Pois é,
Saí de Porto Alegre, em direção à J@guarão, com a péssima notícia de que uma frente fria estava estacionada sobre o Uruguai, esperando sei lá o quê para entrar, triunfalmente, no Rio Grande do Sul, trazendo tudo o quanto nós, gaúchos, conhecemos do que seja uma frente fria vinda da Banda Oriental, ou, como a conhecemos, da Província Cisplatina.
(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "cis" - e seu oposto "trans" -, "platina" e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "província")
Verdade seja dita, mas quem nos manda essas frentes frias são los hermanos da província transplatina. Hay quem goste deles. Pessoalmente mantenho uma relação trúbia (sim, pois se uma relação com dois aspectos é dúbia, com três só pode ser trúbia) com los hermanos.
Primeiro, porque já fui muito mal tratado quando fui a Buenos @ires. Em plena Guerra das Malvin@s. Quem sabe foi por isso, sabe-se lá. Mas de qualquer forma, brasileiros por lá eram tidos quase que como ingleses, isto é, deviam ser mortos. Os brasileiros que moram acima da divisa entre Santa Catarina e Paraná sabem (mas sabem de ouvir falar apenas) da antiga e interminável rixa existente entre nós, gaúchos e catarinenses (que, no fundo, no fundo, são gaúchos desgarrados) e los hermanos. A coisa é tão grave, que qualquer gaúcho sabe que a expressão "los hermanos" refere-se a los hermanos transplatinos. Não precisa dizer mais nada.
Segundo, porque uma das pessoas mais maravilhosas que conheci foi um "hermano". Meu orientador (essa passagem da minha vida, por si só, daria um livro. Não que alguém fosse comprar e ler, mas daria!). Talvez porque não fosse portenho, mas do interior. De Córdob@. Pessoa sobretudo honesta e ética. Bastaria dizer isso de um ser humano nos dias de hoje para dizer tudo, pois essas qualidades já fazem parte de qualquer lista de extinção. Quando resolvi abandonar tudo - e sequer avisei que havia largado tudo -, me mandou uma carta (já havia retornado para a província transplatina, que guardo até hoje) perguntando se poderia passar a pesquisa para outro estudante, visto que era a minha pesquisa e não queria fazer isso sem a minha expressa autorização. Mais do que simplesmente uma carta, guardo um exemplo de ser humano que passou a nortear toda a minha vida.
(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "portenho" - e seu oposto "nãotenho" - e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "tenho")
Terceiro, porque parte da minha família é de lá. Dos quatro irmãos franceses que vieram para a América do Sul, três foram para Buenos Aires e um veio para o Brasil, donde originou este que vos fala. Alías, a coisa é recente, pois sou apenas a terceira geração nascida no Brasil. Coisa de cem anos, mais ou menos. E BASCO, com muito orgulho. Enfim, mantemos contato com os primos portenhos. Mais, pelo lado materno guardo comigo dois diplomas e medalhas concedidos pelo governo de los hermanos, lá pelos idos de 1800 e poucos, para ascendentes diretos meus, por bravura em guerras.
- Mas Chato...
- Sim, querido leitor@?
- O que tem a ver "los hermanos" com a tua ida à J@guarão?
- Nada! Apenas estou com vontade de falar. E quando a gente fala é assim, um assunto vai despertando outro, que puxa outros e ... Mas onde estava mesmo?
- Na frente fria que vinha do Uruguai.
Sim, sim, frente fria. Pois é, poucas vezes vejo televisão. E essas poucas vezes acontecem justamente quando estou viajando. São viagens cansativas. Muito trabalho em pouco tempo e muita estrada. Adoro dirigir, mas cansa. Quatro horas de ida, mais quatro horas de volta, sozinho num automóvel, acompanhado somente de mim mesmo, é algo que nem eu agüento. Eu sou muito chato, que o diga o Chato!
