fevereiro 2007 Archives

pois é,

Qual o melhor prato do mundo? (depois do prato cheio, é claro). Pra mim é esse:


esta bela lazanha que fiz domingo retrasado e ainda não tinha mostrado. Por mim, comeria lazanha todos os dias...

95 - Snif...

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Pois é,

Pra quem ainda não foi ler a entrevista Blog do Planeta (ainda é tempo!, hehehe) pelo menos vai lá dar um beijinho na Condessa que está dodói. Mas não deixa de aprontar das suas!

Pois é,

Pessoal,

O Alexandre Mansur, editor de Ciência & Tecnologia da revista Época, fez a gentileza de me entrevistar para o blog de ecologia da revista, o Blog do Planeta. Vão lá, vão lá, hehehe

Mail do dia

Hoje vamos responder aos mails enviados pelos nossos queridos leitores. O primeiro é um jovem chamado Aloysio, morador de Tucuruçu do Oeste:

"Caro Chato,

Tenho lido todos os teus posts sobre culinária e hoje criei coragem pra te escrever. Vou fazer dezoito anos agora em março e ouvi dizer que homens prendem as mulheres pelo estômago. Tenho tentado aprender a cozinhar, mas ainda tenho algumas dúvidas. Por exemplo, quanto é, mesmo, uma pitada de sal? E fogo brando? Qual a diferença, se meto a mão em qualquer deles e sempre acabo me queimando?

Responda, por favor, pois quero muito arranjar uma namorada!"

Querido consulente! Devo te dizer, de início, e talvez para tua decepção, que as mulheres, em geral, são presas pelo bolso e não pelo estômago. Não que o estômago não faça diferença, mas essa diferença só conta em restaurantes finos, que é onde elas sempre querem que a gente as leve. E aí vais ter que usar o bolso. E não te iludas quando elas sugerirem que adorariam provar da tua comida. É só para não precisarem ir para a cozinha. Depois que elas decobrirem que sabes cozinhar, nunca mais terás os teus domingos livres (não esquecendo que a maioria irá exigir, inclusive, que laves a louça, dizendo "deixa tudo direitinho como eu sempre faço!").

Para a tua outra colocação, devo te dizer que és o reflexo da educação que dão nas escolas brasileiras. Se tivessem te ensinado, nas aulas de história, o que realmente interessa, saberias que a "pitada de sal" e o "fogo brando" foram invenções das mulheres da idade média, mais precisamente das bruxas. Essa, inclusive, era uma das mais fortes razões pelas quais elas eram queimadas. As bruxas que, mesmo depois de torturadas, não confessavam o quanto era uma pitada de sal, acabavam na fogueira. Foi aí, também, que nasceu fogo brando.

O pessoal da idade média não tinha muita experiência com queimar pessoas. As primeiras bruxas que foram queimadas gritavam desesperadas "o fogo tá brando, o fogo tá brando", querendo dizer, com isso, que estavam demorando muito para morrer. A expressão "fogo brando" acabou sendo utilizada para referir-se àquele fogo que cozinha a comida devagar. Pelos século seguintes, os cientistas tentaram desenvolver um método para medir exatamente a temperatura do famoso fogo brando das bruxas. Sem sucesso, é claro, pois havia uma dificuldade inerente: nenhuma delas jamais voltou para dizer como era o tal fogo brando.

Foi aí que um cientista americano do século passado, de saco cheio com essa história toda, inventou uma escala para o fogo: baixo, médio e alto. Segundo os originais do trabalho desse cientista, nem mesmo ele conseguiu definir onde ficava o fogo brando nessa escala. Há uma nota de rodapé, na página 357, onde ele sugere que o fogo brando fica entre o baixo e o médio.

Até hoje, também, a pitada de sal permanece um segredo das bruxas, ou sogras, como são conhecidas atualmente, pois nenhuma bruxa jamais voltou para dizer quanto era a tal da pitada de sal. E sogra que se preze não entrega o ouro pro bandido.

Foi aí que um cientista americano do século passado, de saco cheio com essa história toda, inventou um saquinho com três gramas de sal e as pessoas usam como se fosse uma pitada de sal. Não é, pois há uma dificuldade inerente: americano não entende nada de comida, só de fast food.

Um conselho para terminar, querido consulente: arranja uma namorada que goste de McD@nal... Dá menos trabalho!

Receitinha do dia

Sou dos que não sentem gosto em macarrão. O gosto será sempre do molho. Confiando nisso, resolvi comprar um macarrão que dizia ter gosto de salmão. Esse da foto lá em cima, importado do Uruguai. Como macarrão não tem gosto, repito, fiz um molho de galinha e mandei ver. Resultado: não é que o tal do macarrão tem mesmo gosto de peixe? E forte.

Eca! Estragou meu molho!

Pra quem gosta até é uma boa pedida. Mas façam com um molho de camarão, por exemplo.

Tão bonito que ficou...

98 - Equilíbrio

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Pois é,

Meia-noite e vinte e dois minutos. Chove. Uma chuva suave numa noite quente de verão, depois de um temporal que alagou a cidade. Parece frase pronta, mas qualquer outra que escrevesse soaria falsa. Desejamos noites assim, chuvosas e quentes. Convidativas. Eu, pelo menos, sempre desejei. E sempre que elas acontecem fico acordado. Daqui do escritório, na cobertura, mal e mal ouço algum carro passar. O Mimoso, um dos gatos da casa, vez por outra resolve lembrar, apesar de castrado, que poderia estar fazendo coisa melhor do que ficar olhando o dono sentado na frente do computador fazendo um barulhino que ele não entende o que é, e solta uns miados desesperados. Não adianta mandar calar a boca. Ele me olha e segue miando. Será que gatos também ficam melancólicos com noites chuvosas?

Pego no colo e faço carinho. Tento escrever ao mesmo tempo e ele percebe. Desce rapidamente e segue miando, como a me dizer "ou eu ou o computador!". Não adianta, gatos jamais entenderão. Mas, se fossem apenas os gatos, ainda vá lá. Difícil é tentar entender que existam humanos que não entendem a necessidade de escrever. Ou de pintar, de compor, de falar...

As meninas dormem a sono solto! Agarradinhas. Atravessadas na cama de tal forma, que se quisesse deitar agora teria que cometer um crime: acordá-las.

Equilíbrio. uma chuva suave numa noite quente de verão e mãe e filha dormindo abraçadas (se esse gato não parar de miar, ainda vai acordar as meninas. Daqui a pouco quem vai perder o equilíbrio sou eu!).

