109 - Que me perdoem...

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Pois é,

Que me perdoem @s querid@s sete leitor@s deste blog, mas hoje escrevo sobre forma. Já declarei aqui, numa seqüências de posts que ainda pretendo terminar, que não acredito na existência desse ser, chamado, genericamente, de deus. Mas, se me fosse dado demonstrar, mesmo que num exercício meramente intelectual, a sua existência, só teria um único argumento, uma única prova: a forma feminina.

A natureza é pródiga em beleza. Quanto mais vejo, seja pessoalmente, seja em fotos ou documentários (sou fã dos canais de TV paga especializados no assunto - Ok, sem propagandas!) mais me impressiono, mais fico perplexo com tudo o que existe. Já era assim nos meus bons tempos, quando me punha a observar o universo.

Sempre pensei - e trago isso comigo até hoje - que a única capacidade que não podermos perder é a de ficarmos perplexos diante da natureza. E por natureza me refiro ao universo, macro, médio e micro. Enquanto escrevo aqui, milhares de animais, plantas, seres humanos, estão a se mexer seguindo um rítmo ditado, ao menos quanto aos outros animais e às plantas - pura e simplesmente pela existência. E a terra. E pour se mouve também...

Muito se atribui a Descartes o início da Idade Moderna, por ter condensado todo o conhecimento da humanidade, até então, e jogado tudo para cima do cogito, ergo sum. A razão finalmente recuperada! Somos o que somos graças - dizem - a ele (numa breve simplificação, é claro).

Não creio nisso, confesso. Tenho que o culpado foi outro: um tal de Euclides. São dele os postulados matemáticos que nos governam até hoje. Dentre eles, o que desgraçou o mundo:"a menor distância entre dois pontos é a reta" (certo, certo, hoje já se sabe que não é bem assim, mas a vida continua como se fosse...).

Tenho para mim que Euclides era virgem e celibatário. Nunca viu uma mulher vestida com a roupa que a natureza lhe deu: a pele. Tivesse visto e não pensaria uma besteira dessas. Por quê? Porque as curvas são as formas mais belas da natureza. E dentre elas, as curvas femininas.

Gostos à parte, e eu cá tenho o meu, o fato é que não há nada mais lindo do que um corpo de mulher. Nada mais representativo da perfeição a que a natureza atingiu. Não é por menos que a publicidade se utiliza disso. Não se trata de mero apelo sexual. Trata-se de ser a forma mais bem elaborada e, portanto, a que mais prazer proporciona. Sem dúvida que existe o apelo exacerbado da forma (conseqüentemente sexual), o que é ruim. Mas isso é uma deturpação consumista a qual não podemos nos deixar influenciar na hora - ou nas horas - em que estamos a olhar um belo corpo de mulher que passa diante dos nossos olhos.

abre parênteses: (muitas mulheres, erroneamente, interpretam o olhar dos homens como um "olhar sexual" quando, na verdade, trata-se apenas de admiração, de perpexidade diante do belo) fecha parênteses.

E dessa confusão entre sexualidade e sensualidade, tão propalada pela mídia e pela indústria da moda e congêneres, que insistem em confundir os dois conceitos - e que é resultante do pensamento moderno de que o menor caminho entre dois pontos é uma reta - que nascem todos os problemas entre homens e mulheres.

As mulheres, em busca de um padrão de forma alienígena (no sentido de não ser o "seu" padrão), acabam por esquecer que a sensualidade não tem nada a ver com a forma, mas com a "postura".

Aqui voltamos ao velho "ser é melhor que ter". Ser sensual é muito mais importante do que ter sexualidade.

Sexualidade tem a ver com mostrar, com fazer, com "ato"; sensualidade tem a ver com esconder, com mistério, com "potência". As preliminares são sensuais (ou deveriam ser), gozar é sexual. As preliminares são imortais, posto que acendem as chamas; o gozar é infinito apenas enquanto dura (parodiando o poetinha).

Esse é o mistério da forma. O fazer-se ver sem se mostrar. Muitas mulheres não sofreriam com suas "formas" se soubessem que a forma pode ser "potência" e não "ato". Se soubessem que a curva é a menor distância entre dois pontos.

