setembro 2006 Archives

Eleições - III

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Pois é,


Parece que a Ana tem razão no seu comentário: "Céus, onde vamos parar? É, acho que o seu imposto não vai ser devolvido este ano não!!!"

Sinceramente? Até gostaria de acreditar quando dizem que a democracia brasileira é "jovem" e que, portanto, os problemas que acontecem são os típicos da juventude. Que seja! Mas a continuar assim, dá para imaginar o adulto que teremos.

O desencanto vem dessa percepção que temos de que a situação, em vez de melhorar, piora. Imagino que seja a mesma sensação que sente um pai ao ver o filho entrando no caminho das drogas. E que, por mais que tente afastá-lo (no nosso caso, votando), nada consegue. Deve existir um momento em que esse pai pensa: quer saber de uma coisa? Cansei, que se atire de vez!

Pois assim anda o Brasil. Por mais que busquemos uma solução, o que vejo é, a cada ano, piorar a qualidade das pessoas que pretendem ser nossos representantes. E mesmo quando aparece algum "mais ou menos", acaba sendo cooptado por algum partido que não presta.

Não temos renovação. A última acaba de morrer. O PT cavou a própria cova no governo federal. O Rio Grande do Sul, tradicional reduto do PT, vê seu canditado perder a possibilidade do segundo turno para uma canditada do PSDB. Inimaginável, até bem pouco tempo.

Por quase vinte anos Lula foi o mais votado no RS. Hoje? Perde feio para o Alckmin.

E não temos renovação de pessoas. São sempre os mesmos: os conhecidos, que nada fazem; e os desconhecidos, que nada acrescentam. Há pouquíssima vocação na atual política e muito interesse privado, quando não, escuso. Falta consistência e falta movimento estudantil para formar gente que saiba lutar por causas.

Há muita paixão e pouca razão. E na política, paixão e razão devem andar juntas, pois isso é uma "causa".

E falta o que é mais importante: UM OBJETIVO! As pessoas e os políticos esqueceram-se dos objetivos da nação.

Retiro o que disse. Há sim um objetivo: a reeleição. Todos querem apenas se manter no poder para poderem aproveitar tudo o que esse poder lhes proporciona: vida boa e aposentadoria depois de quatro anos de trabalho. Mesmo o mais honesto dentre eles quer apenas isso.

Não há escolha depois que o sujeito se elege: ou entra para o time ou passa quatro anos sem poder fazer nada, pois acaba sendo desconsiderado para as comissões e outros trabalhos que acabam rendendo "mídia" e "reeleição". Assim, muitos querem apenas a vida boa. Pergunta-se: dos quinhentos e tantos deputados federais, quantos participam de comissões e CPIs? Sempre os mesmos, os que "são do time". Os mais de quatrocentos que não conseguem nada, também não fazem nada e apenas "ganham" uma vida boa, além da aposentadoria. A verdade é que meia dúzia acaba fazendo o "estrago" por todos.

Votar para quê? Para manter esse monte de gente sem fazer nada durante quatro anos?

Quando fiz esse slogan "Em 2006 quero meu imposto de volta", tão gentilmente desenhado pela Ana, a idéia era de que, conseguindo com que esses caras trabalhassem, um pouco do meu imposto seria devolvido em forma de retorno social.

Infelizmente termino tendo que admitir que ela tem razão.

Eleições - II

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Pois é,


Até a última eleição ainda podia fazer uma tranqüila análise entre candidato vs partido. Havia uma associação unívoca entre Lula e o PT. Hoje não mais.

Muitas vezes votei num candidato independentemente do partido a que ele pertencia. É o caso do senador Pedro Simon, do PMDB. Fosse pelo partido, jamais teria meu voto. Mas a voz individual falava mais alto que a voz coletiva.

Lula conseguia reunir, em torno de si, essa característica: Lula e PT eram sinônimos.

Deixaram de ser. E Lula virou um político como qualquer outro. O que é uma pena.

Tem um candidato de quem gosto há muitos anos. Cristóvão Buarque. Pena que mudou-se para o PDT. Candidato bom, partido imprestável. Só de pensar que gente do PDT poderá assumir cargos de importância no país me dá arrepios!

Embora ainda acredite na pessoa do Lula, o partido virou ruim. E é o partido que dá apoio, no final das contas.

Heloísa Helena? Tem futuro a moça, mas precisa de preparo. Para ser presidente não basta ter razão, tem que ter consistência.

Alckmin? Pode ate ser honesto nas suas intenções (???) mas é o representante de um continuismo de 500 anos.

Essa é a dúvida: candidato vs partido.

O debate de candidatos virou um produto comercial da platinada. Palhaçada pasteurizada que vende e dá lucros. Mais nada. O de ontem beirou as raias do ridículo. Amiguinhos garantindo amiguinhos para obter alianças, num improvável segundo turno.

As perguntas de sempre com as respostas vazias de sempre. Absolutamente nada de concreto.

Sequer foram convincentes na malhação a Lula. Até mesmo a estratégia da platinada (certamente com apoio dos demais candidatos) de manter as perguntas ao candidato ausente resultou, para quem tem um pouco de neurônios sobrando, a favor do Lula, que, na minha opinião, saiu vencedor do debate, dado o vazio do que foi apresentado.

