) financeiras, o que se coloca é: se dizem que Deus fez tudo até o sexto dia, que direito temos nós, de nos apropriarmos de algo que não criamos? Tuas colocações valem um post, que farei na contiuação. abs

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on abril 28, 2007 3:23 PM.

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