janeiro 2006 Archives

Pois é,

O Chato, lembrando dos seus tempos de solteiro, morando sozinho, e preocupado com tantos quantos vivem essa situação (vide Sêo Síndico e El Rey) resolve lançar a série "Gororobas que solteiros, que moram sozinhos, devem saber fazer".

Papai e mamãe - ou seria mamãe e papai? - depende de quem fica por cima, né? - foram os únicos que acreditaram na sua porralouquice de querer mostrar independência. Até te perguntaram qual o nome da guria, mas tu, como bom vivente, negou dizendo que era muito importante para a formação da tua psiquê e coisa e tal.

Mas bem, mamãe, penalizada com a penúria da geladeira do teu cafôfo (que ela viu com os próprios olhos da última vez que te visitou), convenceu teu pai a fazer um churrasco no domingo e a te convidar. Não sem antes escutar diversos imprompérios daqueles que jamais tinhas visto teu pai proferir. Coisas do tipo "aquele piá de merda que se vire! Não quer bancar o machinho? Pois que coma o pão que o diabo amassou! E por aí vai.

Bem sabemos nós como são as mães. A todos - e a tudo - demovem para cuidar dos filhotes. Tu vais, meio a contra-gosto, mas vai. Afinal, mamãe não merece desfeita. Por outro lado, vá que ela resolva cortar aquele dinheirinho que te dá "por fora", sem que teu pai saiba... Mãe é mãe, também sabe chantagear.

Ao chegares, e depois de dizer um "oi velho" e de receber um grunhido que só teus ouvidos escutaram, notas que há, na churrasqueira, um lombinho de porco de tamanho suficiente para alimentar seis pessoas. Mas vocês são apenas três: papai, mamãe (ou será mamãe e....) e tu.

É nessas horas que o universo parece conspirar a teu favor (ou terá sido mamãe?). Mais estranho ainda parece aquele lombinho, pois teu pai é judeu quase ortodoxo. Só não come porco. Dividido por dois, tua imaginação (e a fome durante a semana) começa a viajar na maionese que, por sinal, estava lá, bem servida e com alface decorando.

Nem pensa na cerveja, filho ingrato! A vigança do teu pai foi comprar apenas Coca Light Lemon. Toma uma pra não fazer desfeita pro velho.

Depois de agüentar uma tarde inteira ouvindo teu pai dizer que fugiu da guerra e que fez a vida sozinho num país estranho, olha bem na cara dele e diz que és diferente dele, que não estás fugindo dessa guerra pós-moderna e globalizada que é viver no mundo atual. Que és um corajoso ao enfrentar chegar em casa de madrugada e bêbado, correndo o risco de ser assaltado, quase todos os dias.

Na hora de ir embora, não olhe e nem pergunte o que é que aquele saquinho de supermercado faz no banco de trás do teu carro. Dê beijinhos na mamãe e vá direto para casa. Guarde o saquinho na geladeira (o do super, sua anta!). Durma, pois hoje comeste do bom e do melhor.

No outro dia, à noite, abra a geladeira e verifique o conteúdo do saquinho. Surpresa! É o lombinho de porco que sobrou e que mamãe amorosamente guardou pra ti. Mas eis que bate o desespero: o que fazer com o lombinho?

À moda econatureba não dá. Primeiro, porque não és eco, muito menos natureba (solteiros que moram sozinhos, por definição, não podem ser econaturebas). Segundo, porque econaturebas não comem carne (pelo menos é o que eles dizem. Quem garante que sozinhos em casa não comam?). Terceiro, pra isso existe a Culinária do Chato, pra te ensinar maneiras gostosas de preparar sobras de churrasco.

Todo solteiro que mora sozinho deve saber fazer um bom carreteiro de churrasco. É fácil, qualquer um pode fazer. Mas, atenção: as quantidades indicadas, se levadas ao pé da letra, resultarão em um carreteiro para:

(1) dez pessoas acostumadas a restaurantes caros, daqueles que servem 50 gramas de carne e uma folha de alface por R$150,00, dizendo que vêm com a assinatura de um grande "chef";
(2) oito pessoas acostumadas a serem educadas e que se dizem satisfeitas, embora quisessem comer mais;
(3) seis pessoas normais;
(4) quatro pessoas sem muita cerimônia;
(5) duas pessoas, como eu e a Kaya por exemplo, que comem, cada uma, por duas;
(6) uma pessoa, desde que classificada na categoria dos "obesos em geral".

Corta o lombinho em fatias de aproximadamente três quartos de um dedo indicador médio. Após, corta cada fatia em cinco tirinhas de aproximadamente um dedo mindinho médio. Novamente, corta cada tirinha em cubinhos de aproximandamente uma unha de um dedão médio.

Coloca três colheres de azeite de oliva para esquentar numa panela de ferro. Certo, tu és um solteiro que mora sozinho e certamente não tens panela de ferro. Um conselho: guarda um pouco daquele dinheirinho que mamãe te dá escondido e vê se compra uma caçarola de ferro. Dessa vez passa.

Corta bem picadinho três dentes, médios, de alho e coloque para fritar, depois que o óleo estiver quente. Como saber se o óleo já está quente? Não vá enfiar o dedo que queima! Joga um pequeno pedacinho e veja se saltou na tua cara. Se sim, o óleo está no ponto; se não, espera mais um pouco e joga outro pedacinho. Se sim... Quando o alho estiver fritinho (acostume-se! Solteiros que moram sozinhos de quando em vez soltam esse tipo de expressão, principalmente depois de uma semana sem comer ninguém), coloque o lombinho para fritar também.

Pica (não confunda. Essa é do verbo picar) uma cebola média bem picadinha e jogue na panela. Mistura bem e deixa fritar mais um pouco. Quanto? O suficiente para tomar uns goles daquela Coca light lemon que teu pai escondeu no teu carro e que tu, muito safado, resolveste guardar. Coloca um punhado médio de orégano e outro, médio, de pimenta do reino.

Encha uma xícara média de arroz. Agora aguarda a publicação do próximo post onde vamos discorrer sobre: "Vantagens e desvantagens de se lavar o arroz antes de fazê-lo", "Fritar ou não fritar o arroz, eis a questão" e "Água quente ou água fria para cozinhar o arroz? Oh Dúvida!".



Pois é,


A salada que vamos apresentar hoje pode ser feita de três maneiras:

(1) à moda econatureba;
(2) à moda preguiçoso;
(3) à moda "meu pai".

Os ingredientes são os mesmos, o que muda é o tempo de preparo.