- Vai dormir, gato de merda! Pronto, foi-se! Melhor olhar para o teto. Não, não é teto.

É telhado. Forro, sei lá. É todo de madeira (vigas e forro) e a viga central fica a quatro metros e meio do piso(sim, sim, já me dei ao trabalho de medir!). Essa é saudade que sinto, ficar olhando para o "teto" da cobertura. Convidadtivo! A vida anda tão na correria que sequer consigo apreciar minha própria casa. Ando por ela com o piloto automático ligado. Tanto trabalho e incomodação para fazê-la e hoje sequer paro para apreciá-la.

Nem as paredes do banheiro, feitas "a gosto" (todo o banheiro e o resto, diga-se de passagem) eu olho, pois sempre levo uma revista...

Falta equilíbrio.

Ufa! O gato parou de miar!

Maldita necessidade de estar atualizado. Estou quase a ponto de saber tudo sobre o mundo e quase nada sobre minha própria casa. Sabemos tudo sobre as fofocas dos artistas e sobre as novelas, mas quase nada sobre a nossa casa, a natureza.

E natureza é equilíbrio.

Não estamos atingindo a natureza. Estamos atingindo a nós mesmos. Andamos, todos, desequilibrados. Sabemos disso e, mesmo assim, não fazemos nada. Não é a natureza que sofre. Nós sofremos. Estamos desesperançosos e é mais fácil jogar a culpa em outras coisas, ou nos outros... E se falo "nós" não é por querer ser dono da verdade, mas pelo que tenho lido e conversado com as pessoas. O desencanto parece ser geral, por mais que queiramos parecer "otimistas".

É mais fácil jogar a culpa na sociedade, na comunidade, no grupo, n@ companheir@, do que olhar para o próprio umbigo e ver que ele é tão feio quanto qualquer umbigo o é. E por quê? Porque eu olho para uma chuva suave numa noite quente de verão e para mãe e filha dormindo abraçadas e me esqueço do quanto isso é tão simples, tão equilibrado.

Começa a chover forte com vento forte. São duas horas. Observo um fenômeno: a chuva mudou de direção. É a natureza avisando que a estação vai mudar. Vivaldi tão bem expressou isso na sua música! Falta é sono! E querem saber? Tem uma teclinha aqui chamada "Delete" piscando pra mim. Serão três a dormir atravessados na cama. Agarradinhos ouvindo a chuva!

Equilíbrio.

Pois é,

Ato I

"...e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom".

"Deus disse:'Que a terra produza seres vivos segundo sua espécie: animais domésticos, répteis e feras segundo sua espécie e assim se fez, e Deus viu que isso era bom."

"Deus disse: façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança. Deus os abençoou e lhes disse:'Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra.

"Deus disse: Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento. A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, Eu dou como alimento toda a verdura das plantas e assim se fez. Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia".(Genesis 1:12-31)

Ato II

"O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e fauna silvestres, bem assim como seu habitat, que se encontram atualmente em grave perigo, por uma combinação de fatores adversos". (Princípio 4 da Declaração de Estocolmo, Suécia 1972)

Ato III

"A humanidade se encontra em um momento de definição histórica. Defrontamos-nos com a perpetuação das disparidades existentes entre as nações e no interior delas, o agravamento da pobreza, da fome, das doenças e do analfabetismo, e com a deterioração contínua dos ecossistemas de que depende nosso bem-estar. Não obstante, caso se integrem as preocupações relativas a meio ambiente e desenvolvimento e a elas se dedique mais atenção, será possível satisfazer às necessidades básicas, elevar o nível da vida de todos, obter ecossistemas melhor protegidos e gerenciados e construir um futuro mais próspero e seguro. São metas que nação alguma pode atingir sozinha; juntos, porém, podemos -- em uma associação mundial em prol do desenvolvimento sustentável." (Agenda 21, Rio 92)

Ato IV

"Most of the observed increase in globally averaged temperatures since the mid-20th century is very likely due to the observed increase in anthropogenic greenhouse gas concentrations. This is an advance since the TAR’s conclusion that “most of the observed warming over the last 50 years is likely to have been due to the increase in greenhouse gas concentrations”. (Climate Change 2007 - The IPCC 4th Assessment Report. Paris, 2007)

Ato V

?????

Ato VI

"E disse Yahweh: Farei desaparecer da superfície do solo os homens que criei - e com os homens os animais, os répteis e as aves do céu - porque me arrependo de os ter feito".(Genesis 6:7)

O quinto ato poderá mudar, ou não, o destino da humanidade! Qual será ele? Consiguiremos mudar a vontade de Yaweh?

Publicado também no Faça a sua parte!

100 - 100 dias...

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Pois é,

Números são cabalísticos, dizem. Trazem significados que definem destinos, diriam os numerologistas. A vida parece se resumir em tirar ou colocar letras no nome até obter um número mágico que irá realizar nossa felicidade incondicionalmente.

Números, que eu me lembre, foram inventados pelos seres humanos como uma forma de representar a natureza. Mas números não são a natureza. Não podemos esquecer isso. E mais, existem diversos sistemas numéricos no mundo. E se o sistema binário tivesse vingado, ou mesmo os numerais romanos, como faríamos para obter a felicidade?Já imaginaram como seria no sistema octogonal, o mesmo no hexadecimal? O sistema decimal está em uso tão somente porque serviu ao propósito de comunicação entre os seres humanos. O mesmo se dá com os sistemas de medidas. Ainda hoje existem vários deles, apesar do sistema métrico internacional.

Mesmo no sistema métrico, tudo não passa de convenção. O metro, o segundo, o grama, não passam de convenções. Por sinal, o segundo vai passar por uma nova mudança, em breve. Essas convenções sim, condicionam a nossa vida. Compramos uma lata de tinta que possui 900ml. Por que não de "1 litro"? O mesmo se passa com a lata (ou pet) de óleo: só tem 900ml. Uma lata de atum tem 170g e uma de sardinha 130g. Por que não 200g? Por uma razão muito simples: importamos o maquinário para produzir embalagens dentro do padrão inglês. E ficou até hoje. Mera convenção.

E "100" parece ser um deles, diriam os nossos governantes. Eu, como acho que qualquer número é um número, tão igual a qualquer outro (vai ver é por isso que não ganho na mega), também acho que "100" é uma grandeza como qualquer outra. Poderiam perguntar ao presidente o que ele fez depois de passados 59,4 dias. Mas não, esperam que se passem 100 dias para então saber o que foi ou não foi realizado.

Mas como eu ainda vivo nesse mundo de números importantes, vou ter que dizer: faltam 100 dias...

