Pois é,
Comentário coletivo do Chato aos comentários ao post de ontem.
Escrevi, alhures, que tudo nessa vida se resume às escolhas que fazemos. Segundo a Bíblia, o primeiro ato depois da criação do mundo foi uma escolha: a Adão foi dada a oportunidade de escolher entre comer ou não a maçã. Percebam que Deus não fez escolhas, simplesmente determinou como queria o mundo e o fez? Donde se conclui que Homem e escolhas são eternamente inseparáveis.
Houve, como bem recordou a Ana, um tempo bastante longo de debates no curso de Especialização em Psicologia (eu nas Organizações e ela nos Esportes. É isso, Ana? Ou seria Nos Processos Educacionais? Nem lembro mais, hehehe), numa disciplina chamada de Temas Contemporâneos, cujos temas versavam sobre sociedade do conhecimento, bioética, paradigamas regulatórios e emergentes, Tecnologias da Informação e Comunicação e outros, bastante pertinentes para um repensar "O sentido do humano em momento de redesenhar os tempos e a vida". Pois foi nessa disciplina que surgiram os debates sobre "escolhas".
A Roma coloca: "Querido Dom Afonso! Se eh que eu entendi, vc disse que pra lutar contra um sistema que a gente considera chinfrim, soh usando a capacidade de sonhar com um mundo novo?" Ao que respondo com a explicação do porquê da opção por uma justificativa tipo "filosófica" para a questão: é um problema de escolha.
Poderia ter escolhido justificar meu voto com uma série de dados e informações, além de um conjunto de refutações aos argumentos utilizados por quem defende o NÃO. Mas não é esse meu objetivo. Não engrosso o côro dos que querem convencer as outras pessoas dos seus argumentos. Não criei esse blog para isso. Seja em que assunto for. Parto do pressuposto de que quem escreve em blogs e lê blogs (com as exceções de praxe) tenha uma razoável capacidade de compreender esses argumentos, e eles estão sobejamente explicitados em um sem número de blogs, sejam do SIM, sejam do NÃO. Não faria nenhuma diferença a forma com que eu dispusesse essas informações.
Não se trata, Roma, de apenas "sonhar com um mundo novo". Não, de forma alguma. Ações devem ser feitas e, no caso do referendo, a ação é o voto - que no meu caso é SIM. É a ESCOLHA que importa. É a escolha que faz de um sonho uma realidade. Foi a escolha de Adão que tornou o mundo o que é.
Não é uma questão de mais ou menos armas nas mãos de "gente do bem" ou de "gente do mal". É uma questão da escolha dos paradigmas que norteiam nossa vida. Quem escolhe o SIM, tem um conjunto de crenças diferente do conjunto de crenças de quem escolhe o NÃO. Um não é melhor que o outro. São apenas diferentes. Mas as crenças do NÃO não me servem. São crenças em um mundo podre; egoísta; predador; que destrói a natureza; que privilegia as armas em detrimento da fome; que inventou uma ciência chamada economia para justificar a injustiça; que inventou um direito para sedimentar uma civilização baseada na propriedade em detrimento a uma baseada na solidariedade; um mundo que inventou uma ciência que cura, mas também inventou uma ciência que inventa doenças para vender os remédios que curam.
Quer queiramos ou não, esse mundo está podre, acabado, prenhe de gente hipócrita, de gente má. Vou mudar isso? Não! Mas mantenho minha integridade, mantenho minha crença de que é possível, sim, se cada um mudar o seu susbstrato de vida, um dia - quando eu retornar na próxima encarnação - esse seja de fato um mundo melhor.
Se Leibniz já demonstrou, às expensas, que, mesmo ruim como é, esse já é o melhor de todos os mundos possíveis, temos a obrigação de, ao menos, minimizar a desgraça da nossa passagem por aqui.
O Direito é uma invenção humana e, como tal, podemos inventar um outro direito; um direito onde não seja possível alguém alegar, como justificativa para se defender, o direito de matar.
Mas não se trata de uma questão de direito. Trata-se de uma questão de princípio: ou eu tenho por princípio a vida acima de tudo, ou tenho a morte, mesmo que seja para me defender.
Quem anda armado ou defende o uso de armas, ou um dia poderá matar, ou um dia poderá se sentir responsável quando souber que alguma criança ou adolescente - até mesmo um adulto - foi morto por uma arma da "gente de bem". Eu, quando for pra lá, tenho a certeza de que não carregarei comigo a causa de uma morte.
É uma questão de escolha: cada uma faz a sua. E que viva bem com isso.
A Morte de Sócrates, Jacques-Louis Davis, 1787 (http://www.fflch.usp.br)
La morte di Adone, Andrea Appiani (1754-1817) (http://www.antiquars.com)









































poeta porreta mesmo...
Cris, o Chato é um filósofo. Disfarçado na pele de administrador, é verdade. Dizem que até possui a carteirinha no CRFi-RS (Conselho Regional de Filosofia do Rio Grande do Sul) e tudo mais.
