Puerpério e pena de morte

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Pois é,

Vire e mexe e sou obrigado a falar na maldade humana.

"Norte-americana coloca filho em máquina de secar roupas
Bebê de três meses morreu com queimaduras e traumatismo craniano

Uma mulher de 18 anos do Estado da Lousiana, nos Estados Unidos, foi acusada hoje de assassinato com agravantes por ter colocado seu filho de três meses em uma secadora de roupas. O bebê morreu com queimaduras de terceiro grau em 50% do corpo e por traumatismos por golpes na cabeça, informou a Justiça.

Segundo a polícia, Lakeisha Adams telefonou para as autoridades locais ontem para informar que havia matado seu filho. Ao chegarem no local, encontraram a criança sobre o sofá, já morto. Em depoimento, Lakeisha admitiu que colocou o neném na secadora e logo depois a ligou, sem dizer o motivo. A mulher tem um outro filho, de um ano, que foi colocada sob a custódia do Estado.

Lakeisha Adams pode ser condenada à morte por injeção letal, caso seja considerada culpada."1

Deconsidere-se o descuido da redação com o português, coisa que não deveria acontecer num site jornalístico.

Era, e ainda é, muito comum colocar as crianças dentro do forno para tentar matá-las por envenenamento com o gás. Mas essa de "secar" a criança, pra mim é nova.

Certamente a defesa alegará estado puerperal para salvar a menina da pena de morte. Não sei como é lá nos EUA, mas aqui no Brasil o infanticício é previsto no Código Penal como: "matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após." Há inúmeras discussões a respeito do que seja "logo após".

De qualquer forma, doença ou não, é uma estupidez fazer isso com uma criança de três meses. Mas será que a pena de morte resolve?

De tempos em tempos mudo minha opinião sobre a pena de morte. Ora a favor, ora contra. Ando numa fase contra. Talvez fosse melhor a prisão perpétua. Sei lá, pode ser que sofrer pelo resto da vida seja mais produtivo como compensação pelo crime cometido. Depois de morta, a pessoa não está nem aí pro que fez.

1Fonte: http://www.clicrbs.com.br/ em 07/12/2005.

21 Comments

Salve Afonso.
Não discuto "culpas", isso tudo é muito relativo.
Consigo compreender (o que não significa perdoar, ou que não deva ser punido) alguém que mate influenciado por forte emoção ou tristeza, um assassinato passional, um crime de vingança pessoal, uma mãe que mata um filho(para logo depois chamar a polícia). Evidentemente os praticantes de tais atos são ou estão transtornados. O que não consigo entender é quem mate de maneira fria, metódica, sem emoção, burocraticamente. Quem mata com a mesma emoção de quem carimba um documento. E pior, procurando justificar o injustificável, tentando dar explicações "racionais" ao assassinato. Coisa de psicopata. É por isso que sou contra a pena de morte, acho-o um crime muito mais difícil de tolterar do que o praticado pelos "criminosos".

Nossa, tudo isso muito deprimente.
Nem sei o que dizer direito. Coitadinha da criança que morreu. Ainda bem que a outra se salvou, pois já li sobre casos que a mãe matou a todos os filhos!
Mas também fico com dó dessa mãe! No mínimo, um momento de loucura que não terá volta. Tudo isso muito triste.

Yvonne disse:
"Se ela tivesse simplesmente afogado a criança ou batido com sua cabeça na parede, ainda dava para suportar"

Me espanta mais essa frase que o proprio ato.

Afonso, eu li um post da vizinha Leila hoje e deixei lá um comentário que se aplica a este, também: que mundo mais triste, este nosso. Só me dá vontade de chorar, mesmo.

Eu vim aqui te responder à pergunta que fizeste, a respeito da Clarisse e me deparo com esta barbaridade. Meu instinto protetor ficou mais aguçado. Com certeza essa mãe não é ou não estava normal. Julgá-la sob forte emoção, a pena de morte lenta ou tortura perpétua, só nos leva a repetir a mesma barbaridade que estamos condenando nela. Como disse a Leila , tal comportamento "desafia a lógica, o bom senso e a civilização."
....
Fiz novo post com a Clarisse.
Beijinhos em suas meninas.
abraço, garoto

Oi Afonso! Puxa, sem comentários o fato, heim? Q horror...
Quanto ao estado puerperal, este tal de "ou logo após" é que me mata... Os legisladores aprontam cada peça na gente, meros aplicadores do direito, não é mesmo?
Não entendi uma coisa: ela teve 02 filhos em 2 anos? Pq um tem 1 ano, e o outro que morreu tinha 03 meses... não é estranho? Coitada tb dessa mulher, mal deixou de amamentar um, embuxou do outro... Aff... Mas nada justifica, né...
E neste caso, tb preferiria q a condenação dela fosse uma perpétua básica, muito pior q a injeção letal. Às vezes a morte é muito branda...
Ah! Adorei o texto sobre ser adulto, a foto da sua filha e enteada, todas as fotos estão lindas... Parabéns!

Como você, não tenho opinião fixa sobre a pena de morte. Este crime, creio, é caso de doença mental. Pelo menos não consigo encontrar outra justificativa.

Oi Afonso, que historia triste essa...Ja ouvi falar de casos de mães que matam seus filhos numa depressão pós parto, já ouvi historias bem tristes sobre isso sim.
Mas ser a favor da pena de morte Afonso! não é por ai não...
Você é um menino cheio de vida, tem a Clarissa linda, não pode pensar assim...
Beijo, meu amor
Aqui em Fortaleza tá tudo caminhando, tá?

Essa infeliz não deveria morrer rapidamente. Deveria ser bem lentamente, algo como uns dez anos de tortura seriam razoáveis. O que ela fez foi uma monstruosidade, não é uma doença. Rasgar dinheiro ela com certeza não rasga, então ela sabe muito bem o que está fazendo. Abraço.