Pois é,

- Ecochato?
- Sim, Chato?
- Eu se fosse tu não lia esse post...
- Por quê?
- Porque ele é um post cheio de metano!
- Como assim, "cheio de metano"?
- É que eu aproveitei o carnaval para fazer algumas comidinhas com ingredientes que poluem o meio ambiente.
- E não teve sequer uma saladinha? Uma folhinha de alface que seja?
- Não, nada. Só derivados da vaca. E como bem sabes, já que és um ecochato, as vacas produzem muito metano.
- Pô Chato, quando é que vais aproveitar aquele baita terraço e plantar umas verdurinhas?
- Tô pensando, tô pensando. Enquanto isso, deixa eu te dizer uma coisa.
- O quê?
- Embora os entendidos digam que a verdade é uma coisa que não existe, vou te dizer três verdades a respeito do churrasco.
- Churrasco, Chato! Não vai me dizer que fizeste outro churrasco...
- Não só um churrasco. Um churrasco, um carreteiro e uma lazanha! Farta comilança no carnaval.
- Eca! Tens razão. Tudo isso só leva carne e derivados da vaca. E ainda por cima arroz, que também ajuda no aquecimento global. Como dizemos por aqui, Chato, "toma tento, guri"! Tá na hora de botar uns verdinhos nesse corpo. Mais tarde vais sentir falta...E quais são as verdades sobre o churrasco?
- A primeira delas é que, embora cariocas e paulistas pensem que sabem fazer churrasco, só gaúcho mesmo é que sabe fazer.
- Tá comprando briga, Chato. Depois ninguém aparece por aqui e vais ficar triste.
- A verdade dói, meu caro!
- Dor eu já estou sentindo no estômago, só de imaginar tanta carne em tão pouco tempo... E a segunda?
- A segunda é o seguinte: mulher não sabe fazer churrasco!
- Perdeste metade do teu eleitorado com essa!
- A verdade dói, meu caro. Em cinqüenta anos nunca vi uma mulher fazendo churrasco. Ora, é uma questão de lógica. Veja: se em 50 anos nunca vi uma mulher fazendo churrasco, segue que elas não fazem por que não sabem. Caso contrário, eu já teria visto alguma fazer, não concordas?
- Sei não. Dá uma vasculhada aí pela net. Vai que encontras alguma que faça! E a terceira grande verdade?
- Bom, excluídas as mulheres e as crianças, só nos resta algo como uns três milhões de homens adultos no Rio Grande do Sul. Desses, metade só sabe dar palpite no churrasco dos outros. E não tem coisa pior do que fazer um churrasco com peru do lado.
- Pelo que eu tô vendo, Chato, não vai sobrar muita gente...
- É mesmo. Mas o mais importante, é que todos esses um milhão e meio de churrasqueiros pensam que sabem fazer um churrasco. E sabes como a gente sabe que fez um bom churrasco?
- Diz logo, pô!
- Existem milhares de formas diferentes de fazer um churrasco, uma para cada um desses um milhão e meio. Pesquisa que vais ver. Cada um faz o melhor churrasco. Há a turma que defende o sal antes; a turma que defende o sal depois. Tem a turma que usa salmoura e até a turma do sal um pouco antes de servir. Tem de tudo por aí. Tem, ainda, os "especialistas" em cortes. Te dão mil e uma aulas sobre como escolher a "melhor" carne para o churrasco. A verdade é que só existe um "melhor churrasco" e esse é sempre o segundo churrasco!
- Não tô entedeeeennnndo!
- Olha aqui, Ecochato de merda! Se vais falar com sotaque por aqui, o post está encerrado!
- Nem uma chiadinha, Chato?
- Pior ainda!
- Bueno, que seja! Mas continuo sem entender!
- Além de Ecochato, é ignorante o bagual!
- Sem ofensa!
- E quer saber? Enchi o saco! Cansei! Quem sabe amanhã eu termino.
- Puta sacanagem! Vais me deixar curioso?
- Vou!

Pois é,

Nesses tempos em que a putaria, nem tão franciscana assim, rola pelo país - e por que não dizer, pelo mundo - este Chato, que vos tem feito preleções quase diárias, deparou-se com uma expressão utilizada pelo sempre sábio Don Cláudio (certo, certo, parece que ele não gosta muito do atributo. Sei lá, vai ver ele é um republicano ferrenho, e essas coisas monárquicas e/ou eclesiásticas lhe causem ojeriza. Vá entender...).

Seguindo, o Dr. Cláudio (não, não! Não fica bem identificar a pessoa pela profissão. Parece que só o levamos em conta pelo saber científico que possui, ignorando o ser humano que ali habita).

Vamos novamente. Pois como dizia, o Cláudio (Cláudio? Qual Cláudio, cara pálida! Devem existir milhares deles no mundo. Muda isso aí!)

Tá bem! O Dico (assim está melhor, dá até a impressão de que o conheço de infância...) deixou um comentário referindo-se à "ataraxia". Não se preocupem, a ignorância é minha. E fui ao amansa-afonso ver o que significa. Afinal, vindo de um psiquiatra só podia ser uma doença. Pensei que ele tivesse deixado alguma indireta pra mim. Quem sabe ele não resolveu dar consulta pela internet e está me oferecendo a oportunidade de ser seu primeiro blogocliente? Putz, quanta honra! Mas, por outro lado, ele bem poderia estar me usando como cobaia para uma tese de doutorado, onde ele estaria pesquisando o impacto causado nos blogueiros pelo uso de expressões incomuns. Bom, seja qual for a hipótese, o certo é que o amansa-afonso resolveu meu problema. Afinal, é pra isso que ele serve! (e acabou me causando outro!)

Ataraxia, segundo o amansa-afonso, é:

1 Rubrica: filosofia. para os pensadores cépticos, epicuristas e estóicos, completa ausência de perturbações ou inquietações da mente, concretizando o ideal tão caro à filosofia helênica da tranqüila e serena felicidade obtida através do domínio ou da extinção de paixões, desejos e inclinações sensórias 2 Derivação: por extensão de sentido. qualquer sensação, fugaz ou permanente, de serenidade, tranqüilidade, calma 3 Derivação: por extensão de sentido. comportamento apático diante de estímulos internos; indiferença 4 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: medicina. estado obtido por meio de tranqüilizantes

Ora, ora, quem diria! O Dico estava apenas a me fazer uma proposta filosófica: abandonar, em pleno carnaval, minhas "paixões, desejos e inclinações sensórias". Quanta consideração! Só por que eu coloquei aqui um texto budista, ele deve estar achando que eu ando à cata do Nirvana.

