abril 2007 Archives

Pois é,

Alguns comentários sobre a iniciativa da Sandra Pontes.

Não foi porque gosto da Sandra que sugeri a ela que transformasse esse post em um manifesto (a sugestão está lá, registrada nos comentários); tão pouco por defender meus textos. Quem já se deu ao trabalho de ler o "Código do Chato" sabe que que não me incomodo com cópias dos meus textos, com ou sem referência ao fato de ser eu o autor.

Se me envolvi na questão e me propus a "trabalhar" o texto para que ficasse com cara de "manifesto" (apenas tirando algumas colocações de ordem pessoal, tipo uso da primeira pessoa e quetais) foi por duas únicas razões.

As três coisas que mais detesto nas pessoas são (em ordem rigorosa):

1. Falta de consideração
2. Falta de respeito
3. Hipocrisia

Há uma linha tênue a separar os dois primeiros: consideração e respeito. Dependendo da situação, podem representar o mesmo comportamento. E essas são as duas razões pelas quais me envolvi nisso.

Tendemos a imaginar que o estrago causado nas outras pessoas, em razão do nosso comportamento, seja mínimo, se é que até não o ignoramos. "Que mal vai fazer isso?", estamos acostumados a dizer, ignorando completamente a possibilidade de que "isso" venha realmente a fazer algum mal.

Mais, quando as pessoas reagem, ainda tendemos a considerá-las "bobas", "fúteis", "chatas" e tantos outros adjetivos que traduzem exatamente a nossa FALTA DE CONSIDERAÇÃO com as pessoas. IGNORAMOS, simplesmente, que elas existem e que têm direito a reagir conforme suas próprias crenças e não conforme as nossas.

O que fiz foi apenas ter CONSIDERAÇÃO com os sentimentos dela. Não impus meu julgamento aos sentimentos dela. Apenas considerei-os. Ainda que eu não tivesse a mesma reação. E aqui vai a tênue linha que separa consideração de respeito.

Embora não tivesse a mesma reação, RESPEITEI a atitude dela. A diferença é fácil de ver. Uma das pessoas que copiou o poema, e que portanto faltou com consideração, ao ser avisada, imediatamente tratou de fazer referência à autoria da Sandra. No primeiro gesto, faltou-lhe consideração; no segundo, sobrou-lhe respeito.

Um segundo ponto a ser analisado, envolve a questão da HIPOCRISIA. Já li comentários e posts de pessoas dizendo que não poderiam colocar o banner em seus blogs porque estão acostumadas a baixar músicas, filmes, fotos, etc., da internet. Mais, porque compram CDs e DVDs nos camelôs e que, portanto, estariam sendo hipocritas ao defender uma causa que, na prática, não seguem.

Pode parecer falta de consideração da minha parte com meus leitores, mas é necessário repetir algumas coisas (que imagino todos saibam): não devemos confundir PIRATARIA com PLÁGIO.

No primeiro, estamos falando de direitos autorais "patrimoniais". Ao comprar um CD na esquina, não pagamos ao autor mas, também, não saimos por aí dizendo que a obra é nossa; no segundo, estamos falando de assumir a autoria de uma obra de outra pessoa. Publicamos em nosso blog para fazer com que nossos leitores pensem que nós escrevemos. Há, claramente, uma intenção de "causar efeito" nos outros, mostrando algo que não somos e que, no mais das vezes, sequer temos capacidade para sê-lo. São direitos autorais intelectuais, que ensejam reparação moral (e não patrimonial), caso sofram dano, e que pode (o dano), ou não, ser convertida (a reparação) em pecúnia.

O que propomos é tão somente o segundo caso, que se respeite o direito intelectual de criação de obras intelectuais. RESPEITO E CONSIDERAÇÃO! Simples assim.

Não me sinto, de forma alguma, hipócrita, ao defender isso e baixar músicas da internet. Jamais disse, por aí, que eu as compus. E sempre que as coloco no meu blog, faço a devida referência ao autor. Eventualmente, quando não encontro o autor de alguma imagem, posto assim mesmo. E mesmo assim há um aviso de que se o autor aparecer é só avisar que a retiro, caso não autorize.