Estamos definitivamente perdidos nesse circo. E somos os palhaços.

Eleições

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Pois é,


Em menos de dez anos, o que é muito pouco tempo se comparado aos 80 que espero viver, passei de um ser que andava pelas ruas carregando bandeira de partido, participava de passeatas e comícios, era um desses "engajados", para a total apatia e descrédito com política e seus feitores.

As razões? Bem que eu gostaria de saber.

Ainda tento me agarrar a um leve resquício dos meus tempos de civismo, quando acreditava piamente que o voto era a única "arma" do povo para não sucumbir ao desejo de anular o voto, ou votos.

Não vejo problemas nesse monte de denúncias, de escândalos, de CPIs. Sou dos que pensam que isso faz parte do crescimento, do amadurecimento de uma nação. Que bom que essas coisas estejam aparecendo. Até bem pouco tempo, sequer sabíamos dessas coisas.

Não seria por essa razão que eu deixaria de votar. Mais, apesar de ser a favor do voto facultativo, continuaria votando.

A questão, para mim, não é o que estão fazendo mas, sim, o que estão deixando de fazer. Elegemos representantes para que façam leis. E boas leis.

A verdade é que, numa análise das casas legislativas, o que se vê é um completo vazio de boas leis. Em alguns casos até de leis.

Há um círculo vicioso instalado no país: políticos querem apenas a manutenção dos mandatos pelo tempo que for possível. CPIs são verdadeiros showmícios onde os integrantes querem apenas aparecer na mídia, pois eles já descobriram que uma CPI vale mais que qualquer campanha - e é "de grátis"...

Uma das razões para votar nulo seria não querer pagar salário para vagabundo.

E sigo amanhã, pois agora tenho que ir pro trabalho. Afinal, não sou político.

Indiada!

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Pois é,


Saio às nove da manhã; três horas e meia de viagem até Passo Fundo; meia hora para agasalhar algum, que ninguém é de ferro; duas, ou ate três horas de reunião; mais três horas e meia de estrada para chegar de volta em POA à noite. Tudo isso regado a um sol de 27 graus.

Tem indiada maior?

Cobertura

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Pois é,

Há certos inconvenientes numa cobertura que tem um prédio ao lado. Quando o cara rima "demais" com "satisfaz", duas coisas acontecem e, delas, uma tenho certeza: quem canta é um carioca que joga tudo no lixo.E quando digo tudo, é tudo mesmo: língua, poesia, música, bom gosto e o escambau.

O inconveniente da cobertura é, nos domingos, ter que agüentar os vizinhos bagaceiros escutando porcaria. Qualquer dia desses vou tocar um Led Zeppelin a todo volume, só para mostrar quem é quem nessa vizinhança.

Estou eu cá, mui belo num domingo ensolarado (coisa mui rara na nossa querida leal e valerosa Porto Alegre nesses tempos de camada de ozônio aberta sobre nós), fazendo meu churrasquinho e tomando minha cervejinha; Clarissa aprontando por todo o terraço; aproveitando aquilo tudo que busquei na vida; tomando meu solzinho enquanto a carne toma seu foguinho, e, pra estragar tudo, tenho que ouvir essas porcarias.

É um direito. E eu respeito o direito dos outros. Fundamental. Sou daqueles que diz: "não concordo com o que fazes, mas defenderei até a morte o teu direito de fazê-lo". Mas vamos, venhamos e convenhamos: a essas alturas do campeonato, escutar lambada e esses grupos metidos a baianos?

Saudosismo por saudosismo ainda prefiro Led Zeppelin, Pink Floyd, Santana, The Who, Cream, Yes, The Mamas and the Papas, The Animals, Beatles, Dire Straites, Emerson, Laker and Palmer, Supertramp, Jethro Tull, Janis Joplin... Bach, Beethovem Brahms, Vivaldi... e por aí vai.

Faz parte, podem dizer alguns dos meus queridos seis leitores. Faz parte porra nenhuma, digo eu. As pessoas deveriam nascer com o gene do bom gosto implantado. As que não nascessem com ele deveriam passar por um tratamento: doses diárias, de no mínimo duas horas, de boa música. Infelizmente o que acontece é justamente o contrário; as pessoas ficam duas ou mais horas na frente da platinada, ou das congêneres, só ouvindo porcaria. Porque gente que rima "demaisshhhhh" com "satisfaisshhhh" é porcaria sim!

E que não se diga que sou bairrista: muita porcaria é feita por aqui também.

Cinema

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Pois é,



Os cinéfilos que me perdoem, mas deve fazer uns cinco anos que não vou ao cinema. Como sou hiperativo, não tenho saco de ficar duas ou mais horas sentado numa cadeira. Lembro que da última vez devo ter levantado umas três ou quatro vezes para ir ao banheiro, para fumar, para caminhar.

Prefiro esperar que passe na TV ou em DVD. É bem melhor ver em casa. Perde-se um pouco? Talvez. Mas, segundo a lista recém publicada (abaixo) dos cem melhores filmes, desde 1994 não se faz um filme que preste para aparecer nela. Logo, não tenho perdido nada desde de que deixei de ir ao cinema.