Sabe o que a Kaya disse? Nirvana o caralho, bagual! Vai atrás dela que eu boto outro chiru no teu lugar! Pega essa tua atara... sei lá o quê e ó...

Esse é o problema das mulheres: raras são as filósofas no mundo (já notaram que só tem filósofo homem famoso? Por que será?). Eu querendo mostrar cultura e ela querendo aproveitar o carnaval pra botar o atraso em dia. Vê se eu posso...

Ô Dico?! Inventa outra! Ricardão aqui em casa...nem morto!

Pra resolver o problema, tive que inventar uma historinha. Disse pra ela que Nirvana era o apelido carinhoso que eu dava pra... pra... Ah! vocês sabem!...

Pois é,

Hoje só tem post da Condessa!

Atualização:

Isso aqui tá começando a valer:

Alguém quer comprar? Aproveitem que está acessível. Depois só o G@@gle poderá!

x.x.x.x.x.x.x.

Há um excelente site (brasileiro) com centenas de filmes, textos, livros (inteiros para baixar) e muitas outras coisas. Tem, inclusive, para quem ainda não viu, o documentário do Al Gore An Inconvenient Truth (legendas em português). Tem também Universos Parelelos (legendas em português), O Ponto de Mutação, o já cult Ilha das Flores e muito mais... Mais? Ora, vão lá e divirtam-se vasculhando tudo o que há.

Vale a pena a visita e merece ser colocado nos favoritos. O site chama-se "Pausa para a Filosofia".

x.x.x.x.x.x.x.x

"Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo é uma armadilha para pegar bobos."

Esse é um trecho de um texto (O Império do Consumo) do Eduardo Galeano que vale a pena ler todo. Leiam aqui.

Pois é,

Esse texto foi divulgado num grupo de discussão sobre educação ambiental que participo.

De antemão, gostaria de dizer que não pude (ainda) verificar as informações nele contidas e sequer a "índole" da autora (está ao final).

De qualquer forma, apresenta fatos bastante verossímeis. Tomei a liberdade de selecionar alguns trechos e os coloquei em negrito. Não pretendo, com a reprodução do texto, ter uma atitude ecoxiita, do tipo "abaixo as grandes corporações", mas de colocar questões para "pensar".

No jogo "economia vs meio ambiente" devemos considerar todas as possibilidades, principalmente porque um dos times, mal comparando, é a seleção brasileira... Quase invencível! Segue o texto:


"A gente não quer que um filme de duas horas substitua um rigoroso currículo de ciência. Mas estudantes deveriam esperar, e pais deveriam exigir, que educadores apresentem uma visão honesta e imparcial sobre os verdadeiros desafios de hoje", protestou a produtora do filme e fundadora da StopGlobalWarming.org, Laurie David, num artigo para o "Washington Post", no fim de novembro, depois de oferecer 50 mil DVDs gratuitos do documentário para a Associação Nacional de Professores de Ciências (NSTA, na sigla em inglês) e receber um "obrigado, mas não, obrigado".

Como justificativa para a rejeição da oferta, o diretor executivo da NSTA, Gerald Wheeler, explicou que a associação tem uma política interna que não permite a romoção de qualquer produto ou mensagem de outra organização. Mas Wheeler também não escondeu que promover o filme de Al Gore poderia prejudicar o relacionamento da NSTA com empresas da indústria de petróleo: "É com o dinheiro dos nossos patrocinadores que conseguimos melhorar a educação sobre ciências neste país".

Entre os patrocinadores da NSTA, estão a Exxon Mobil Corporation – acusada de tentar maquiar nos últimos anos os efeitos do aquecimento global - e a Shell. Depois da ejeição, Laurie David foi atrás de detalhes sobre as parcerias da NSTA com estas e outras companhias. A produtora logo descobriu que a NSTA chegou a premiar a Exxon por seu comprometimento com a educação de crianças americanas e recebeu US$ 6 milhões da empresa nos últimos dez anos. E a associação não está sozinha nessa: ao todo, a Exxon deu US$ 42 milhões para organizações- chaves que determinam o que as crianças e os adolescentes do país aprendem sobre ciências, desde o jardim de infância até o ensino
médio.

Ao vasculhar o material escolar usado nos Estados Unidos, Laurie encontrou livros, apostilas, vídeos e pôsteres financiados por grandes empresas. Weyerhaeuser e nternational Paper ensinam sobre florestas, Monsanto dá uma aula de engenharia genética e o Instituto de Petróleo Americano (API) financiou um vídeo sobre o uso do
petróleo no dia-a-dia, "You Can't Be Cool Without Fuel" (Sem combustível, você não está com nada), que foi distribuído gratuitamente pela NSTA. Para a surpresa da rodutora, todo este material ignora a questão do aquecimento global.

"Já é ruim o suficiente quando uma companhia tenta vender um lixo de ciência para uma penca de adultos. Mas, como uma companhia de tabaco que usou desenho animado para promover cigarros (fumar charutos era sinal de status e até virou arma de sedução em 'Tom & Jerry'), Exxon Mobil está indo atrás de nossas crianças também", escreveu aurie no "Washington Post", lembrando também que a API deixou claro em 1998, num emorando que vazou para a imprensa, porque considera importante entrar nas salas de aula: "Informar professores e estudantes sobre incertezas nas ciências climáticas irá evitar novos esforços para impor medidas como as de Kyoto no futuro".

Além de apresentar sua versão no "Washington Post", Laurie conseguiu atrair a atenção de outros grandes jornais, revistas e sites para a polêmica. Depois do burburinho, a NSTA tentou se redimir, dizendo que já havia citado o documentário num material sobre aquecimento global enviado aos seus professores-membros e sugeriu que Laurie comprasse a mailing list da associação, que tem 57 mil pessoas. Cada mil nomes custam US$ 130, mas Laurie nem considerou a oferta, teve uma idéia melhor: oferecer milhares de DVDs diretamente aos professores americanos através do site da produtora do filme,
Participant Productions, que também disponibilizou três tipos de roteiros de aulas para serem seguidos após a apresentação. Outros mil foram distribuídos entre alunos de faculdades do país que participaram do movimento Truth on Campus, no início deste
fevereiro. Mas novos obstáculos não demoraram para aparecer.

