março 2007 Archives

Pois é,

Saí de Porto Alegre, em direção à J@guarão, com a péssima notícia de que uma frente fria estava estacionada sobre o Uruguai, esperando sei lá o quê para entrar, triunfalmente, no Rio Grande do Sul, trazendo tudo o quanto nós, gaúchos, conhecemos do que seja uma frente fria vinda da Banda Oriental, ou, como a conhecemos, da Província Cisplatina.

(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "cis" - e seu oposto "trans" -, "platina" e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "província")

Verdade seja dita, mas quem nos manda essas frentes frias são los hermanos da província transplatina. Hay quem goste deles. Pessoalmente mantenho uma relação trúbia (sim, pois se uma relação com dois aspectos é dúbia, com três só pode ser trúbia) com los hermanos.

Primeiro, porque já fui muito mal tratado quando fui a Buenos @ires. Em plena Guerra das Malvin@s. Quem sabe foi por isso, sabe-se lá. Mas de qualquer forma, brasileiros por lá eram tidos quase que como ingleses, isto é, deviam ser mortos. Os brasileiros que moram acima da divisa entre Santa Catarina e Paraná sabem (mas sabem de ouvir falar apenas) da antiga e interminável rixa existente entre nós, gaúchos e catarinenses (que, no fundo, no fundo, são gaúchos desgarrados) e los hermanos. A coisa é tão grave, que qualquer gaúcho sabe que a expressão "los hermanos" refere-se a los hermanos transplatinos. Não precisa dizer mais nada.

Segundo, porque uma das pessoas mais maravilhosas que conheci foi um "hermano". Meu orientador (essa passagem da minha vida, por si só, daria um livro. Não que alguém fosse comprar e ler, mas daria!). Talvez porque não fosse portenho, mas do interior. De Córdob@. Pessoa sobretudo honesta e ética. Bastaria dizer isso de um ser humano nos dias de hoje para dizer tudo, pois essas qualidades já fazem parte de qualquer lista de extinção. Quando resolvi abandonar tudo - e sequer avisei que havia largado tudo -, me mandou uma carta (já havia retornado para a província transplatina, que guardo até hoje) perguntando se poderia passar a pesquisa para outro estudante, visto que era a minha pesquisa e não queria fazer isso sem a minha expressa autorização. Mais do que simplesmente uma carta, guardo um exemplo de ser humano que passou a nortear toda a minha vida.

(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "portenho" - e seu oposto "nãotenho" - e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "tenho")

Terceiro, porque parte da minha família é de lá. Dos quatro irmãos franceses que vieram para a América do Sul, três foram para Buenos Aires e um veio para o Brasil, donde originou este que vos fala. Alías, a coisa é recente, pois sou apenas a terceira geração nascida no Brasil. Coisa de cem anos, mais ou menos. E BASCO, com muito orgulho. Enfim, mantemos contato com os primos portenhos. Mais, pelo lado materno guardo comigo dois diplomas e medalhas concedidos pelo governo de los hermanos, lá pelos idos de 1800 e poucos, para ascendentes diretos meus, por bravura em guerras.

- Mas Chato...
- Sim, querido leitor@?
- O que tem a ver "los hermanos" com a tua ida à J@guarão?
- Nada! Apenas estou com vontade de falar. E quando a gente fala é assim, um assunto vai despertando outro, que puxa outros e ... Mas onde estava mesmo?
- Na frente fria que vinha do Uruguai.

Sim, sim, frente fria. Pois é, poucas vezes vejo televisão. E essas poucas vezes acontecem justamente quando estou viajando. São viagens cansativas. Muito trabalho em pouco tempo e muita estrada. Adoro dirigir, mas cansa. Quatro horas de ida, mais quatro horas de volta, sozinho num automóvel, acompanhado somente de mim mesmo, é algo que nem eu agüento. Eu sou muito chato, que o diga o Chato!

A televisão. Raramente saio à noite nas cidades que visito. Sou um homem sério. Não traio minha mulher (coisa de babaca, eu sei. Afinal, perdido lá nos cafundó quem iria saber?). Posso ser chato, mas não traio! Só me resta, então, ficar no quarto vendo televisão. E ontem resolvi ver o tal de JN. Da novela das oito (que começa às nove) sequer vou falar, de tão vagabunda que é. Basta um capítulo para saber (novela da platinada é assim: num único capítulo já sabemos tudo o que aconteceu, o que ainda irá acontecer e como vai terminar).

(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "platinada" - e seu sinônimo "merda" - e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "perda de tempo")

Diálogos fraquíssimos, as mesmas personagens de sempre: a riquinho vilão, o pobre que batalha e sofre nas mãos dos ricos, a menina remediada que dar dar golpes pra ficar rica... sempre a mesma coisa! Quando será que a platinada vai aproveitar tudo que tem para fazer algo que preste?

Mas como dizia o JN, o tempo previsto era feio. Chuva forte, por causa da frente fria que estava no Uruguai, em toda a região sul do RS.

E eu estava lá. E olhava para o céu. E o céu estava estrelado! Trinta e sete (37) graus no estado. Fronteira com o Uruguai. De um lado do rio, Brasil; do outro, Uruguai. E a frente fria devia estar lá. Ousei atravessar a ponte para vê-la!

E qual não foi a minha surpresa ao constatar que a frente fria estava parada na ponte aguardando que a greve da PF terminasse. Parece, também, que ela trazia mais do que os US$ 250 permitidos. Eu, quando fui pego pelo aduana, fui logo falando:

- Seo guarda!
- Guarda não! Porque quem guarda não perde! Me disse ele, rindo.
- Seguinte, ó, só tô levando umas lembrancinhas pra patroa.
- Abre aí preu vê!
- E aí mostrei!


- Mas duas!? Me disse ele, com cara de espanto.
- É que a patroa gosta... E eu sempre levo uma lembrancinha pra ela...

E a chuva não veio, e o calor continua... Melhorou. Agora faz apenas 33 graus. às dez da noite!!!



Pois é,

- Chato?
- Quié, Afonso?
- Seguinte: agora nós vamos ver quem é que manda por aqui!
- Como assim? Disso eu não tenho dúvidas, ora. Sou eu, todos sabem!
- Então tá! Estou viajando e na sexta-feira não vai ter post. Até porque, no hotel onde vou ficar não tem computador disponível para os clientes.
- Sim, e daí?
- Daí que, se realmente mandas aqui, publicas um post só teu. Quero ver!
- Grande coincidência, Afonso!
- Como assim?
- Também estou com viagem marcada pra sexta-feira. Acho que vai ficar pra outra vez te mostrar quem é que manda.
- Mentira! Não queres admitir que sem mim não existes!
- Afonso, Afonso. Quantas vezes já te falei para parar com essa mania de achar que eu sou cria tua!
- E não és? Tens aí a oportunidade de provar pra todo mundo que tens existência própria!
- Tá bom! Mas deixa eu te fazer umas perguntinhas. Posso?
- Pode!
- Tens certeza?
- Claro que tenho!
- Vamos lá. Quantas vezes por dia a Kaya te faz a seguinte pergunta: "Vocês estão em reunião?"
- Umas três ou quatro. E daí?
- Daí que ela já percebeu quando estás conversando comigo. O que prova a minha existência independente da tua. Mas vamos a outra pergunta: quantas vezes, por dia, teus colegas de trabalho te chamam de chato?
- Um monte!
- Então, mais uma prova! Eles sabem que sou eu na maior parte do tempo.
- É só uma coincidência. Além do mais, Chato e chato tem diferença. Não és tu mesmo que vives te vangloriando de que chato com "C" maiúsculo só existe um?
- Acabas de dar a prova definitiva da minha existência. E nem preciso mais publicar posts por minha conta.
- Como assim?
- Claro! Disseste que me vanglorio. Será que quem não existe pode se vangloriar de algo? Se me vanglorio, penso. Se penso, logo existo! Cabal, meu caro!
- Bueno, existindo ou não, dá licença que vou dormir, pois amanhã cedito estou com o pé na estrada.
- Pé não, né Afonso? Pneu do carro!
- Larga de ser chato!
- Viste? Eu existo. Só pode deixar de ser, quem é! hahahahahaha



Pois é,

Não que eu reclame, que não sou disso, mas anda meio apertado o negócio por aqui.Tô escrevemdo aqui mais por louco que por falta de juízo, pois tenho que terminar diversos trabalhos e ainda vou viajar na quinta-feira.

Jaguarão novamente. Caso sério. Como sérias são todas as situações em que allguém tem nas mãos a vida profissional de outra. E por tabela a vida pessoal. Mas quê fazer, né? Faisshhhhh parrrrtiiii, como diriam nossos amigos daquela cidade que eu ainda aguardo notícias de uma defintiva revolta popular. Até quando agüentarás, povo?

Oitocentos quilômetros, ida e volta. Vou na quinta, pernoito e volto na sexta. Algumas encomendas das bandas orientais, não muitas, pois a grana anda controlada pelo BCK (Banco Central da Kaya) e a chefa aqui é pior que diretor do FED.

(claro que dou um jeitinho de trazer uma surpresinha pra ela. Uso minhas moedinhas, que guardo num lugar que ela não sabe. Em todas as cidades que vou, sempre trago algo. Tem uma coleção com mais de 60 canecas, de todas as cidades que visitei. Canecas representativas das cidades.

- Alo? Sim? Quem fala?
- Sou eu, Chato. Quero te mandar uma caneca da minha cidade. Como é que eu faço?
- Assim, ó: embrulha bem em jornal, depois em plástico-bolha. Aí, vai até o correio e coloca numa daquelas caixas especiais, escreve meu nome e endereço e manda, tá?)

Sou geminiano. Já disso isso por aqui. O que ainda não disse, é que o meu ascendente é Leão. E dizem as más línguas que depois dos quarenta quem manda é o ascendente. Pois é, mas continuo com essa mania de abraçar o mundo com as mãos, de fazer trocentas coisas ao mesmo tempo, coisa de geminiano, não de leonino. A única coisa de leão que tenho, é que aqui em casa quem manda é a leoa.

(- Alô? Sim? Quem fala?
- É teu chefe! Porra, vais terminar esse relatório ou não?
- Calma, chefinho! Tava só dando uma pausinha. Ainda tenho a madrugada toda pra terminar!
- Acho bom, pois quero ele amanhã. Sem falta!)

Maldita mega sena que não sai pra mim. Aliás, depois dos últimos acontecimentos ando meio sestroso com esse negócio de virar milhonário. Dia desses chamei a patroa e fui logo propondo:

- Quanto queres?
- Como assim, quanto eu quero?
- É! Pra não me matar!
- Mas quem disse que eu quero te matar?
- Vives dizendo isso!
- Sim, mas é um matar retórico. Coisa de mulher que não agüenta marido chato como tu és às vezes.
- Pode ser retórico agora. Quando eu ganhar na mega sena, bem podes trocar a retórica por uma bala de revolver. E ainda vais pensar que saíste ganhando. Quanto queres? Diz logo que o sorteio é daqui a pouco...

(por via das dúvidas, saí de perto...)

Mas não adiantou!

Perceberam que houve uma interrupção de duas horas na escrita do post? Não? Incrível, pois houve. E dêem graças a Deus que foram apenas duas horas de conversa.