A questão está na INTENÇÃO com que fazemos as coisas. É nela, a intenção, que podemos diferenciar CONSIDERAÇÃO, RESPEITO e HIPOCRISIA.

O direito de defender nossos direitos é sagrado. Mas parece que já nos esquecemos disso, de tanto ver nossos direitos serem desreipeitados e nada fazermos.

36 - Plágio

| | Comments (9)

Pois é,

Todos sabem o que aconteceu com a Sandra. Plágios e mais plágios.

Ela escreveu um post sobre isso e eu sugeri que transformasse o post num manifesto.

Ela topou e eu fiz uma revisão, com pequenas adaptações no original dela.

O Alexandre Costa fez o banner.

Assim, tratem de copiá-lo em seus blogs e vamos, TODOS JUNTOS, acabar com essa pouca vergonha na blogosfera.

O banner já está permanente lá em cima, no Chato (logo abaixo daquela praia maravilhosa...). Cliquem nele, que irão para a página do manifesto, onde encontrarão diversos tamanhos para copiar (com instruções. Obs.: todas as aspas de início estão trocadas. Há que redigitá-las depois de colar o cógido no template do blog para que funcione)

Tá esperando o quê?

37 - Gandhi

| | Comments (9)

Pois é,

"Você precisa ser a mudança que você quer ver no mundo"

Pois é,

Sai! Sai daqui! Me deixa queito. Ao menos isso.

Respeita os poucos momentos em que ainda consigo ficar lúcido comigo mesmo. Já não te bastam as tantas vezes que me acusaste de não ser homem? E queres saber por que lembro disso agora? Te digo, mesmo que nunca tenhas querido saber.

Há muito já superei a questão pela qual escrevo: se escrevo apenas para me aliviar, ou se escrevo para que alguém leia. Escrevo para que tu leias. Por mim, bastavam meus diálogos sozinho. Mas há algo em que fostes a maior de todas. Em algo que não tinhas o direito de ser.

Não podias, mesmo que em momento de raiva, fazer comparações. Traíste o código básico de um relacionamento: aconteça o que acontecer, pertence apenas às quatro paredes. Sequer nós temos o direito de saber. Menos ainda o de dizer em voz alta! Tivesses dito que eu não te satisfazia, até teria entendido. Sabia, melhor do que tu, da minha condição. Sabia da minha incapacidade de te satisfazer.

Mas não devias, por mais "brincadeira" que fosse - como cansaste de repetir depois -, dizer que eu não te satisfazia porque "era pequeno", ou que "estava pequeno", como não cansavas de dizer nas horas em que me encontrava inútil. Te dás conta, hoje - se é que estás a ler isso, que me atingistes naquilo que fomos ensinados a considerar como o maior bem da natureza, mais até que nossa personalidade?

Percebes que, mais do que a falta dos teus braços - que se recusavam a me levantar - mal maior faziam as tuas palavras ao se referir a minha incapacidade como "pequeno"? A mágoa me impõe a raiva. E pelo tempo em que fostes o meu vício, por diversas vezes estive por te perguntar:

E a ti? O que importa é tão somente o tamanho? És tão pequena quanto dizes que ele é, a ponto de ultrapassares as quatro paredes e jogares na minha cara, somente depois que caí?

E te pergunto, para que penses para o resto da tua vida: te importava mesmo o tamanho?

Pois é,

Devo lembrar tuas palavras? Palavras de um tempo novo, de um tempo de sonhos?

"um bom copo de vinho, uma música baixa, um sofá macio e longas horas de conversa em tom baixo, olhos nos olhos, mãos para segurar as outras, dedos para não deixarem as lágrimas caírem na blusa ou agilidade para correr atrás de lenços de papel, braços para envolver, carinho no cabelo..."

E o que temos hoje? Horas de discussão, quando não estás dormindo. E num tom tão alto que sequer a música se faz notar. Teus olhos insistem em fugir. Desviam-se, não para esconder as lágrimas, mas para esconder a expressão da tua incapacidade. Da tua incompreensão dos meus momentos de fraqueza, dos momentos em que caí. E que mãos eu tive nessas horas? Mãos que certamente mais queriam jogar em mim o vinho, que antes tomavas apaixonada.

