Pois é,
Uma boa resposta para o post anterior poderia ser "é da Princesa Isabel!" (né, Yvonne?). Mas não é bem assim. Os próprios brasileiros - verdadeiros e únicos culpados - tiveram 118 anos, desde lá, para corrigir a situação e nada fizeram.
Que nos primeiros 60 anos (até a IIGG) nada tenho sido feito, pode-se entender. Afinal, vivíamos, ainda, numa sociedade movida a cabresto, seja na manifestação política, seja na exploração econômica imposta por um modelo de capitalismo tardio e selvagem.
Que nas três décadas seguintes nada tenha sido feito, pode-se entender. Foi um período de grandes mudanças: da tardia industrialização até o falso desenvolvimentismo da era militar. No fundo foi uma época caracterizada por "mais para os mesmos". Fazer o bolo crescer para dar mais para os que já tinham bastante, pois a proporção na divisão do bolo permaneceu a mesma. Como a população dos estratos mais pobres cresceu, o que parecia uma "fatia mais gorda" mostrou-se insuficiente.
Mas o que dizer dos últimos vinte anos? Nova democracia, direitos e liberdade am alta, novos códigos de conduta (ECA, CDC, EI, ...) e mais uma centena de "discursos" sobre uma nova era servem para o quê? Não há como entender! Será que não?
De onde provém a renda? Do trabalho! Quem oferta o trabalho? As empresas. O que alegam os empresários?
Em primeiro lugar, a falácia dos tributos. E porque é uma falácia? Para saber a resposta basta parar em frente ao estacionamento de uma associação de empresários num dia de reunião. A resposta é uma questão de valores, e não apenas de valores individuais, egoístas, mas de valores sociais egoístas. Privilegia-se o ganho individual do "empreendedor" em detrimento do ganho social (leia-se dos trabalhadores). E aí a reclamação do imposto é soa fácil: não posso pagar mais porque o governo onera a folha de pagamento, mas posso andar com uma Mercedes, morar em belas casas/apartamentos e ter outra na praia, dar as melhores escolas para os meus filhos e etc. Daí a falácia: o imposto vale para pagar o trabalhador mas não vale quando aplico em mim.
O modelo econômico a tudo justifica. A moral capitalista a tudo justifica. Afinal, "eu botei o dinheiro para iniciar o negócio". Essa ainda é a fala. Daí para a segregação racial é um pulo: "pago pouco para brancos, que é para ter mais para mim; como não sou culpado pelo que a Princesa Isabel fez, posso pagar menos ainda para pretos e pardos, sobrando mais ainda para mim."
Quer queiramos ou não, o empresariado brasileiro é "umbigo-baseado". Retornemos à pergunta inicial; quem paga os salários? Quem escolhe pagar menos para os pretos e pardo, sob a alegação de que estes tem menos "conhecimentos e habilidades", mesmo que o IBGE mostre que isso ocorre nos segmentos de pessoas com as mesmas competências?
Em segundo lugar o círculo vicioso "a mão-de-obra é não-instruída e não-qualificada; logo, pago menos. Se pago menos, menos eles poderão estudar; e se menos estudam, menos qualificados são; e se menos qualificados são...". E assim lá se vão cento e tantos anos...
O Estado? Na parte que diz respeito ao Executivo, coitado, quase nada pode fazer para mudar tudo isso. Uma das áreas do Direito que mais paga aos que nela atuam é a do Direito Tributário. Por Direito Tributário entenda-se descobrir os meandros legais (e outros nem tanto) para pagar menos impostos. E boa parte dos casos serve para sustentar um processo de sonegação. A sonegação é muito alta no Brasil. Os governos, quando querem, pouco conseguem fazer, pois os sonegadores sabem que, para fiscalizar, o governo precisa antes investir para ter fiscais, e não faz isso. Sonegar é fácil no Brasil.
O Legislativo? Olhem a relação abaixo, dos financiamentos de campanha realizados pela Gerd@u:
Empresário tem partido? Tem. Todos. Imaginem: se isso foi de apenas uma empresa, o que não terá sido a contribuição das demais grandes empresas brasileiras? Traduzindo: estamos nas mãos deles!
O Judiciário? Sem comentários...
Quem paga os baixos salários e prefere investir nos políticos? Uma coisa é certa: empresário só investe onde há retorno... e grandes retornos...
Nada contra quem empresaria, mas temos que mudar o modelo empresarial brasileiro se quisermos que essas diferenças acabem!









































Afonso, parabéns!!Hoje, lendo o teu excelente post, "lavei a alma" pois fazem muitos anos que defendo os mesmos argumentos e sempre a ressonância é tão pouca,diante de uma mídia que massacra diariamente em contrário,que pensei estar "louco" ou sozinho.Como "loucos" não podem pensar da mesma forma, logo não somos e também não estamos sozinhos.Um abração!
Fico tão orgulhoso de ter um comprade assim... vc nem imagina!
Edu pra presidente: trabalhar-se-á 3 dias por semana apenas, obrigando o empresariado a dobrar a oferta de emprego!
Afonso, você foi perfeito. É exatamente isso. Beijocas