Mesmo assim, contei uns 90 que vi nessa lista.

1. Cidadão Kane, de Orson Welles (1941)
2. Casablanca, de Michael Curtiz (1942)
3. O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola (1972)
4. E o Vento Levou, de Victor Fleming (1939)
5. Lawrence da Arábia, de David Lean (1962)
6. O Mágico de Oz, de Victor Fleming (1939)
7. A Primeira Noite de um Homem, de Mike Nichols (1967)
8. Sindicato de Ladrões, de Elia Kazan (1954)
9. A Lista de Schindler, de Steven Spielberg (1993)
10. Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Gene Kelly (1952)
11. A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra (1946)
12. Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (1950)
13. A Ponte do Rio Kwai, de David Lean (1957)
14. Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder (1959)
15. Guerra nas Estrelas, de George Lucas (1977)
16. A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz (1950)
17. Uma Aventura na África, de John Huston (1951)
18. Psicose, de Alfred Hitchcock (1960)
19. Chinatown, de Roman Polanski (1974)
20. Um Estranho no Ninho, de Milos Forman (1975)
21. As Vinhas da Ira, de John Ford (1940)
22. 2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick (1968)
23. Relíquia Macabra, de John Huston (1941)
24. Touro Indomável, de Martin Scorsese (1980)
25. ET - O Extraterrestre, de Steven Spielberg (1982)
26. Doutor Fantástico, de Stanley Kubrick (1964)
27. Bonnie and Clyde - Uma Rajada de Balas, de Arthur Penn (1967)
28. Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola (1979)
29. A Mulher Faz o Homem, de Frank Capra (1939)
30. O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston (1948)
31. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen (1977)
32. O Poderoso Chefão - Parte 2, de Francis Ford Coppola (1974)
33. Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann (1952)
34. O Sol é Para Todos, de Robert Mulligan (1962)
35. Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra (1934)
36. Perdidos na Noite, de John Schlesinger (1969)
37. Os Melhores Anos de Nossas Vidas, de William Wyler (1946)
38. Pacto de Sangue, de Billy Wilder (1944)
39. Doutor Jivago, de David Lean (1965)
40. Intriga Internacional, de Alfred Hitchcock (1959)
41. Amor, Sublime Amor, de Robert Wise e Jerome Robbins (1961)
42. A Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock (1954)
43. King Kong, de Merian Cooper e Ernest Schoedsack (1933)
44. O Nascimento de uma Nação, de David Griffith (1915)
45. Uma Rua Chamada Pecado, de Elia Kazan (1951)
46. Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick (1971)
47. Motorista de Táxi, de Martin Scorsese (1976)
48. Tubarão, de Steven Spielberg (1975)
49. Branca de Neve e os Sete Anões, de Ben Sharpsteen (1937)
50. Butch Cassidy, de George Roy Hill (1969)
51. Núpcias de Escândalo, de George Cukor (1940)
52. A Um Passo da Eternidade, de Fred Zinneman (1953)
53. Amadeus, de Milos Forman (1984)
54. Sem Novidades no Front, de Lewis Milestone (1930)
55. A Noviça Rebelde, de Robert Wise (1965)
56. MASH, de Robert Altman (1970)
57. O Terceiro Homem, de Carol Reed (1949)
58. Fantasia, de Ben Sharpsteen (1940)
59. Juventude Transviada, de Nicholas Ray (1955)
60. Caçadores da Arca Perdida, de Steven Spielberg (1981)
61. Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock (1958)
62. Tootsie, de Sydney Pollack (1982)
63. No Tempo das Diligências, de John Ford (1939)
64. Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de Steven Spielberg (1977)
65. O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme (1991)
66. Rede de Intrigas, de Sidney Lumet (1976)
67. Sob o Domínio do Mal, de John Frankenheimer (1962)
68. Sinfonia de Paris, de Vincente Minnelli (1951)
69. Os Brutos Também Amam, de George Stevens (1953)
70. Operação França, de William Friedkin (1971)
71. Forrest Gump, de Robert Zemeckis (1994)
72. Ben-Hur, de William Wyler (1959)
73. O Morro dos Ventos Uivantes, de William Wyler (1939)
74. Em Busca de Ouro, de Charles Chaplin (1925)
75. Dança com Lobos, de Kevin Costner (1990)
76. Luzes da Cidade, de Charles Chaplin (1931)
77. American Graffiti - Loucuras de Verão, de George Lucas (1973)
78. Rocky, um Lutador, de John Avildsen (1976)
79. O Franco-atirador, de Michael Cimino (1978)
80. Meu Ódio Será sua Herança, de Sam Peckinpah (1969)
81. Tempos Modernos, de Charles Chaplin (1936)
82. Assim Caminha a Humanidade, de George Stevens (1956)
83. Platoon, de Oliver Stone (1986)
84. Fargo, uma Comédia de Erros, de Joel Coen (1996)
85. Diabo a Quatro, de Leo McCarey (1933)
86. O Grande Motim, de Frank Lloyd (1935)
87. Frankenstein, de James Whale (1931)
88. Sem Destino, de Dennis Hopper (1969)
89. Patton, Rebelde ou Herói, de Franklyn Shaffner (1970)
90. O Cantor de Jazz, de Alan Crossland (1927)
91. Minha Adorável Dama, de George Cukor (1964)
92. Um Lugar ao Sol, de George Stevens (1951)
93. Se Meu Apartamento Falasse, de Billy Wilder (1960)
94. Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese (1990)
95. Pulp Fiction - Tempo de Violência, de Quentin Tarantino (1994)
96. Rastros de Ódio, de John Ford (1956)
97. Levada da Breca, de Howard Hawks (1938)
98. O Passado não Perdoa, de John Huston (1992)
99. Adivinhe Quem Vem para Jantar?, de Stanley Kramer (1967)
100. A Canção da Vitória, de Michael Curtiz (1942)

