Pois é,
Deveria, como todo bom gaúcho, ter escrito, ontem, sobre 20 de setembro. No ano passado enchi o saco de todo mundo por uma semana com isso. Esse ano quem está de saco cheio sou eu.
Antes, porém, uma observação: a Roberta Malta publicou no seu blog a receita de carreteiro que escrevi por aqui. Posso garantir que ficou melhor que o original (o post, claro, hehehe), com os acréscimos que ela fez. Vão lá e conheçam a moça.
Tenho dois anteprojetos de vida, mutuamente excludentes, para realizá-los quando me aposentar:
1. mudar para Cumbuco/CE e passar o resto dos meus dias tentando esquecer o mundo
2. passar o resto dos meus dias tentando entender o mundo. Não em Cumbuco, é claro, pois quem vai para lá já está se lixando para ele.
Um dos dois devo transformar em projeto o mais rápido possível e começar a desenvolver as condições de realizá-lo desde já.
A escolha é difícil? À primeira vista pode parecer que não. Certamente qualquer um escolheria ir para Cumbuco. Mesmo porque, não creio que até hoje alguém tenha conseguido entender o mundo. Mas se fosse tão fácil ir para Cumbuco, ela seria a maior megalópolis do mundo. Se fosse fácil entender o mundo, certamente não teríamos tantas megalópolis.
Mundo e humanidade confundem-se na nossa cabeça cartesiana-ocidental. Confundem-se porque aprendemos a separar o mundo da humanidade, o que tem permitido a destruição do mundo e da humanidade; confundem-se porque sabemos que são a mesma coisa e que, portanto, a destruição de um leva, necessariamente, à destruição do outro.
E aí entra a imagem do início. Ela é perfeitamente factível para mim. Em pouco tempo é bem provável que a veja aqui em casa. A Clarissa com algum dos gatos.
Como pai devo entender o mundo para ensiná-la como viver no mundo; como pai devo mostrar-lhe a humanidade. O problema é que viver no mundo de hoje implica na perda da humanidade. Está cada vez mais difícil manter a humanidade num mundo que nos exige da forma como esse está nos exigindo: ou sobrevivemos ou morremos à mingua; ou temos um emprego e nos iludimos que isso é o "bom da vida" ou nos tornamos mais um nas estatísticas dos que vivem na miséria ou - pior - abaixo da linha da miséria.
Não há meio termo.
Há, claro, uma categoria a parte: os que roubam, sonegam, viram políticos corruptos e todos quanto, de uma forma ou de outra, ostentam um mundo que foi obtido graças a meios que a humanidade bem poderia considerar moralmente escusos. Gente cujo mundo e humanidade são apenas reflexos do próprio umbigo.
Esses não contam. Tanto quanto nós e essa massa informe de miseráveis mundo afora também não contamos.
E é essa gente que faz as guerras; essa gente fez o 20 de setembro. Essa gente anda fazendo a terceira guerra mundial, que já está aí e ninguém quer noticiar como tal.









































Como boa carioca adotada, começarei dizendo:
-Olha sóah... (que é como se começa qualquer frase aqui no Ríio.)... Seu goishto musical até que não é doish piórish, mas essa de querer botar o som no talo pra sobrepujar o mau goishto do vizinho.... é toishko...
(Mas bah, tchê, a ver se eu entendo essa comemoração de Revolução Farroupilha... um movimento notadamente separatistae e ainda por cima derrotado, tchê... tava bom de esquecer, isso sim!)
brincadeirinha.
Buenas e me espalho,
E eu achando que ia ficar sossegada em Cumbuco quando aposentasse... hhuummpppffff.
Beijos, lindo.. E mais dois, para a Kaya e a Clarissa.
eu de novo, mais uma vez (oh não!)
Afonso, é que ontem à noite eu lia algo qdo. me lembrei desse seu post. Aí, resolvi compartilhar, né?
É do livro "O Último Vôo do Flamingo" de Mia Couto. Numa certa altura, Ana Deusqueira, a prostituta da vila, escreve uma carta a um italiano, e nessa carta há uma passagem que me fez lembrar muito do que vc. tinha escrito. Diz assim:
"Eu estava como prisioneiro que encontra no carcereiro o único ser com quem trocar as humanidades. E pergunto: por que nos ensinaram essa merda de sermos humanos? Seria melhor sermos bichos, tudo instinto. Podermos violar, morder, matar. Sem culpa, sem juízo, sem perdão. A desgraça é esta: só uns poucos aprenderam a lição da humanidade".
(Vixe, que comentário enorme!)
Beijos e bom fim de semana,
Anita
Amigo, vi que se interessa por política entao lhe convido a conhecer o Gatuno http://nalage.blogspot.com . É uma ideia que começamos em minas e esta se espalhando rapidamente pelo pais. Um alerta ao bando de Ladroes que populam nosso pais. Gostaria que vc, como dono de blog, nos ajudasse na divulgação, grande abraço.
às vezes fico imaginando até que ponto não fazemos parte da "gente que não conta", dos corruptos. Explico: o mundo acadêmico virou mais uma instituição, portanto só se sobrevive nela à custo da prostituição (publicar e publicar e publicar. O quê? Não importa...)
O mundo e a humanidade são a mesma coisa sim. Gostei da linha de pensamento, Afonso!
Ah, obrigada pela visita ao blog!
Anita
Vai pra Cumbuco, mas leva o computador. Não viveria mais sem seus posts!
Muito agradecida por citar meu blog. E você achando que era chato...sem crises de identidade, hein? Me sentiria responsável.
Querido, pode me passar seu telechato? Meu tio Marcio, cozinheiro de mão cheia e gaúcho de coração, sempre passa por aí e quer algumas informações( não se preocupe que ele é macho, tchê!).
Se puder passa pro meu e-mail, please: rmgastronomia@yahoo.com.br .
Beijo muito grande.
Depois que conheci os números, não compreendi mais o mundo. Beijus