A maneira econatureba é a mais demorada e depende de algumas situações particulares. Aviso: nem todos poderão fazê-la dessa maneira, como veremos. Fazê-la como fazem os preguiçosos, como o nome já dá a antever, é a maneira mais fácil e rápida. Não que o sabor seja diferente, mas perde, em muito, aquele prazer de "meter a mão na massa", que as outras maneiras têm. A forma como "meu pai" fazia, além de ser a mais gostosa, é diferente. Enfim, vamos ao que interessa. Antes, porém, outro pequeno aviso: as quantidades indicadas, se levadas ao pé da letra, resultarão em uma salada para:

(1) dez pessoas acostumadas a restaurantes caros, daqueles que servem 50 gramas de carne e uma folha de alface por R$150,00, dizendo que vêm com a assinatura de um grande "chef";
(2) oito pessoas acostumadas a serem educadas e que se dizem satisfeitas, embora quisessem comer mais;
(3) seis pessoas normais;
(4) quatro pessoas sem muita cerimônia;
(5) duas pessoas, como eu e a Kaya por exemplo, que comem, cada uma, por duas;
(6) uma pessoa, desde que classificada na categoria dos "obesos em geral".

1. Preparo à moda econatureba.

1.1 Ingredientes

Atenção: não vale "roubar" os ingredientes dos vizinhos. Lembre-se, a filosofia do econatureba é o "fazer com as próprias mãos" ou, como diriam os mais religiosos, "comer o pão feito com o suor do próprio rosto". E, nesse caso, você vai suar muito.

Primeiro - e mais importante de tudo - plante. Plantar resolve todos os problemas, além de economizar na consulta ao psicólogo, que será desnecessária.

Um terceiro aviso importante: não use sementes transgênicas. Além de não comprovados os malefícios que podem causar, você estará apenas contribuindo para aumentar a riqueza dos donos e investidores da Monsanto. Enquanto você permanece um econatureba pobre.

Plante uma oliveira, uma macieira, uma batateira, um pé de alface e uma ceboleira. Desnecessário dizer que a oliveira deverá ser plantada em primeiro lugar. Depois a macieira. Esse é o segredo da receita, que só Chato revela pra você! Em nenhum outro site gastronômico vão te contar isso.

Sente e espere. Esperar o quê? Que uma conjunção estelar faça com que todas elas dêem resultados ao mesmo tempo. Caso contrário você terá que comprar alguns dos ingredientes no supermercado. Aí, você só poderá fazer a receita à moda preguiçoso.

Se você não tem um galinheiro em casa está em maus lençóis, pois irá precisar de ovos para a maionese e para a decoração. Em todos os casos, ainda há tempo de resolver esse pequeno probleminha. Corte uma árvore e dela faça diversas tábuas para construir um galinheiro. Reserve um pouco da madeira para o fogo. Arranje uma galinha (não vale "roubar" dos vizinhos) e faça-a colocar vários ovos, desde que na época da floração (obs.: não vale dar ração escondido para a galinha).

Calcule o tempo de floração. Quando chegar nessa época, chame seu melhor amigo e parceiro e saiam para uma pescaria no mar. Escolham, para começar, um local em que possam coletar sal. Bastante sal. E marinho. Sal de saquinho e iodatado é coisa de preguiçoso. E essa veremos depois.

Vocês irão pescar atum. Não confundam, por favor, atum com sardinha. Sardinha vem em latas e você acha no corredor próximo ao local dos hortifrutigranjeiros. Por quê? Porque pesquisas recentes apontaram que pessoas que compram sardinhas em lata também compram mamão, giló, pimentão amarelo e lava-louças sabor côco.

A pesca de atum é feita em alto mar e é perigosa. Lembre-se de levar o EPI. Contate o IBAMA e obtenha, antes, a LI e a LO. Um quarto aviso importante: o IBAMA exige carteira de identidade e o comprovante de votação no plebiscito sobre o desarmamento. Ouvi dizer - e é só fococa - que se você votou no não, eles complicam (dito de outra forma, aqueles pilas reservados para a faculdade da sua filha vão dançar). Seja um econatureba responsável. Pense nas gerações futuras. Pegue apenas um atum. Você só vai precisar de umas 240 gramas dele (não esqueça de ralar. O atum, sua besta!). O que fazer com o resto?

Devolva para o seu amigo e parceiro. Lembre-se que você é um econatureba e, portanto, não tem carro, não tem barco, não tem EPI e, se não fosse por seu amigo e parceiro capitalista, não teria a salada também. Nada mais justo, então, que ele fique com os lucros da pescaria ou, como se diz modernamente, com os lucros de ter nascido um empreendedor. Ou, mais pós-modernamente ainda, um facilitador, que são aquelas pessoas que têm tudo o que tu não tens e que te facilitam realizar aquilo tudo que eles nem imaginam fazer com todo o dinheiro que tem. Mas cobram. E caro.

Colha as batatas, a cebola e maçã. Não esqueça de pegar os ovos no galinheiro. Colha, também, 352 azeitonas, esprema e delas faça 10 colheres de azeite de oliva.

- Mas, Chato?
- Sim?
- E qual a diferença entre virgem e extra-virgem?
- Essa é fácil. A virgem deixa bolinar mas não deixa meter.
- E a extra-virgem?
- Essa nem bolinar deixa!

Parece que já temos todos os ingredientes econaturebas:

- 1500 g de batatas, colhidas e descascadas com as próprias mãos;
- 1 cebola, colhida e descascada com as próprias mãos;
- 1 maçã, tirada ao pé com a própria mão (basta uma para pegar uma maça);
- 240 g de atum, ralado (é o atum que vai ser ralado, não as gramas) com as próprias mãos;
- 3 ovos, retirados do galinheiro com as próprias mãos;
- 10 colheres de sopa de azeite de oliva, espremidos com as próprias mãos;
- sal a gosto (o que sobrou na palma da mão, após passá-la no mar);
- suor do próprio rosto (sem ele os mais religiosos não podem fazer a receita).

Atenção: na foto acima pode-se vislumbrar a coxinha da galinha que foi assada. Não recomendamos aos econaturebas que matem sua galinha. Poderão ficar sem seus ovos (os da galinha, sua besta!).

A seguir: 2. Preparo à moda preguiçoso



Pois é,


Para ler desde o início, tudo junto, clique na categoria São tantos os tempos...

- Kaixo, meu irmão!