Pois é,


Deveria, como todo bom gaúcho, ter escrito, ontem, sobre 20 de setembro. No ano passado enchi o saco de todo mundo por uma semana com isso. Esse ano quem está de saco cheio sou eu.

Antes, porém, uma observação: a Roberta Malta publicou no seu blog a receita de carreteiro que escrevi por aqui. Posso garantir que ficou melhor que o original (o post, claro, hehehe), com os acréscimos que ela fez. Vão lá e conheçam a moça.

Tenho dois anteprojetos de vida, mutuamente excludentes, para realizá-los quando me aposentar:

1. mudar para Cumbuco/CE e passar o resto dos meus dias tentando esquecer o mundo
2. passar o resto dos meus dias tentando entender o mundo. Não em Cumbuco, é claro, pois quem vai para lá já está se lixando para ele.

Um dos dois devo transformar em projeto o mais rápido possível e começar a desenvolver as condições de realizá-lo desde já.

A escolha é difícil? À primeira vista pode parecer que não. Certamente qualquer um escolheria ir para Cumbuco. Mesmo porque, não creio que até hoje alguém tenha conseguido entender o mundo. Mas se fosse tão fácil ir para Cumbuco, ela seria a maior megalópolis do mundo. Se fosse fácil entender o mundo, certamente não teríamos tantas megalópolis.

Mundo e humanidade confundem-se na nossa cabeça cartesiana-ocidental. Confundem-se porque aprendemos a separar o mundo da humanidade, o que tem permitido a destruição do mundo e da humanidade; confundem-se porque sabemos que são a mesma coisa e que, portanto, a destruição de um leva, necessariamente, à destruição do outro.

E aí entra a imagem do início. Ela é perfeitamente factível para mim. Em pouco tempo é bem provável que a veja aqui em casa. A Clarissa com algum dos gatos.

Como pai devo entender o mundo para ensiná-la como viver no mundo; como pai devo mostrar-lhe a humanidade. O problema é que viver no mundo de hoje implica na perda da humanidade. Está cada vez mais difícil manter a humanidade num mundo que nos exige da forma como esse está nos exigindo: ou sobrevivemos ou morremos à mingua; ou temos um emprego e nos iludimos que isso é o "bom da vida" ou nos tornamos mais um nas estatísticas dos que vivem na miséria ou - pior - abaixo da linha da miséria.

Não há meio termo.

Há, claro, uma categoria a parte: os que roubam, sonegam, viram políticos corruptos e todos quanto, de uma forma ou de outra, ostentam um mundo que foi obtido graças a meios que a humanidade bem poderia considerar moralmente escusos. Gente cujo mundo e humanidade são apenas reflexos do próprio umbigo.

Esses não contam. Tanto quanto nós e essa massa informe de miseráveis mundo afora também não contamos.

E é essa gente que faz as guerras; essa gente fez o 20 de setembro. Essa gente anda fazendo a terceira guerra mundial, que já está aí e ninguém quer noticiar como tal.

Pois é,


Quem somos, afinal de contas? A imagem que fazemos de nós mesmos? Aquilo que os outros vêem de nós? Alguma coisa que nem mesmo nós sabemos o que é e que vai se mostrando de uma forma sutil ao longo das nossas vidas e dos inúmeros papéis que vamos representando? Tudo isso ao mesmo tempo, como dizem os entendidos?

E na internet? O que somos? Que imagem fazemos das pessoas com as quais interagimos na blogosfera ou em outras ferramentas de comunicação? Pessoas que só vemos eventualmente em fotos publicadas - algumas nem isso - mas com as quais trocamos palavras, idéias, afetos... Existem, também, aquelas com as quais temos oportunidade de encontrar vez por outra mas que, invariavelmente, delas fazemos a imagem que tivemos pelos contatos cibernéticos e raramente pelos contatos pessoais. O que sobra, então?

Sobram impressões digitais de gente de carne e osso! Teria eu a mesma impressão se convivesse com algumas dessas pessoas? Valeria a pena trocar a imagem digital pela de carne e osso?

Pessoas de carne e osso são difíceis, idiossincráticas, cheias de manias, brigonas, birrentas, por vezes carinhosas, amigas, amorosas. Impressões digitais, em geral, são sempre boas; e aquelas que não são, facilmente eliminamos.

