78 - Um dia na vida do Chato e Trista sina, ambos III

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Pois é,

Ontem viajei. E a rotina do Chato foi pro beleléu.... Cheguei depois das oito da noite em casa. E os comentarios aos comentários e as leituras foram pro beleléu... também! E agora ando correndo pra fazer dois posts. E faltam, ainda, mais dois. Que acho que vão pro... beleléu... também! A Condessa mudou de turma e seria importante esse registro. Mas como estamos próximos do fim-de-semana, aproveito e escrevo. Isso, se EU não for pro beleléu!!!

Dizem que uma das caracteristicas de ser chato é, num mesmo parágrafo, escrever uma palavra quatro vezes. Viram por que sou chato? Mas vamos ao que interessa, antes que esse post também vá pro...

Há um comentário, no entanto, que tomo como tema do post: o do Valter. Diz ele:

"(...) Êsse teu trabalho reflete na melhoria de vida dos velhinhos, pois a instituição sente-se vigiada e ainda tem o cnontato humano que vc trava com êles.(...)".

Como que num transmimento de pensação, eu proferi frase quase igual hoje, lá em Taquari. Sim, voltei a Taquari. Precisava analisar com mais vagar os detalhes do expediente investigativo. Dito assim, até me sinto um "detetive" de série americana, que sai à procura de detalhes que ninguém até então tivera capacidade para perceber. É parecido, só que sem o glamour televisivo.

Sem dúvida que nossa intenção é a preservação da instituição e, principalmente, fazer com que os mantenedores se apliquem na melhoria das condições de vida dos idosos e crianças/adolescentes. E uma das forma é fazer com que a instituição sinta-se "vigiada", permanentemente fiscalizada.

São gente séria, sem dúvida. As pessoas que compõem a mantenedora pertencem a um ramo do cristianismo do qual não há que falar uma vírgula sequer. Mas há o amadorismo no trato de certas situações. E uso a expressão "amadorismo" sem sentido pejorativo. Até porque, é um amadorismo carregado de amor.

Mas não se lida com idosos e com pessoas portadoras de necessidades especiais, além de crianças/adolescentes, com amadorismo, mesmo que calibrado com amor. Infelizmente (ou felizmente, não sei) o mundo é outro. E é um mundo que requer profissinalismo. A lei assim o exije. E a lei, não esqueçamos, é produto da sociedade; produto nosso.

O Estatuto do Idoso e o Estatuto da Criança e do Adolescente são produtos de reivindicações sociais. Não se pode ignorar, em nome do amor, as denúncias feitas por pessoas que lá trabalharam. Não se pode ignorar as denúncias feitas por adolescentes que de lá fugiram. Não uma, nem duas, mas várias vezes. Há que se analisar com a frieza da técnica e o rigor da lei.

Não podemos esquecer que a maldade humana é a ordem primeira, a natureza primordial do ser humano (quem me acompanha há bastante tempo sabe que penso assim). Muitas vezes, sob o manto da bondade, as pessoas nada mais fazem do que auferir vantagens para si e para os seus. Não nos cabe a inocência de pensar que tudo é amor; que tudo são flores.

Taquari é uma cidadezinha, com seus trinta e poucos mil habitantes, às margens do rio que lhe empresta o nome: o Rio Taquari. De origem indígena, inicialmente, e portuguesa (açoriana), posteriormente. Apegada a tradições, é conhecida por seu "Natal Açoriano". Já foi um porto próspero, antes de que alguns brasileiros vendessem nosso sistema de transporte aos americanos e transformássemos tudo em estradas asfaltadas.

Não da para dizer que seja uma cidade arborizada, no sentido urbano que damos ao termo, porque na realidade é uma cidade no meio do mato. Caminha-se algumas poucas quadras para fora da região central e entra-se diretamente na Mata Atlântica (ou o que sobra dela). É mato mesmo! Mas e somente na área urbana, pois a zona rural está tomada pela atual praga da monocultra sílvicola do eucalípto.

Na hora e meia que me foi dado pela lei para arrefecer a ânsia estomacal que, diga-se de passagem, era mais ânsia pela perspectiva da gororoba que me restaria num finzinho de mundo desses, do que pela fome em si, fiz um passeio turístico pela cidade.