Alguns dos professores que exibiram o DVD na sala de aula foram bombardeados por reclamações de pais de alunos e diretores de escolas. Para os republicanos, o fato de o filme ter o vice- presidente de Bill Clinton à frente o torna político - e emocrata - demais. Um pai de aluno reclamou que o documentário tem muito Al Gore e nenhum cientista.Para os céticos, há exageros: "Estamos vivendo uma histeria sobre aquecimento global que pode assustar nossas crianças". Para os evangélicos, é pouco religioso: "O aquecimento global é apenas um sinal de Deus. A Bíblia diz que no fim dos tempos a Terra vai pegar fogo, e essa perspectiva deveria estar no filme", disse outro pai também ao Washington Post, mostrando que a religião voltou a medir forças com a ciência, como na questão da evolução humana, discutida intensamente nos últimos
anos.

O caso mais notório aconteceu no distrito de Federal Way (Washington), que fica perto de Seattle, em janeiro. O conselho das escolas públicas locais concordou por nanimidade com os pais reclamões e proibiu que o documentário seja apresentado em salas de aula, "a menos que uma versão oposta, aprovada pelo superintendente, seja apresentada também". "Não existe versão oposta para fatos científicos", disse Laurie David para os jornais locais.

Mas a equipe de "An Inconvenient Truth" não desistiu. Ao lado da escritora e ativista Cambria Gordon, Laurie vai lançar ainda este ano uma versão infantil do livro "Uma Verdade Inconveniente: o que Devemos Saber (e Fazer) Sobre o Aquecimento Global", base do documentário e a venda no Brasil. Direcionado para crianças de 8 anos ou mais, "The Down-to-Earth Guide to Global Warming" será publicado com papel reciclado e tinta de soja. Laurie também está divulgando um passo a passo anti-aquecimento global para estudantes no site da StopGlobalWarming.com.

No melhor estilo boca a boca, Al Gore tem feito uma campanha através de e-mails e de seu site em que incentiva os americanos a fazerem festas em suas casas para mostrar o documentário aos vizinhos e discutir maneiras individuais de combater o aquecimento global. "Dê uma festa ou não deixe de ir à festa do seu vizinho", pediu ele, que também tem promovido workshops de três dias para recrutar voluntários pelo país e pelo mundo. O Climate Project treina milhares de pessoas de diversas faixas etárias e profissões – até a atriz Cameron Diaz participou - para levar a mensagem do filme e
tentar mudar o estilo de vida de suas comunidades. Os chamados "climate change messengers" precisam fazer pelo menos dez palestras por ano. No mês passado, foram recrutados voluntários em Nashville, Tennessee, e Sydney, na Austrália.

Apesar da força do time do contra, a luz verde no fim do túnel já começa a aparecer: Al Gore conseguiu que todas as escolas do ensino médio na Suécia e na Noruega ecebessem cópias do DVD e manuais de ensino para discutir o aquecimento global em sala de aula. O mesmo acontecerá em breve com as britânicas e escocesas. "Decidimos
distribuir o filme com um pacote informativo (para 3.385 escolas) porque acreditamos que todo mundo tem um papel importante na luta contra o aquecimento global e nossos jovens têm que entender isso", disse o ministro do meio ambiente do Reino Unido, David Miliband, ao anunciar a novidade, no início de fevereiro.

Até algumas igrejas já aderiram à campanha do ex-vice-presidente. Como as da rganização Green Faith, de Nova Jérsei, que estão promovendo o uso de bicicleta entre seus fiéis para irem à missa, oferecendo sessões gratuitas do filme de Al Gore e nstalando painéis de energia solar. No site, o grupo avisa: "Os porta-vozes da GreenFaith estão disponíveis para ensinar os valores espirituais comuns a muitas tradições da fé e o maior deles é o nosso comprometimento com a proteção do meio ambiente". Amém.(OECO)

Adriana Maximiliano, jornalista brasileira freelancer em Washington, EUA.

Publicado, também, no Faça a sua parte!

Pois é,

Hoje só tem post da Condessa!

Pois é,

Que me perdoem @s querid@s sete leitor@s deste blog, mas hoje escrevo sobre forma. Já declarei aqui, numa seqüências de posts que ainda pretendo terminar, que não acredito na existência desse ser, chamado, genericamente, de deus. Mas, se me fosse dado demonstrar, mesmo que num exercício meramente intelectual, a sua existência, só teria um único argumento, uma única prova: a forma feminina.

A natureza é pródiga em beleza. Quanto mais vejo, seja pessoalmente, seja em fotos ou documentários (sou fã dos canais de TV paga especializados no assunto - Ok, sem propagandas!) mais me impressiono, mais fico perplexo com tudo o que existe. Já era assim nos meus bons tempos, quando me punha a observar o universo.

Sempre pensei - e trago isso comigo até hoje - que a única capacidade que não podermos perder é a de ficarmos perplexos diante da natureza. E por natureza me refiro ao universo, macro, médio e micro. Enquanto escrevo aqui, milhares de animais, plantas, seres humanos, estão a se mexer seguindo um rítmo ditado, ao menos quanto aos outros animais e às plantas - pura e simplesmente pela existência. E a terra. E pour se mouve também...

Muito se atribui a Descartes o início da Idade Moderna, por ter condensado todo o conhecimento da humanidade, até então, e jogado tudo para cima do cogito, ergo sum. A razão finalmente recuperada! Somos o que somos graças - dizem - a ele (numa breve simplificação, é claro).

Não creio nisso, confesso. Tenho que o culpado foi outro: um tal de Euclides. São dele os postulados matemáticos que nos governam até hoje. Dentre eles, o que desgraçou o mundo:"a menor distância entre dois pontos é a reta" (certo, certo, hoje já se sabe que não é bem assim, mas a vida continua como se fosse...).

Tenho para mim que Euclides era virgem e celibatário. Nunca viu uma mulher vestida com a roupa que a natureza lhe deu: a pele. Tivesse visto e não pensaria uma besteira dessas. Por quê? Porque as curvas são as formas mais belas da natureza. E dentre elas, as curvas femininas.

Gostos à parte, e eu cá tenho o meu, o fato é que não há nada mais lindo do que um corpo de mulher. Nada mais representativo da perfeição a que a natureza atingiu. Não é por menos que a publicidade se utiliza disso. Não se trata de mero apelo sexual. Trata-se de ser a forma mais bem elaborada e, portanto, a que mais prazer proporciona. Sem dúvida que existe o apelo exacerbado da forma (conseqüentemente sexual), o que é ruim. Mas isso é uma deturpação consumista a qual não podemos nos deixar influenciar na hora - ou nas horas - em que estamos a olhar um belo corpo de mulher que passa diante dos nossos olhos.

abre parênteses: (muitas mulheres, erroneamente, interpretam o olhar dos homens como um "olhar sexual" quando, na verdade, trata-se apenas de admiração, de perpexidade diante do belo) fecha parênteses.