(não sei qual a razão, mas penso que ela anda mais contida. Hummmm! Algo hay. No creo en brujas, pero que las hay, las hay...)

E por falar em bruxas, certa feita caí na asneira de trazer, de presente, dois caldeirões. Um grande, para a bruxa-mãe e um pequeno para a filhota de bruxa. Resultado: todo mês, em dia de lua cheia, tenho que ficar quieto ouvindo-as uivando para a lua cheia.

É, pasmem! A Condessa já sabe uivar para a lua cheia! Todo dia chega em casa e vai direto para o terraço aos gritos: "a lua, papai, a lua!". E fica ali, com o dedinho apontado para o celeste astro inspirador.

E eu "que arrelie ou me zangue!". Duas fêmeas que uivam para a lua, em casa. Eu, hein!

Imagem de: http://www.ventania-desvairada.com/



Pois é,

Ontem deu pau no servidor onde hospedo meus arquivos de musicas (que não é a Verbeat) e o post ficou o dia todo sem a música que o acompanha. Agora taí. Se alguém quiser rever...

Eu revejo, vejo e revejo, e não me canso! Aliás, essa é a única razão que ainda me prende nesta cidade: a emoção de ver e rever, sempre que quiser, estes lugares das fotos e tantos outros, que não dá pra colocar num só post. E ouço, reouço, e canto essa música maravilhosa.

Porto Alegre tem por característica, além de ser a capital mais meridional do Brasil, um clima sui gêneris: temos as quatro estações bastante marcadas. Aqui verão é verão. Domingo estava vendo um programa no Discovery, falando de mortes na França, por causa de um calor de 36 graus. Por aqui é a coisa mais comum e ninguém morre por isso. Vivemos e convivemos com 38, 40 graus com a maior tranqüilidade.

Vamos a cinco, três, zero grau com alguma freqüência. Até neve já tivemos. Tá certo que não aquela neeeeeve que os europeus, norte-americanos e outros por aí estão acostumados. Mas é a única capital brasileira com registro de neve. E temos o Minuano, esse ventro desgraçado de frio, que desce dos Andes em direção ao mar e regela qualquer alma que se aventure a sair na rua. É de "renguear cusco", como dizemos por aqui. Mas, também, é uma sensação inigualável , neste mundo, a que nos proporciona o Minuano. Não há coisa melhor do que dormir ao som do chiado que ele faz pelas frestas.

É a estação da elegância. A estação da beleza gaúcha, tão desejada por esse mundo afora. É no inverno que essas flores desabrocham. Se no verão sao gostosas, no inverno são belas. O inverno é das mulheres. E é com elas - e nelas - que buscamos o calor para enfrentar o frio.

E a primavera? Algumas das fotos do post anterior foram tiradas na primavera. Porto Alegre é a cidade mais arborizada do Brasil. São 17 m2 de verde para cada habitante. Mais de um milhão de árvores nas ruas. Na primavera os jacarandás, os ipês e tantas outras florescem. É como se Porto Alegre, de uma hora para outra, fosse atravessada por um arco-iris. E o céu da primavera? De um azul indizível, tamanha a transparência e leveza do ar.

O outono é a estação do repouso. O externo, exibido no verão, prepara-se para o interno, a ser resguardado durante o inverno. A transformação. Por isso a melancolia característica do outono. A cigarra vira formiga. É o início do recolhimento, dos ambientes fechados, dos primeiros vinhos, das primeiras lembranças da lareira, das primeiras combinações de idas a Gramado/Canela e à serra. E dos primeiros nevoeiros em Porto Alegre.

Ontem, como que um presente da natureza pelo seu aniversário, Porto Alegre ganhou seu primeiro nevoeiro:


E mesmo assim passamos o dia com 30 graus. E agora chove (escrevo segunda à noite). Um temporal de raios, trovões e relâmpagos. Porto Alegre é assim.

Porto Alegre é demais!

Não sei se vou conseguir sair daqui...



Pois é,

Porto Alegre comemora, nesta segunda-feira, 235 aninhos de vida. Põe som na caixa que o post é musicado.


Porto Alegre é que tem


Um jeito legal


É lá que as gurias etc e tal


Nas manhãs de domingo


Esperando o GreNal


Passear pelo Brique


Num alto astral


Porto Alegre me faz


Tão sentimental


Porto Alegre me dói


Não diga a ninguém


Porto Alegre me tem


Não me leve a mal


A saudade é demais


É lá que eu vivo em paz


Quem dera eu pudesse


Ligar o rádio e ouvir


Uma nova canção


Do Kleiton & Keldir


Andar pelos bares


Nas noites de abril


Roubar de repente


Um beijo vadio


Porto Alegre me faz...




É aqui que eu vivo em paz...

Porto Alegre é demais. Letra e música de José Fogaça (atual prefeito de Porto Alegre). Canta: Isabela Fogaça (atual Primeira-dama de Porto Alegre).



Pois é,

No post do Edu, reproduzindo texto do Leo Jaime (Blônicas) - é aconselhável ler o post antes, seja no Edu, seja no próprio Blônicas -, deixei o seguinte comentário:

O tema é espinhoso e, no meu entender, deve ser encarado da forma menos emocional possível (se é que isso é possível). A humanidade, independente de credo, cultura, raça, etc., sempre estabeleceu limites de idades como parâmetros para que o ser humano tivesse acesso a patamares “superiores” dentro da convivência social. A maturidade não se manifesta de forma una. Pelo contrário, podemos ser muito “maduros” diante de certas situações e completamente imaturos diante de outras. Quer queiramos, ou não, o crime sempre foi diferenciado pelas sociedades. Não há como comparar o voto com um crime. O Léo Jaime faz uma análise sob uma ótica teleológica, isto é, dos resultados. Votar em um político pode ter resultados tão perenes na nossa vida quanto matar alguém. Mas há outra. E essa outra é a ótica da origem. E é por essa ótica que os parâmetros são definidos. A pergunta que se faz é: estará, realmente, um ser humano, em pleno séc. XXI, apto a compreender o que seja um crime? Não devemos, a meu ver, propugnar pura e simplesmente a mudança de um limite de idade, pelo resultado produzido, mas, sim, se os estudos do comportamento humano (psicologia e afins) demonstrarem que nas atuais circunstâncias da sociedade humana (leia-se “evolução”) seres com 16 anos são plenamente capazes de entender TODOS os atos que praticam, inclusive os criminosos.

A lei é posterior ao social. Primeiro o fato, depois a norma que o regula. Dá-se o mesmo nas relações homoafetivas, por exemplo: elas existem (fato) e o Direito apenas (depois de muita briga) deverá regulá-las (não a relação em si, pois essa refoge ao âmbito do Direito, mas as suas conseqüências na sociedade). Assim também o é com a maioridade penal: havendo entendimento social de que esta deva se dar aos 16 anos, a lei certamente há de regular. Não parece, no entanto, ser esse o pensamento atual da sociedade, não importa que tipo de influências sofra.

Há que se estudar um pouco mais da história de como a sociedade brasileira tratou e trata das questões relativas à infância e à juventude. Veja o que era o Código do Menor (que vigiu até a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente); veja como era antes, ao tempo do Império ou da República Velha. Não podemos retornar à barbárie somente porque uma minoria (sim, é uma minoria) de adolescentes comete crimes que aos olhos da mídia parecem hediondos. Não podemos, sob hipótese alguma, esquecer que a pena é, precipuamente, um meio de reintegrar a pessoa ao convívio social. Não podemos alegar as falhas do sistema penitenciário para, com isso, esquecer os princípios que norteiam a sociedade.

A solução talvez seja uma ideia que já está proposta: aumentar o período de reclusão para adolescentes que cometam atos infracionais.

Last but not least, é muito mais fácil sair às ruas para mudar os resultados, do que fazê-lo para mudar as causas. É cômodo para todo mundo: para quem reclama, para quem escreve, para os governantes, para os ricos e remediados. A toda essa gente, porque tem dinheiro para pagar segurança particular, para colocar alarmes e cercas elétricas na casa; aos governantes, porque assim não precisam parar de investir na próxima eleição e dedicarem-se a resolver os problemas, razão única para terem sido eleitos.

E a mim (e para a maioria dos internautas), porque não tenho vergonha na cara e também fico me escondendo atrás de posts e de comentários. Muito cômodo!

(em tempo: Ainda bem que tem gente que não tem nada pra fazer a não ser fazer aquilo que a gente não tem tempo pra fazer. Mas são poucos ainda...)



Pois é,

Sobre o caso de plágio, escancarado pela Sandra.

De inicio, um trecho (p.205) do texto "Variabilidade comportamental", de autoria de Josele Abreu-Rodrigues, publicado no livro "Análise do Comportamento - Pesquisa, Teoria e Aplicação", de Josele Abreu-Rodrigues e Michela ROdrigues Ribeiro (orgs)1(negritos meus):

"O que é um comportamento criativo? Winston e Baker (1985) apontam que o termo criatividade tem sido comumente identificadao com diversidade/variabilidade e novidade/originalidade. Esses termos, por sua vez, podem ser multiplamente definidos. Um livro técnico, por exemplo, pode conter diversidade em termos da quantidade de tópicos abordados ou da quantidade de análises diferentes apresentadas para um mesmo tópico. Pode também ser considerado original porque é diferente de tudo aquilo que o autor fez antes ou porque apresenta análises nunca antes oferecidas naquela área de conhecimento. Diante disso, qual seria a dimensão relevante para considerar este livro um exemplo de comportamento criativo? Essa questão, ainda não resolvida na literatura pertinente, aponta para o fato de que a definição de criatividade deve considerar o contexto sociocultural em que o comportamento ocorre. Assim sendo, todo trabalho criativo envolve diversidade e originalidade, mas o contrário nem sempre é verdadeiro. Winston e Baker argumentam que, para um comportamento ser considrado criativo, é necessário também que ele seja apropriado, relevante, útil ou valioso de alguma forma, dentro de uma certa cultura e em um determinado momento no tempo. Dessa forma, o livro seria um exemplo de criatividade quando, além de apresentar alguma das (ou todas as) características mencionadas, fornecesse uma contribuição efetiva para o desenvolvimento da área de conhecimento."
Bueno, o que dizer diante de uma situação como a ocorrida com a Sandra?

Eu, particularmente, desde que comecei este blog (lá no blogspot), fiz questão de colocar no "Código do Chato" o meu pensamento a esse respeito. A mim não incomoda que porventura copiem o que escrevo, citando ou não a fonte. Não me creio dono de nada, sequer de idéias.

Nem sempre foi assim. Houve tempos em que brigava por isso. Principalmente de idéias profissionais. Sempre argumentei com a famosa pergunta: "Porque todo mundo sabe que a galinha coloca ovo, mas não sabe que a pata também coloca?".

Mas há que respeitar quem pensa diferente. E a Sandra pensa! Tanto é, que faz questão de colocar, ao final dos seus posts, a observação "Texto registrado. Proibida reprodução sem prévia autorização", o que evidencia seu pensamento. Assim, não há porque desrespeitá-la.

Não por que a lei assim o determina, mas por pura questão de respeito humano. E quando desrespeitamos um ser humano, estamos sendo estúpidos; estamos propagando a estupidez humana, que dá título a essa categoria de posts que escrevo. O comportamento é anterior à lei e não, como talvez muitos pensem, condicionado pela lei. Agimos certo porque é certo agir certo e não porque temos medo da punição. Assim deveria ser, ao menos. E o que observamos, hoje em dia, é que as pessoas se esquecem disso!

