Agora já dá para contar! - VII, a pior parte

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Pois é,

"Está chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, e eu tenho que ir embora..."

O teste está começando. Para pessoas, como eu, juntadeiras, o maior sacrifício é fazer uma mudança. Não que não as tenha feito inúmeras vezes. Como filho de milico, já as fiz aos montes. E mesmo depois de adulto, e por conta própria, essa será a oitava. No total, quatorze. O que dá uma média de uma mudança a cada 3,5 anos. É mol?

Sou doente, admito! De qual doença não sei, mas os psi já devem ter catalogado o meu caso. E se não o fizeram ainda, faço eu, pois o Chato também ajuda os psi: quatorze mudanças acabam por gerar, inconscientemente, um certo sentimento de instabilidade, daí a necessidade de guardar tudo. É como se cada pedacinho de papel guardado, cada latinha velha, cada notinha de supermercado, cada ..., representasse a segurança de uma história de vida; de que algo ao menos se mantém. Para os outros, certamente não passa de "lixo".

Mas há um significado nisso tudo: livrar-se do "lixo" é morrer. Ou deve ser. Não nasci para Buda e admiro pessoas que, em certos momentos da vida, resolvem abandonar tudo para construir "um novo viver". Sem nada daquilo que haviam "juntado" até então.

Ainda devo voltar umas quatorze encarnações. Enquanto isso, começo a "limpeza", que é para não levar "lixo" para a nova casa...

5 Comments

aha! dessa vez eu ganho de você: já me mudei muito mais do que quatorze vezes, mais do que quatorze vezes dois, que até perdi as contas. Bem, acho que sei o que vc. quer dizer com o processo de instabilidade...

Quanto a ser "juntadeira", não. Comigo acontece o inverso. De vez em quando me dá um pânico e tento me livrar de tudo o que tenho (quase tudo) porque já sei que uma mudança vem vindo... ai!
Só que essa coisa de Buda também não é comigo. Queria que fosse...

Seja como for, está muito divertido ler os seus posts.
à mudança, amigo!

assim é fácil: o próprio "paciente" já dá o entendimento... :)
que bom!

pois nem sempre é fácil abdicar de tudo para largar-se em outros projetos (ainda mais quando estes tropeçam no caminho). mas é válida a tentativa... ainda que em menor escala, tente deixar algumas notinhas de supermercado para trás... :D

boa sorte!

pois o único prazer que eu tenho com mudanças é justamente a hora de jogar a tralha fora. eu adoro fazer limpeza, tipo me livrar de papéis inúteis e separar roupas pra doar. aliás, isso de separar roupas em bom (às vezes ótimo) estado que não são usadas há pelo menos um ano para doação já virou hábito aqui em casa. eu me sinto mais leve, sem a sensação de estar acumulando coisas sem serventia. um beijo e boa mudança pra vocês (se é que isso é possível!)
:o)

Já fiz inúmeras mudanças e tenho este mesmo problema eM juntar tralhas... Desenvolvi técnicas para driblar minha mãe e afastar suas ávidas mãos de minhas coisas. Mas eu acho que isso não psique e sim, genético. Meu avô paterno, meu pai, eu e agora o Léo. Todos com essa "mania" de guardar T.U.D.O.

Afonso, eu sei o que você passou. Eu me mudei de estado e tive que fazer uma "escolha de Sofia" com um monte de coisas. Aguardo o resto da história. Beijocas

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on junho 29, 2006 6:46 AM.

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