- Que saudades dessa expressão. Era nossa língua na época.
- Era!?
- Certo, vocês não podem saber. É que hoje falamos uma única língua.
- Não pode ser! Mesmo agora ainda existem alguns milhares...
- Sim, mas foram acabando aos poucos. E de forma natural. Não houve prevalência de nenhuma delas. Foram se misturando... se misturando... até que surgiu uma língua comum.
- Imagino então que vocês não devem estar me entendendo.
- Por quê?
- Porque sou o mais antigo de nós e ainda falo nossa língua.
- Não, não és! Tivemos outro antes de ti, lembram?
- Já disse que nasci um camponês analfabeto e de poucos pensares. Não tinha tempo para ficar pensando nessas coisas.
- Ele tem razão. Eu fui o primeiro de nós a se dar conta disso.
- Sim, sabemos.
- Eu mesmo, só descobri essa língua há pouco tempo...
- Pois devias estudá-la mais. É a língua do nosso povo.
- Não perde teu tempo, vai desaparecer. No que te resta ainda de vida, nada vai mudar. Todo sentido de preservação não trará resultado algum.
- Começo a pensar que vocês estão de brincadeira comigo! Estou no meio e não sei nada da vida de vocês.
- Eu também não!
- Nenhum sabe da vida do outro. Mesmo eu, distante no tempo em relação a vocês, nada sei. Pensando bem, até que gostei da tua idéia de fazermos essa reunião.
- Eu não sei. Não gosto muito de pensar no futuro. Ainda mais tendo a certeza de que voltarei mais duas vezes...
- No mínimo, meu caro, pois tenho alguns indícios, aqui dentro, sobre a existência de outros.
- E o primeiro virá?
- É difícil. Éramos muito primitivos naquela época. Mal comparando, era como se fossemos um bebê, pouco teria de lembranças para trazer. Fiquemos sem ele.
- Penso que deveríamos trazê-lo. Afinal, daqui onde estou, talvez seja importante ver onde tudo, exatamente, começou. Aqui não temos ligação com o passado.
- Mas, e onde - ou quando, seria melhor dizer - estás?
- Muitos e muitos anos na frente de ti. Alguns milhares. E de ti mais ainda...
- Sempre sonhei com a vida num futuro. Viagens espaciais, outros planetas...
- Pois eu não. Mal tenho tempo para pensar no inverno que se aproxima.
- Esqueçam! Não há nada disso.
- Como assim?
- Calma! Não vamos inverter a ordem. Estávamos falando do nosso encontro com o irmão daquela época.
- É, foi quando vocês me interromperam.
- Prossiga, então!



Dignidade Humana

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Pois é,


Pretendia publicar a continuação da historinha que venho escrevendo, mas um comentário da Leila, vizinha de condomínio, me fez repensar o assunto "desemprego".

Tenho, cá com meus botões, que o verdadeiro sentimento do que seja a tão falada dignidade humana, só o percebemos quando estamos desempregados.

Normalmente vemos o desemprego como mera estatística. Estamos acostumados a ver notícias relatando o aumento ou a diminuição do taxa de desemprego com tanta naturalidade quanta a que temos ao tomar banho. Mas não é - e não deveria - ser bem assim.

Convém lembrar que, a priori, todos nos achamos competentes naquilo que fazemos. É natural. Nenhum ser humano tem de si uma imagem ruim. Os que tem devem tratar-se, pois isso é um disturbio, uma disfunção ou, como talvez digam os psi, uma patologia.

Falando como leigo, creio que podemos dizer que um ser humano se sustenta em um tripé de conceitos, ou "visões": (1) a auto estima, que diz respeito ao modo como vemos a nós mesmos; (2) a alteridade, nossa consciência do outro e, muito importante, como os outros nos vêem e como pensamos ser vistos pelos outros e, (3) a dignidade humana, que diz respeito àquilo que todos temos em comum e nos define com seres humanos, distinguindo-nos do restante do mundo animal. E também, creio, a dignidade humana é a base do altruísmo. Nossa essência, enfim.

O desemprego nos atinge de formas diferentes e com profundidades diferentes, conforme o tempo. Começa por atingir a auto estima. Por mais consciência que tenhamos da nossa capacidade, das nossas habilidades, enfim, da nossa competência profissional, quando somos demitidos não é essa a parte atingida. Permanecemos, no início, cônscios do nosso profissionalismo. Mais, somos conscientes das nossas falhas e de que existiriam formas de superá-las. Bastaria que as organizações investissem no desenvolvimento das pessoas. Tanto é assim, que logo após a demissão, buscamos cursos e outras tantas maneiras de aperfeiçoar nosso "currículo". Não é por aí, portanto, que nossa auto estima é atingida.

A primeira fase do desemprego é aquela em que não acreditamos ser possível que tenha acontecido conosco. Aí começa a fraquejar a auto estima. Nas nossas crenças. E a primeira delas é a de ser "imune" aos eventos da vida. Tudo acontece com os outros, menos com a gente. Eu fumo e bebo, mas somente os outros morrem de câncer ou de cirrose. Nossa crença na imunidade faz parte - e grande parte - da auto estima. Não sei se existe, mas poderíamos chamar de "complexo de super-homem". Somos indestrutíveis. Até o primeiro desemprego, que é quando descobrimos nossa kriptonita. E aí nossa auto estima começa, literalmente, a ir para o brejo.

Em um desemprego rápido, isso é relativamente superado - não sem conseqüências - pois contamos com o segundo pilar: os outros. A família, os amigos e algumas outras pessoas, nos ajudam a superar o período. Em boa parte dos casos, pra não dizer na maioria deles, até financeiramente. Se a situação for resolvida logo, tudo bem. O difícil é quando esse período se prolonga. Aí somos atingidos na nossa imagem social. Tanto a que fazemos do que os outros pensam a nosso respeito, quanto aquela que efetivamente os outros tem de nós. E cai por terra a nossa independência.

A independência está para o outro assim como imunidade está para a auto estima. Nossa sociedade estigmatiza as pessoas dependentes. Não importa por qual motivo. O conceito de independência é tão forte, que tem sido transferido e imposto às mulheres. Independência de tudo e a todo custo. E o desempregado perde justamente a sua independência. Vive de pedir. E, já fracos pelo efeito da kriptonita, qualquer ajuda começa a soar como esmola. E esmola nos remete a quando a damos na rua. Não vemos o outro, somente a nossa satisfação - no sentido de realização - ao dar a esmola. Tudo se torna diferente quando somos nós a receber a esmola, mesmo que "esmola" seja um sentimento nosso, que não corresponde exatamente a ajuda que está sendo dada.

É nessa fase que muitos casamentos acabam e muitas famílias se desestruturam. Funciona, aqui, o velho ditado: "o casamento começa na cama e termina no bolso". Já passei por isso.

Por fim, e se o tempo de permanência nessa situação ultrapassar os seis meses - o que é muito comum, visto que a média de tempo para o reemprego anda por volta dos oito meses - começamos a perder nossa dignidade humana. Tornamo-nos diferentes, aos nossos próprios olhos e aos dos outros, dos demais seres humanos. Já, aí, completamente abatido na nossa imunidade e totalmente dependente dos demais, começamos a duvidar da nossa essência humana. Nessa fase até a ajuda da família começa a faltar, até por começarem a pensar - eles mesmos - que somos "vagabundos que só querem viver a custa dos outros". É terrível.

A perda da dignidade humana significa a perda da identidade. A identidade está para a dignidade humana, assim como a independência está para o outro e a imunidade está para a auto estima.

O desemprego atinge os três pilares.

Não pensamos nisso quando vemos as pessoas na rua buscando a sobrevivência; buscando manter, ao menos, a dignidade humana, a sua identidade. Reclamamos do camelô que atrapalha nosso caminho de empregados, sem parar para ver que são pessoas à beira de, muitas vezes, perderem a dignidade humana.

E já notaram como os vemos assim? Uma massa informe, sem identidade, que só nos atrapalha? É como vemos os mendigos e é como vemos aqueles que sequer tiveram tempo, ainda, de formar sua própria identidade: as crianças de rua.