Brincaderinha à parte, concordo plenamente com a crença em um mundo possível, diferente desse vigente.
Um abraço.
Lobo em pele de cordeiro, hehehe abs
discordo da Diana, e concordo dez contigo, estaria nessa banda do sim se no Brasil estivesse. E por isso discordo dela quando diz " pois aqui eh Brasil " moro na Inglaterra e essa semana foi inaugurada uma torre onde se gastou milhoes para marcar a virada do milenio (que aconteceu em 2000). Dinheiro mal empregado acontece em todo lugar, corrupcao tb... mas a gente tem mania de meter o pau no Brasil e achar que a Europa e os EuA sao o maximo...
Gracias pela visita, mari. Que bom ter mais uma "inglesa" por aqui. Tens toda razão, dinheiro de governo (nosso) é mau empregado em todo mundo. bjs
(aplausos de pé pra você...) lindo, lindo texto. também acho que não se trata de SIM ou NÃO. são os valores, os princípios que contam. afonso, acho que no fundo você é poeta... beijão
Cris, quéisso, menina! Em pé cansa. Pode ficar sentada mesmo, hehehe. Poeta? Po.eta? Po.rr.eta? Porreta? bjs
Dear Dom Afonso! Perfeito Post! Eh tao bom ver que alguem pos em palavras o que a gente luta pra expressar, e vc o fez com simplicidade, clareza e, como sempre, elegancia. IT is not my intent flattering you, just saying the truth! E, com minha louca mania de sair escrevendo, expressei "sonhar com um mundo novo" de modo popular. Queria mesmo dizer que particularmente creio que o mundo foi feito pra sonharmos com ele melhor. E, of course, acordados, fazermos, construirmos para torna-lo um lugar onde seja possivel sonhar. Estou com vc e nao abro, a descricao dos principios foi perfeita. E muito sugestiva a imagem de socrates aceitando o convite de tomar cicuta, gozando a cara de todo mundo dizendo: "Nao sei se vcs me condenam, ou se me dao mais oportunidade pra continuar discutindo no outro mundo meus principios com Thales, Anaximandro, Heraclito...".
Se eu tivesse uma proxima encadernacao, iria querer poder sustentar os mesmos principios, nem que fosse pra dinamicamente modifica-los!
Becito grande in ti
Roma Arche
Tá bom, uma trégua! Não vou dizer que até teus comentários me dão prazer. Ninguém vai ler isso, pela simples razão de que não escrevi isso. É pura imaginação das pessoas. Adorei a interpretação do quadro. bjs
Afonso, também acredito que para que as coisas melhorem devemos estar dispostos a contribuir para que isto aconteça. Já vivenciei esta situação que vc descreveu, dentro de casa: quando minha filha era bem pequenina, mexendo no armário do pai, deixou cair um "embrulho" em seu pé. Por Deus o revólver embrulhado não disparou e a matou. Armas em casa, jamais!
beijos pras tuas meninas.
Abraço, garoto
Bom dia.....
Ó...não briga comigo....rssss...
Eu acho que esse referendo está nos sendo imposto goela abaixo......
Bjsssss.....
Afonso,
concordo com vc no que diz respeito as pesquenas mudanças. Entretanto sou pessimista quanto ao fato se conseguiremos dá-los com eficácia. Aqui é Brasil.
Mas, que a Força esteja com você Luke.(sempre quis dizer isso)
Olha Afonso passei pra deixar um beijo. E sem comentários.
Bom, parece que o photofiltre tá funcionando mesmo. Tá ficando bom!
Temo profundamente em meu coração todas as possíveis más conseqüências que a proibição possa trazer: golpe de Estado, aumento da violência, etc. etc. Creio que o estatuto do desarmamento já é bastante rigoroso sem precisar de tal proibição.
Ao mesmo tempo, me cativa a teoria dos memes, na qual tudo são idéias que tentam se reproduzir a qualquer custo. E elas nos vão infectando e se reproduzindo em cada mente, até tomar corpo e virarem maioria. Em outras palavras, me cativa a quebra do paradigma neste assunto.
Estou pensando. Estou sentindo. Não abro mão do voto.
Não sei mais o que pensar e de tanto pensar nessa questão decidi não votar. Não vou anular nem votar em branco, não vou votar. vou justificar e ficar com minha consciencia tranquila, de verdade. Esse referendo tá igual a discutir religião e futebol! cada um tem um pensamento, ninguém é certo, nem errado. Um bom dia!
Afonso, você defendeu com muita propriedade o direito de votar pelo SIM. Valeu a pena ler o post. Beijocas
Yvonne, não estou defendendo o direito de votar pelo SIM, ou sequer pelo NÂO. Não se trata disso. Esse direito está posto. O que defendo é um novo olhar para o mundo, que deve ser construído a partir de pequenas mudanças. Essa votação é apenas uma das tantas que temos a nossa disposição. bjs