A televisão. Raramente saio à noite nas cidades que visito. Sou um homem sério. Não traio minha mulher (coisa de babaca, eu sei. Afinal, perdido lá nos cafundó quem iria saber?). Posso ser chato, mas não traio! Só me resta, então, ficar no quarto vendo televisão. E ontem resolvi ver o tal de JN. Da novela das oito (que começa às nove) sequer vou falar, de tão vagabunda que é. Basta um capítulo para saber (novela da platinada é assim: num único capítulo já sabemos tudo o que aconteceu, o que ainda irá acontecer e como vai terminar).
(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "platinada" - e seu sinônimo "merda" - e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "perda de tempo")
Diálogos fraquíssimos, as mesmas personagens de sempre: a riquinho vilão, o pobre que batalha e sofre nas mãos dos ricos, a menina remediada que dar dar golpes pra ficar rica... sempre a mesma coisa! Quando será que a platinada vai aproveitar tudo que tem para fazer algo que preste?
Mas como dizia o JN, o tempo previsto era feio. Chuva forte, por causa da frente fria que estava no Uruguai, em toda a região sul do RS.
E eu estava lá. E olhava para o céu. E o céu estava estrelado! Trinta e sete (37) graus no estado. Fronteira com o Uruguai. De um lado do rio, Brasil; do outro, Uruguai. E a frente fria devia estar lá. Ousei atravessar a ponte para vê-la!
E qual não foi a minha surpresa ao constatar que a frente fria estava parada na ponte aguardando que a greve da PF terminasse. Parece, também, que ela trazia mais do que os US$ 250 permitidos. Eu, quando fui pego pelo aduana, fui logo falando:
- Seo guarda!
- Guarda não! Porque quem guarda não perde! Me disse ele, rindo.
- Seguinte, ó, só tô levando umas lembrancinhas pra patroa.
- Abre aí preu vê!
- E aí mostrei!
- Mas duas!? Me disse ele, com cara de espanto.
- É que a patroa gosta... E eu sempre levo uma lembrancinha pra ela...
E a chuva não veio, e o calor continua... Melhorou. Agora faz apenas 33 graus. às dez da noite!!!
Não que eu reclame, que não sou disso, mas anda meio apertado o negócio por aqui.Tô escrevemdo aqui mais por louco que por falta de juízo, pois tenho que terminar diversos trabalhos e ainda vou viajar na quinta-feira.
E por falar em bruxas, certa feita caí na asneira de trazer, de presente, dois caldeirões. Um grande, para a bruxa-mãe e um pequeno para a filhota de bruxa. Resultado: todo mês, em dia de lua cheia, tenho que ficar quieto ouvindo-as uivando para a lua cheia.


As meninas dormem. O Afonso também. E cá estou eu aproveitando esta tranqüilidade, este um pouco de paz, sem que ele, o Afonso, fique incomodando. Sim, sim. Não pensem vocês que ele é tudo isso que às vezes pinta por aqui. Não esqueçam que ele tem a pintura por passatempo (ou tinha até pouco tempo) e quem pinta está acostumado a colocar cores diferentes das cores da realidade. Aos artistas é permitido, em nome da arte, criar uma realidade que parece ser mais linda que a verdadeira realidade. 
Taquari é uma cidadezinha, com seus trinta e poucos mil habitantes, às margens do rio que lhe empresta o nome: o Rio Taquari. De origem indígena, inicialmente, e portuguesa (açoriana), posteriormente. Apegada a tradições, é conhecida por seu "Natal Açoriano". Já foi um porto próspero, antes de que alguns brasileiros vendessem nosso sistema de transporte aos americanos e transformássemos tudo em estradas asfaltadas.
Munido do espírito caminheiro que insiste tomar conta do meu ser, recusei carona e, pasmem, deixei meu carro estacionado exatamente no local onde o havia deixado quando lá cheguei. Fui a pé! Andando. Isso mesmo, podem acreditar! Um calor desgraçado, diga-se de passagem. Tão quente que o céu desabou lá pelas três da tarde.
A visão que tivemos ao entrar no asilo começou a mudar nosso pré conceito. A área mais de acesso público é muito bem cuidada. Linda até, diria. O local é uma fazenda com seus quase 900 hectares. Mas não é disso que vou falar hoje e, sim, de um fato ocorrido na hora de ir embora.
