Pois é,
Triste a sina de um povo que ainda não aprendeu a cuidar dos seus velhos e das suas crianças e adolescentes.
Inicio uma série de posts desabafo. Desabafo por uma realidade que por vezes esquecemos.
Será uma série confusa, tão confusa quanto fiquei, ou melhor, quanto ainda estou.
Hoje, sexta-feira (o post será publicado no sábado), fui visitar - na realidade, inspecionar - uma instituição que abriga crianças, adolescentes e velhos (idosos). Por razões óbvias, não vou identificar o local. Não que não merecesse a identificação, por tudo de bom que fazem, mas também por todas as falhas que cometem. E, sem dúvida, por ser assunto de trabalho, resguardado pelo sigilo.
Há que ter estômago para certas coisas. Coragem, melhor dizendo.
Há coisas lindas e maravilhosas para escrever; há coisas tristes para escrever. Há um sentimento de decepção com a humanidade; há um sentimento de esperança com as pessoas, pelo exemplo de dedicação, de carinho e de abnegação.
Confusa a série, tanto quanto ainda estou.
Sequer imagino por onde começar. Se pela barbárie das pessoas que abandonam seus velhos, quase todos dementes - um fardo que ninguém quer suportar - ou se pelas ações para que crianças e adolescentes possam ter a esperança de uma vida digna. Já não falo sequer dos velhos, pobres coitados, que estão ali sem saber que apenas aguardam a morte.
Velhos que um dia criaram e sustentaram os filhos que hoje os jogam num asilo. Trapos que não servem mais para vestir, mas um dia foram vestido de baile.
Me emociona a tristeza da realidade e me emociona o esforço de pessoas que têm a grandeza de fazer exatamente aquilo que podem fazer. Somos criticos ao ver certas condições, mas esquecemos que, muitas vezes, bem ou mal, é o que as pessoas podem fazer. E fazem de coração! Simples. Nós é que complicamos!
Duas fotos para tentar explicar sentimentos confusos:


Ao longo da semana desenvolvo o resto!
Triste sina!
E bate uma tristeza ao pensar que essas crianças que são educadas para acreditar numa "base sólida", amanhã poderão ser os velhos da foto, ou, pior ainda, poderão jogar fora os pais, como o velho da foto foi jogado!











































(Somos criticos ao ver certas condições, mas esquecemos que, muitas vezes, bem ou mal, é o que as pessoas podem fazer. E fazem de coração! Simples. Nós é que complicamos!)
Só teve mãe ou pai, aquele quem cuidou, pois quem nunca cuidou de um velho, ou dixou para o irmão cuidar, jamais deveria estar dando opinião do que não conhece.
Eu fico revoltada quando leio essas coisas...
Beijos
Revolta qualquer um que tenha um pingo de consciência, Sandra. bjs
Afonso, esse assunto me sensibiliza visto que meu pai jogou os pais em um asilo. Não ficaram abandonados, era coisa de primeiro mundo, mas você não imagina o que é você morar em um lugar que cada dia morre um. Vou ficar por aqui porque está arriscado eu chorar. Beijocas
Ninguém tá livre, Yvonne. bjs
Afonso, trabalho com pessoas idosas também e percebo que os mais jovens não têm muita paciência com eles. De vez em quando tenho de ficar brava pra que haja mais respeito entre eles. Os idosos já não podem mais voltar pra nossa idade, força e juventude; mas, nós, certamente chegaremos onde eles estão. Infelizmente, existem asilos que só se preocupam com dinheiro. Devia haver uma sindicância pra saber se a família realmente não pode ficar com seus idosos. Eu peço a Deus pra não ficar velhinha...
Ah, você tem comentado lá no blog com o link da Condessa...
abraço, garoto
É exatamente o que estamos fazendo, Denise. O link fica por conta do Wordpress, que assume o da Condessa. O problema é que eu esqueço disso e não troco, hehehe bjs
Afonso, isso nos faz parar e pensar realmente no que estamos fazendo com nossas crianças hoje.
Sempre, em qualquer tempo, nós pais já nos perguntamos, se o que estou fazendo, da maneira que estou fazendo em relação à educação dos filhos está correto.
Nos dias de hoje, eu particularmente acho que muito mais difícil, os pais, se obrigam a deixar seus filhos longe de seu convívio, cada vez mais cedo, e eu me pergunto: será que essa falta de convívio, ou pelo menos essa diminuição de convívio, não estará interferindo nas reações de meu filho amanhã?
Para cada ação, uma reação.
Sabe, aquele carinho, aquela doação de mãe, aquela enorme convivência?
Não estará fazendo falta?
Meu Deus, são tantas perguntas.
Nem sei se fui clara em meu raciocínio, mas enfim, é muito triste esse desamor.
Um abraço
Aninha, tens razão e foste bem clara!. Uma das grandes razões, se não a maior, é o abandono a que somos obrigados. Pai e mãe trabalhando fora não têm alternativas a não ser deixar os filhos na creche. Isso quando têm condições, o que a maioria não tem. Mas nada disso justifica a falta de carinho quando chegam em casa. Falamos muito na defesa do meio ambiente, mas pouco falamos na defesa do ser humano. bjs
Existe uma realidade que não queremos ver, passamos ao largo, contruímos muros e cerramos as janelas: eis que seu post nos joga na cara o que "fazemos" (afinal nós somos a sociedade)...
Tens razão, Cláudio. É nossa responsabilidade. E é por essa reponsabilidade que fomos lá verificar a situação em que se encontravam as pessoas. abs
Don Afonso, crueldade!
Esperança? pouca, quase nenhuma.
Abraços, tchê!
Esperança há, Valter. Ao mesmo tempo em que descobrimos a crueldade humana, refletida no abandono, descobrimos, também, a bondade humana, refletida na dedicação de pessoas - anônimas, que não aparecem na midia - que se doam para dar um pouco de dignidade para esses velhos. Mas é triste! abs
Bom dia Afonso,
ainda bem que são as mãos que teclam e não a voz que fala, senão ela já estaria a sair trêmula.Fico muito emocionada com esse assunto.Uma sociedade que não respeita os seus anciães e não dá amor e proteção às suas crianças não é civilizada, é bárbara.E a nossa civilização é assim.Se todos estivessem conscientes de que vão receber o que fazem, não agiriam desta forma egoísta e inconsequente.
Bom fim de semana.
Bjs.
Sim, Fernanda, a voz estaria trêmula. A nossa (geral) consciência instantânea e consumista nãonos deixa ver que existe um futuro em que seremos velhos. Ensinamos nossas crianças a serem crianças, nossos adultos a serem adultos, mas esquecemos de lhes ensinar que um dia serão velhos. Não os preparamos para essa realidade. bjs
Esses filhos que negligenciam os pais, um dia também serão. Vi uma reportagem na tv e um senhor foi entrevistado, ele disse que faziam 42 anos que esperava a visita da filha. Triste.
Beijus
Luma, nesse local há uma pessoa que aguarda o visita do flho há dez anos; outros nunca mais os viram. É a realidade da qual fugimos. bjs