Munido do espírito caminheiro que insiste tomar conta do meu ser, recusei carona e, pasmem, deixei meu carro estacionado exatamente no local onde o havia deixado quando lá cheguei. Fui a pé! Andando. Isso mesmo, podem acreditar! Um calor desgraçado, diga-se de passagem. Tão quente que o céu desabou lá pelas três da tarde.

Depois de umas duas voltas pelo centro, e já começando a suar, entrei num restaurante que observei estar cheio. A velha história: se está cheio é por que deve ser bom. Santo e inocente Chato!

E, se me dão licença, vou escrever o post do "Faça a sua parte". Vão lá, vão lá...

5 Comments

Afonso, uma coisa não exclui a outra, ma acho que é pedir demais né, que andem juntas.
As pessoas no geral, trabalham apenas pela sobrevivência, é difícil juntar o prazer com a necessidade.
Trabalham em funções que desgostam, e isso já é um problema difícil de resolver.
Há de se gostar do que faz, isso seria a máxima satisfação.
O resultado seria com certeza bem menos desastroso.
Um abraço

Tens razão, Aninha, sobrevivência e prazer ao mesmo tempo é quase impossível. Mas vi isso por lá. Alias, me deste uma bela idéia para o próximo post dessa série. Gracias e bjs

Bom dia Afonso,
tem toda a razão, nenhuma instituição funcionará bem se não houver um controle regular.Agir correctamente apenas porque DEVE ser assim é algo que se vê muito raramente.
Bom fim de semana.
Bjs!

Oi Fernanda. É o que se quer: com uma fiscalização mais constante e efetiva as coisas se ajeitam. bjs

Acredito que, mais importante que profissionalismo ou não, é o respeito a estes seres humanos que, por algum motivo, foram privados de sua capacidade física e/ou mental.
Você bem conhece a Jacque, nossa enfermeira linda. Lembra do trabalho que ela fez quando encontraram um rapaz perdido? Foi tocante tudo o que ela fez para localizar a família. E por respeito.
Na verdade, o mundo está tão preocupado com seu próprio umbigo que não consegue enxergar os problemas alheios nem que estiverem a 5 cm do nariz!
O que mais me incomoda ao ler textos com este teor é constatar que há pessoas que largam seus pais num lugar desses. Estranho... Os pais não os largaram em orfanatos quando não sabiam andar, falar, comer sozinhos.
E já "falei" demais.
Seus posts foram maravilhosos.
Beijos.

Gracias, flor. É a famosa inversão de valores. Ou pior, visto que o cuidado e respeito com os mais velhos nunca fez parte da nossa cultura. E nunca falas demais, heheh bjs

Caro Don Afonso, o dilema a que se refere a Yvonne aí no primeiro comentário também faz parte de minha ignorância sobre o assunto. O quê seria melhor: competência profissional(vamos chamar assim ao contrário do que vc denominou "amadorismo")ou um carinhoso amadorismo?A palavra amadorismo tem conotação pejorativa de coisa menor, sem especialização que eria o profissionalismo mas tem origem num sentimento bom. Amador não deveria ser aquele não-profissional mas sim aquele que faz algo "por amor", amando. Neste sentido seria muito melhor um cuidador que faça seu trabalho amando do que um que faz por puro profissionalismo, não acha? Mas como diz você, temos a lei que determina. E devemos acatar a lei. Como conciliar essas questões? Acho que aí sim, é coisa para profissionais.
Parabéns pelo teu trabalho e pelo profissionalismo com que o desempenha.
Abraço grande, tchê!

Valter, não podemos esquecer que profissionalismo não exclui, necessariamente, o amor e o carinho. Isso rompe o "dilema". E gracias, heheh

Afonso, esse seu trabalho deve ser muito interessante. Fiquei aqui matutando sobre amadorismo e profissionalismo e lembrei-me do meu avô que viveu seus últimos anos em um asilo europeu de primeiríssima classe, com funcionários gentis, mas sem nenhum amor. Fiquei um pouco confusa. Beijocas

Sem dúvida, Yvonne, é muito interessante. Mas não podemos esquecer que profissionalismo não exclui, necessariamente, o amor e o carinho. bjs

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on março 16, 2007 6:55 AM.

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