Abandonados como se fossem mais do que dementes; como se fossem além disso, insensíveis! E nos é cômodo, como diz a Fernanda, querer que as coisas sejam assim. Já somos assim com os "sãos" que nos rodeiam diariamente - e que muitas vezes apenas nos cobram um beijo, um toque - mais fácil ainda com quem pensamos que nada sente.
Chamou-me a atenção, nos comentários ao post de ontem, que a maioria referiu-se ao fato de eu ter uma "vida regrada" Do cigarro nem vou falar.
A pilha de livros se acumula tanto quanto aquela dos que queria ler e sequer comprei, por óbvias razões.
Levanto e vou direto ligar o computador. Essa joça anda levando mais de 15 minutos pra ficar pronto. Estou falando do computador. Até porque eu levo mais de meia hora... E não sou joça! Desço e coloco a água do chimarrão pra esquentar. Mijadinha básica e conformes. Faço o chimarrão, tomo um, acendo o primeiro cigarro e venho pro computador. Até as sete e trinta reviso o post do dia, tomo um chimarrão e fumo um cigarro, publico, respondo aos comentários da noite, tomo um chimarrão e fumo um cigarro, carrego o Thunderbird e leio os e-mails (alguns, pois recebo mais de 70 por dia), tomo um chimarrão e fumo um cigarro.
Trânsito para o trabalho.
Chegar em casa, abrir a garagem, guardar o carro, fechar a garagem, pegar as sacolas da Condessa e minha pasta e levar tudo para dentro de casa. Subo, ligo o computador e essa joça leva mais de 15 minutos pra ficar pronto. Estou falando do computador. Até porque eu levo mais de meia hora... E não sou joça! Enquanto essa carroça esquenta, fumo um cigarro. Entro o blog para ver se tem comentários. Tento ler e comentar mais alguns blogs, carrego o Thunderbird e leio os e-mails que faltaram mais os que vieram à tarde.
Volto pro computador e tento escrever o post do dia segunite (o que estou fazendo nesse exato instante). Ainda tento ler mais alguns blogs, sites, pesquisa de alguma coisa relacionada ao trabalho ou alguma leitura de um livro técnico. Ah! Fumo vários cigarros.
Acendi uma vela, que é pro Neguinho nos ajudar
Uma das mais importantes regras: nunca mexa na bomba enquanto estiver tomando. Entupiu? Devolve pra quem está servindo que ele - e somente ele - ajeita a bomba. Essa regrinha pode ser quebrada se avisares ao cevador que o mate entupiu e ele te der autorização para mexer na bomba, o que é raro de acontecer.

É ótima para afecções hepáticas, reumatismo , diarréias , cálculos biliares , inflamações das vias urinárias , má digestão, para promover o equilíbrio e o funcionamento de fígado, pâncreas e baço. É também boa para diabetes, é emagrecedora, promove a rápida desintoxicação do fígado no caso de ingestão demasiada de bebidas alcóolicas (muito trago já curei com chá de carqueja. Não falha!). Combate a anemia e a inapetência em convalescentes.
calmante, sonífero leve, ação analgésica e carminativa, ou seja, atuante dos gases estomacais. Possui efeito calmante nos nervos do cérebro e considerável eficácia contra espasmos e como reconstituinte do aparelho gastrintestinal. Recomendável para mulheres grávidas e por aquelas que estão amamentando uma vez que o capim-limão (outro nome do capim-cidreira) acalma as cólicas e as sensações de vômito freqüentes nesta fase da mulher, além de estimular a produção de leite materno.
é um tônico amargo que facilita o trabalho da vesícula biliar, estimulando a secreção da bílis e favorecendo a digestão de gorduras. É indicado no combates às dores estomacais, males do fígado, diarréia e desconforto causado por gases intestinais. Porém, deve ser usado com cautela pois, em excesso, pode provocar irritação gástrica. É preciso ter cuidado para não confundir o boldo com algumas plantas ornamentais, que são aparentemente semelhantes.