O desemprego não muda porque os empregados não mudam. E os empregados não mudam porque os empregadores jamais irão mudar.

At. às 09:00h: Há uma outra visão sobre a questão. Ler ""Envelhecer" no emprego pode levar à demissão"



Nosso mundo!

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Pois é,


F É R I A S

Estou oficialmente de férias.

Esse é o mundo que alguns dizem ser bom:

OIT alerta para crise de emprego sem precedentes

Diretor-geral da agência convocou líderes a tomarem medidas urgentes

O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia, alertou hoje para "uma crise de emprego sem precedentes" devido à piora das condições de trabalho.

Durante um debate sobre a criação de emprego nas reuniões do Fórum Econômico Mundial (FEM), Somavia convocou os líderes empresariais e governamentais presentes no Fórum a tomarem medidas urgentes para enfrentar a situação.

O responsável pela agência da ONU alertou que a crise global do emprego gera uma preocupação crescente por seu impacto nos mercados e nas receitas, e porque ameaça a credibilidade das democracias no mundo.

Segundo ele, colocar a criação de trabalho, o emprego global, o desenvolvimento de novas formas de capacitação e a mobilidade profissional na agenda do encontro seria um grande passo para conscientizar os líderes mundiais sobre a urgência do problema.

O diretor da OIT acrescentou que, apesar do forte crescimento econômico, de 4,3% em 2005, a economia mundial não responde adequadamente à criação de novos empregos para aqueles que entram no mercado de trabalho.

Somavia ressaltou também que a falta de oportunidades teve um custo muito alto na vida de mulheres, homens e suas famílias, não só porque significa que milhões de pessoas têm renda insuficiente, mas também porque "ter um trabalho decente influi na dignidade das pessoas, na auto-estima e na estabilidade de suas famílias".

Atualmente, a metade dos trabalhadores do mundo (quase 1,4 bilhão de trabalhadores pobres) vive com menos de US$ 2. São pessoas que trabalham na informalidade, que vai desde explorações agrícolas à pesca, passando pela agricultura e a venda ambulante nas ruas das cidades, sem impostos, previdência social ou assistência social.

A OIT lembrou que o desemprego está em seu maior nível e segue crescendo. O problema atinge hoje cerca de 192 milhões de pessoas no mundo (6% da força de trabalho). Destes desempregados, a OIT calcula que 86 milhões, quase a metade, são jovens entre 15 e 24 anos.

Grifos meus. Fonte: http://www.clicrbs.com.br/
PS.: As férias são só do trabalho. Aqui não tem folga.



Pois é,


Acompanhe desde o início: primeiro aqui, depois aqui. Pronto, agora pode seguir.

Não sou homem de muitos pensares. Apenas sabemos fazer o necessário para continuar a vida. Uma vida rude, se comparada a vida dos senhores aos quais temos que dar parte da nossa. Do pouco que aprendi, por tradição, sei que nosso povo jamais deixou-se subjugar. A região sempre foi caminho natural para o espírito expansionista e travessia privilegiada por entre os caminhos das montanhas vizinhas. Desde sempre esteve em disputa pelos senhores, aqueles que nunca pisaram a terra, mas que dela se dizem donos.

A terra é de quem nela pisa e dos pés e mãos faz crescer a vida; alimenta-se e alimenta aos filhos. Como disse, sou homem de poucos pensares. Talvez por isso não entenda bem os tempos que se avizinham. Passou por aqui um cavaleiro, dizendo-se a mando de um grande senhor, convocando os aldeões - não todos, mas aqueles capazes de empunhar uma espada - para defender o reino dos invasores, que diziam ter vindo de terras muito mais longe do que um homem poderia chegar ao passo que tem nas suas próprias terras.

Conheço bem a região. Andei os caminhos que as montanhas permitem inúmeras vezes, desde que sou criança. Nossa casa já não é mais de pura madeira, como a construiu meu avô, mas hoje ergue-se sobre pedras também retiradas às montanhas e muitas delas eu ajudei a carregar, assim como muitas árvores derrubei para fazer madeira. É uma casa simples. Leve nos tempos quentes, forte nas tempestades e suficiente nos tempos difíceis do frio. Aos animais a natureza não os faz sofrer. Aos homens, deu-lhes a inventividade, a capacidade de transformá-la para proteger-se. Não fosse um homem de poucos pensares, pensaria que a natureza é sábia; os homens não. Aqui, a natureza nos dá o que precisamos. E não tiramos dela mais do que isso.

É costume do nosso povo, que o filho primogênito herde a propriedade dos pais. Aos demais, se homens, caberia sair de casa para alistarem-se aos exércitos dos senhores da terra ou ao exército do senhor do céu. Às mulheres restava, ou casarem-se com outros primogênitos - que não eram tantos assim, ou permanecerem na casa do irmão ajudando na criação dos mais moços e dos sobrinhos. E foi assim que, após a passagem do cavaleiro anunciando a guerra vindoura, esperei a chegada do meu irmão. Pressentia seu aparecimento. Ele não teve por outra opção a não ser juntar-se ao exército de um senhor que se dizia rei dos povos a leste das nossas terras.

Imagem: http://www.probicosl.com/html/viviendatradicional.htm
PS. Estou viajando. É pouco provável que tenha acesso à blogosfera até quinta-feira. Se morrer, vocês saberão logo. A Verbeat tem um serviço de anúncios fúnebres impecável.



Pois é,


Que seja dito, a bem de preservar a verdade, que romance há. O aviso foi dado para que não se imagine tratar-se daqueles romances de deixar mocinhas a chorar. Mas camponeses analfabetos, em plena idade média, também amam. E nem sempre os filhos são feitos para se ter mão-de-obra para capina e colheita. Há, ao menos, aqueles que são frutos do amor. Pelo geral não mais de dois ou três. Os demais até podem ser frutos da natureza.

De aventura também não se pode falar, quando se é convocado para um grande exército, somente para tirar as terras de outros camponeses, também analfabetos e da mesma raça, e apenas por vontade de um rei. Talvez dele, o rei, se possa falar em aventura. De uns poucos a história registra a vida como feita de heroismo. Dos pobres e daqueles que morrem aos montes, desses ninguém sabe e nada se registra.

Um rei havia. Rei não, Imperador! Sabemos, hoje, que imperador era mais que rei. Nossa tranqüila vilazinha foi, desde tempos imemoriais, porta de passagem de exércitos ansiosos por conquistas territoriais e expansionistas. Os romanos cá estiveram e deitaram ao chão um acampamento, lá pelo século segundo após aquele que diziam ser o Cristo. Não o conhecemos pessoalmente - o Cristo, claro - posto que os romanos há muito foram expulsos da região.

Eis-me cá, agora, e quando falo agora, refiro-me ao tempo de hoje, sem entender bem a razão de ter nascido nesse lugar e nessa época. Bem poderia ter nascido duzentos anos após e ser um feliz trabalhador da indústria ou, quem sabe a sorte tivesse se lembrado de mim, nascido um grande industrial. Mas não. Nasci camponês em meio a uma batalha da civilização.