Agimos por ação ou por omissão. Ao alegar, o autor do fato, que recebeu o texto de um amigo e que este lhe garantiu "não ter dono", é, no mínimo, um atentado à inteligência humana, acumulada durante milênios de evolução. Peca, esse rapaz, por ação e por omissão. Por ação, por ter aceito algo que não era seu - mesmo que "sem dono" - e, com pequenas e deliberadas alterações, publicou-o. Por omissão, porque diante de tanta tecnologia, jamais poderia ter deixado de fazer uma pesquisa, mínima que fosse, para verificar se já não existia algo semelhante publicado. Aqui sequer podemos alegar ignorância (no sentido estrito da palavra) das ferramentas , pois o mundo está aí, exposto na internet.

O que se observa, no caso - em em todos os similares de plágio, é, indiscutivelmente, uma má formação de caráter. Está na origem, na educação recebida dos pais, da família. Talvez não tenha sido educado, estimulado, quando criança, a obter resultados pelo próprio esforço e, sim, aplaudido quando "imitava" o que os outros faziam. Soe acontecer...

Ninguém está livre de cometer enganos, de escrever algo que alguém já tenha escrito. Foi-se o tempo dos "enciclopédicos"; o tempo em que as pessoas podiam conhecer tudo, ou quase tudo, o que tinha escrito no mundo. Impossível para qualquer ser humano, nos dias correntes, conhecer tudo o que está escrito. Não por outra razão é que se desenvolvem ferramentas de buscas e comparação de textos na internet.

A um ser humano que não seja estúpido, cabe a obrigação de utilizá-las, sob pena de tão somente conseguir o desprezo de todos quantos ainda podiam nele acreditar. De toda sorte, cabe-nos esperar que esse rapaz tenha aprendido com a experiência. Se assim for, ótimo! Que retorne ao convívio da blogosfera com a grandeza de quem soube admitir o erro e de pedir desculpas.

Caso contrário, que o inferno o tenha!


Artmed Editora S.A., 2005



72 - Ditos

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Pois é,



"A ESCRITA NOS SALVA DA LOUCURA"

Orhan Pamuk, Prêmio Nobel de Literatura de 2006, em entrevista para a "Entre Livros", março/07.



Pois é,

O Portal Educacional (logo e link ao lado)1, segundo a apresentação que existe no site, "é um ambiente multidisciplinar criado para que sua escola possa tirar o máximo proveito das infinitas possibilidades da internet." É, ainda segundo o portal, o "Maior portal de educação em língua portuguesa".

Dentre suas atividades, o Educacional realiza a pesquisa "Este Jovem Brasileiro", que avalia o posicionamento dos jovens frente a diversos temas. O "tema 2", recentemente publicado, é, nas próprias palavras:

"Como vocês sabem, nossa idéia é tentar entender um pouco melhor o que o jovem de hoje pensa sobre uma série de temas centrais da sua vida. Agora, na segunda fase, buscamos os valores e atitudes dos jovens em relação a assuntos como política, meio ambiente, honestidade, preconceitos, individualismo e outros. Aproximadamente 6500 alunos de diferentes partes do país responderam às questões sobre esses temas."
Vejam as demais repostas, pois mostram o "estado da arte" da nossa juventude. Por ora, interessam as respostas sobre o meio ambiente. Para a pergunta "Me preocupo realmente com o meio ambiente", vejam a análise:
"Oitenta por cento dos jovens afirmam que se preocupam com o meio ambiente, e mais de 90% acham que as pessoas poderiam se envolver mais nessa questão ou concordam que os acontecimentos atuais são absurdos...

Mas, do ponto de vista das atitudes em relação ao meio ambiente, a história é outra: Se nossos jovens dão de cara com alguém jogando lixo na rua, mais de 80% não reparam no que aconteceu ou “deixam quieto”. Apenas 20% deles, aproximadamente, têm uma postura mais ativa, como recolher o lixo jogado ou chamar a atenção do “porcalhão”.

Entre os que se consideram preocupados com o meio ambiente, não parece haver uma mudança significativa de atitude. Dos entrevistados, 87% já jogaram lixo na rua, embora mais de 75% afirmem que preferem guardá-lo na mochila ou no bolso ou, ainda, procurar uma lixeira. Só 31% se sentem culpados quando jogam lixo na rua, e 11% chegam a voltar para recolhê-lo. Também não há aqui grande diferença entre os que se consideram preocupados com o meio ambiente.

No quesito economia de água, 64% assumem que tomam banhos demorados, mas 76% dizem fechar a torneira enquanto escovam os dentes.

Muita gente parece ter aprendido que cuidar do meio ambiente é importante, mas, do ponto de vista prático, o que aparece são atitudes distantes desse ideal de cuidado com as questões ecológicas. Assim: “Fecho a torneira para escovar os dentes, mas não abro mão do prazer e conforto de um banho demorado”. Da mesma forma, “evito jogar lixo na rua, mas pouco faço para evitar a sujeira dos outros”. A pergunta final é: Será que 80% dos jovens, de fato, preocupam-se com o mundo que os cerca?"

Não adianta querer tapar o sol com a peneira. Falta não apenas educação ambiental, mas a mais básica das educações: a que começa em casa. Como disse no post anterior (referiro-me a esse post publicado no Faça), e a pesquisa é o retrato fiel do que falei, devemos começar por aí, por dentro. Esperar até quando? Até que esses jovens virem adultos inconseqüentes? Que os próximos também sejam assim?

A verdade, como diz o texto, é que as atitudes estão distantes, muitos distantes ainda do que seria necessário.

Essa geração é mais uma perdida. Quantas mais ainda teremos?

Também publicado no Faça a sua parte.

Copiei os textos e o logo sem autorização expressa do site. Espero que o simples uso para divulgação não os incomode. Se assim for, no entanto, retiro o post. Basta deixar o pedido nos comentários.



75 - Domingo

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Pois é,


Algo me diz que o frio se aproxima. Se o Joseph resolveu dormir em cima do pelego, é porque vem coisa ruim por aí. Enfim, quem manda morar por aqui...

E para aproveitar o domingo, de temperatura ainda amena, resolvi ir para a cozinha. "Resolvi" não deixa de ser uma licença poética, pois os domingos são sempre meus, na cozinha. E de serviço completo, viu meninas?, incluindo lavar a louça, antes, durante e depois. Pois ontem "resolvi" inventar. Fiz uns medalhões de lombo de porco acompanhado de talharim ao alho e óleo. Aos fatos, então. E fotos, claro!

Não é nada que mereça um prêmio. Apenas uma comidinha simples, rápida, mas saborosa.

Ingredientes:

- 1 lombo de porco, óbvio;
- 1 copo de vinho branco seco;
- 4 dentes de alho (se gostar mais forte, uns seis);
- 1 colher de sopa de shoyo;
- 1 limão;
- pimenta calabresa;
- sal;
- azeite de oliva;
- 500 g de talharim ou ou massa qualquer;

Pra modis de poder comer:

Prepare um "molho" para deixar a carne temperando: coloque o suco do limão (guarde o limão, pois será necessário), o vinho, o shoyo, a pimenta e o sal a gosto:


Corte o lombo em fatias de um centímetro aproximadamente:


e coloque dentro do molho. Deixe descansar por uma hora, virando as fatias uma vez:


Corte os dentes de alho em rodelas:


- Mas, Chato?
- Quié dessa vez?
- Eu não gosto de cortar alho. Deixa um cheiro horrivel nos meus dedos. Não tem outro jeito não?
- Ter, tem! Vai no super e compra aqueles potinhos com alho picado pronto. Mas convenhamos, não vai ter graça nenhuma, né? Quem sabe tu pedes um prato de teleentrega. Assim não tens trabalho algum.
- Ah! Mas eu queria tanto fazer assim como tu fazes...
- Então o Chato vai te contar um segredo: lembra que eu disse pra guardar o limão depois de espremê-lo? Pois é, lava as mãos, depois de cortar o alho, e esfrega o limão nos dedos. É tiro é queda. Não fica um cheirinho de alho.
- É mesmo, Chato? Não sei o que faria sem ti. Vou já fazer essa receita, agora que não tenho mais nojo de alho!

(Ufa!) Coloque azeite numa frigideira de ferro e, depois de quente, coloque os medalhões para fritar:


Como vai soltar o caldo, os medalhões não ficarão tostados. Coloque numa frigideira comum, sem azeite (como se fosse uma chapa) e deixe-os dourar.


Coloque mais azeite na frigideira de ferro, junto ao molho que lá ficou. Coloque o alho para fritar e acrecente mais uma duas colheres do molho onde estavam os medalhões. Deixe fritar bem fritinho (depende do gosto. aqui gostamos bem frito).


Despeje sobre a massa (que, claro, você já havia cozinhado, né?) e misture bem. Por cima, coloque os medalhões.


O sabor da massa fica suave e é complementado pelo sabor da carne e do alho que vai ficando na boca. Tudo misturado, levemente, com o sabor do vinho e dos temperos. Da próxima vez vou colocar mais pimenta.



76 - Reciclar

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Pois é,

As meninas dormem. O Afonso também. E cá estou eu aproveitando esta tranqüilidade, este um pouco de paz, sem que ele, o Afonso, fique incomodando. Sim, sim. Não pensem vocês que ele é tudo isso que às vezes pinta por aqui. Não esqueçam que ele tem a pintura por passatempo (ou tinha até pouco tempo) e quem pinta está acostumado a colocar cores diferentes das cores da realidade. Aos artistas é permitido, em nome da arte, criar uma realidade que parece ser mais linda que a verdadeira realidade.

Não, não vou dar uma de Afonso agora e questionar se existe uma verdade ou uma realidade. Isso são os ares de pseudo intectualóide que ele tem. E vejam: intectualóide já á algo ruim; pseudo, então... Mas vamos deixar o Afonso dormir em paz e falar um pouco de mim. A noite está propícia. Chove!

Segundo dizem, já nasci Chato. Mas não um chato comum, desses que incomodam por qualquer bobagem. Daí que, para diferenciar entre uns e outros que andam à solta por ai, é que me referiro, a mim, como Chato, com "C" maiúsculo. O resto é o resto. Amadores, apenas!

Chega um dia, no entanto, que devemos reciclar. Palavrinha da moda, quando se trata de meio ambiente, mas muito pouco lembrada quando tratamos de nós mesmos. É um fenômeno que os psi explicam (D. Cláudio que o diga): preferimos olhar a bunda alheia do que a própria, mesmo que essa bunda seja o meio ambiente.

Mas em verdade vos digo: não recicla o lixo da casa quem não recicla o lixo da própria vida. (favor citar a fonte em caso de reprodução)

Alías, não citem fonte alguma. Essa é a primeira reciclagem a ser feita: a da propriedade. De bens materiais e de idéias. Nada há nada nesse mundo que nos pertença, pela simples razão de que, assim como viemos a ele, vamos embora dele, isto é, sem nada! Deixamos apenas o que causamos nas pessoas: alegrias ou tristezas e dor. E é disso que devemos nos ocupar. Não de frases ou de obras, mas dos sentimentos que deixamos.