Nessa série - que provavelmente não seja diária - pretendo retratar as impressões, como eu vejo e sinto as pessoas com as quais tenho contato. Pessoas que visitam o blog, algumas mais outras menos - mas que causam em mim bons sentimentos. Certamente não serão as mesmas pessoas de carne e osso, mas quem sabe possa ter percebido coisas que as pessoas sequer imaginam que seria possível deixar transparecer por um tela?

A primeira dessas pessoas foi um dos primeiros comentadores do Chato. Lá nos primordios do blogspot. Não sei bem ainda porque cargas d'água ele me escolheu para "pegar no pé". Insistente, vinha todos os dias. Fui ver quem era. Admito ter levado um susto. Assim, logo de início a comunidade gay vai tomar conta do meu blog? Já vai aparecer gente querendo me passar uma cantada pela internet?

Não tenho preconceitos, mas o que até então tinha visto pela blogosfera, nessa área, eram somente manifestações oriundas do que poderíamos chamar "bichas loucas". Comportamentos exagerados, blogs exagerados. E não era isso que eu procurava.

Blogs eram coisa nova para mim e ainda lutava contra a imagem de que isso era coisa de menininha adolescente. Além do fato, é claro, de que escrever para qualquer um ler era bastante difícil.

Mas alguma coisa me dizia que aquele blogueiro também andava procurando coisas diferentes na blogosfera. Comecei a comentar. E fui percebendo que havia respeito da parte dele. Essa foi uma das primeiras imagens digitais: respeito. Uma pessoa que não invadia meu espaço, mas que procurava, através do respeito, uma relação.

Com o tempo e com o aumento das visitas, para ambos, a relação foi se tornando mais aberta e tranqüila. Segunda impressão digital: uma pessoa tranqüila. Pessoas tranqüilas não se encondem, seja na internet seja na vida real.

Ele mudou o estilo de escrever e a forma de se mostrar. Conquistou amig@s sem querer ser estrela.

Uma das melhores coisas da internet é que nela tudo, nas relações humanas, acontece de graça. Ninguém - com raras exceções - cobra para dar ou receber. Com o anúncio que fiz da vinda da Condessa, apareceu mais uma impressão digital: o carinho. E foi expontânea a forma como ele, o carinho, apareceu e se manifestou cotidianamente. E como diz o ditado, quem adoça a boca do meu filho, adoça a minha também, não tive dúvidas na hora de escolher um padrinho digital para ela.

Pode ser que em carne e osso ele seja um sujeito detestável, mas pela internet é isso: alguém para se manter por perto, mesmo que separados por bits e bytes.

É claro que estou falando do EDU.

Travesseiros

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Pois é,


Lendo algumas páginas de um sermão do Padre Antonio Vieira, mais precisamente o sermão de "Sabbado antes da Dominga de Ramos", pregado na Igreja de Nossa Senhora do Desterro, Bahia, em 1634, encontro isso:

"Dizia Platão, que os que julgam ou governam, era bem que dormissem sobre as resoluções que tomassem. Parecia-lhe ao grande philosopho que o juizo consultado com os travesseiros , era força que sahisse mais repousado." (Grafia original da edição de 1945)

Há muito foi-se o tempo em que podíamos parar para pensar nos nossos atos e palavras e nas decisões que devemos tomar. Nem mesmo o travesseiro é capaz de nos ajudar, pois mal e mal nos deitamos e o cansaço nos faz dormir, sem tempo para mais nada. Por mais que queiramos, premidos pela necessidade de recompor energias para o dia seguinte, acabamos cedendo e optando pelo sono sem pensamentos. Talvez alguns insones ainda consigam pensar, mas pensamento de insone nunca é bom.

É possível que resida aí uma grande causa do atual nível de depressão das pessoas, desse estado geral de desilusão e falta de esperança. O que há é falta de travesseiro. Travesseiros viraram meros objetos para repouso da cabeça. E quem quer, nos dias atuais, face à sobrevivência, pensar?

Esperamos algum acontecimento extraordinário para então parar e pensar. A morte de alguém, alguma doença, o desemprego, uma separação, enfim, algo que se tivessemos parado para pensar antes, provavelmente não teríamos necessidade de recorrer ao velho e bom travesseiro apenas como um pano para enxugar lágrimas e, sim, como o velho e bom companheiro de sabedoria.

Mas deveríamos poder fazer mais. Deveríamos ter tempo para contemplar. Sentar diante de uma árvore como essa da imagem e meditar, refletir profundamente sobre o que fazemos da nossa vida, pois momento há de chegar em que inevitavelmente faremos essa pergunta. Só que no tempo pretérito: o que fiz? E aí será tarde. E talvez estejamos repousando sobre um travesseiro que de nada nos adiantará.

Como disse a Ana Roberta, nesse post, "não se morre com o que se tem, mas com o que se é", e o que se é está no nosso travesseiro.


Amanhã começo a série "Imagens que faço dos meus amigos blogueiros - Impressões digitais sobre gente de carne e osso".