E dessa confusão entre sexualidade e sensualidade, tão propalada pela mídia e pela indústria da moda e congêneres, que insistem em confundir os dois conceitos - e que é resultante do pensamento moderno de que o menor caminho entre dois pontos é uma reta - que nascem todos os problemas entre homens e mulheres.

As mulheres, em busca de um padrão de forma alienígena (no sentido de não ser o "seu" padrão), acabam por esquecer que a sensualidade não tem nada a ver com a forma, mas com a "postura".

Aqui voltamos ao velho "ser é melhor que ter". Ser sensual é muito mais importante do que ter sexualidade.

Sexualidade tem a ver com mostrar, com fazer, com "ato"; sensualidade tem a ver com esconder, com mistério, com "potência". As preliminares são sensuais (ou deveriam ser), gozar é sexual. As preliminares são imortais, posto que acendem as chamas; o gozar é infinito apenas enquanto dura (parodiando o poetinha).

Esse é o mistério da forma. O fazer-se ver sem se mostrar. Muitas mulheres não sofreriam com suas "formas" se soubessem que a forma pode ser "potência" e não "ato". Se soubessem que a curva é a menor distância entre dois pontos.

Por fim, a grande diferença: as mulheres podem ser sensuais a cada instante do dia; mas são sexuais apenas naquela hora. É uma pena que isso esteja invertido. Há mulheres (não posso quantificar, pois não estive com todas as mulheres, sequer com todas as que quis) que pensam ser sensuais quando vão para a cama e depois reclamam que se sentem meros "objetos sexuais". Óbvio, nas outras 23 horas e 45 minutos o que fizeram?

Foto: Reflects. de Lany Costa, do site "Olhares.com" (http://www.olhares.com/)

111 - Inauguração

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Pois é,


Novo blog no ar: As Aventuras da Condessa Clarissa.

Cada um arranja uma maneira de deixar gravada a história. E essa maneira reflete a tecnologia da época. Não é por menos que os historiadores estudam as ferramentas e sua evolução, pois através delas é possível conhecer como a humanidade evoluiu.

Ao tempo da Fernanda, minha primeira filha, não tínhamos internet, e a história dela está registrada apenas em fotografias e nos trabalhinhos feitos no tempo do jardim.

A Condessa nasceu no século XXI. No século da internet. Nada mais justo que a história dela seja registrada na internet.

A inspiração para este blog veio da fotografia (ai em cima) que tirei dela, brincando com o meu computador. Como mudam os tempos. Quando era criança jamais imaginei chegar perto de qualquer coisa que fosse dos meus pais. Até por que, eles não deixavam. "Isso não é coisa de criança", diziam.

Havia uma separação muito grande entre pais e filhos. Hoje, já nascem teclando (ou quase).

Esse blog é para registrar as pequenas grandes aventuras da Condessa, na sua lide com a vida. Não é um blog para adultos, mas para adultos que ainda sentem prazer em ver a vida desenvolver-se; para adultos, como eu, que não esqueceram a infância.

Copiei todos os posts que escrevi aqui no Chato e que envolviam a Condessa. Alguns pretendo terminar, como a série que deu título ao blog.

Mas de tudo, ficará o registro de histórias que ela certamente não lembra. É mais uma contribuição que, como pai, posso fazer para que ela entenda a sua própria vida. Não tive isso. Só me restam algumas fotografias dessa época. Mas fotografias não contam históirias. Fotografias não dizem das emoções e conquistas. Fotografias param a vida; um blog pode contar a vida. É diferente.

E uma vida que nasceu original. Pois ao que eu saiba, somente ela tem padrinhos virtuais. Duas pessoas maravilhosas: o Edu e a Yvonne. E quando ela aprender a ler, descobrirá que o mundo no qual ela nasceu é muito maior do que a pequenina compreensão dela pode imaginar. Por esse blog ela aprenderá o quanto vocês são importantes. E um dia, quem sabe, poderá conhecer vocês "ao vivo e a cores".

Não sou o único, a Fernanda (xará da minha) que o diga. Ela tem um blog para os filhos. Certamente existem outros que não conheço. Aos poucos vamos fazendo amizades pelos nossos filhos. Afinal, deles será o mundo.

Uma última referência para a "mana" virtual da Condessa, a Princesinha, neta da querida amiga virtual Denise. Clarissa e Clarisse nasceram quase ao mesmo tempo. Eu pai, ela avó. Ambos movidos pelas mesmas paixões: o futuro!

Sou bobo? Sim, sou! E serei sempre quando se tratar de contar as Aventuras da Condessa Clarissa por esse mundinho.

Convido-os, para quando estiverem necessitando "sair" do mundo adulto, que visitem o blog (e os outros que eu for nominando por lá), para uma leitura da vida em crescimento. Para a leitura de um tempo que a vida nos faz esquecer.

Pois é,

"Sou dono de uma garagem por onde passam, diariamente, algo em torno de 200 automóveis. A maioria deles permanece o tempo suficiente, alguns o dia todo, para que eu possa tirar, de cada um, apenas um litro de gasolina. Se fizer isso apenas uma vez por mês, não preciso me preocupar em abastecer meu próprio carro."

Uma segunda situação: cidadão, proprietário de pequena gleba de terras às margens de um grande rio, resolve construir ali uma casa para “veraneio”. Começar por desmatar as margens do rio (matas ciliares). Nesse meio tempo, é descoberto e chamado pelas autoridades a assumir um compromisso de não prosseguir com o desmatamento e com a construção da casa, sob pena de ser acionado na Justiça. O cidadão assina o termo, volta para suas terras e...? Constrói a casa.

Descoberto novamente e questionado pelas autoridades da razão pela qual desrespeitou o compromisso assumido, responde: - ah! Nunca aconteceu nada, porque justo agora iria acontecer?


O primeiro caso, apesar de fictício, é muito provável. O segundo caso é verídico. O que impediria esses sujeitos de fazer isso? Ou, dito de outra forma, o que os faz se comportarem dessa maneira? O que há de comum nessas pessoas?

A resposta para a primeira é a crença em alguns valores estabelecidos pela humanidade como fundamentais para a convivência harmoniosa entre os seres humanos. A resposta para a segunda e terceira perguntas, diferentemente do que se poderia pensar, não é a falta desses valores, mas a existência de um outro: a impunidade.