Reciclar o lixo da propriedade. De bens materiais apenas o necessário para uma vida digna. O resto vai pro lixo. A propriedade de conhecimentos inúteis, que só servem para demonstração, perante pares, de que somos "o cara", vai pro lixo! A crítica ao outro, pelo simples fato de pensar diferente de nós, vai pro lixo!

O que mais? É um exercício - sem dúvida difícil - que deve ser feito. E é isso que me faz ser um Chato.

Em meio a um mundo que privilegia a futilidade, os B_B_Bs da vida e tantas outras coisas inúteis, quem, deliberadamente, não se orienta por tudo isso, só pode ser Chato.

Na última sessão de terapia da filha mais velha do Afonso, a psicóloga propôs a eles um pequeno exercício: "imaginem que vocês tenham apenas mais uma semana de vida. O que vocês fariam? Daqui a uma semana, no próximo encontro, me contem o que vocês fizeram!".

Ja se foram dois dias e talvez o Afonso não tenha feito nada. É provável, se bem o conheço, que ele esteja esperando que eu faça alguma coisa. Que o incomode; que o faça sair da mesmice que anda a vida dele. Mas dessa vez não vou fazer. Ele que se vire!

Ele que entenda que essa é a segunda reciclagem que devemos fazer: a reciclagem das nossas relações. Entender que o que está ao nosso alcance não é o exigir das pessoas, mas exigir de si mesmo. É o abrir mão da propriedade da razão.

Ninguém tem o direito de fazer outro sofrer por pensar que é dono da razão. Amanhã, quando o Afonso ler isso, certamente vai ficar furioso comigo. Mais uma vez vai tentar acabar comigo. Mas tenho que dizer: o verdadeiro mundo, Afonso, não é o mundo da razão.

Olha teus gatos, Afonso. Eles pensam como nós? Não. Mas sentem como nós! Lembra que a cada vez que um deles fica doente, o quanto os outros demonstram tristeza, ficam quietos. Se aconchegam.

Olha tuas plantas. Afonso. Elas pensam como nós? Não. Mas sentem como nós. Lembra que dizes que tens "mão" para plantas? E sabes por quê? Porque conversas com elas; tocas com carinho em cada folha. E elas te retribuem crescendo, verdejantes, não porque te entendam, mas porque sentem a tua energia, a tua alegria em vê-las bonitas.

Há que reciclar a vida, como se dela restasse apenas uma semana. Ou menos! Por isso sou Chato.




BLOG EM MANUTENÇÃO POR ALGUMAS HORAS

Pois é,

A velhice vai chegando e com ela a dificuldade de identificar certas coisas. É o que anda acontecendo com a minha listinha de "mansões que visito". Pelo nome do blog tÁ ficando difícil saber quem é quem. Como não tenho conseguido visitar a todos com a freqüência que gostaria, acabo me esquecendo a quem pertence o blog. Vou mudar! Doravante a lista será pelo nome da pessoa. Pronto!

- Mas Chato, isso era tão óbvio!
- Eu sei, eu sei... Afonso!
- E por que nunca fizeste isso antes?
- Porque sou Chato. E chato que se preze é chato até consigo mesmo! E antes que alguém diga que toda regra tem sua exceção, vos digo: chato que é chato consegue encher o saco até de outro chato!
- Disso eu manjo. E olha que não sou chato como tu.
- Hahahaha! Tu não és chato, Afonso? Um dos maiores que conheço! Só perdes para mim e olhe lá. Tem dias que nem mesmo eu te agüento!
- Bueno, não vamos lavar roupa suja em público...
- Vamos sim! Gostei da tua idéia.
- Mas eu não quero!
- Aqui quem quer ou deixa de querer sou eu! Afinal, este é o meu blog e kksieruhakasososjd
- Porra, dá pra parar?
- Não, não dá hejaoaIWEUR9842920JFJA AJAJDAJSDAK o teclado é meu, bato nele quanto eu quiser!
- oei3852952wewew tira a mão daí jaiadasda não tiro!
- Afonnnnnsooo!
- (viu? É a mim que ela chama, seu Chato babaca)
- Quié, Kaya?
- Dá pra vocês pararem com essa discussão que a Clarissa quer dormir?
- (hahahah é a ti que ela chama, mas tu tomas a mijada também, hahahahah)
- (cala a boca!)
- (não calo!)
- (vou dizer pra ela que é tu que tá fazendo barulho)
- (ela nem vai acreditar. Já te conhece o suficiente...)
- Tá bom, Kaya!. Mas não sou eu, é o Chato! Prometo que não faço mais barulho.
- Não interessa quem é! Se a Clarissa não dormir um dos dois vai ter que ficar com ela!
- (Viu? A culpa é tua. Se der problema, tu desce!)
- (Eu não, eu sou virtual, ahahahaha)



Pois é,

Ontem viajei. E a rotina do Chato foi pro beleléu.... Cheguei depois das oito da noite em casa. E os comentarios aos comentários e as leituras foram pro beleléu... também! E agora ando correndo pra fazer dois posts. E faltam, ainda, mais dois. Que acho que vão pro... beleléu... também! A Condessa mudou de turma e seria importante esse registro. Mas como estamos próximos do fim-de-semana, aproveito e escrevo. Isso, se EU não for pro beleléu!!!

Dizem que uma das caracteristicas de ser chato é, num mesmo parágrafo, escrever uma palavra quatro vezes. Viram por que sou chato? Mas vamos ao que interessa, antes que esse post também vá pro...

Há um comentário, no entanto, que tomo como tema do post: o do Valter. Diz ele:

"(...) Êsse teu trabalho reflete na melhoria de vida dos velhinhos, pois a instituição sente-se vigiada e ainda tem o cnontato humano que vc trava com êles.(...)".

Como que num transmimento de pensação, eu proferi frase quase igual hoje, lá em Taquari. Sim, voltei a Taquari. Precisava analisar com mais vagar os detalhes do expediente investigativo. Dito assim, até me sinto um "detetive" de série americana, que sai à procura de detalhes que ninguém até então tivera capacidade para perceber. É parecido, só que sem o glamour televisivo.

Sem dúvida que nossa intenção é a preservação da instituição e, principalmente, fazer com que os mantenedores se apliquem na melhoria das condições de vida dos idosos e crianças/adolescentes. E uma das forma é fazer com que a instituição sinta-se "vigiada", permanentemente fiscalizada.

São gente séria, sem dúvida. As pessoas que compõem a mantenedora pertencem a um ramo do cristianismo do qual não há que falar uma vírgula sequer. Mas há o amadorismo no trato de certas situações. E uso a expressão "amadorismo" sem sentido pejorativo. Até porque, é um amadorismo carregado de amor.

Mas não se lida com idosos e com pessoas portadoras de necessidades especiais, além de crianças/adolescentes, com amadorismo, mesmo que calibrado com amor. Infelizmente (ou felizmente, não sei) o mundo é outro. E é um mundo que requer profissinalismo. A lei assim o exije. E a lei, não esqueçamos, é produto da sociedade; produto nosso.

O Estatuto do Idoso e o Estatuto da Criança e do Adolescente são produtos de reivindicações sociais. Não se pode ignorar, em nome do amor, as denúncias feitas por pessoas que lá trabalharam. Não se pode ignorar as denúncias feitas por adolescentes que de lá fugiram. Não uma, nem duas, mas várias vezes. Há que se analisar com a frieza da técnica e o rigor da lei.

Não podemos esquecer que a maldade humana é a ordem primeira, a natureza primordial do ser humano (quem me acompanha há bastante tempo sabe que penso assim). Muitas vezes, sob o manto da bondade, as pessoas nada mais fazem do que auferir vantagens para si e para os seus. Não nos cabe a inocência de pensar que tudo é amor; que tudo são flores.

Taquari é uma cidadezinha, com seus trinta e poucos mil habitantes, às margens do rio que lhe empresta o nome: o Rio Taquari. De origem indígena, inicialmente, e portuguesa (açoriana), posteriormente. Apegada a tradições, é conhecida por seu "Natal Açoriano". Já foi um porto próspero, antes de que alguns brasileiros vendessem nosso sistema de transporte aos americanos e transformássemos tudo em estradas asfaltadas.

Não da para dizer que seja uma cidade arborizada, no sentido urbano que damos ao termo, porque na realidade é uma cidade no meio do mato. Caminha-se algumas poucas quadras para fora da região central e entra-se diretamente na Mata Atlântica (ou o que sobra dela). É mato mesmo! Mas e somente na área urbana, pois a zona rural está tomada pela atual praga da monocultra sílvicola do eucalípto.

Na hora e meia que me foi dado pela lei para arrefecer a ânsia estomacal que, diga-se de passagem, era mais ânsia pela perspectiva da gororoba que me restaria num finzinho de mundo desses, do que pela fome em si, fiz um passeio turístico pela cidade.

Munido do espírito caminheiro que insiste tomar conta do meu ser, recusei carona e, pasmem, deixei meu carro estacionado exatamente no local onde o havia deixado quando lá cheguei. Fui a pé! Andando. Isso mesmo, podem acreditar! Um calor desgraçado, diga-se de passagem. Tão quente que o céu desabou lá pelas três da tarde.

Depois de umas duas voltas pelo centro, e já começando a suar, entrei num restaurante que observei estar cheio. A velha história: se está cheio é por que deve ser bom. Santo e inocente Chato!

E, se me dão licença, vou escrever o post do "Faça a sua parte". Vão lá, vão lá...



Pois é,

As investigações iniciais apontavam para uma situação bastante grave quanto ao tratamento que era dado aos idosos do asilo. Denúncias, inclusive, de abuso sexual contra idosas incapacitadas e trabalho escravo, pois os próprios internos seriam obrigados a trabalhar nas plantações e com o gado sem que, para isso, tivessem a contrapartida financeira. Ao contrário, uma das denúncias era de que o benefício daqueles internos que recebiam da previdência era todo tomado pela instituição, sem que nada ficasse de posse das pessoas. O Estatuto do Idoso prevê que as instituições podem ficar com o máximo de 70%.

Diante de um quadro desses, formou-se uma equipe multidisciplinar composta por dez profissionais: 1 administrador, 1 médico clínico, 1 médico psiquiatra, 1 psicólogo, 2 enfermeiros, 2 assistentes sociais, 1 engenheiro sanitarista e 1 arquiteto. Cada um atuaria na especificidade da sua área. A mim, coube a análise das questões ligadas à gestão do asilo.

A visão que tivemos ao entrar no asilo começou a mudar nosso pré conceito. A área mais de acesso público é muito bem cuidada. Linda até, diria. O local é uma fazenda com seus quase 900 hectares. Mas não é disso que vou falar hoje e, sim, de um fato ocorrido na hora de ir embora.

Sexta-feira é dia de distribuição de erva-mate, fumo e balas para aqueles que não ganham (da familia ou da prefeitura da cidade que os mandou para lá) ou que não tem como comprar (muitos, por lá, são sustentados exclusivamente pelo asilo, segundo informação do Diretor). A distribuição incia por volta das 16:00h. Os velhinhos, no entanto, começam a chegar no local a partir das duas e meia, mais ou menos. Vi porque nessa hora estava lá conversando com o Diretor. Um por um, os velhinhos iam chegando, com suas latinhas e potes, e sentando nos bancos para esperar. Alguns fumando um palheiro, feito, talvez, com o último fumo que lhes restava naquela semana.