Nuance

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Pois é,


Uma das definições do Houaiss para Nuança (é isso aí. A gente entra com o verbete nuance e ele manda olhar nuança) é:

"diferença sutil entre coisas, mais ou menos similares, postas em contraste; matiz, sutileza"

O problema não é de cor, mas sim de nuança. Mesmo a serenidade tem nuanças. Pequenas diferenças sutis entre estados de espírito. É algo como, só para tentar utilizar um exemplo, a diferença entre a serenidade causada por um pôr-do-sol e uma lua cheia nascendo. É sutil, mas existe. E é difícil expressar isso num fundo de blog.

Não é para menos que eu pintava. Penso que é isso: está chegando a hora de retornar para os meus quadros. A música (a boa música, é claro) produz o mesmo efeito, mas, nesse caso, sou um zero à esquerda. Só sei ouvir e somente ouvir nem sempre basta.

Na pintura, cada pincelada expressa um momento particular e único, embora vá compor, com outras tantas, um quadro que produzirá sentimentos diferentes dos produzidos por cada uma das pinceladas. A pintura, assim com a música, é um dos tantos casos em que o todo é sempre maior que as partes.

Imagino que seja assim com quem sabe se expressar pela escrita. Imagino mais: imagino que criar uma personagem deve ser como dar pinceladas numa tela branca. Cheia de nuanças, cheia de contrastes, única dentre tantas outras. Assim como sei o que significa dar uma pincelada, imagino o prazer que deve sentir um escritor ao dar um toque de, digamos, ironia a sua personagem.

Enfim, divago.

Partamos para a prática. Doravante vou começar os posts com a reprodução de um quadro. Uma imagem. Talvez isso ajude a quebrar a monotonia de um fundo, seja ela qual for. Mais, talvez descubra o prazer de encontrar imagens serenas mas que apresentem nuanças em relação ao fundo.

O que poderá significar mudanças todos os dias: de quadro e de fundo.

Talvez Freud vá dizer, lá de seu túmulo: "Mas meu, mudar assim assim a toda hora é justo o oposto de serenidade".

Ora, meu caro Freud - eu diria - a culpa é da mãe!

Serenidade

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Pois é,

Segundo o Houaiss, serenidade é "qualidade ou estado do que é ou está sereno". Sereno, por sua vez, é, como adjetivo:


"1. caracterizado pela ausência de movimentos bruscos, de mudanças desagradáveis; tranqüilo, manso

2. que denota paz e tranqüilidade de espírito

3. livre de nuvens, de tempestades (falando-se do tempo); claro, limpo

4. isento de agitações, de perturbações ou de inquietações

5. que não denota agitação ou estremecimento

6. que procede com reflexão, sem paixão; equilibrado, sensato, ponderado, imparcial

7. suave ao ouvido; doce, delicado, macio

8. em que não há tumulto; ordeiro"

Difícil esse estado, não? Bem que eu tento chegar lá! Aos poucos vou me livrando de certos desejos causadores de inquietações e que afastam da serenidade. Daqui pra frente passará a ser um exercício diário e consciente.

Ando a procura de uma cor para o blog que reflita essa serenidade. Ou que ajude a chegar lá.

Pois é,

Cada vez mais me convenço de que o objetivo último da vida é a morte. E a própria vida, nesse aspecto, é muito inteligente. Por ela viveríamos muito bem obrigado por quase cem anos, ou talvez até mais. Penso que esse é o tempo necessário para a grande descoberta que devemos fazer: ir para lá nada mais é do que um merecido descanso; um prêmio a ser almejado.

O ser humano, no entanto, criou a doença e todos os mecanismos de antecipar o que para a vida é algo natural. E fez mais: criou o apego à vida com o conseqüente medo de morrer.

Não é por menos que damos, a certas mudanças que nos acontecem, o nome de "idade". "É a idade", dizemos, quando alguém demonstra alguma característica que o afasta da porralouquice da juventude e o aproxima da vida.

Acordei embalado hoje... é melhor parar!

Pois é,

Um BO não resolveria o caso. Não tínhamos elementos probatórios suficientes para levar o caso adiante. Para a Polícia, o Ministério Público e mesmo para o Judiciário, não passariam de "meras desconfianças". E, no fundo, isso nos traria muito mais incomodação do que solução. A solução mais correta era simplesmente afastar a pessoa.

Se ela vai fazer isso com outra criança? Querem saber? Talvez não mais do que isso. A razão é que o motivo que a impulsionou era a iminente e previsível cura da Clarissa. Desde o início, quando a contratamos, foi dito que duraria algo em torno de 10 a 11 meses e que assim que a Clarissa ficasse curada do refluxo não seriam mais necessários cuidados especiais ou, dito de outra forma, não precisaríamos mais dela.

Assim, o jogo era manter a necessidade de cuidados especiais. Ela queria demonstar a necessidade da sua permanência. Não mais que isso, embora os métodos utilizados.

E por isso a inteligência do mal: fazer as coisas no limite necessário, não mais. O mal, quando utilizado de forma inteligente, não "liquida" a sua vítima; a mantém viva, dependente dele. O mal conta com a inocência do bem, com a ingenuidade das pessoas em insitir que "o bem sempre vence". Assim agimos no cotidiano quando buscamos sobreviver, utilizando doses homeopáticas de maldade. É o que chamamos de "sistema", ou quando dizemos "o sistema é assim".