Não queria tuas mãos segurando as minhas. Queria tuas mãos apenas como apoio. Levantar, sabes? Coisa simples, alguém que me puxasse pra cima. E foi aí começou teu abandono. E foi aí, também, que te transformei no meu vício. Coloquei em ti a saída dos meus problemas. Precisava dos teus braços, o fraco era eu. Tu? Sequer adjetivos tenho mais...

Pois é,

Não vais escutar, por isso mesmo falo. E falarei sempre que tiver vontade, escutes ou não. Vou escrever, mesmo sabendo que não vais ler. Estás longe para me ouvir; dormes, quando devias estar lendo o que te escrevo.

Vou aprender a não sentir a tua falta. Será minha vingança contra teu cansaço, que te rouba de mim! Contra a tua falta de vontade, que te faz dizer que queres, num falso sorriso, estar comigo.

Chega de estar a tua disposição. Chega de esperar respostas! Prefiro ejacular minhas próprias, se é isso que queres.

Tiveste de mim o que querias. Tiveste o mais importante: meu tempo! Todo para ti. E no que tem resultado? No teu sono, que dizes ser irresistível! Como mudam as situações! Outrora, dizias isso de mim. E vinhas toda, inteira, ao meu encalço. Não havia lugar na casa onde não estavas junto, a me tocar, a me provocar, a pedir.

Hoje me pedes descanso; pedes apenas algumas horas para dormir. Dorme em paz. Já não és mais meu vício!

Pois é,

Hoje é o Dia da Terra. O "Faça a sua parte" irá comemorar este dia durante uma semana. A SEMANA DA TERRA.

O Flavio Prada bolou uma idéia. Disse ele, no tal dia de inspiração, que era a sua 38ª idéia. Pegou. Virou a "Idéia 38". E qual é a idéia 38? Que a diga o próprio Flavio:

Idéia 38 para o Dia da Terra

No ano passado a Lucia Malla organizou para o “Dia da Terra” uma blogagem coletiva que foi um verdadeiro sucesso. Milhares de blogs aderiram e postaram algo para marcar a data e lembrar dos problemas que afligem nosso planeta. Como boa bióloga, a Lucia mantém um blog que é um verdadeiro caldo de cultura de ótimas idéias que faz propagar em modo epidêmico. Não foi portanto com muita surpresa que a idéia desse blog viesse a nascer exatamente dentro do “Uma Malla pelo mundo”, na sua caixa de comentários. Da idéia se passou à ação e o blog ganhou as estradas da rede. O numero de colaboradores cresceu e ótimos textos e debates vem se desenvolvendo aqui, ousaria dizer, de altíssimo níveis.

Esse ano, temos uma proposta a fazer para comemorarmos esse dia da Terra de modo a transformar essa que seria apenas uma homenagem lida e ouvida por nós humanos, em algo que a homenageada, a Terra, pudesse realmente perceber, sentir o quanto estamos a seu lado e lutamos por ela.

Como é até óbvio, o próprio nome do blog é um convite à ação. Pensamos somente em explicitar mais isso, com exemplos práticos e reais, de pessoas que estarão se esforçando para melhorar o seu modelo de consumo com vistas a uma melhoria do ambiente.

Propomos uma ação coletiva onde para a postagem do dia 22, a sugestão para quem for participar, é que faça um post onde se coloque uma sua meta a ser atingida no que se refere ao meio ambiente. Explicando melhor:

Cada um que postasse, poderia declarar a sua meta no que se refere a economia de recursos, a porcentagem de lixo separado, enfim, o que for. Exemplo: espero reduzir em 20 por cento meu consumo de combustível. Isso é um dado objetivo e mensurável. Alguém pode traçar como meta diminuir o consumo de água, ou o de embalagens, comprar menos supérfluos ou mesmo simplesmente andar mais a pé . Cada um fala do seu empenho no seu blog e o “Faça a sua parte” reúne os links no dia 22. Mas o objetivo também é o de ter uma meta que o “Faça a sua parte” possa noticiar ou linkar ao longo de todo ano. No próximo dia da terra, daqui a um ano, o “FSP” fará um grande balanço dos resultados.

