O ponto a que chegamos!

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Pois é,


Ontem foi cometido mais um assassinato em Porto Alegre. É mais um dos tantos que se comete por esse país não sem segurança, mas sem tudo aquilo que poderia impedir a criminalidade: um mínimo de condições de vida para as pessoas.

Teria sido mais um para mim, não fosse o fato de ter sido o namorado da minha ex-mulher, a mãe da Fernanda. E de forma brutal. Estava em sua empresa quando dois assaltantes entraram para roubar o dinheiro do pagamento dos funcionários. A polícia imagina que ele possa ter feito algum movimento que os assustou. Sem a mínima cerimônia, deram um tiro na cabeça e fugiram, sem sequer levar o dinheiro. Morreu na hora. Apenas 56 anos.

Eu estava almoçando com a Fernanda. Nos encontramos para que eu pudesse lhe entregar a autorização de viagem, pois eles passariam o Natal em Punta del Este, Uruguai. Cheguei a perguntar se o Augusto iria junto, ao que a Fernanda me respondeu que achava que sim. Os pratos recém haviam sido servidos quando ela recebeu uma ligação telefônica. De pronto desabou a chorar, o que me assustou. Pensei que algo havia acontecido coma mãe dela. Assim que pode falar me disse: - mataram o Augusto, pai! Perguntei se tinham dito onde foi e fomos para lá. Os garçons devem ter ficado supresos ao ver dois pratos cheios abandonados.

Acabei saindo no jornal (foto acima, no jornal Zer@ H@ra), mesmo que de costas. Sou eu em primeiro plano, calças jeans e camisa cinza, com meus cabelos já grisalhos de tanta estupidez humana. A Fernanda, ao fundo, é a de calças jeans claras e cabelos pretos sendo abraçada por alguém.

O Augusto era um cara legal. Muito tranqüilo, por diversas vezes teve sabedoria na forma de como e quando interferir em crises que tínhamos, eu e a mãe da Fernanda. Sempre foi muito bom para a Fernanda, que o adorava.

Ele não merecia isso. Nenhum de nós merece isso!

8 Comments

de fato, afonso, ninguém merece isso. fico muito triste que tenha acontecido algo tão brutal perto do natal. fiquem com deus. bjs

Compartilho dessa dor e envio meus sentimentos e meu silencioso respeito.
abraço, garoto

Cheguei aqui através do blog da Yvonne! E, pelo jeito, não cheguei em um bom momento! Sinto muito. Não se tem muito a dizer nestas horas! Abraço!

sinto muito, Afonso. É difícil saber o que dizer. Mas espero que você e a sua família fiquem bem.

Afonso, imagino o quanto a sua família está arrasada e estupefata com tanta barbaridade. Esse é o mundo que estamos vivendo. Viver já é um risco! Agora é dar muito carinho para a Fernanda. Meus pesames.

Afonso, mais uma vida que se vai. Tudo sem sentido, sem a menor necessidade. Meus sentimentos. Bejocas

Diante da morte, Afonso, só posso 'estar quieto, ao seu lado'. A violência urbana está em todos os lugares: quem não conhece alguém que sofreu um latrocínio, um sequestro-relâmpago ou qualquer outro gesto provocado pela estupidez? Seu post é sensível e uma belíssima homenagem.

:-( É só o amor que conhece o que é Verdade.

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on dezembro 8, 2006 7:51 AM.

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