A natureza da Natureza é a predação. A única diferença está no grau: maior ou menor dose. Todas as espécies se alimentam das outras para sobreviver. A cooperação só existe intra-grupos e tão somente com o objetivo de se defender de outros grupos, ou mesmo de extinguí-los, caso representem uma ameça constante. E mesmo no ambiente de cooperação - característica mais externa do que interna, existe a predação materializada na disputa pelo poder, pela liderança do grupo e, até mesmo, pelas melhores fêmeas.

Sob a carapaça de uma pessoa querida (imagina, até fazia coisas para mim) escondia-se uma pessoa que, no fundo no fundo, buscava defender-se das necessidades da vida. Não que isso seja motivo para agir assim - mesmo por que a maioria das pessoas que passam por necessidades não saem por aí fazendo coisas do gênero a toda hora - mas sabe-se lá deus que outras razões a levam a escolher esse tipo de comportamento.

A vida que levamos nós mesmos escolhemos e construimos. Ninguém mais o faz por nós. De certa forma - e é uma maldade minha dizer isso - ela vai continuar o resto da vida na vila onde mora. Nós não!

Ps.: devo atualizar diversos links, mas isso farei aos poucos...

Pois é,

Duas horas antes do ocorrido...

Estava eu a tomar um belo banho, quase que inaugurando as instalações de água quente, quando o vizinho de baixo bate na porta.

- Afonso!
- Que foi, fulano?
- Tá chovendo água quente no meu banheiro!
- Não é possível, falei. O banheiro é todo novo, inclusive os canos e ligações!
- Vamos lá para dares uma olhada.

E lá fui eu já imaginando o pior... De fato, era como se meu chuveiro estivesse instalado diretamete no teto do banheiro dele. No chão, abaixo da lâmpada, jazia um balde já cheio d'água. Com uma cara um tanto debochada, enfiei o dedo na água e disse:

- É, tá quente mesmo!

Ainda bem que o cara é de boa paz. Retornei ao meu ap e liguei imediatamente para o mestre de obras. "Fulano, tá acontecendo assim, assim. Vem pra cá amanhã cedo e resolve!" Ainda bem que temos quatro banheiros e num deles mandei colocar um chuveiro elétrico. E como fica na cobertura, se chovesse seria problema só meu...

No outro dia, depois de vários testes, cola daqui, cola dali, e nada - cada vez que se ligava o chuveiro chovia lá embaixo -, não houve alternativa a não ser ... quebrar o banheiro novinho em folha.

Parece que é sempre assim: se tiver que quebrar, quebra na parte mais cara. E não há nada mais caro do que piso de banheiro, ainda mais quando se usa porcelanato, que exige um rejunte que custa os olhos da cara, também.


Na hora do ocorrido...

Mas como ia dizendo, a Clarissa estava aos berros no colo da babá...

Em seguida a Kaya chegou. Observamos que ela levava a mão em direção da orelha esquerda, como num ato de defesa e, talvez, para fazer parar a dor. A Kaya tentava tocar e ela não deixava, sempre chorando. Não conseguimos examinar para ver o que era, pois ela não deixava, tamanha devia ser a dor. E mais ainda por ter acordado com a dor. O susto era maior ainda. Notei que a orelha estava muito vermelha.

Ligamos imediatamente para o pediatra. A primeira hipótese é sempre doença. Uma otite, talvez. Isso o médico descartou:

- Otite não aparece assim, de uma hora para outra. Normalmente é precedida por uma gripe, resfriado ou outra situação em que o bebê já está debilitado, o que não era o caso dela. Ela está bem. Vamos dar um remédio para a dor e acompanhar. Se persistir, tragam ela aqui. Estou de plantão no hospital.

Fui para um canto do terraço e falei:

- Doutor, a orelha dela está muito vermelha. É possível que isso seja resultado de uma agressão?
- Olha, Afonso, diante do quadro que vocês me contaram não é de se descartar essa possibilidade. Não é comum bebês acordarem, sem mais nem menos, aos gritos e se defendendo como ela está. É bom observar isso.

Demos o remédio e, meia hora depois, a Clarissa estava dormindo na maior tranqüilidade. Chamei a Kaya e falei:

- Não importa o que aconteceu. Não temos como provar nada, mas, por via das dúvidas, estamos tratando com a segurança dela. Já temos aquelas outras situações e não é hora de arriscar. Hoje ela dorme conosco e amanhã cedo bota a babá na rua, definitivamente.

Embora não possamos provar, o que nos impede de uma ação mais rigorosa, não há dúvidas de que ela deu um enorme biliscão na orelha da Clarissa enquanto ela dormia. É a única explicação para a vermelhidão e a dor. Felizmente a coisa parou por aí.

Há uma possível explicação para esse comportamento, mas fica para amanhã... O mal é muito mais inteligente que o bem.

Vamos aos fatos...

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Pois é,

Mudança marcada para o dia 20 de julho. A última coisa que faltava terminar na obra era a tal da escada que, diga-se de passagem, era o gargalo. Tudo dependia dela, pois mais da metade da mudança iria para a cobertura.

Tudo combinado e acertado com a empresa que fez e iria montar a escada: dia 19 ela estaria pronta. No dia 20 à tarde, quando a mudança chegaria, existiam apenas 2 dos 12 degraus previstos.