Faço um exemplo um pouco mais detalhado. Meu caso particular. Consumo com meu carro, em média 1600 litros de gasolina por ano. Posso traçar uma meta de reduzir 20% desse consumo, claro que sem fazer uma substituição com outra fonte de energia e sim uma economia real. Parece fácil, mas envolve um mundo de decisões, planos e mudanças de hábitos. O que vou fazer? No lançamento da campanha faço um post expondo isso. Depois, a cada um, dois ou três meses, posto algo sobre meu progresso. Quantos passeios programei fazer com a bicicleta em lugar do carro. Meterei as fotos que ilustram esse meu esforço. E os números. Vou pedir ajuda, incentivos, idéias, orações. Chamar à participação e envolver as pessoas em torno de uma idéia. Porque tudo isso?

Porque todas as questões relacionadas com meio ambiente tem um fundo político/ideológico, de como nos relacionamos com o mundo e como o consumimos. Mudar essa realidade é um dos nossos maiores objetivos e começa com a mudança das mentalidades e os modos de atuar na realidade. Não podemos pretender que algo se mova simplesmente lendo este blog e esperando que alguém faça a sua parte. Nos precisamos fazer a NOSSA parte."

Está lançado o desafio!

Simples:

DESAFIE-SE!

ENFRENTE-SE!

Estabeleça suas metas e torne-as públicas!

COMPARTILHE conosco!

Faça ALÉM da sua parte!

E o que eu pretendo fazer?

Parece simples mas não é! Vou me embrenhar numa violenta guerra contra os sacos plásticos usados em supermercados, farmácias e afins. E já comecei. Por causa do tombo, tive que comprar remédios. Fui numa farmácia e só tinha um dos que precisava. A moça do caixa já foi colocando aquela pequena caixinha dentro de um saco plástico. Interrompi o movimento dela, peguei a caixinha e coloquei no bolso. Fui em outra farmácia, para comprar o segundo remédio e a cena se repetiu. Uma caixinha menor que a primeira. Foi para o outro bolso.

Sexta-feira, meu dia no "Faça a sua parte", escreverei um post sobre o assunto, estabelecendo meus planos e metas. Será difícil? Sim! Ontem fui ao supermercado e saí de lá com nada mais, nada menos, do que 18 sacos plásticos.

Como fazer para trazer todas as compras sem utilizar sacos plásticos? É o "desafio 38" a que me proponho.

Todos quantos queiram participar, deixem aqui um recadinho, pois estaremos listando todos lá no "Faça a sua parte".

E termino com os versos inciais da música Terra, do Caetano Veloso:

Quando eu me encontrava preso na cela de uma cadeia
Foi que vi pela primeira vez as tais fotografias
Em que apareces inteira, porém lá não estava nua
E sim coberta de nuvens
Terra, Terra,
Por mais distante o errante navegante
Quem jamais te esqueceria?

43 - Pessoas

| | Comments (11)

Pois é,

Como me diz a Kaya, com alguma freqüência: "Quanto mais convivo com as pessoas, mais gosto dos animais".

Tem dias que ela tem razão...

Pois é,

Se eu tivesse ficado menos tempo olhando mulher pelada na internet, certamente teria comido um número maior delas. Ah! Mas era tão bom...

Adoro uma mijada consistente, daquelas que fazem barulho e respingam, como as que eu dava depois de beber umas quatro cervejas... Ah! Que saudade...

Pois é,

Às vezes é bom levar um tombo, para cair na realidade. Tá certo que não precisava ser uma realidade tão dura quanto a madeira do encosto da minha cadeira (foto), quebrado pelas minhas costas; ou, mesmo, o duro chão que minha cabeça acabou experimentando. (por sorte não cai em cima do parafuso).

E por falar em sorte, se por ela ou por nascença, sei lá, poucas vezes precisei tomar remédios em minha vida. Afora comprimidos para enxaqueca ou dor de cabeça, pelo geral agüento a dor no osso do peito, como se diz. E mesmo a enxaqueca está sob estrito controle. Com a convivência eterna com ela, vamos aprendendo as suas manhas e razões. Assim, consigo evitá-la na maior parte das vezes. Fora isso, algumas latinhas de refri para curar as ressacas, atualmente não tão freqüentes.

Sou adepto do banho. Banho cura qualquer coisa, o que faz de mim um ser incoerente. Defendo que cada um "faça a sua parte" na preservação do meio ambiente, mas uso água como se fosse remédio.