Meu pai, na virtude da sua simplicidade, ensinou-me duas coisas apenas: a amar a terra e a amar nossas origens. Por mais desconhecidas que sejam. Não importa. O que vale é a tradição, o sangue, a língua. Minha mãe, na sua virtude de mulher, ensinou-me a amar a família. A preservá-la acima de tudo. A respeitar os filhos e a guardar os pais e avós. Não conheci meus avós, mas guardo-os, conforme me foi ensinado. No meu tempo as pessoas ainda morriam cedo. Em plena força. Por isso aprendemos a respeitar os mais velhos. Ainda tinham a mesma força de quando eram jovens. Morriam de doença, não de tempo. E morriam nos ensinado a vida. Sei bem, pelas vidas futuras que tive, das quais falarei adiante - pois são futuras, já disse - que isso deixou de ser importante, nos dias contemporâneos.

Imagem: http://www.specola.unifi.it/cere/collezione-ceroplastica.htm



Pois é,


Nasci no mundo errado. Ou na época errada. Tanto faz. Talvez o fascínio por certas épocas, pretéritas ou futuras, cause essa sensação de delocamento. O certo é que não sou do agora. Mas também não de qualquer época. Algumas em especial.

Das pretéritas, estive em duas, com certeza. E algumas outras de vagas lembranças. A primeira, na Terceira Era da Terra-média e, após, na que comumente os historiadores a ela se referem como Idade das Trevas. Injustamente, é claro. Pois como estava lá e a tudo recordo, reputo no mínimo leviano esse rótulo. Das futuras falarei depois. Afinal, são futuras; e perderiam a graça caso as contasse antes de contar as pretéritas. E é o que faço agora, primeiro as pretéritas, depois as futuras.

Façamos, antes, um breve e necessário exercício de imaginação. Fechem os olhos e procurem visualizar uma pequena travessia por entre os Pirineus. Única passagem, e somente durante o verão, entre o que conhecemos, atualmente, por França e Espanha. Não, não vou descrever a paisagem aqui. É um exercício, lembram? Qualquer coisa que escrever jamais corresponderá a realidade do que vocês mesmos podem estar imaginando, se é que realidade e imaginação podem ser a mesma coisa. Até porque, eu descreveria a paisagem de mil e tantos anos passados. Vêem aquela árvore? Sim, pensarão consigo. Mentira, eu lhes diria. Eu mesmo a derrubei para fazer a mesa onde comíamos, minha família e eu. Muitas árvores foram derrubadas de lá para cá. Não será a mesma coisa, se é que me entendem. Abram os olhos!

Não haverá aventura e não há romance. Somente a simples vida de um camponês que veio ao mundo e tal qual sairá dele. Não sabia, até então, ocupado que andava com a vida, o que era passado e, menos ainda, o que seria futuro. Futuro devia ser deixar essa pequena porção de terra, que dirão, à época, me pertencer, ao meu filho primogênito, embora tivesse mais oito a pedir comida todos os dias.

Paremos com essa confusão temporal. Narrativa hoje de um tempo pretérito descrevendo algo que poderia ou não acontecer num futuro que, visto de hoje, é um pretérito que não aconteceu. Ou teria acontecido caso as circunstâncias tivessem sido outras. Fechem os olhos novamente e retornemos ao presente. Presente no passado. Claro que, em assim sendo, hoje seríamos o futuro do presente.

Ótimo! Assim está melhor. Retorno a minha vida presente no passado. E se hoje estou aqui, é porque também estive lá e fui, pasmem, pai do meu filho! E que resultou ser, ao longo dos anos e anos, meu ancestral. Já devem estar imaginando que no futuro serei um descendente de mim mesmo. Calma, o futuro vem depois!

Imagem: Persistência da Memória, Salvador Dali.
http://www.worldventurefunds.com/suissefinancialgroup/dali_persis.html



Betinho

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Pois é,


"A tecnologia moderna é capaz de realizar a produção sem emprego. O diabo é que a economia moderna não consegue inventar o consumo sem salário".

Herbert de Souza (1935-1997)


Imagem: http://www.sinpro-rs.org.br/extra/ago97/perfil2.htm



Protesto!

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Pois é,



Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá


Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração


Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia

Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Inda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam antigas lições
De morrer pela pátria e viver sem razões

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos iguais, braços dados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos soldados armados ou não










Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Caminhando e cantando e seguindo a canção.

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer


Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. E tem dias que dá saudades dessa época!


Roda Viva, Chico Buarque. 3º lugar no III Festival da Música Popular Brasileira/1967.
Sabiá, Chico Buarque e Tom Jobim. 1º lugar no III Festival Internacional da Canção/1968.
Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, Geraldo Vandré. 2º lugar no III Festival Internacional da Canção/1968.
Imagens de: http://meuwebsite.com.br/marciadp/grandesfestivais.html



Batizado

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Pois é,


Domingo foi o batizado da Condessa. Domingo de calor escaldante, mais uma vez. Já devo ter escrito por aqui que laguei de mão a religião. Qualquer uma. Se é bom ou ruim, não sei. O que sei é que não tenho mais paciência com rituais e com certas crenças. Nada contra quem as tem e menos ainda é um impeditivo para que concordasse com a vontade da Kaya e dos padrinhos. E lá fui eu ameaçado de morte caso abrisse a boca para dizer alguma besteira, hehehehe.


A cerimônia aconteceu na Igreja Santa Terezinha (não a da Redenção, para quem conhece POA, mas a outra. É, POA tem duas igrejas dedicadas a ela.) A Igreja é muito bonita, diga-se de passagem. Ao final da cerimônia, a foto com a Santa (Padrinho, Kaya, Madrinha com a Clarissa e quem? Quem?)


Agora, vai dizer que não sou um grande produtor de mulher bonita? Fernanda e Clarissa. Querem mais? Não, duas já é suficiente, heheheh


Como se não bastasse, eita família de mulher bonita: Kaya, Clarissa, Fernanda e minha sobrinha Juliana. Ufa, viver rodeado de mulher bonita não é fácil, heheheh



Pois é,


Parece que não é só o Chato que anda preocupado!


O BRASIL QUE VAI FICANDO PARA DEPOIS
Editorial
GAZETA MERCANTIL
12/1/2006

Novos critérios de riqueza colocam País na 31 posição num ranking de 120 países. "Vivemos o presente e descontamos o futuro a uma taxa muito elevada", afirma o economista e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Eduardo Gianetti da Fonseca, autor de "O Valor do Amanhã", livro recém-lançado, durante debate sobre a economia brasileira. A frase justifica uma reflexão quando se discute queda do PIB, superávit primário, política fiscal, metas de inflação e demais questões que envolvem estabilidade e crescimento, pois ela sugere que, "se a eleição fosse hoje", como dizem as pesquisas, os candidatos à sucessão do presidente Lula talvez debatessem os mesmos temas de sempre. Mais: há décadas, brasileiros que nada sabem de economia têm as mesmas dúvidas nas viradas de ano. Por que os impostos aumentam? Por que a educação melhora pouco? Por que os idosos ainda morrem em filas de hospital? Por que a violência e a criminalidade crescem nas ruas? Por que países muito menores e sem recursos, que há 20 ou 30 anos estavam muito atrás de nós, nos passaram em tudo?