Conversa vai, conversa vem (na realidade, quase um interrogatório que eu fazia, como parte da investigação) e começamos a tomar chimarrão. Nisso se aproxima um velhinho numa cadeira de rodas (ele não tinha uma das pernas) e começa a falar em alemão como Diretor. Claro que não entendi patavinas, mas logo percebi o que ele queria: estava com uma fotografia antiga na mão e queria que eu visse. Assim que o Diretor traduziu, peguei a foto para olhar. Enquanto olhava o alemão falava e o Diretor ia traduzindo.

Resumindo: ele queria me mostrar a foto da família e que era uma foto do tempo em que ele ainda tinha as duas pernas. Ficamos ali, eu sentado na mureta, o Diretor em pé servindo o chimarrão e o velhinho com a foto, que vez por outra me alcançava e contava tudo de novo. Carregava sempre aquela foto, não importava onde fosse.

Logo, aproxima-se de nós uma - já não digo velhinha, pois não aparentava - senhora, com visíveis ares de demência, passando a mão na barriga como se estivesse grávida. Pediu que eu passasse a mão também. Passei. E ficamos os quatro ali, vendo a foto, a outra passando a mão na barriga e falando coisas evidentemente desconexas e o Diretor, servindo chimarrão para todos, numa bela roda de chimarrão, tal qual descrevi na série anterior.

Pois bem, chegada a hora de ir embora, fui para a van e sentei no banco da porta. Deixei aberta porque ainda faltava chegar um dos colegas. Foi quando a senhora da barriga veio correndo emminha direção e, de surpresa, pegou minha mão e começou a beijar. E dizia: obrigado, obrigado...

Um tanto quanto constrangido, peguei a mão dela e coloquei entre as minhas, apertando e fazendo sinal de despedida. O colega chegou e saimos.

Mesmo que com alguns problemas (de caráter mais organizacional do que que humanos), os velhinhos estão fisicamente amparados. Tem teto, comida, assistência médica, televisão, fumo, chimarrão, balas.

Mas não tiveram, quem sabe, o mais importante: o amparo de simples gestos por parte da família. A Fernanda fez um post (que eu recomendo a leitura), onde ela, lá pelas tantas, coloca:

"Poderia até ser que ele não me reconhecesse, não me visse, nem me ouvisse, nem me respondesse, mas quem garante que ele não iria sentir a minha mão a acariciar a dele? O meu beijo na testa?"

Abandonados como se fossem mais do que dementes; como se fossem além disso, insensíveis! E nos é cômodo, como diz a Fernanda, querer que as coisas sejam assim. Já somos assim com os "sãos" que nos rodeiam diariamente - e que muitas vezes apenas nos cobram um beijo, um toque - mais fácil ainda com quem pensamos que nada sente.

Aquela senhora mostrou que um simples beijo na mão pode ser a representação de toda uma carência de vida. E se ela deu, é porque certamente sente. O insensivel ali talvez fosse eu!



Pois é,

Chamou-me a atenção, nos comentários ao post de ontem, que a maioria referiu-se ao fato de eu ter uma "vida regrada" Do cigarro nem vou falar.

Não sei, sinceramente, se isso é vantagem, além do fato de propiciar um funcionamento absolutamente regular do intestino. E intestino que funciona é a melhor coisa para a saúde.

Fora isso, só vejo desvantagens. A primeira - e talveza maior delas - seja a premÊncia do tempo e a conseqüente, e permanente, sensação de que se algo der errado, tudo o mais se atrasará. E o caos se instalará no teu dia.

Não que eu não tenha quase que total controle sobre os meus horários. À exceção dos horários da Kaya, todos os demais - inclusive os do trabalho - são por minha inteira conta. E isso, por um lado, é ruim, pois não ter horários acaba por fazer com que eu os imponha, sob pena de, aí sim, tudo virar uma perfeita esculhambação.

Percebem a pressão psicológica diária? Sem horário, esculhambação; com horário, pressão! Há, ainda, o fato de que não faço metade das coisas que gostaria. E, via de regra, são as coisas que dão prazer.

Eu, que já fiz posts sobre como administrar o tempo (lá nos idos do blogspot); eu, que trabalho ensinando as pessoas a administrar o tempo para que sejam mais eficientes, não tenho mais tempo. Está certo que meu dia é um dos mais eficientes que conheço, mas o resultado final é um cansaço que me joga cedo demais - se comparado a outras épocas da minha vida - na cama.

A pilha de livros se acumula tanto quanto aquela dos que queria ler e sequer comprei, por óbvias razões.

Pintar? Nem pensar! Há mais de mês que olho para a tela vazia e sequer inspiração aparece. E quando, num átmo, vislumbro algo que gostaria de pintar, no segundo seguinte o cansaço toma conta. Pintar requer algumas horas de dedicação. E das horas eu ando à cata!

E assim os dias vão passando sem que eu perceba. E a hora, a única hora que não queria, também vai se aproximando...



Pois é,

Um dia na vida do Chato, sem desvios de rota, começa por volta das 06:45h. É a hora que levanto, ou melhor, começo a acordar. Levantar, mesmo, só lá pelas 07:00h.

- 07:00h às 07:30h

Levanto e vou direto ligar o computador. Essa joça anda levando mais de 15 minutos pra ficar pronto. Estou falando do computador. Até porque eu levo mais de meia hora... E não sou joça! Desço e coloco a água do chimarrão pra esquentar. Mijadinha básica e conformes. Faço o chimarrão, tomo um, acendo o primeiro cigarro e venho pro computador. Até as sete e trinta reviso o post do dia, tomo um chimarrão e fumo um cigarro, publico, respondo aos comentários da noite, tomo um chimarrão e fumo um cigarro, carrego o Thunderbird e leio os e-mails (alguns, pois recebo mais de 70 por dia), tomo um chimarrão e fumo um cigarro.

- 07:30h às 08:00

Vou pro banheiro, etc. etc, acompanhado da leitura de alguma revista e tomo banho. Me arrumo, tomo um chimarrão e fumo um cigarro, vou tirar o carro da garagem e esperar as meninas. Fumo um cigarro enquanto espero.

- 08:00h às 08:30h

Trânsito até chegar no trabalho da Kaya e na cheche da Condessa (ficam no mesmo local). Deixo as meninas e volto.

- 08:30h às 08:50h

Transito de volta pra casa, coloco o carro na garagem e vou caminhar na praça da Encol, que fica a quatro quadras aqui de casa.

- 08:50h às 09:20h

Caminhada.

- 09:20h às 10:00h

Descanso, tomo um chimarrão e fumo um cigarro, enquanto leio alguns blogs e eventualmente comento, sites de notícias, verifico os compromissos do dia.

- 10:00h às 10:30h

- Faço a barba, tomo um banho e rme arrumo para o trabalho. Tomo um chimarrão e fumo um cigarro.

- 10:30h às 10:50h

Trânsito para o trabalho.

- 10:50h às 11:00h

Deixo o carro na garagem, percorro as duas quadras que faltam até o trabalho, subo um andar de escadas, ligo o computador e desço novamente para fumar um cigarro.

- 11:00h às 11:45h

Organizo minhas atividades, leio os mails do trabalho, faço alguma tarefa.

- 11:45h às 12:15h

Fumo um cigarro,almoço, fumo um cigarro e volto para o trabalho.

- 12:15h às 18:00h

Trabalho e fumo vários cigarros.

- 18:10h às 18:20h

Trânsito para buscar as meninas.

- 18:20h às 18:35h

Brinco com a Condessa até que a Kaya chegue.

- 18:35h às 19:00h (quando não tem supermercado, pois quando tem chegamos em casa às 20:00h. Aí toda a programação seguinte fica atrasada também )

Trânsito de volta para casa.

- 19:00h às 20:00h

Chegar em casa, abrir a garagem, guardar o carro, fechar a garagem, pegar as sacolas da Condessa e minha pasta e levar tudo para dentro de casa. Subo, ligo o computador e essa joça leva mais de 15 minutos pra ficar pronto. Estou falando do computador. Até porque eu levo mais de meia hora... E não sou joça! Enquanto essa carroça esquenta, fumo um cigarro. Entro o blog para ver se tem comentários. Tento ler e comentar mais alguns blogs, carrego o Thunderbird e leio os e-mails que faltaram mais os que vieram à tarde.

- 20:00h às 21:00h

Desço e fico com a Condessa.

- 21:00h às 22:30h

Volto pro computador e tento escrever o post do dia segunite (o que estou fazendo nesse exato instante). Ainda tento ler mais alguns blogs, sites, pesquisa de alguma coisa relacionada ao trabalho ou alguma leitura de um livro técnico. Ah! Fumo vários cigarros.

- 10:30h às 11:00h

Desligo o computador, faço minha janta, como, fumo um cigarro, escovo os dentes, pego um copo d'água e me deito.

A partir daí costumo não lembrar de mais nada, pois simplesmente capoto! Via de regra encostado na guarda da cama com um livro na mão.

Nas quintas à noite é pior, pois são dois posts para escrever: aqui e no Faça a sua parte. E deve ficar ainda pior, pois agora começo a escrever, também, no blog do Greenpeace.

Algo vai mal. Acho que estou dormindo muito...



Pois é,

Seguimos com nosso "Verdadeiro e Único Manual Ilustrado e Poético do Chato para Iniciantes no Chimarrão"

Vamos ao último post (sei, sei, já estão sentindo saudades...). O post da etiqueta.

Antes, porém...

Faltou falar sobre como se "encilha" o chimarrão. Para maiores esclarecimentos sobre as expressões gauchescas, aguardem o próximo post.

Enfim, encilhar o chimarrão é sinônimo de virar o chimarrão.

Não, não, ô guampa torta! Não é virar o chimarrão no chão. Até porque, tu vai limpar toda a ...que fizeste!

Encilhar é virar de lado.

Putz, não estou dizendo pra deixar de ser coríntia, né meu, e virar parmera. Sequer deixar de ser macho e virar um, politicamente correto falando, agasalhador de protuberância alheia.

Significa trocar o morrinho de lado. Difícil? No início é, sem dúvida. E pra quê fazer isso? Pra prolongar o mate e aproveitar a erva. Pensando bem, vou fazer um post especial sobre isso. Por ora, continuamos com a etiqueta do chimarrão ou, como tomar chimarrão sem se sentir um, politicamente correto falando, agasalhador de protuberância alheia.

8. Etiqueta do chimarrão

Algumas etiquetas servem apenas para demonstrar o quanto um vivente pode ser afetado; o quanto pauta sua vida em "querer aparecer". Não é o caso das regrinhas básicas para se tomar um chimarrão em grupo, ou, como dizemos, numa roda de chimarrão.