A única coisa que banho não resolve é fazer funcionar a internet. Por coincidência, quando estou em casa e poderia - mantido o repouso necessário - acessá-la com calma e colocar em dia minhas leituras, é justamente quando ela falha. Dois dias sem linha. Vai daqui, vai dali e tiveram que trocar o cabo que sai do poste e vai até o CD dentro do prédio. Oitenta metros de cabo. Danem-se eles. Danei-me eu, pois fiquei fora do ar.

E parece não ter resolvido muito a dor. Então, cedendo aos inúmeros e incontáveis apelos, fui ao médico. Olha daqui, olha dali e... bidu! Raios-X. Se soubesse que seria atendido por uma gatinha, na sala de RX, tinha dado um jeito de quebrar mais coisas, só para ficar mais tempo lá dentro.

- Tire a camisa e vista o avental com a abertura voltada para as costas, disse-me ela.
- Mas, só a camisa? Perguntei, já imaginando as possibilidades.
- Sim, só. O doutor pediu apenas RX das costelas, mais nada.
- É que também estou sentindo uma outra dorzinha... Quem sabe a gente já não aproveita e bate mais um?
- E onde é que está doendo?

Já estava esquecendo as dores nas costelas, quando entra a auxiliar e quase levo mais um tombo. De volta ao consultório, olha daqui, olha dali...

- E aí, doutor, quebrou alguma coisa?
- Aparentemente, não. Mas quebrado ou não, vai ficar doendo por vários dias. Se daqui a uma semana a dor ainda não tiver passado, volta aqui que fazemos mais uns RX. Pode ser que alguma fissura apareça até lá.
(- Oba! hehehehe)

E por ter ficado fora do ar, não pude comparecer aos aniversários da Roberta Malta e da Yvonne. Sorry meninas, mas sintam-se beijadas agora, mesmo que tardiamente.

Bueno, bueno, voltando ao normal...

47 - Acidente

| | Comments (14)

Pois é,


Rubens. A Queda de Ícaro, 1636.

Um pequeno acidente, na madrugada de domingo, me afastou daqui. Um tombo e as costas arrebentadas. Sem muito esforço até melhorar, o que espero aconteça até amanhã. Caso contrário, já viu né? "Tirar chapa", enfaixar...

Pois é,

"Belo Horizonte, 7 de abril de 2007.

Meu caro Dom Afonso,

Saudações!

É com imenso prazer que lhe escrevo esta, desejando que o encontre em plena saúde e felicidade, junto aos seus.
Como vão as coisas? O trabalho, a família, você?
Li seu post acerca da preciosidade das cartas, quase irrecuperável, a não ser que nos dediquemos a cessar o fluxo caudaloso do tempo e tomar da pena - ou do teclado - para escrever algumas palavras.
Também sou do tempo das missivas, cuidadosamente escritas e ansiosamente esperadas, principalmente as respostas, sempre demoradas.
Por aqui, tudo na mais perfeita ordem, ou quase, pois a perfeição não existe, bem o sabemos.
Amélia lhe envia, a você e sua família, mil recomendações. Disse-me: "escreva aí, uma lembrança para a Condessa e que o coelhinho da Páscoa lhe deixe muitos ovos de chocolate". Está dito!
Um grande abraço do amigo,
Cláudio."




Porto Alegre, 8 de abril de 2007.

Caríssimo,

Não sabes o prazer que a surpresa causou. Cá, neste longínquo sul, ainda gozamos de paz e saúde. Muito trabalho, por certo. Ainda esta semana passarei toda fora, em viagem. Visito nossa bela serra em sua progressista Caxias do Sul. Cidade que ainda tem lá seus encantos, apesar de se tornar cada vez mais parecida com os grandes centros, na sua vida agitada. Mas é sempre um prazer, nos intervalos do trabalho, aproveitar a fartura da comida italiana. Massas de todos os tipos, queijos, salames, copas, presuntos, vinhos, tudo ainda artesanal.

E há, ainda, as fugidinhas para visitar os vinhedos e as belas paisagens da serra. Bem sabes o prazer que nos proporciona a visão das serras. Tem-nas aí, na tua querida Minas. E tão belas quanto, pelas fotos que tenho visto. Faz-nos recordar que ainda existe beleza nesse mundo tão conturbado.

