Pois é,
Vamos supor que exista o Criador. Mais, vamos supor que eu tenha levado uma vida merecedora de, ao menos, uma breve entrevista por parte d'Ele.
- Afonso?
- Senhor!!?? Permita-me, antes de mais nada, expressar minha surpresa. Nada há de mais imprevisto que Sua existência. Hás, com perdão da intimidade, de concordar comigo!
- Afonso, deixa pra lá essas questões filosóficas. Queres permanecer aqui no céu?
- Putz! Ai, desculpa o cacoete terreno! E o que é preciso fazer mais do que já fiz lá na Terra para merecer o céu?
- Responder a uma única pergunta!
- Só uma? Uminha?
- Só!
- E não tem pegadinha?
- Afonso!!!
- Tá legal, desculpa. Manda ver!
- De todas as coisas que a humanidade produziu, qual terá sido a maior delas?
- PQP! Putz, falha minha! Não tens mãe, né? Só teu filho teve uma.
- Afonso!!!?
- Sim?
- Não sejas chato!
- Mas, Senhor, esse é o blog do Chato! Como não sê-lo? E se não sê-lo, como sabê-lo?
- Mais uma e vais pro Inferno!
- E tem picanha mal passada por lá? Hummm, já fiquei em dúvida se quero responder.
- Última vez: de todas...
- Ai, que meda! Tá bom, meu caro! Demorei porque estava em dúvida entre o livro e a música. Entre os dois, fico com o livro. A música é uma criação tua. Tens essa mania de ficar soprando nos ouvidos dos homens as melodias maravilhosas que eles produzem. Devias parar com isso, sabes? Sei, sei. No século vinte deixaste todos por conta própria e deu no que deu! Mas, de qualquer forma, a música é a natureza. Os livros não. Livros são uma genuína criação do homem.
- Como assim??? Nada se cria debaixo do céu que não seja por minha vontade, insolente!!!
- Ei, peraí, ô onipotente! Perdeste de há muito o controle das cousas lá pela Terra! Cá pra nós, quem mandou criar mais mundos do que podias controlar? Teu amiguinho, o Demo - lembra? - andou se aproveitando da tua ausência desde que resolveste descansar no tal sétimo dia e nos ensinou a escrita.
- Que história é essa, se eu joguei esse cara lá no quinto dos infernos?
- Esse foi teu problema, jogá-lo no quinto dos infernos (com o perdão da Vossa Pessoa, que dizem ser brasileiro, mas, sabes que dizem ser o Brasil esse tal de quinto dos infernos?). De lá ele arranjou tudo: deu ao homem, que dizes ser tua imagem e semelhança, a imaginação. Mais, deu a ele onde colocar essa imaginação. Criou o livro. E tão poderoso é o livro, que por diversas vezes jogaram-no ao fogo, crentes que estavam a eliminá-lo, quando na realidade nada mais faziam que devolvê-lo ao seu criador. Teria sido o Senhor dos Fogos Eternos?
- Afonso?
- Sim, caríssimo? Posso chamá-lo assim, né? A essas alturas da conversa...
- Vá lá! Mas diz-me uma coisa!
- Se estiver ao alcance de uma simples figura, tão somente semelhante...
- Esquece isso e me responde: o que tem de tão grandioso esse tal de livro?
- Arrá! Admites, não? Vamos combinar uma coisa: eu falo, tá? Mas sem punições, Ok?
- Putz (com tua licença, Afonso, tá?), mas nem eu seria capaz de criar alguém tão chato como tu! Fala logo!
- hahahahah Começamos a nos entender! Nos livros, meu Senhor, os homens descobrem o mundo. Neles, os homens amam e odeiam. Nos livros os homens descobrem o que são e o que gostariam de ser. Nos livros eles se tornam eternos. Tu nos expulsaste do paraíso! Pois nos livros retornamos a ele sem te pedir licença. Nos livros nos revoltamos contra a tua vontade, falamos mal e bem de ti. Dizemos da desgraça humana, contamos números da morte e registramos nossas tragédias. E registramos nossa vontade de sermos iguais a ti. Neles somos a favor e somos contra. Dizemos do sim e do não. Nos livros escrevemos a fórmula da morte e a fórmula da vida...
- Afonso, chega!
- Como assim, chega? Querias saber, não querias?
- Já me é suficiente a tua resposta. Tenho, porém, outra pergunta para ti?
- Arrá! E para quem mais terias, ó Divino, se estamos só nós dois aqui, Sábio dos Sábios?
- PQP! Afonso!!! Sem gozação, tá?
- Opa! Já te disse! Pelo que sei, só teu filho tem mãe. Se tu não tens mãe, eu tenho!!! Mantenha o nível!
- Certo! Mas vamos lá! Valendo um lugar no céu, última pergunta: podias me emprestar algum livro?









































Afonso, você de chato não tem nada. Com seus argumentos conseguiu fazer Deus querer conhecer a mais importante criação humana, depois da roda.
Afonso, você de chato não tem nada. Com seus argumentos conseguiu fazer Deus querer conhecer a mais importante criação humana, depois da roda.
Fantástica sua conversa com Deus! Poxa, vc pode ser chato, mas é muito engraçado! E o meu Deus gente boa, descolado, parece muito com o seu. Acho que ele aceita a gente lá. Ou não!
Beijoks
Tsc Tsc... Tadim de Deus, Dom Afonso! Becitos miles
ahahahaha
perfeito pra o dia de hoje e para a novela que passa na tv!
HAHAHAHA!!! Tú já tens assegurado um cantinho tanto no Céu como no Inferno, depois dessa!!!
Só tu mesmo!
O que??? vais continuar com o colóquio divino amanhã??? Essa eu não perco!!!!
Beijão
Muito bom! Uma delícia de se ler. Ri às pampas!
Mas me conta, tem tido essas conversas hilárias com Deus com que frequência meu amigo? É, pq se for toda semana, daqui uns dias as potestades vão precisar providenciar urgentemente um analista pro Todo Poderoso Arquiteto do Universo.
Bom texto para esse dia de finados...
"a música é como Deus fala com os homens e por meio dos livros os homens falam com Deus". Genial definição, Afonso.
E eu pergunto: que livro emprestarias, caro amigo?
Pô, Dindo, nem Ele me fez essa pergunta!! Aguarde o post de amanhã para saber a resposta, hehehe abs
Afonso, gostei da sua resposta para Ele. No entanto, eu fico com a música que para mim é o que existe de mais lindo no mundo e a mais bela criação dos homens. Beijocas
Pois pra mim, Yvonne, a música é como Deus fala com os homens e por meio dos livros os homens falam com Deus. bjs