Essas perguntas sempre ficaram no ar e sempre tiveram e têm respostas conflitantes dos políticos e economistas, na medida em que os cálculos do PIB, do superávit primário e de outros indicadores despertam polêmicas entre ministros da área econômica e setores da sociedade. Por que a Argentina, por exemplo, já consegue nos superar em PIB per capita, considerando-se os itens capital natural, ou recursos não-renováveis, terras férteis e pastagens, além do capital intangível, que inclui o capital humano, isto é, a soma de conhecimentos e habilidades da população, infra-estrutura e capital social? Se não for pelos obstáculos naturais do processo político-econômico, talvez seja pela assertiva de que vivemos o presente e descontamos o futuro a taxas elevadas, como afirma o professor Gianetti da Fonseca. O fato é que, sai ano, entra ano, e o Brasil que realmente importa para os brasileiros vai sendo deixado para depois, as vantagens que poderia ter são menosprezadas (como o ambiente externo favorável) e os diagnósticos se sucedem, repetitivos, enquanto os brasileiros se desentranham em esforços para melhorar sua qualidade de vida.

Segundo um novo sistema de cálculo da riqueza de um país, definido pelo Banco Mundial, que acaba de produzir o informe "Onde Está a Riqueza das Nações?", cujo subtítulo é "Medindo o capital para o século XXI", o Brasil está longe de ser a 11 economia do mundo – é a 31 num ranking de 120 países. Não é sequer o mais rico da América Latina, e sim o que ocupa o quarto lugar, atrás da Argentina, do Uruguai e da ilhota caribenha de São Cristovão e Névis. Por quê? Porque ainda não venceu as barreiras que ainda impedem um crescimento mais equilibrado. Isto é: independentemente do aumento do PIB, que pode ser medido com várias metodologias – para o Banco Mundial, as atuais não contabilizam recursos e ambiente como bens –, todos os esforços do brasileiro para ter vida digna serão inúteis se o Estado não puder vencê-las. Será mais difícil, embora não impossível, superá-las a partir de 2006, com qualquer presidente eleito, se continuarmos a deixar tudo para depois, ao contrário do que fazem os países mais desenvolvidos. A menos de um ano da eleição presidencial, ações de governo capazes de mudar profundamente a economia, e sobre as quais os especialistas, em geral, nunca estão de acordo, já ficaram para depois, seja por prioridades equivocadas, desinteresse do Legislativo, redução drástica de gastos, problemas de gestão, etc. Do mais recente estudo feito pela consultoria McKinsey, uma das empresas mais importantes do mundo nesse segmento, infere-se que o Estado brasileiro age sempre empurrando os problemas para depois, em vez de remover os obstáculos que os causaram. Por exemplo: enquanto o déficit da Previdência Social tende a crescer e até explodir, conforme dados do IBGE – em 2004 tínhamos 120,1 idosos para cada 100 crianças com menos de 5 anos –, os problemas resultantes vão sendo empurrados com a barriga. Junte-se a isso a crise da educação, da assistência médica e hospitalar, a baixa qualidade do serviço público – 79% dos cidadãos o consideram corrupto, diz a Fundação Getúlio Vargas –, tem-se uma pálida idéia do que os candidatos debaterão em 2006. As reformas também ficaram para depois – e há várias a se fazer, como a administrativa, a trabalhista, a política, a judiciária, a agrária, etc., que poderiam ter avançado se levássemos a sério os avanços de outros países emergentes; que nos deixam cada vez mais para trás porque sempre temos deixado tudo para um amanhã que nunca chega."

Grifos meus.



Ceticismo!

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Pois é,


E segue o baile:

Deputados que prometeram e não doaram podem ser cassados

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), afirmou nesta quinta-feira que existe a possibilidade de abertura de processo por quebra de decoro contra aqueles parlamentares que não cumpriram a promessa de doar o salário da convocação extraordinária para entidades filantrópicas e assistenciais. A medida, que pode resultar em cassação, valeria para os deputados e senadores que comunicaram oficialmente à Mesa Diretora a doação e não efetuaram o repasse.

Instituições desmentiram pelo menos seis deputados federais na última quarta-feira, revelando que eles não tinham depositado até aquele dia os recursos anunciados. Os parlamentares citados são Marcello Siqueira (PMDB-MG), Júlio Delgado (PSB-MG), Reginaldo Lopes (PT-MG), Vittorio Medioli (PL-MG), Carlos Nader (PL-RJ) e Murilo Zauith (PFL-MS).

"O dinheiro do subsídio extra pertence ao deputado e ele pode fazer o que quiser com a quantia recebida. Mas quando comunica à Câmara que fará a doação, dando publicidade ao ato, e não o concretiza, é falta de decoro", explicou ele, que processa 11 deputados envolvidos no "mensalão". Izar lembrou que não cabe a ele tomar a iniciativa de processar quem quer que seja. O conselho só age quando provocado por representação apresentada por partido ou quando há denúncia considerada procedente pela corregedoria da Câmara.

Pressionados pela opinião pública, devido ao custo de aproximadamente R$ 100 milhões da convocação, pelo menos 73 deputados declararam que já devolveram o dinheiro, doaram ou vão doar os recursos. Do total, 32 disseram que fariam os repasses pessoalmente.

"Cada um faz o que quer com o dinheiro que recebe, mas quem anunciou que vai doar tem que concretizar", atacou o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ). Mas ele não abriu mão do dinheiro. "Estou trabalhando e não estou fazendo nada de errado", alega.


Fonte: Portal Terra.



Pois é,


Já lá se vão cinco dias com temperaturas em torno dos 39ºC aqui em Porto Alegre. Recorde no estado. Em Campo Bom, cidade da Grande Porto Alegre, mais de 40ºC (ontem fez 41,2ºC). E a previsão é que o calor se estenda até domingo. O recorde anterior aconteceu em 1986, com três dias de temperaturas acima dos 40ºC.

Certo, não se pode afirmar que a culpa seja dos EUA que se recusa a assinar o Protocolo de Quioto.

Tenho acompanhado de perto a questão ambiental, até por força do trabalho. FIz parte da Comissão Municipal para Implementação da Agenda 21 em Porto Alegre. Em 2004 trabalhei num projeto do Banco Mundial, desenvolvido por Brasil, Argentina e México, para o desenvolvimento de um conjunto de indicadores de aplicação e cumprimento de normas ambientais. Resumindo, estabelecer uma forma de avaliar a efetividade da norma ambiental, isto é, posta a norma, ela resulta numa melhoria da qualidade ambiental e, por conseguinte, na qualidade de vida dos seres vivos? Esses indicadores foram desenvolvidos pela OCDE, para uso nos países membros. Agora começa uma nova etapa: a aplicação do projeto. Isso siginifica muito trabalho em 2006.