Fico uma semana por lá. Infelizmente deixo as meninas já saudoso. A Condessa, diz à Amália, anda impossível. Não podemos deixá-la um minuto sequer que já apronta alguma arte. Fala de tudo. Imagina que já sabe o nome de todas as partes do corpo. Adora cavalos e motos. De cavalos até endendo de onde tirou o gosto, pois fui cavaleiro nos bons tempos de quartel, mas de motos? Não pode ver uma passar que já aponta, dizendo: "moto, papai, moto".

O coelhinho lhe trará ovinhos, sim. Não muitos, pois ainda é pequena e não podemos exagerar. Difícil foi conter a mãe. Por ela, teria transformado nossa casa num depósito de ovos de chocolate. Já havia perdido o gosto pela data, mas a Condessa e mãe estão a recuperá-lo. Parece incrível como a inocência de uma criança tem o poder de despertar, em nós, a nossa própria infância. Estou cá a fazer trilhas com pezinhos de coelho, para que amanhã, quando acorde, brinque, como eu brincava, de procurar surpresas.

No mais, estamos ansiosos pela visita de vocês. Bom, vou providenciar a mala. Terei que levar abrigo, pois o frio se anuncia. Nuvens espessas cobrem o céu de Porto Alegre.

Beijos em todos por aí.
Afonso

x.x.x.x.x.x

Há um blog, "BlogFrases - Pérolas soltadas por blogueiros" (http://www.blogfrases.blogspot.com/), que, como o nome ja diz, seleciona frases de posts e publica. Tudo com as devidas citações e referências. Pois não é que tive uma frase minha selecionada? hehehe vão lá, vão lá.

56 - Diálogos

| | Comments (7)

Pois é,

Há monólogos e há diálogos. E que diálogo...Uau!

58 - Cartas

| | Comments (12)

Pois é,

Grandes embates, entre grandes pensadores de todas as áreas do conhecimento desenvolvido pela humanidade, se deram por carta. A edição das cartas de "luminares" da civilização sempre foi um grande filão editorial. Era nas cartas, muitas vezes, que as teorias se desenvolviam, venciam ou eram postas abaixo.

E que interessante o fato de que havia tempo para isso. E o tempo era um fator importante, pois com ele tínhamos tempo para pensar.

Talvez alguns dos meu sete leitores se espante, mas fui jogador de xadrez por carta, ou xadrez postal como se chamava então. Houve tempo em que me correspondia com 50 jogadores do mundo todo.

- Afonso?
- Sim, Chato?
- Não te entrega, cara! Quem te lê vai pensar que tens uns duzentos anos, no mínimo!
- Mas Chato, não faz tanto tempo assim, só vinte anos!

E como era melhor do que essa tal de internet. Cada carta começava com uma linha simples e direta: a jogada! Mas depois... Ah! Depois vinham três ou quatro folhas nas quais as pessoas realmente se falavam. Contavam histórias das suas cidades, costumes; aprendíamos a língua, as manhas... Com o tempo até histórias pessoais.

Não faz muito tempo rasguei mais de mil cartas que guardava dessa época. Não que me arrependa, mas tenho uma saudade imensa delas.

Hoje? A frieza quase tomou conta! A rapidez em responder encurtou as respostas. Em tamanho e qualidade. Claro que há exceções, mas poucas. Não há tempo a perder; não há tempo para debates. Sequer aqui nos blogs. Se muito longos ninguém lê. Se muito profundos, ninguém pára para pensar.

Saudade das cartas! Cartas eram pessoas, internet são nicks e avatares, na maioria das vezes.

Devo ter sido até meio "brega" quando - acredito que de forma inédita - escolhi padrinhos virtuais para a Condessa (o Edu e a Yvonne). Foi como se isso me transportasse ao tempo das cartas e ao que elas significavam para as pessoas. Um tempo de interesse e não um tempo de pressa.