Pode parecer estranho, pois, em si, impunidade não é um valor; ou não era, até bem pouco tempo. Mas tornou-se um valor e um valor amplamente transmitido justamente por aqueles que deveriam “zelar” para que isso não acontecesse.

O que tudo isso tem a ver com o meio ambiente? Tudo! A certeza da impunidade tornou-se um valor corrente entre aqueles que degradam a natureza. E poucas são as ações dos órgãos governamentais para mudar esse quadro. E o que deve ser feito para mudar essa situação?

Duas ações: investimento em fiscalização e educação ambiental. É sabido que os órgãos encarregados da fiscalização do cumprimento da legislação ambiental são “pobres”, isto é, não possuem a infra-estrutura necessária (pessoal, material e equipamentos) para realizar suas atividades que, no mais das vezes, cobrem extensas áreas. O governo brasileiro, união e estados, investe muito pouco nessa área. Mas a fiscalização atinge apenas o que está feito ou, no máximo, evita algum problema maior.

E fiscalização, por mais eficiente que seja, poderá mudar apenas o comportamento das pessoas, por medo da punição. Mais, certamente cessada a causa, cessará o efeito. Assim que o proprietário da terra perceber que a fiscalização deixou de atuar, ele voltará a cometer ações degradadoras. Por quê?

Porque o que realmente importa mudar são as crenças e os valores dessas pessoas e não o comportamento. Mude-se as crenças e os valores de alguém e esse alguém mudará o comportamento. Bem sei que o senso comum considera essas palavras como sinônimas. è importante, no entanto, diferenciá-las para que se possa atingir o cerne da questão que são as crenças e os valores, que fazem parte da atitude e não do comportamento das pessoas.

E crenças e valores só se muda com educação. Aqui nos deparamos com dois problemas: como pessoas que não possuem determinadas crenças (por exemplo, a crença de que faz parte da natureza) ou valores (por exemplo, o valor de que preservar a natureza é algo bom para todos) podem transmitir essas crenças e valores, levando-se em conta que cabe à família, primordialmente, a educação das crianças?

Por outro lado, o que esperar de um sistema educacional falido? Tomados os resultados do último Enem (notícia), recentemente divulgados, podemos inferir que, se os alunos não sabem muita coisa, é porque os professores ou não sabem também, ou não sabem ensinar. Como fazer, então, se sequer os conteúdos tradicionais são ensinados ou aprendidos de forma satisfatória, para transmitir crenças e valores capazes de formar uma geração de novos seres humanos, de seres humanos "ecoconscientes"?

Por fim, segundo estudo publicado no final de 2006, pelo Instituto Mundial de Pesquisa de Desenvolvimento Econômico, da Universidade da ONU (Wider-unu, na sigla em inglês), 2% das pessoas possuem a metade da riqueza do mundo. Uma das caracteristicas apontadas no estudo, é que nos países em desenvolvimento (incluindo o Brasil) esses ricos são majoritariamente proprietários de terras que utilizam para agricultura e pecuária, isto é, atiividades sabidamente contribuidoras para o aquecimento global.

Como fazer para mudar as crenças e os valores dessa gente que, repito, tem a metade da riqueza do mundo? Senão mudarmos, de um jeito ou de outro, o crime continuará a ser perfeito.

Publicado também no Faça a sua parte.

Imagem: Beija-flor (Silfo-da-cauda-longa). Foto de Luis A. Mazariegos para a National Geographic.

Pois é,

A Lucia Malla deu início a este meme, que também está no "Faça a sua parte". Abrindo uma exceção, vamos lá.

A idéia é a seguinte:

“Poste as 3 atitudes ecoconscientes que você praticou/pratica/pretende praticar na sua vida (ou na sua casa, no seu trabalho, no boteco, etc.) para melhorar a situação ambiental do planeta Terra.”

Cada um escolhe o tempo verbal e o local que quer usar no seu meme, e se possível, discute um pouquinho sobre cada uma das suas 3 atitudes. Se a pessoa tiver mais atitudes para postar, não tem problema, ponha quantas quiser. 3 é um número aleatório que eu escolhi, mas não obrigatório. O mais importante é tentar pôr a mão na ecoconsciência e tirar 3 atitudes que você acha interessantes serem repassadas para outras pessoas ao redor, que outros leiam e, quem sabe, se inspirem.

Entonces...

1. Para mim uma das mais importantes atitudes: deixar para a Condessa uma lição de respeito pela natureza. A educação ambiental deve começar em casa. Somente assim poderemos ter uma gereação verdadeiramente ecocosnciente. E é pelo exemplo que faço isso. Já nessa idade me ajuda a regar as plantas, trata-as com carinho. Aos pouco, na medida em que sua compreensão vá se ampliando, ensiná-la de que é parte da natureza. Domingo que vem vou levá-la ao zoológico, para que conheça os animais e aprenda a gostar de deles e a respeitá-los.

2. Tenhos duas idéias que ainda pretendo fazer aqui em casa. Como moro numa cobertura, posso coletar a agua da chuva para utilizá-la na limpeza e em coisas que não exijam água tratada. A outra é estudar melhor o aquecimento solar. A orientação solar do ap faz com que tenha sol quase todo o dia (quando tem sol, é claro, hehehe). Tenho vagas notícias sobre o assunto e esse pouco que sei ainda não me entusiasmou. Parece ser caro e não dispensar o uso de energia elétrica.

3. Já trabalho com as questões de meio ambiente. Pretendo ampliar mais ainda, desenvolvendo projetos na área de educação ambiental. Já disse por aqui, que esse é o tema mais importante e a solução para o mundo: só seremos conscientes pela educação.

E, no más, repasso para o Edu, a Yvonne, a Sandra e para o Don Cláudio e, claro, para todos os que aqui passarem.

Pois é,

"Mas o que é bom se termina,
cumpriu-se o velho ditado."1

Acabaram as minhas férias e nem pude fazer o que gostaria de ter feito.Saco!

Do discurso à prática, no mais das vezes nessa sociedade de humanos hipócritas, vai uma grande diferença. Não que me exima de algumas, mas quanto à questão do meio ambiente sou bastante coerente. Tenho mais de 30 espécies, entre plantas e árvores, na minha casa. Sequer sei o nome de todas elas.


Na foto, à esquerda, três espécies de ficus (nos vasos, uma plantinha muito usada em canteiros de prédios. Tive que colocar, pois o gatos estavam fazendo os vasos de banheiro). Ao lado, uma trepadeira, que eu insisto em não conseguir decorar o nome, que dá umas flores amarelas, muito lindas; depois, outra que não sei o nome, mas também dá umas flores meio roxas, muito linda. Comprei numa das minhas idas a Passo Fundo; mais ao lado, no canto, um jasmineiro e, depois, um camélia ("foi a camélia que caiu do galho"... e caem mesmo, hehehe); por cima de um banco, diversas plantas de flores e, acima, duas samambaias.

