2006 - I

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Pois é,

O cansaço toma conta. Não apenas o cansaço físico, de quem passou um ano trabalhando, mas o cansaço moral. Aquele cansaço de quem já não vê de onde tirar forças para acreditar. Aquele cansaço de quem vê que tudo o quanto a humanidade tentou desenvolver como valores, e que a levariam a um estágio "superior", ser jogado no ralo dos interesses estritamente pessoais.

O "para mim aqui e agora" é a nova moral. Chafurdamos na lama do individualismo e pedimos mais lama. Dois mil e seis vai-se embora com a cara de tantos outros anos que se foram: absolutamente inexpressivo, sonso.

Não há muito o que falar de 2006. Em 1° de janeiro de 2006 publiquei esse post:

"Começamos tudo novamente. Ou nem paramos. Tinha pensado em fazer um retrospectiva de 2005. Pra quê? O importante já foi feito, ou seja, manter o registro quase diário. Quem pensa em genealogia, pensa em mais do que simples datas de nascimento e nomes de familiares. Pensa também em como teria sido a vida de cada pessoa. Pois bem, a minha já anda por aqui. Portanto, nada de retrospectiva.

2006 se apresenta como um ano de reflexão. Muitas. Vamos escolher nossos representantes e, principalmente, o presidente do país. Muita reflexão. As lições de 2005 devem, espero, ter servido de lição para todos. Mas também será um ano para pensar nosso comportamento em relação à natureza. Que seja o ano em que começemos a abandonar, definitivamente, o individualismo. Não a individualidade, que essa é importante, mas essa forma ignóbil de ver o mundo a partir do e para o próprio umbigo.

Que 2006 seja o ano da responsabilidade, o ano em que vamos parar de dizer "o problema não é meu!", ou "não votei nele, azar de quem votou!. Ano da responsabilidade que nos levará a um sentido maior da palavra solidariedade. Não apenas a solidariedade em forma de caridade ou assistencialismo - importantes, sim - mas a solidariedade que resulta da responsabilidade cotidiana que temos para com o nosso semelhante.

Que 2006 seja o ano em que a DIGNIDADE HUMANA saia do papel da Constituição e se torne realidade.

E somos todos responsáveis pelo futuro, pois somos nós que educamos nossos filhos. Que 2006 seja o ano da educação. Não apenas da educação formal, nas escolas, mas da educação familiar. Da educação de valores éticos e morais para uma vida em sociedade que privilegie o outro.

"Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vem através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flexas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flexas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flexa que voa, ama também o arco que permanece estável." (O Profeta, Gibran Khalil Gibran)

Muita reflexão para todos em 2006."

Não mudou nada. Se tivesse que salientar um fato importante para janeiro de 2006, esse fato seria o batizado da Condessa.

9 Comments

como faço para te enviar umas receitas do tipo das tuas que publico aqui em Pelotas (no jornal!)
Minduim

Acho que apenas pessoas muito cegas e candidatos a buda não andam desanimados com a situação que se vive no mundo de hoje. Abraço.

só há uma coisa que me incomoda no ser humano: o excesso de egoísmo... vixe, é melhor eu não começar a falar disso...

bem, mas a foto está maravilhosa. que bebê bonitinho, viu?

(Ele)fante = :-)

Querido...
e tem alguma coisa no mundo mais importante do que o batizado da Condessa?
beijo.

Afonso, o desânimo é muito grande para todos nós. Compreendo bem o seu desalento. Beijocas

Venceremos.

Freud escreveu a Jung: "após quarenta anos de psicanálise, concluí que a humanidade é uma canalha". O pior, caro Dom Afonso, é que a gente tá no bolo disso tudo. O próprio Freud, porém, nos alerta: 'para ser bom, é preciso muito esforço'. Esforcemo-nos, pois. "Ad astra per ardua"

Veja o ano como um todo. Teve até apê novo (tá! Esquece a parte da reforma e a escada!! Aii, teve a internet também, né???).

Beijos

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