Me recuso a usar o MSN e similares (ICQ e o escambau). Muito já utilizei. Tempos houve em que passava horas a fio grudado com trocentas pessoas no ICQ. Não faço mais. Na falta das cartas, prefiro o mail. Ainda resta, nele, um cheirinho de carta. Ainda podemos nos delongar na leitura; ainda podemos pensar na resposta. Ainda posso levar dois, três ou mais dias para responder, tal qual o tempo que uma carta levava para chegar, dependo da cidade/país.

Tenho comigo, até hoje - e dessas não me livro - todas as cartas que recebi (à exceção daquelas do xadrez): de amig@, namoradas, conhecid@s e tal. (a da imagem é uma delas)

Mas também sou atingido pela pressa, pela falta de tempo. Devo cartas ao Juliano, bem ao tempo antigo: debates. Menos mal que parece que ele, apesar de bem mais jovem, entende, pois disse que poderia dispor do tempo necessário para responder.

Tenho conseguido trocar "quase cartas" com a Sandra, embora imagine que ela, por vezes, deva ficar "nervosa" com algumas demoras.

Dia desses a Kaya, ao revisar a nossa caixa de correspondências (real) falou: "pôxa, ninguém me manda uma carta, só esse monte de contas e propagandas!". No dia seguinte escrevi uma carta para ela. Imaginem a felicidade quando, dias depois ao abrir a caixa, viu que tinha uma carta para ela.

Pois é isso. Cartas. Daqui pra frente só quero cartas, mesmo que por mail.

Pois é,

Porto Alegre retoma a tradição que a colocou no centro do mundo: local de encontro de quem pensa num mundo melhor.

E para outubro a segunda edição do já tradicional Mega Encontro da Blogosfera Porto-alegrense (embora o primeiro só vá acontecer em junho, já é um sucesso antecipado).

Neste segundo encontro contaremos com a presença de ninguém mais, ninguém menos, que D. Cláudio Costa, o mais famoso, e por que não dizer charmoso, psiquiatra da blogosfera brasileira, que virá acompanhado, como diria Soié, seu pai, da eterna namorada Amélia. O casal apeia nos pampas no dia 5 de outubro.

No cardápio, o também já tradicional Churrasco do Chato. Além, é claro, dos passeios e tudo mais desejado pelos amigos. Nas próprias palavras de mineiro que é: "banda de música, fogos de artifício e carro de bombeiros para o desfile a céu aberto. Se não der, um cafezinho já tá bom!"

Cafezinho na terra do chimarrão? Esses mineiros...

Pois é,

Anotem na agenda: dia 24 de junho, ao meio dia, acontecerá, em Porto Alegre, "o" mega evento da blogosfera: churrasco na casa do Chato.

E por quê? Simples, ora! Ninguém mais, ninguém menos do que a Sandra estará em Porto Alegre. Querem mais do que isso? De 22 a 24. Três dias.

Então, senhora, pode anotar aí:

1. Dia 22 estaremos (eu, a patroa e a Condessa) plantados no aeroporto te esperando. Se os deuses controladores de tráfego aéreo deixarem, nos veremos na hora marcada;

2. Translado garantido, a menos que o Mauro resolva se meter. Nesse caso, a primazia é dele!

3. Motorista vinte e quatro horas por dia, a menos que o Mauro resolva se meter. Nesse caso, a pimazia é dele.

4. Passeios e mais passeios. Tantos quantos queiras! Gramado/Canela? É pra já. Fica a uma horinha daqui. É um pulinho ótimo para sábado à tarde. De almoço, um café colonial como manda o figurino. Na volta, paradinha básica em Nova Petrópolis, para comprar roupinhas para o frio.

5. Sábado à noite? Pode ser comida mexicana da melhor qualidade. O melhor restaurante de comida mexicana fica exatamente ao lado da minha casa. Parede com parede. Literalmente, um pulinho!

6. Mais? Qualquer coisa. É só dizer!

Bueno, bueno. Opções não faltarão. Certamente terás outros compromissos. Mas de um não vais te safar: o churrasco no domigo. Com toda a galera! Vou já iniciar os convites. Podes anunciar aí: dia 24, ao meio dia, churrasco da blogosfera portoalegrense na casa do Chato!

A foto foi descaradamente roubada

About this Archive

This page is an archive of entries from abril 2007 listed from newest to oldest.

março 2007 is the previous archive.

maio 2007 is the next archive.

Find recent content on the main index or look in the archives to find all content.