Embora a gente pense, imediatamente, em pena de morte para crime tão hediondo, cabe parar e pensar: - O que aconteceu com aquela mãe? Estava delirante, fora-da-realidade? A questão da intencionalidade do ato é discutidíssima pelos juristas e pelos psiquiatras forenses...
Sobre mal-tratos e dor infantil escrevi este post: http://prascabecas.blogspot.com/2005/11/crianas-tambm-sentem-dor.html

Ali embaixo falei sobre o infanticídio e não opinei sobre a pena de morte.
Apesar de reconhecer a crueldade de certos crimes, não consigo enxergar a morte do autor como uma boa pena. Apenar tem dois sentidos no direito penal: "retribuir" ao autor um mal que ele fez e privar a sociedade de outras ações danosas do meliante. A pena de morte só cumpre uma delas. Parece-me uma pena maior a restrição permanente da liberdade.
E há sempre aquela questão da possibilidade de erro judicial. Já pensou matar um inocente??

Acho que há aí uma conjunção de depressão pós-parto com ignorância e pobreza, talvez problemas psicológicos anteriores à depressão. Quanto à pena certa para ela, não sou advogada para opinar.

De qualquer modo, sou contra a pena de morte. Matar é crime, e punir homicídio com outro homicídio desafia a lógica, o bom senso e a civilização.

Abraços,

Esse crime não tem castigo. Nem a morte nem a prisão perpétua são suficientes, porque essa criatura não tem "consciência" da sua ação...
Mas já soube de puerpérios onde foi necessário afastar a mãe do bebê até que se curasse da depressão.
É horripilante!

Isso eh um assunto muito estranho. Decidir sobre a morte alheia, por justica ou por qualquer outro motivo. Sei naum... Becito!

Bom dia.....

Que morra...e não rapidamente não....
Que sofra tb....
Bjs....

também oscilo entre o a favor e o contra. nesse caso, deu um nó no estômago que nem sei dizer...
mas concordo contigo: ficar na cadeia pro resto da vida, ruminando o que fez... não tem tortura pior. se bem que se fóssemos entrar no mérito do sistema prisional brasileiro estávamos em maus lençóis, não achas?
e devemos pensar, como disse o Roberson, em psicose puerperal ou depressão puerperal grave. são doenças que estão aí. mais do que imaginamos. e ainda tem gente que acha que psicólogo é futilidade.
beijos!

Sandra, eu discordo de você, claro que é uma coisa bárbara, eu fico imaginando a dor pra criança numa morte desse tipo e fico arrepiada de pensar, que coisa terrível. Mas, acho que pode ter sido resultado de uma depressão pós-parto, uma situação de descontrole mental, essa mãe não poderia estar mentalmente sã.

Sou sempre contra a pena de morte. Acho que o Estado não pode ter direito de matar um cidadão ou cidadã... mas, é caso pra pena perpétua.

Um beijão, Afonso, pra você as suas mulheres lindas!

ps.: Hoje, fiz um post sobre educação de filhos, que me lembrou você com a sua Clarissa...

Acho que não se combate a barbárie com mais barbárie, porém às vezes dá vontade...

Nem consigo comentar. Se ainda fosse o gato do meu vizinho. Mas também não teia coragem.

Abraço.

(Manda de novo teu endereço. Estou há anos com um CD para ti em cima da minha mesa.)

Caríssimo Dom Afonso:

Tocaste num assunto que fico muito a vontade para comentar. Como professor de Medicina Legal tenho o tema do infanticídio como uma das minhas "especialidades". Caso te interesse recomendo um artigo de minha autoria - free access - na revista jurídica Jus Navigandi: O crime de infanticídio e a perícia médico legal - uma análise crítica.
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4066

No caso em tela não há que se falar em infanticídio - no sentido jurídico do termo. A elementar "logo após" do tipo penal tem o sentido de imediatamente após e estado puerperal é uma condição personalíssima e rara geralmente motivada por parto sem assistência.
Há que se admitir a possibilidade de inimputabilidade penal caso a mãe tenha cometido o delito em estado de privação do senso moral (o que pode ocorrer numa psicose puerperal ou depressão puerperal grave).
O tema é complexo e apaixonante, difícil para peritos e magistrados.
O artigo a que me refiro pretende jogar uma luz sobre o tema. Ainda que se trate do resumo de uma tese de pós-doc.

Grande abraço.

Não ha depressão pós parto que justifique um ato de babárie desse calibre!

Se não quer, deixe num orfanato, dê para alguém adotar ou algo precido.

Mas isso foi um crime premeditado.

Será que ela teve a capacidade de ficar ao lado da máquina ouvindo o choro e gritos do seu prórpio filho ou foi ao cinema???

Sustentar um ser desses na cadeia??? Que arda no umbral!!!

Pena de morte!

Afonso, existem casos em que a mãe mata o filho imediatamente após o nascimento. Isso acontece inclusive com animais. Você já deve ter ouvido falar de cadelas ou gatinhas que mataram seus filhotes assim que eles nasceram. Esse distúrbio não é freqüente mas existe. 3 meses depois já não há mais justificativa, ainda que a mãe esteja passando por depressão pós-parto. Seja como for, nós seres humanos temos uma grande vantagem sobre os demais mamíferos que é o pensamento e dependendo da educação que tivemos, religiosa inclusive, não tem cabimento fazer uma coisa dessa. Se ela tivesse simplesmente afogado a criança ou batido com sua cabeça na parede, ainda dava para suportar, mas colocar dentro de uma secadora, houve requintes de crueldade. PENA DE MORTE JÁ. Beijocas

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on dezembro 8, 2005 7:34 AM.

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