O grande problema da chamada questão ambiental é a consciência. Quando, em Estocolmo (1972), surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, a idéia básica era de que seria possível alcançar um nível de satisfação material sem que isso prejudicasse a possibilidade das futuras gerações em também atingir o seu nível de satisfação.

Subjacente a isso, aidéia era a de que cada geração atual deveria ter consciência de que as gerações futuras tem o DIREITO de decidir! Não seremos nós a DETERMINAR como será a vida das futuras gerações. É a possibilidade de cada geração autodeterminar-se, sempre com base na consciência da existência de uma geração futura.

Até então - e ainda hoje - essa consciência limita-se à herança que será deixada. Seja um grande fazendeiro, ou um pequeno agricultor, estes preocupam-se, apenas, em saber que vão deixar uma grande fazenda, ou uma colônia, para seus filhos. E tratam de ensiná-los a deixarem uma grande fazenda para seus netos. Ad infinitum. A consciência limitava-se ao bem material, traduzido no sentido de uma propriedade absoluta. E, nesse caso, num pensamento individualista voltado apenas para "os seus"!

Ainda hoje não há consciência de que a propriedade não é mais absoluta! Esse é o grande problema: falta consciênca de que a propriedade não é mais absoluta. E isso é uma questão de mudança de paradigma. Demora.

Trinta e três anos passados, desde 1972, e a situação só tende a piorar. Sigo no exercício: algo melhorou nos últimos trinta anos?



Superlativo!

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Pois é,


Entrei 2006 superlativo. Antes era "bjs" e "abs". Agora é "beijão" e "abração". Antes estava quieto, agora "quero meu imposto de volta!" (aliás, a Ana corrigiu. Vejam o banner novo acima).

2006 será um ano de muito trabalho. O dobro do que foi 2005. Muitas viagens já programadas - e o ano ainda nem começou! Vou começar a escrever sobre coisas que até então me recusava. E em lugares inesperados!

Por um bom tempo, durante a minha jovem maturidade, me envolvi com política e economia. Até cansar! Mas nesse ano as coisas mudam. Minha filha Fernanda completa 16 anos e vai votar. Quer votar. Não precisaria, mas QUER!

É lindo e emocionante ver isso. Mas ao mesmo tempo triste. Triste, porque como pai não pude oferecer um país melhor para ela. Recebi do meu pai um país em frangalhos; um país em plena ditadura que prometia mundos e fundos! Trinta anos passados e o que deixo para minha filha? Um país em frangalhos.

A idade me fez viver a ditadura, a abertura e a democradura! Quer queiramos, ou não, a minha geração não fez nada, ainda, pelo país! Ao contrário!

Em que melhoramos nesses trinta anos?

Façamos um exercício! Apontem cada coisa boa que saibam, que, para cada uma, prometo fazer um post!

Superlativo, é claro!



Verbeat est!

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Pois é,


Face aos recentes acontecimentos no Condomínio Verbeat, recebo consulta do grande Flavius Pradus, argüindo sobre a pena a ser aplicada ao Sr. Sêo Síndico. In verbis:

"O máximo que pode acontecer, está previsto no estatuto interno no inciso 5º, parágrafo único das disposições especiais acerca das punições para erros crassos. Tenho somente dúvidas se com a admissão de culpa se ajuntam ao empalamento dez ou vinte chicotadas no lombo."

Ao que passo a responder.

Quosque tandem abutere, Leandrum, patientia nostra? Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris, quos convocaveris, quid consilii, quem nostrum ignorare arbitraris?

Absit injuria verbo, Leandrum, mas abundans cautela non nocet! Ab initio, devo salientar que abhorrentes lacrymae não atenuarão a análise. Refere-se o nobre consulente a um error crassus. Ora, crassus significa, em bom português, espesso, grosseiro, gordo. Para gordo Sêo Síndico não serve. Pesa a seu favor o fato de ter sido, recentemente, eleito Top15 da blogosfera. O fato por si só afasta a preliminar de crassitude no agir.

Cum grano salis, não resta, in casu, culpa. Cum in verbis nulla ambiguitas est, non debet admitti voluntatis quaestio. Não havendo o elemento volitivo para caracterizar o dolo, não nos resta outro desígnio senão apontar burrice mesmo.

E aqui lembro ao digníssimo consulente, que estes casos estão previstos não no inciso 5º em comento, mas no octagésimo sexto artigo, onde se lê, in verbis:

"Das penas

"art 86. - Ao administrador do condonínio, doravante chamado "Sêo Síndico", é proibido agir com burrice.

Pena: De trinta a cinqüenta chibatadas no lombo.

Parágrafo único. Em caso de reincidência, a pena será aumentada de três quintos e seis oitavos acrescida de empalamento. Manifesta haud indigent probatione."

Nemo ex suo delicto meliorem suam condicionem facere potest. Sêo Síndico agiu sponte propria sua!

Do dano moral

Houvera sido apenas o dano material de ter seus comentários perdidos, seria de fácil julgamento. Há que se ponderar, no entanto, o fato de que 4 outros verbeaters são Top15. Imagine, insígne consulente, o que significa para a vida dessas pessoas, incluso a vossa ilabada, alçadas à fama de hora para outra, serem obrigadas a privação dos comentários dos recentes e numerosos fãs adquiridos face a notoriedade alcançada. Cum labore maximo, construindo uma imagem, jogados por terra!

Cum sit difficilimum, iustum dolorem temperare!

Demonstratio veri, isso enseja uma Prestação de Serviços à Comunidade - PSC, levando-se em consideração a atenuante retro mencionada. Error in procedendo foi o que houve! Evidentia est clara visibílitas veritatis objectivae!

Efficitur ut, e em resposta ao eminente consulente, propugno que a pena aplicada seja de:

1. cinqüenta chibatadas;
2. empalamento;
3. arcar com os custos condominiais por dois anos, como forma de PSC.

Mala mens, malus animus, est Leandrum! Opportuno tempore: nihil nimis oportet confidere.

Up: Notícia fresquinha trazida pela Luma: Gravatá dá nota 10 pro Chato! É chato, hein? Vão lá, vão lá...



Banner

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Pois é,


Aqui na blogosfera é assim: basta pedir que teus sonhos serão realizados. Pois não é que pedi um banner e duas pessoas carinhosamente fizeram um pra mim? A Luma descobriu um programinha que faz banner e até postou um modelito num dos posts.

Ontem recebi essa lindeza aí de cima, feito pela Ana Letícia, do Mineiras, uai!. Ela captou a idéia e foi perfeita na montagem de imagens. Adotei, claro!

Ana e Luma, muito obrigado pelo carinho.

Como cidadão, não me incomoda pagar imposto, embora isso represente bem mais de 50% do que eu ganho pelo meu trabalho. Um único exemplo, no entanto, basta para deixar meu sangue fervendo: minha filha não foi vacinada no hospital, quando nasceu, simplesmente porque não tinha vacina. E por que não tinha? Porque o governo do estado não cumpriu com a sua obrigação. Mínima, diga-se de passagem. Sendo empregado, não tenho o poder de sonegar. O estado sonega. Sou cobrado na fonte; o estado sonega na fonte! Aliás, não sonega: só nega!