Por fim, a grande diferença: as mulheres podem ser sensuais a cada instante do dia; mas são sexuais apenas naquela hora. É uma pena que isso esteja invertido. Há mulheres (não posso quantificar, pois não estive com todas as mulheres, sequer com todas as que quis) que pensam ser sensuais quando vão para a cama e depois reclamam que se sentem meros "objetos sexuais". Óbvio, nas outras 23 horas e 45 minutos o que fizeram?

Foto: Reflects. de Lany Costa, do site "Olhares.com" (http://www.olhares.com/)

11 Comments

(*)Ou do estilo do Nilson??

Ai, ai.. Será que um dia serei merecedora de um post desses??? Ou do Nilson?? ôô, vida besta!!!

Mas ficou lindíssimo!!!

Afonso,
Incluo-me entre seus sete leitores (só sete?...) que acreditam em Deus, e agradeço a Ele pelas belezas naturais, inclusive a mulher. (o homem , o ser humano, é Sua obra-prima). Gostei da parte em que afirmas que os homens admiram a beleza, mas que há os tarados, há, he he.
Bem, mudando de assunto, a Aninha me enviou o link da Bela com a postagem das atitudes ecoconscientes. Como a Lucia de deu poderes pra incluir os links, aí vai: www.bela.blogger.com.br/
Inclua-o lá, por favor, ok.
Ah, e já consertei os links do Corcovado pra votação das novas 7 maravilhas do mundo. Obrigada pelo toque.
abraço, garoto

Ah, não precisa pedir desculpa não. Eu fiquei lisonjeada.

O que é o 'belo'? Existe um modelo de 'beleza'? O 'belo' existe sem o olhar de alguém? O 'belo' está na minha cabeça ou na coisa em si? O que me faz considerar um corpo, uma fruta, um astro ou um quadro como 'belo'? Será que a escolha do corpo da mulher como síntese máxima da beleza é por causa de suas curvas ou do meu desejo (inconsciente, quase sempre)? São questionamentos que não representam discordância alguma a respeito de seu belíssimo e sensível post. Ah!, se não fossem as mulheres...

Afonso, adorei o post! Qual é o problema em apreciar um belo corpo feminino ou mesmo masculino? Eu adoro o ofício ;-)

ah, você é muito engraçado: tem razão, a distância entre dois pontos é uma curva ;-)

Puxa, e a foto que você escolheu está muito bonita mesmo! Uma perfeição!

Afonso, tenho muita coisa pra dizer dessa sua postagem, que é perfeita, mas não o farei porque descambaria para coisas íntimas!
Ontem estive aqui, descobri o bloguinho da Clarissa e me perdi por lá, esquecendo até de comentar!
Boa semana! Beijus

(No comments)

Chato, querido, adorei isso. Vc falou e disse. Eu, que nao sou homem e nao sou gay, vivo dizendo que a beleza do mundo eh a mulher. Obrigada por esse post-homenagem! Nos agradecemos. Ah, e adorei tambem sua parodia do Vinicius. Beijo.

Cumpadre, adorei o seu parêntesis. Indeed, o olhar sobre uma mulher bela é um tributo justo (justo no sentido de Ulpiano, "dar a cada um o que é seu..."), uma obra dessas merece aplausos com o olhar. E eu, que, diferentemente de você, creio em Deus, não consigo entender como podem achar que Ele é contra o prazer. Sinto que Ele seja contra o excesso em nome do prazer, mas olha só as coisas que Ele criou e tente dizer que Ele quer que vivamos enclausurados e nos martirizando. Nonsense. Hugs.

Afonso, antes de mais nada já fiz o meu dever de casa. Quanto ao seu post, quero dizer que achei linda a sua homenagem a nós mulheres. Realmente a nossa beleza está nas curvas que os homens tanto gostam de admirar.
Nós mulheres somos diferentes de vocês porque não nos deslumbramos com os seus corpos que eu acho lindos. Se existe uma perfeição nesta vida é a escultura do Davi de Michelângelo.
Beijocas

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on fevereiro 13, 2007 6:23 AM.

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