E por falar em roda de chimarrão... (lá vem o Chato de novo...):

"Esquentei a água no fogareiro do Mboitatá
Tô cevando um mate com erva boa da barbaquá
E vamo charlando e contando causos que "já lá vão"
É o sabor do pampa, de boca em boca, de mão em mão

Acendi uma vela, que é pro Neguinho nos ajudar
A encontrar as estórias, porque a memória pode falhar
E sabedoria é fechar o amargo e viver em paz
Mate e cara alegre, porque o resto a gente faz

Puxa um banco e senta
Que tá na hora do chimarrão
É o sabor do pampa
De boca em boca, de mão em mão
Puxa um banco e senta
Vem cá pra Roda de Chimarrão
Vem aquece a goela
E de inhapa a alma e o coração

Dizem que não presta mijar cruzado pois dá azar
Se grudou os cachorros só água fria pra separar
Diz que palma benta, pra trovoada, é o melhor que há
E se assobiar o Minuano, é certo que vai clarear

Minha vó me disse que andar descalço dá mijacão
Cavalo enfrenado na lua nova fica babão
Com passarinheiro e mulher sardenta é bom se cuidar
E quem vai depressa demais, a alma fica prá trás

Puxa um banco e senta
Que tá na hora do chimarrão
É o sabor do pampa
De boca em boca, de mão em mão
Puxa um banco e senta
Vem cá pra Roda de Chimarrão
Vem aquece a goela
E de inhapa a alma e o coração

O melhor pra tosse é cataplasma e chá de saião
Pra acabar com a gripe só sabugueiro ou então limão
Pra curar berruga é benzer pra estrela e invocar Jesus
Contra mau olhado, um galho de arruda e o sinal da cruz

Chá de quebra pedra, ipê, arnica e canela em pó
Hortelã, marmelo, marcela, boldo e capim cidró
Tudo tem remédio: churriu, cobreiro e má digestão
Só pra dor de amor é que não tem jeito nem solução."1

A primeira regrinha elementar que deves observar, xirú, é que quem faz o mate toma o primeiro. Não é que o gaudério seja mal educado, é que o primeiro mate ainda não está quente o suficiente e, além do mais, pode conter um pouco de pó da erva. O gaudério tá é sendo gentil contigo. Existem algumas lendas que dizem que o mate já serviu pra envenenar pessoas não mui queridas. Assim, tomar o primeiro é mostrar que o mate está bom.

A roda de chimarrão sempre tem uma ordem pra ser servida. Não espere chegar e ser servido em seguida. Te senta e espera a tua vez, que será a última. Essa regrinha só é quebrada se o taura que chega merece uma deferência especial. E quem decide isso é quem está servindo. Depois a roda segue normalmente.

Pelo geral o mate é servido pela direita de quem serve e sempre com a mão direita (se tu és um portador de destreza na mão esquerda, te vira!). Há situações em que a roda não é bem uma roda, mas não te aperreie, pois o bom patrão (cevador, quem serve o mate) sabe bem a ordem em que está servindo.

Se tu estiveres servindo, entrega a cuia com a bomba voltada para a pessoa, nunca pra ti. Não é de bom tom dar trabalho (ter que virar a cuia) para quem vai tomar o mate. O mesmo vale pra quando fores devolver a cuia: a bomba sempre virada pra outra pessoa. E sempre com a mão direita...

Ao tomar o chimarrão, tome até roncar. Isso mesmo, jamais devolva o chimarrão antes de roncar. É das piores coisas que se pode fazer. Não gostou do chimarrão? Te agüenta, vai até o fim, faz roncar e agradece.

Por sinal, só agradeça quando não quiser mais tomar. O ato de agradecer signifca que não queres mais.

Uma das mais importantes regras: nunca mexa na bomba enquanto estiver tomando. Entupiu? Devolve pra quem está servindo que ele - e somente ele - ajeita a bomba. Essa regrinha pode ser quebrada se avisares ao cevador que o mate entupiu e ele te der autorização para mexer na bomba, o que é raro de acontecer.

Não reclama da temperatura da água. Se todo mundo tá tomando, larga de ser fresco e toma junto. Teu problema é língua mal curtida e não a temperatura da água.

Uma roda de chimarrão é lugar pra conversar, contar causos, compartilhar. É muito feio se esquecer da vida, conversando, e ficar com a cuia na mão como se fosse microfone. Toma tento que outros também querem tomar o amargo. Toma logo e depois segue trovando.

Nunca, mas nunca mesmo, passe os dedos no bocal da cuia para limpar. Certamente teus dedos devem estar mais sujos do que a bomba. Tá com nojo de um negócio que passa de boca em boca? Vai procurar tua turma e não uma roda de chimarrão...

1 Roda de Chimarrão. Kleyton & Kledir.



84 - Triste sina

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Pois é,

Triste a sina de um povo que ainda não aprendeu a cuidar dos seus velhos e das suas crianças e adolescentes.

Inicio uma série de posts desabafo. Desabafo por uma realidade que por vezes esquecemos.

Será uma série confusa, tão confusa quanto fiquei, ou melhor, quanto ainda estou.

Hoje, sexta-feira (o post será publicado no sábado), fui visitar - na realidade, inspecionar - uma instituição que abriga crianças, adolescentes e velhos (idosos). Por razões óbvias, não vou identificar o local. Não que não merecesse a identificação, por tudo de bom que fazem, mas também por todas as falhas que cometem. E, sem dúvida, por ser assunto de trabalho, resguardado pelo sigilo.

Há que ter estômago para certas coisas. Coragem, melhor dizendo.

Há coisas lindas e maravilhosas para escrever; há coisas tristes para escrever. Há um sentimento de decepção com a humanidade; há um sentimento de esperança com as pessoas, pelo exemplo de dedicação, de carinho e de abnegação.

Confusa a série, tanto quanto ainda estou.

Sequer imagino por onde começar. Se pela barbárie das pessoas que abandonam seus velhos, quase todos dementes - um fardo que ninguém quer suportar - ou se pelas ações para que crianças e adolescentes possam ter a esperança de uma vida digna. Já não falo sequer dos velhos, pobres coitados, que estão ali sem saber que apenas aguardam a morte.

Velhos que um dia criaram e sustentaram os filhos que hoje os jogam num asilo. Trapos que não servem mais para vestir, mas um dia foram vestido de baile.

Me emociona a tristeza da realidade e me emociona o esforço de pessoas que têm a grandeza de fazer exatamente aquilo que podem fazer. Somos criticos ao ver certas condições, mas esquecemos que, muitas vezes, bem ou mal, é o que as pessoas podem fazer. E fazem de coração! Simples. Nós é que complicamos!

Duas fotos para tentar explicar sentimentos confusos:







Ao longo da semana desenvolvo o resto!

Triste sina!

E bate uma tristeza ao pensar que essas crianças que são educadas para acreditar numa "base sólida", amanhã poderão ser os velhos da foto, ou, pior ainda, poderão jogar fora os pais, como o velho da foto foi jogado!



Pois é,

Seguimos com nosso "Verdadeiro e Único Manual Ilustrado e Poético do Chato para Iniciantes no Chimarrão"

Antes, porém...

Estou lá no Faça a sua parte. Vão lá, vão lá...

Criei uma categoria nova, chamada "Chimarrão" e mudei essa série para lá. Assim, se algum vivente estiver interessado pode acessar tudo por lá

5. Jujo

Jujo é um termo genérico para ervas "medicinais" que são acrescentadas ao chimarrão. Deve ser um termo de origem espanhola, ou castelhana (o Dicionário da Real Academia Espanhola não registra o termo). Aprendi quando era criança, pois sou de Santana do Livramento, fronteira com o Uruguai. E por falar em Uruguai...

"...
Em bruxas não acredito
'pero - que las hay, las hay',
sou da costa do Uruguai
meu velho pago querido
e por andar desprevenido
há tanto guri sem pai.

..."

(trecho de um poema do Jayme Caetano Braun - Bochincho - um clássico da poesia gauchesca. Não há gaúcho - dos bueno, claro - que não a saiba de cor e salteado... Qualquer dia publico por inteiro.)

Por sinal, é muito comum, no linguajar gauchesco, o uso de expressões do castelhano. (e por falar nisso, depois farei um post com a tradução dos termos que ninguém entendeu, hehehe)

Coisas de estado e de um povo que faz fronteira com outros países. Incompreensíveis para paulistas, cariocas e mineiros, que fazem fronteira entre si (é ruim, hen?!).

Voltando ao jujo, os mais comuns são:

1. carqueja
2. capim-cidreira
3. boldo-do-chile (antes de me mudar, eu tinha um pé de boldo-da-terra - é parecido e mais comum no Brasil - em casa)
4. erva-doce (esse é bom pras meninas)
5. camomila (não gosto)
6. outros menos cotados (por mim, ao menos)

Há quem use uma mistura de ervas. Todas dão um gostinho pra lá de especial. É tão comum,que as fabricas lançaram ervas que já contém esses jujos misturados. Pra quem não tem acesso in natura, é bem melhor que usar saquinho de chá. Mas o saquinho também vale, não se preocupem. Afinal, vivemos em tempos modernos e nem todos podem sair a campo para colher carqueja ao vivo e a cores.

Uma pequena aulinha sobre os jujos:

carqueja

É ótima para afecções hepáticas, reumatismo , diarréias , cálculos biliares , inflamações das vias urinárias , má digestão, para promover o equilíbrio e o funcionamento de fígado, pâncreas e baço. É também boa para diabetes, é emagrecedora, promove a rápida desintoxicação do fígado no caso de ingestão demasiada de bebidas alcóolicas (muito trago já curei com chá de carqueja. Não falha!). Combate a anemia e a inapetência em convalescentes.

Tem um site po aí que diz o seguinte sobre a carqueja (acredite se quiser! E que o Lula não seja leitor do Chato):

"A Carqueja pode ser usada com sucesso pelo "engulidor de sapos". Promove a volta de um pouco de agressividade que é necessária a nossa vida. Traz de volta nossas defesas, e nossa vontade de não sermos passados para traz nem ofendidos e magoados injustamente. Desperta as metas e a vontade de trabalhar e construir coisas. Atua nos muito carentes, que sempre precisam de um suporte dos outros para realizar coisas para si próprios."

capim-cidreira

calmante, sonífero leve, ação analgésica e carminativa, ou seja, atuante dos gases estomacais. Possui efeito calmante nos nervos do cérebro e considerável eficácia contra espasmos e como reconstituinte do aparelho gastrintestinal. Recomendável para mulheres grávidas e por aquelas que estão amamentando uma vez que o capim-limão (outro nome do capim-cidreira) acalma as cólicas e as sensações de vômito freqüentes nesta fase da mulher, além de estimular a produção de leite materno.



boldo-da-terra

é um tônico amargo que facilita o trabalho da vesícula biliar, estimulando a secreção da bílis e favorecendo a digestão de gorduras. É indicado no combates às dores estomacais, males do fígado, diarréia e desconforto causado por gases intestinais. Porém, deve ser usado com cautela pois, em excesso, pode provocar irritação gástrica. É preciso ter cuidado para não confundir o boldo com algumas plantas ornamentais, que são aparentemente semelhantes.

Pra quem toma boldo-do-chile em saquinhos: apresenta propriedades estomáquicas, diuréticas e hepáticas. cuidado, pois os efeitos colaterias são: pode ser abortivo e provocar hemorragias internas.

erva-doce

Digestiva, diurética, carminativa e expectorante. O infuso das sementes facilita a digestão, alivia flatulência e cólicas intestinais, acalma excitação nervosa e insônia. Age contra a cólica de recém nascidos. A erva doce é utilizada na cosmética por suas propriedades de remover impuresas, sob forma de sabonetes, suavizando a pele. Tem também efeito anti-rugas.