Duas semanas antes...

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Preciso falar algo muito sério contigo!
- Ih! Doeu! (em geral, assuntos sérios da Kaya doem no bolso)
- Sem brincadeira!
- O que houve dessa vez? Juro que não fiz nada! E se fiz, não era eu!
- Acho que vi a .... dando um tapa na bunda da Clarissa.
- Imagina, impressão tua! Vai ver é um daqueles tapinhas carinhosos que tudo mundo dá. Conforme a gente olha pode parecer que é tapa de verdade. Afinal, ela está com a gente há dez meses. Certamente não faria isso.

E o assunto ficou por isso mesmo.

Uma semana antes...

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Preciso falar algo muito sério contigo!
- Ih! Doeu! (em geral, assuntos sérios da Kaya doem no bolso)
- Sem brincadeira!
- O que houve dessa vez? Juro que não fiz nada! E se fiz, não era eu!
- A ... (empregada) me telefonou falando da babá.
- E daí? Ela faz isso todos os dias.
- É, mas dessa vez a coisa é grave!
- E o que ela te disse?
- Que já era a segunda vez que ela via a ... jogando fora o remédio da Clarissa em vez de dar para ela.

(Aqui cabe uma pequena explicação: pela manhã, enquanto nos arrumávamos, a babá estava encarregada de preparar a Clarissa e de dar os remédios. Nesse momento - e sabe-se lá Deus em que outros - é que ela estava jogando fora os remédios)

Reunião de família...
Presentes: eu e a Kaya
Pauta: o que fazer?

Aos xxx dias do mês de julho de 2006, reunidos no banheiro da casa (sim, pois a babá andava solta por todo o resto) Afonso e Kaya reuniram-se para decidir o que fazer diante das informações de que a babá, vulgo ...., estaria jogando fora os remédios da Clarissa.

- "Põe na rua amanhã mesmo!", falei, e com ares de quem manda na casa...
- Não posso!
- Como, "não pode"?
- Olha a bugança que está essa casa! E como é que vou conseguir arrumar tudo para a mudança com a Clarissa no colo? Assim não dá. Temos que ficar com ela até nos mudarmos.
- Que seja! Mas assim que a gente se ajeitar no novo apartamento, ela vai pra rua!

Nada mais tendo a relatar, eu, Afonso, que a tudo assisti, assino e dou fé!

(nesse meio tempo, a Clarissa, talvez em virtude do pó gerado pelos preparativos da mudança, pega uma dermatite de contato. Visitas ao pediatra que receita os remédios apropriados - mais dois entre os tantos que ela já tomava - e nada da coisa sarar...)

No dia da mudança...

Como a escada não estava pronta e a casa estava cheia de pó, sujeira, mudança empilhada e serragem, a dermatite tomou conta de todo o corpo da Clarissa, quando a trouxemos no final do dia.

Uma semana depois...

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Finalmente vou conseguir descansar um pouco. A Clarissa está dormindo, vou lá em cima fumar um cigarrinho e descansar 15 minutos. Depois vou ligar para o pediatra, pois não há jeito dessa dermatite acabar. Já estamos dando o remédio mais forte e nada...
- Vai e aproveita.

Ato contínuo, ouvimos a Clarissa aos berros, desesperada de dor. Algo como nunca tínhamos visto, sequer quando ela estava com esofagite. Saí correndo e fui até o quarto dela. A babá estava com ela no colo. Perguntei o que havia acontecido e ela me respondeu que não sabia, que a Clarissa havia acordado chorando...

VOLTEI!!!!!

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Pois é,

Por incrível que pareça!

Talvez não me acreditem se eu disser que aquela companhia telefônica, que eu me recuso a dizer o nome, me deixou 40 dias sem ADSL. Isso mesmo, QUARENTA DIAS!!!!

Problemas? Imagina! Essa palavrinha é insuficiente para descrever tudo o que aconteceu na mudança. A começar pela tal escada. Vou contar tudo, não se preocupem.

O pior acontecimento, no entanto, foi um daqueles que a gente acredita que só acontece com os outros: a Condessinha foi agredida pela babá. Pasmem! Depois de 10 meses cuidando dela! Eu conto, calma!

Não terei condições de atualizar a leitura atrasada dos blogs. Imagino, pelas visitas que recebi, que todos ainda estejam por aí. Retornarei um a um.

Muitas coisas mudaram, não apenas a mudança de apto. Novas rotinas (sem a babá) e ter que lidar com algo que eu não esperava: foram tantos os problemas que ainda não consegui sentir que estou morando numa casa nova. Não deu tempo de curtir, tantas são as coisas que faltam fazer. E isso é ruim, pois quando a gente sonha com algo e consegue, mas não sente que tem...

A Condessa está ótima, apesar do ocorrido. Totalmente curada do refluxo e de outros probleminhas havidos no caminho. Já não toma mais nenhum remédio. E fez um ano essa semana (dia 7, lembram?).

Troquei de cia telefônica. Acabo de receber o novo modem e consegui retornar ao mundo. Aos poucos vou revisitando vocês. Gracias pela paciência e um beijão em todos.

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