Digestiva, diurética, carminativa e expectorante. O infuso das sementes facilita a digestão, alivia flatulência e cólicas intestinais, acalma excitação nervosa e insônia. Age contra a cólica de recém nascidos. A erva doce é utilizada na cosmética por suas propriedades de remover impuresas, sob forma de sabonetes, suavizando a pele. Tem também efeito anti-rugas.
Não gosto. Não vou falar dela.
Tererê é semelhante ao chimarrão só que tomado com água fria. A erva utilizada difere um pouco da erva do chimarrão (a trituração é mais grossa). Muito consumido no Paraguai. Nunca provei e espero nunca provar. O tererê é feito em uma guampa e não numa cuia.
"Vulto gaudério e teatino
3. Colocando a bomba
"Meu patrício,aí foi o mate,
Envolva suavemente seu corpo cilindrico com quatro dedos e sinta a dureza, a firmeza ... da bomba, meninas! Mantenha a bomba voltada para a frente e o polegar esticado (olha a foto). Após, tapa a boca com o polegar.
Tchê loco, não deveria dizer, mas vá que alguém se confunda: a boca é a da bomba! (olha a foto).
Pega a cuia com a mão esquerda de forma que o buraco fique voltado para a direita. A seguir, posicione a bomba a meia distância das bordas do morrinho levemente inclinada. Vá introduzindo aos poucos e girando em direção à borda do morrinho mais proxima de ti. Uma detalhe importante: a bomba deve descer acompanhando a curvatura da cuia, de tal sorte que, quando chegar ao fundo, estará parcialmente tapada pela erva e encostada no morrinho
Só ao sentir que chegou no fundo é que tu deves tirar o dedo. Do bocal! Da boca da bomba, tchê!
Agora vais chupar (a bomba, por supuesto) para tirar o que sobrou da água da cevadura. Nesse momento aproveita para fazer pequenos ajustes na bomba (girar levemente de um lado para outro) para que a água corra soltita. Cospe fora, pois além de fria, essa água vem carregada de pó e otras cositas más. Chupa bem até roncar!

Se o vivente seguiu direitinho as instruções para curtir a cuia, deve estar pronto para começar a preparar seu primeiro chimarrão. Um "antes, porém," - porque, afinal, eu sou Chato e Chato que se preze, e eu me prezo, não é Chato se não escrever um "antes, porém," - antes, porém, o vivente deve levar em conta o seguinte: preparar um chimarrão é um ritual e, como todo ritual, requer paciência e crença. E por falar em crença:
A cevadura compreende três etapas (olha nas fotos. E olha mesmo, vivente, pois deu um enorme trabalhão tirar essas fotos sozinho...):
2. Agora é que são elas, como dizem por aí! Vamos formar o "morrinho", a "coxilha". E vamos deixar de frescura! Bota a mão direto. Sem essa de pegar uma "latinha", uma "tampa" (tem gente que usa "bolacha de chopp" pra isso). Vai virando a cuia enquanto forma a mão em concha e coloca sobre a cuia. Vai virando a cuia e sacudindo devagarzito até que comece a formar um "montinho" na tua mão.
(diriam os cientistas que deves fazer isso até que a cuia esteja a 90° em relação à perpendicular, isto é ao Zênite. Ainda bem que cientista quando toma chimarrão esquece que é um...) Sinta a erva na mão. Faça com que ela se conforme a ti. Depois, tira a mão. Um pouco sempre cai. Põe de volta na cuia com todo cuidado.

Com a cuia ainda inclinada, despeja a água até que ela atinja a borda do morrinho.
Velha infusão gauchesca
A velha bomba prateada
Velho mate-chimarrão
Nessa lagoa parada
Sangue verde do meu pago
Gaudéria essência charrua
Pra quem tá começando de cuia nova é muito importante prepará-la antes de começar a tomar chimarrão. E te segura que ainda vais ficar uns dois dias sem poder tomar. E por quê? Porque é um bom tempo pra deixar a cuia no ponto, curada, como se diz por aqui.