(não falei meninas. Tomem bastante erva-doce e passem no rosto também...Querem uma receitinha de um creme caseiro de erva-doce?)

camomila

Não gosto. Não vou falar dela.

6. Tererê

Tererê é semelhante ao chimarrão só que tomado com água fria. A erva utilizada difere um pouco da erva do chimarrão (a trituração é mais grossa). Muito consumido no Paraguai. Nunca provei e espero nunca provar. O tererê é feito em uma guampa e não numa cuia.

7. Mate doce

As meninas mais frescas gostam de adicionar açucar ao chimarrão para torná-lo menos amargo. Quando fizer isso, bagual, te esconde do mundo pra tomar e jamais faça a asneira de convidar um gaúcho pra tomar contigo. Já foi mais comum por aqui. Hoje, no entanto, o mulherio da terra já virou gente e tá tomando o amargo puro!

Pos hoje me vou matear em Taquari. Problemas, problemas...

Segunda-feira o gran finale: a etiqueta do chimarrão. Sábado e domingo algumas abobrinhas...



Pois é,

Seguimos com nosso "Verdadeiro e Único Manual Ilustrado e Poético do Chato para Iniciantes no Chimarrão"

4. Tomando o chimarrão

Finalmente teu chimarrão está pronto para ser tomado. Antes, porém...

- Oba, Chato! Quer dizer que já posso meter a boca na bomba e chupar?
- Não faça isso, chinoca! E por falar em chinoca, aproveito o oito de março e...



"A maior das gauchadas
Que ha na Sagrada Escritura,
- Falo como criatura,
Mas penso que não me engano! -
É aquela, em que o soberano,
Na sua pressa divina,
Resolveu fazer a china
Da costela do paisano!

Bendita china gaúcha
Que és a rainha do pampa,
E tens na divina estampa
Um quê de nobre e altivo.
És perfume, és lenitivo
Que nos encanta e suaviza
E num minuto escravisa
O índio mais primitivo!

Fruto selvagem do pago,
Potranquita redomona,
Teus feitiços de madona
Já manearam muito cuera,
E o teu andar de pantera,
Retovado de malícia
Nesta querência patrícia
Fez muito rancho tapera!

Refletem teus olhos negros
Velhas orgias pagãs
E a beleza das manhãs,
Quando no campo clareia...
Até osol que te bronzeia
Beijando-te a estampa esguia
Faz de ti,prenda bravia
Uma pampeana sereia!

Jamais alguém contestou
O teu cetro de realeza!
E o trono da natureza
É teu, chinoca lindaça...
Pois tu refletes com graça
As fidalgas Açorianas
Charruas e Castelhanas
Vertentes vivas da raça!

A mimosa curvatura
Desse teu corpo moreno
É o pago em ponto pequeno
Feito com arte divina,
E o teu colo que se empina
Quando suspiras com ânsia
São dois cerros na distância
Cobertos pela neblina.

Quem não te adora o cabelo
Mais negro que o picumã?
E essa boca de romã
Nascida para o afago,
Como que a pedir um trago
Desse licor proibido
Que o índio bebe escondido
Desde a formação do Pago?

Pra mim tu pealaste os anjos
Na armada do teu sorriso,
Fugindo do paraíso,
Para esta campanha agreste,
E nalgum ritual campestre,
Por força do teu encanto,
Transformaste o pago santo
Num paraíso terrestre!"

Homenagem do Chato ao Dia Internacional da Mulher.

Bueno, chega de babar que o chimarrão nos espera.

a. servindo a água

Sirva a água pelo canto onde se encontra a bomba. Por quê? Porque o metal da bomba ajuda a arrefecer o calor da água, evitando, assim, que a erva fique "lavada" logo cedo. A aguá só deve ser despejada na beirada do morrinho, quando o chimaraão começar a perder o gosto (ficar lavado). Isso faz com que a erva seca se deposito no fundo e mantenha o sabor. Muita gente boa tem esse péssimo hábito. Depois não sabem por que perdem os parceiros de roda!

- Queres uma dica de como saber se o teu chimarrão ficou mesmo digno do nome e de ser tomado por qualquer gaúcho?
- Quero, quero!, Chato.

Peraí! Quero-quero é um pássaro dos pampas...

"Vulto gaudério e teatino
Do velho pampa deserto,
No teu rancho a descoberto
Dos ventos desprotegido,
ès o pássaro aguerrido
Das lendas da tradição
E o guasca do meu rincão,
Por lei de Nosso Senhor,
Para ser madrugador
Tem que gaurdar teu ferrão!

..."

Tá certo, vou poupá-los de mais uma por hoje. Resposta: ao encher a cuia deverá formar uma leve espuma sobre a água. Será a tua certidão de gaúcho, passada em cartório!

- Queres saber quando o teu chimarrão está lavado?
- Quero, quero!, Chato.

Peraí! Quero-quero é um pássaro dos pampas... tá bom... Resposta: se for erva de "pauzinho" será quando eles começaram a boiar na água. Provavelmente antes, mas muita gente segue tomando até que isso aconteça.

Bueno, bueno, vamos encerrando por hoje. Para os que já estão de saco cheio e sequer fazem idéia de quando essa porcaria de série vai terminar, lhes digo: ainda falta falar de:

- jujo;
- encilhando o chimarrão;
- Tererê e mate doce

e, finalmente,

- etiqueta do chimarrão (lição das mais importantes, se tu pretendes convidar alguém pra tomar um chimarrão, ou numa roda de chimarrão).

E por falar em roda de chimarrão... tá bom... essa fica pro próximo post...

Só mais dois posts. Mas não apeie, índio velho, pois já podes tomar teu chimarrão sem problemas.

China e Quero-quero (1ª estrofe). Poesias de Jayme Caetano Braun.



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Más um "antes, porém". Antes, porém, de continuar, duas observações:

1. voltei a comentar os cometários, desde o post que iniciou essa série. Assim, quem estiver interessado...

2. o Mahai, gaúcho dos buenachos, observou que é possível cevar o chimarrão com cachaça; Sim, Mahai, sei disso, mas estava deixando para um "curso avançado"....hehehe

Pos, continuando...

3. Colocando a bomba

Corro o risco, com esse título, de ter meu humilde blog vasculhado pelo F_B_I. Vão pensar que eu sou terrorista. Assim que, se não tiverem notícias minhas por uma semana, façam uma campanha de assinaturas pedindo ao Cão, vulgo B@sh, minha imediata libertação. Mas cultura também é sacrifício e, se assim for, cumpro feliz com minha missão: colocar a bomba.

Para principiantes, talvez essa seja a fase mais complicada. Mas não se preocupem, tudo se torna fácil com a experiência, que o digam as meninas...

Antes, porém, (hehehe) um aviso para os portadores de destreza na mão esquerda (vulgo canhotos): a bomba, quando o chimarrão será tomado por mais de uma pessoa sempre é colocada com a mão direita (a menos que todas as pessoas que estejam tomando chimarrão sejam portadoras de destreza na mão esquerda). E pronto! Tenho dito! É fácil ver quando o chimarrão foi feito por um canhoto, digo, por um porta.... que esqueceu essa regrinha básica. Vocês vão ver.

E por falar em matear solito:

"Meu patrício,aí foi o mate,
Vá chupando, despacito,
Que é triste matear solito
Quando a velhice nos bate.
Por isso, neste arremate,
Que chegou num arrepio,
Meu velho peito vazio
Que játeve tantadona
Ressonga que nem cordeona
Nos bailes de rancherio!

Não é que me falte fibra
Nem firmeza no garrão
Pois meu velho coração
Bem compassado ainda vibra.
Quem gastou libra por libra
Da sorte fazendo alarde,
Não cala por ser covarde
Nem chora por ser manheiro,
Lamenta é osol derradeiro
Que vai borcando na tarde!

É a saudade, essa punilha
Que nos vai roendo o carnal,
Esse caruncho infernal
Que fura até curunilha;
É a derradeira tropilha
DA vida mal tironeada
Que chegando ao fim da estrada
Se dá conta, num segundo,
Que veio e vai deste mundo
Sofrendo a troco de nada!

É triste matear sozinho
De tarde ou de madrugada
Amargando a paleteada
De algum passado carinho,
Como dói lembrar o ninho
Que o tempo levou na enchente,
Mas, porém, deixou semente
De tristeza e de amargura
Pra reviver a ternura
De alguém que já foi da gente.

É por isso meu patrício
Que não mateio solito
Embora o verde bendito
Pra mim seja mais que vício.
É meu último munício,
Que não dispenso nem largo
E peço a Deus, sem embargo
Da chucreza do meu canto
Que no Céu me guarde um Santo
Parceiro pra o Mate-Amargo!

As etapas (depois da erva cevada):

a. como segurar a bomba antes de introduzí-la no buraco

Envolva suavemente seu corpo cilindrico com quatro dedos e sinta a dureza, a firmeza ... da bomba, meninas! Mantenha a bomba voltada para a frente e o polegar esticado (olha a foto). Após, tapa a boca com o polegar.

Tchê loco, não deveria dizer, mas vá que alguém se confunda: a boca é a da bomba! (olha a foto).

b. como introduzir a bomba no buraco

Pega a cuia com a mão esquerda de forma que o buraco fique voltado para a direita. A seguir, posicione a bomba a meia distância das bordas do morrinho levemente inclinada. Vá introduzindo aos poucos e girando em direção à borda do morrinho mais proxima de ti. Uma detalhe importante: a bomba deve descer acompanhando a curvatura da cuia, de tal sorte que, quando chegar ao fundo, estará parcialmente tapada pela erva e encostada no morrinho

Só ao sentir que chegou no fundo é que tu deves tirar o dedo. Do bocal! Da boca da bomba, tchê!

c. como ajeitar a bomba

Agora vais chupar (a bomba, por supuesto) para tirar o que sobrou da água da cevadura. Nesse momento aproveita para fazer pequenos ajustes na bomba (girar levemente de um lado para outro) para que a água corra soltita. Cospe fora, pois além de fria, essa água vem carregada de pó e otras cositas más. Chupa bem até roncar!

Teu chimarrão tá pronto pra ser tomado. Mas ainda faltam alguns detalhes importantes. Amanhã seguimos...



Pintura: Pensativo. Óleo sobre tela. Daniel Colnago Fleitas, em www.artelista.com



Pois é,

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Se o vivente seguiu direitinho as instruções para curtir a cuia, deve estar pronto para começar a preparar seu primeiro chimarrão. Um "antes, porém," - porque, afinal, eu sou Chato e Chato que se preze, e eu me prezo, não é Chato se não escrever um "antes, porém," - antes, porém, o vivente deve levar em conta o seguinte: preparar um chimarrão é um ritual e, como todo ritual, requer paciência e crença. E por falar em crença:

"A ORAÇÃO DO POSTEIRO1

De tarde... Boleio a perma
e maneio o redomão,
- no portão do cemitério,
(Tauras... Santas... e gaudérios...
tudo em baixo deste chão!)
- É aqui... A cruz... Pé de flor...
Me ajoelho... E, a voz num temblor,
rezo uma pobre oração:

Mãe-velha! Aqui está o teu piá,
meio estropiado do mundo!
Com o meu recuerdo mais fundo
te juro por esta luz:
- Mãe-velha! pela saudade
da tua antiga bondade,
eu vim te ver na cruz.