Que problemas tem o estado brasileiro para que não funcione, ou funcione mal e porcamente? Não queria transformar o Chato num blog chato (ou mais chato do que já deve ser, heheh), mas não vejo alternativa senão utilizá-lo, mesmo que de vez em quando, para tratar desse assunto.

PS: Na verdade a frase é "Em 2006, quero meu IMPOSTO de volta!"



Eita vida boa!

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Pois é,

Eis que chego em casa, após cansativo dia de trabalho e o que vejo? A família descansando em berço esplêndido!







Essa nem com cartão...



Edson

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Pois é,


Reza a lenda que Thomas Edson, o invertor de várias coisas, dentre elas a lâmpada, certa feita reuniu seus colaboradores para uma festa. Ao chegarem, e sem saberem qual a razão da comemoração, perguntaram a ele que motivos tinha para fazer uma comemoração, ao que Edson respondeu: "comemoro o décimo milésimo fracasso na minha tentativa de invertar a lâmpada".

Como assim? Perguntaram os presentes. Como pode alguém comemorar dez mil fracassos? - Simples, meus caros, respondeu Edson: "Sou a única pessoa no mundo que conhece dez mil maneiras diferentes de como não fazer uma lâmpada! Isso merece uma comemoração!".

Na décima milésima primeira tentativa ele inventou a lâmpada!

Pouco mais de cem anos após, escuto a seguinte pergunta de uma colega, diante de uma tela de computador:

- Afonso, se eu clicar aqui o que vai acontecer?

A pergunta, na realidade, é: o que mudou em cem anos e que levou as pessoas a deixaram de comemorar os erros cometidos no caminho do acerto?



Física e vida

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Pois é,


O Carlos, d'O Beco dos Bytes, deixou o seguinte comentário ao post de ontem:

"Como um professor de física uma vez disse para a turma, "é muito simples entender esta questão, mas resolvê-la não é nada fácil". Se aplica com perfeição a vida e a tudo que está agregado a mesma. Abraço. "

Como professor de Física e Matemática, sempre detestei "colegas" que faziam das suas matérias um palco para representar uma suposta genialidade. Por muitos anos, em minha própria família, enfrentei o estigma do "geninho", tão somente por "fazer Física". Quando voltei meus estudos para a Astrofísica a coisa piorou. Percebia nos rostos a expressão "geninho que vive no mundo das estrelas", com a dizerem que eu era uma espécie de Professor Pardal.

A pecha teve, não posso negar, uma grande influência na minha vontade de desmistificar o estudo da Física e, diga-se de passagem, na maneira de encarar a vida. A Física e a vida são simples.

A Física, por se basear em princípios lógicos simples e correspondentes às nossas "impressões sensoriais" (Einstein dizia: "No palco de nossa mente subconsciente aparecem em colorida sucessão as experiências sensoriais, suas imagens mnêmicas, as representações e sentimentos. Em contraste com a psicologia, a física trata diretamente apenas das experiências sensoriais e da "compreensão" de sua conexão. Mas até o conceito de "mundo externo real" do pensamento comum repousa exclusivamente em impressões sensoriais."), pode perfeitamente ser "entendida" a partir dessas impressões sensoriais. A lei da "ação e reação" não é uma lei da física, mas simplesmente a representação de uma impressão sensorial.

O grande problema do ensino e da compreensão da Física (e das outras ciências, sem dúvida) está em outro lugar. Está na falta de ensino da base que a tudo sustenta: raciocínio lógico e filosofia. Não ensinamos mais nossas crianças a pensar. Ensinamos a decorar e pesquisar no Google. Não ensinamos mais a associação entre a ciência e nossas impressões sensoriais.

Desconectamos o ensino da física da vida, da qual ela é mera representação. Vale o mesmo para as outras ciências. Aliás, isso vem acontecendo com a medicina, o que é grave!

O mesmo vale para a vida. Desconectamos o ensino da vida da própria vida. Ensinamos para nossas crianças que a vida é complicada, quando bastaria ensinar dois princípios, que também são princípios da Física:

1. "ação e reação": não faças aos outros aquilo que não queres que façam a ti;
2. "equilíbrio": tudo na natureza, e na vida portanto, tende ao equilíbrio. Em Física se expressa pela conhecida lei da inércia: "Um corpo em repouso irá permanecer em repouso até que alguém ou alguma coisa aplique uma força resultante diferente de zero sobre o mesmo" (vale para o Movimento Retilíneo Uniforme).

A questão está em que, na maior parte das vezes, não deixamos as pessoas nos seus estados de equilíbrio. Provocamos sem pensar que "a cada ação corresponde uma reação de mesma intensidade e em sentido contrário".

A Física é simples como é a vida. O resto? Bem, o resto é uma questão de matemática...



Educação!

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Pois é,


A arte de viver

É simplesmente a arte de conviver...

Simplesmente, disse eu?

Mas como é difícil!

(Mário Quintana)



2006

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Pois é,


Começamos tudo novamente. Ou nem paramos. Tinha pensado em fazer um retrospectiva de 2005. Pra quê? O importante já foi feito, ou seja, manter o registro quase diário. Quem pensa em genealogia, pensa em mais do que simples datas de nascimento e nomes de familiares. Pensa também em como teria sido a vida de cada pessoa. Pois bem, a minha já anda por aqui. Portanto, nada de retrospectiva.

2006 se apresenta como um ano de reflexão. Muitas. Vamos escolher nossos representantes e, principalmente, o presidente do país. Muita reflexão. As lições de 2005 devem, espero, ter servido de lição para todos. Mas também será um ano para pensar nosso comportamento em relação à natureza. Que seja o ano em que começemos a abandonar, definitivamente, o individualismo. Não a individualidade, que essa é importante, mas essa forma ignóbil de ver o mundo a partir do e para o próprio umbigo.

Que 2006 seja o ano da responsabilidade, o ano em que vamos parar de dizer "o problema não é meu!", ou "não votei nele, azar de quem votou!. Ano da responsabilidade que nos levará a um sentido maior da palavra solidariedade. Não apenas a solidariedade em forma de caridade ou assistencialismo - importantes, sim - mas a solidariedade que resulta da responsabilidade cotidiana que temos para com o nosso semelhante.

Que 2006 seja o ano em que a DIGNIDADE HUMANA saia do papel da Constituição e se torne realidade.

E somos todos responsáveis pelo futuro, pois somos nós que educamos nossos filhos. Que 2006 seja o ano da educação. Não apenas da educação formal, nas escolas, mas da educação familiar. Da educação de valores éticos e morais para uma vida em sociedade que privilegie o outro.

"Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vem através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flexas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que Suas flexas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flexa que voa, ama também o arco que permanece estável." (O Profeta, Gibran Khalil Gibran)

Muita reflexão para todos em 2006.



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