No outro canto, uma orquídea silvestre, duas roseiras (apesar de não aparecerem, há doze rosas), uma cheflera, duas espécies de gibóia, uma muda (à esquerda, e não sei o nome...) que peguei em Santo Ângelo que dá umas flores vermelhas muito lindas e algumas outras plantinhas.


Por fim, uma comigo-ninguém-pode, uma palmeira e várias outras plantinhas. Dentro de casa tem mais...

E como quem sai aos seus não degenera, a mais bonita flor da casa, escrevendo no seu blog...


1Versos do poema "Bochincho", do poeta gaúcho Jayme Caetano Braun.

Pois é,

Para saber mais sobre esse nosso mundinho e pra quem ainda acredita que esse modelo de desenvolvimento é bom. Multinacionais e corrupção, precisa mais? E a China já anda aparecendo por lá... Reportagem da última National Geographic sobre a Nigéria e os resultados da exploração do petróleo no delta do Rio Níger. A leitura é um pouco extensa (12 páginas), mas tá bom para um final de semana:

A Maldição do Ouro Negro

[16:40 - falta do que fazer?]Eu deveria... Não, deveria, não. Deveria é um tanto quanto descompromissado. É um tempo verbal de quem gosta de jogar a culpa nos outros. EU DEVIA!. Melhor assim!.

retomando, eu devia ter ficado quieito nesse sábado ensolarado na capital da República Rio-grandense. Tomar meu banhinho de sol, brincar com a Condessa na piscina, sei lá, até dar uma bimbada na nega véia (de quando em vez é bão, né?).

Mas daí, vai que ambas estão sonecando e eu aqui coçando o velho sozinho... resolvi viajar. Antes fosse adepto das vias alternativas... mas não! Viajei nas ondas da internet(só para constar, deveríamos mudar o nome da internet para gremionet).

E o que vejo? Putz, vai e lê por tua própria conta, bagual!

E depois querem que eu deixe de ser Chato e vire cristo!...

{18:30 - deve ser mesmo falta do que fazer!] Nada contra, msa quanto não deve custar manter uma página na internet pro cãozinho do "querido"?

120 - Leituras

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Pois é,

Ação Ecológica e Pacifista

"A afirmação básica do pensamento ecológico é justamente a unidade intrínseca de todas as coisas, mas isto não é uma exclusividade, visto que para várias antigas e novas tradições, o universo é como um vasto organismo, no qual o mundo natural, e nele o homem, é apenas uma parte. Este posicionamento, em um período da antigüidade no qual o taoísmo se tornou filosofia do estado na China, chegou aos aspectos jurídicos onde os crimes e disputas passaram a ser encarados como distúrbios no relacionamento do homem com a natureza – ou em seu sentido maior, com a unidade. No código jurídico da dinastia Tang, por exemplo, estava especificado o real perigo em substituir esta forma de análise por formas simplistas voltadas à punições. A prática jurídica deixa de ser a apuração da responsabilidade do infrator, para focar a natureza sutil da infração e sua origem. Todas as visões simplistas determinam análises incompletas, e estas análises incompletas que terminam sempre na delimitação de um inimigo a ser combatido.

Para os movimentos realmente pacifistas, não há inimigos a serem derrotados. Na visão de Gandhi, o importante não era combater os ingleses, mas juntos, indianos e ingleses deveriam libertar-se do fuzil que dominava a ambos: aos indianos que ficavam à frente, e aos ingleses que ficavam atrás. As visões corretas levam a objetivos corretos e à prática correta, resultando em ganhos reais. O ponto central da luta pacifista é descobrir o ponto sensível por onde o agente de desarmonia pode transformar-se em um agente de harmonia, sem nunca vê-lo como um inimigo ou adversário. A lógica da dor e da desarmonia é que é adversária de ambos.

Todos os seres desejam a felicidade e buscam se afastar do sofrimento. Assim podemos compreender uns e outros. Quando ações muito equivocadas e danosas são feitas, isto é sempre o resultado da perda de visão da unidade. Quando o foco mental se perde, a surge a fragilidade a todo o tipo de flutuação e equívoco, e as pessoas ficam suscetíveis à manipulação. As tensões sociais e culturais são canais pelo qual são manipuladas sutilmente, tornando-se cúmplices de processos de agressão que colocam em risco tanto sua saúde quanto o planeta. É como se estivessem sob o efeito de um encanto que dá sentido a tudo e as conduz à práticas que as afastam até mesmo de seus princípios.

Assim, a população que sente os efeitos da degradação ambiental, social e de sua saúde, é a mesma que, com seus gestos, sem perceber, dá respaldo e sustentação à raiz das dificuldades. Este círculo de força afeta até mesmo os grupos que trabalham pelas transformações, e não pode ser vencido por oposição, mas apenas pela compreensão e abandono de sua lógica e automatismos. Para quebrar este encanto, é necessário o esforço de eliminação das artificialidades e automatismos mentais, e isto milenariamente é conhecido como meditação: tranqüilização, prática espiritual, reencontro com a serena natureza da unidade. Quando o príncipe Sidarta, por esta prática, tornou-se o Buda, disse: "Libertei-me daqueles que foram meus senhores por incontáveis vidas, as disposições mentais e seus agregados. Os seres se debatem como peixes em água rasa. O sofrimento existe, mas por depender de causas, pode ser eliminado e há um caminho para isso: o reconhecimento da natureza de unidade, espacialidade e luminosidade."

No sentido budista, o caminho é a superação completa dos obstáculos à experiência de unidade, e estes são os automatismos mentais que conduzem às ações equivocadas que produzem por sua vez, as condições de sofrimento. Como os automatismos e impulsos surgem de uma região interna sutil, não basta a transformação das opiniões, mas é necessário chegar ao coração, que é onde as ações brotam, e repousa-lo na natureza da unidade. É retornar à unidade usando a própria unidade como caminho.

Não é possível chegar à unidade através de parcialidades e hostilidades. Esta compreensão, base do pacifismo enquanto método de atuação política, traz grandes benefícios quando incorporada na nossa vida cotidiana, formando a base de uma nova atitude que termina por obter transformações sociais de forma completamente natural e imperceptível."

Texto do Lama Padma Samtem, em Instituto Caminho do Meio

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