Tua benção venho buscar
para os vareios da vida.
Trago espichada e estendida
minha esperança de pobre.
Com medo que ela arrebente,
venho te ver novamente
sobre este chão que te encobre.

Mãe-velha! Não fui maleva!
Eu nunca te contrariei.
E, se um dia te magoei,
logo pedi o teu perdão!
Como quando tu vivias,
no meu jardim de alegrias
derrama teu coração.

Escuta! Santa Mãe-velha:
- Pede a Deus junto de ti,
que, a estes teus netos-guris
faça uns gaúchos de alma reta
na conduta sem desmancho.
E à neta... orgulho do rancho!
(porque inté é linda a tua neta.)

Me ajuda a ver se dou jeito
que eles aprendam a ler,
para o mundo compreender,
sem gritos, ralhos, nem relhos.
Por mim ensino o que posso:
- já les dei o Padre-Nosso
e um pouco de teus conselhos.

Que eles, sendo moços feitos,
se por outros pagos cruzem,
buenos e leais, não abusem
da força que os tauras têm.
Faa, que o destino confirme,
tua neta - a gauchita firme!
que nunca engane a ninguém.

E se um dia estale a guerra,
que encarem o sol de frente!
com essa bondade valente
que, Mãe-velha, de ti.
e honrem a marca da herança
dos que empunharam com a lança
esta fronteira até aqui!

Que a mãe deles seja sempre
a boa e fiel companheira
a quem pobreza e canseira
é um galardão de Jesús.
Quando a encontrei (comparando...)
fui como um cego sarando!
- bobo de encontro com a luz.

Que eu tenha força nos braços,
coragem no coração,
para agüentar o tirão,
e a minha gente conduzir.
E me dê sorte e bom vento
para eu ganhar o sustento
e os trapos para eles vestir.

Que a saúde não me deixe!
para eu criar a ninhada
sem andar esparramada
como filhos de avestruz.
E com partões mais humanos
possa eu viver muitos anos
para enfeitar a tua cruz!

Bueno... Mãe-velha... Vou indo...
E ao tranco... Tenho a alma inteira
presa na estrela boieira,
que me olha, no céu parada,
também tão longe e solita...
- Como se o olhar da velhita
me acompanhasse na estrada!"

Chorou? Não? Pois devia. Eu choro cada vez que leio ou escuto.

O vivente não vai à missa todo domingo e fica lá por uma hora sem reclamar? Pois então! Aqui é a mesma coisa.O vivente não toma vinho e fica cheio de frescura tentando "sentir" os aromas e sabores que o vinho tem? Pois então! Aqui é a mesma coisa. Chimarrão tem aromas e sabores também. E para sentí-los, há que despertá-los.

IV - A Cevadura

A cevadura (favor não confundir com picadura ou com cerveja congelada) é o segredo que nos permite extrair da erva todos os aromas e sabores que ela contém. Pra dizer a verdade, o chimarrão depende de uma boa cevadura. Por sinal, trate bem a erva, pois sua árvore é símbolo oficial do Estado do Rio Grande do Sul (Lei 7.439/80).

Cevar é engordar. Cevar o porco é engordá-lo. Porco cevado é porco gordo, no ponto para o abate! O mesmo se dá com a erva: erva pronta pra ser tomada é erva "gorda", cevada. No caso, "inchada".

A cevadura compreende três etapas (olha nas fotos. E olha mesmo, vivente, pois deu um enorme trabalhão tirar essas fotos sozinho...):

1. despeja erva na cuia até atingir a "dobra", ou "pescoço". Para quem tem cuia "reta", mede algo como dois terços da cuia (e não me pergunta se a cuia está dois terços cheia ou um terço vazia. Isso é falta de joelhaço!). Dependendo do lado que o vivente estiver olhando, bota erva até dois dedos antes da borda.

(um parênteses, porque Chato que é Chato sempre faz parênteses: a "regra dos dois dedos" é universal, vale pra tudo: pra fazer arroz, pra esquentar a mulher...)

Continuando...

2. Agora é que são elas, como dizem por aí! Vamos formar o "morrinho", a "coxilha". E vamos deixar de frescura! Bota a mão direto. Sem essa de pegar uma "latinha", uma "tampa" (tem gente que usa "bolacha de chopp" pra isso). Vai virando a cuia enquanto forma a mão em concha e coloca sobre a cuia. Vai virando a cuia e sacudindo devagarzito até que comece a formar um "montinho" na tua mão. (diriam os cientistas que deves fazer isso até que a cuia esteja a 90° em relação à perpendicular, isto é ao Zênite. Ainda bem que cientista quando toma chimarrão esquece que é um...) Sinta a erva na mão. Faça com que ela se conforme a ti. Depois, tira a mão. Um pouco sempre cai. Põe de volta na cuia com todo cuidado.

É a tua mão que será passada "de mão em mão". A lo más, terás o prazer de ver que o morrinho ficou como tu querias e não com a cara de uma bolacha. Reto que nem defunto em caixão!

Olha só que bonito que fica:

Por isso que usar outros "materiais" é frescura. Coisa de gente que diz: "ai, sujou minha mão!". Larga de ser fresco(a) e passa uma água na mão depois.

Feito isso, vais observar que apareceu um "buraco" dentro da cuia. Tá fazendo o quê, que ainda não botou água nele? Tá perdendo tempo me lendo? Ainda bem que estás lendo, pois senão estarias fazendo besteira!

3. A água. Motivo da terceira guerra mundial, dizem por aí. Tás a ver como esse item é importante, bagual! Aqui temos a Alquimia, tão sonhada pelos nerds da Idade Média. Os quatro elementos se unem para te dar a essência da vida:

o fogo que aquece a água; a água quente que molha a terra; e, juntos - fogo, água e terra -, exalam o aroma.

Tomar chimarrão é se entreverar com a natureza. (anota essa. Um dia vai ser famosa e sair na "Caras". Pode ser reproduzida desde que citado o autor).

Atenção!

Existem três tipos de água: fria, morna e quente. A água quente está para o chimarrão assim como a era industrial está para a natureza: destrói! NUNCA UTILIZE ÁGUA QUENTE PARA CEVAR O CHIMARRÃO!'

Utilize apenas água fria ou morna. A diferença está no amargo. A água fria produz um chimarrão mais forte, mais amargo. Em compensação, dura mais. A água morna produz um chimarrão mais suave ao paladar, principalmente das moçoilas e chinocas e de alguns guapos ainda não acostumados...

Com a cuia ainda inclinada, despeja a água até que ela atinja a borda do morrinho.

Pára! Pára! Assim vai derramar! Calma, tchê! Vai devagar, sentindo o aroma que se despreende.

(Pode ocorrer, nesse momento, um fenômeno:: ao colocar a água, ela começa a "vazar" por baixo do morrinho. Isso se deve a dois fatores, que podem atuar separados ou concomitantemente: a qualidade da erva e à rapidez com que a água é colocada. Para evitar quaisquer dos dois, é bom colocar a água bem devagarzinho...)

Apoia a cuia no avio próprio e espera de três a cinco minutos, que é o tempo que a erva vai levar pra "chupar" essa água e "inchar", isto é, cevar, ficar "gorda".

E, bueno, amanhã continuamos com outra etapa: como colocar a bomba. Não percam essa, pois não há pior coisa do que chimarrão entupido porque o guasca não soube colocar a bomba. De mais a mais, tô subindo pra Caxias do Sul. Vou fazer uma mateada com os gringos.

1. Poesia de Aureliano de Figueiredo Pinto.



90 - Chimarrão

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Pois é,

A Roberta Malta ganhou de presente uns mimos aqui da terrinha pampeana. Junto, algumas instruções sobre como preparar essa que é a bebida símbolo do gaúcho e que tanta estranheza causa nos demais povos.

Este Chato que vos escreve, no entanto, e no uso das suas atribuições de melhor representante do gênero, resolveu dar uns pitacos no blog da moça e acabou por dexá-la ainda mais confusa. Como o Chato pode ser qualquer coisa, menos um causador de males pra outros viventes, resolveu escrever aqui o "Verdadeiro e Único Manual Ilustrado e Poético do Chato para Iniciantes no Chimarrão", que por hora dou a público, para deleite de tantos quantos queiram experimentar a "velha infusão gauchesca".

I - Introdução

Manual que se preze tem que ter introdução. Pois este também tem.

Chimarrão não é coisa que se estude desgarrada das tradições. Tomar chimarrão não é como beber um cafezinho, que se faz rapidinho numa esquina de balcão. Requer certa reverência. E pra começar, então, há que se ler Jayme Caetano Braun, como forma de preparar o espírito para a aventura:

"AMARGO!

Velha infusão gauchesca
De topete levantado
O porongo requeimado
Que te serve de vazilha
Tem o feitio da coxilha
Por onde o guasca domina,
E esse gosto de resina
Que não é amargo nem doce
É o beijo que desgarrou-se
Dos lábios de alguma china!


A velha bomba prateada
Que atrás do cerro desponta
Como uma lança de ponta
Encravada no repecho
Assim jogada ao deleixo
Até parece que espera
O retorno de algum cuera
Esparramado do bando
Que decerto anda peleando
Nalgum rincão de tapera!


Velho mate-chimarrão
Ás vezes quando te chupo
Eu sinto que me engarupo
Bem sobre a anca da história,
E repassando a memória
Vejo tropilhas de um pêlo
Selvagens em atropelo
Entreverados na orgia
Dos passes de bruxaria
Quando o feiticeiro inculto
Rezava o primeiro culto
Da pampeana liturgia!

Nessa lagoa parada
Cheia de paus e espuma
Vão cruzando uma, por uma,
Antepassadas visões
Fandangos e marcações
Entreveros e bochinchos
Clarinadas e relinchos
Por descampados e grotas,
E quando tu te alvorotas
No teu rancor anunciador
Escuto ao longe o rumor
De uma cordeona floreando
E o vento norte assobiando
Nos flecos do tirador!

Sangue verde do meu pago
Quando o teu gosto me invade
Eu sinto necessidade
De ver céu e campo aberto
É algum mistério por certo
Que arrebentando maneias
Te faz corcovear nas veias
Como se o sangue encarnado
Verde tivesse voltado
Do curador das peleias!


Gaudéria essência charrua
Do Rio Grande primitivo
Chupo mais um pra o estrivo
E campo a fora me largo,
Levando o teu gosto amargo
Gravado em todo o meu ser,
E um dia quando morrer,
Deus me conceda esta graça
De expirar entre a fumaça
Do meu chimarrão querido
Porque então irei ungido
Com água benta da raça!!!"


Bueno, bueno, vivente. Se não terminaste a leitura arrepiado é pouco provável que gostes do chimarrão. Em todos os causos, vamos aos preparativos.

II - A cuia

Pra quem tá começando de cuia nova é muito importante prepará-la antes de começar a tomar chimarrão. E te segura que ainda vais ficar uns dois dias sem poder tomar. E por quê? Porque é um bom tempo pra deixar a cuia no ponto, curada, como se diz por aqui.

- Tá, Chato! Ninguém me disse isso e eu já saí tomando. Como é que eu faço para preparar a cuia?

- Olha, tchê, tomar até que