Pois é,
Genealogistas, ou aficcionados como eu, por vezes são tidos como chatos, agarrados a tradições que a mídia já jogou por terra há muito tempo, pois precisam da obsolescência para sobreviverem. E gente que gosta de tradição não consome com a voracidade necessária.
Consumo e tradição são coisas antagônicas. E é por aí que mídia avança: destrói tradições. E junto destói a base de qualquer tradição: a família.
Entendo família, aqui, não como um conceito raso de "tipo de família", isto é, se formada por homem e mulher, via casamento ou união estável; se monoparental ou por relações homoafetivas. Não, família é um significado maior, implica no conhecimento da sua história e da história das pessoas que a fizeram.
A história da família nos dá algo que muito falta ao Brasil nesses dias: raízes. E é das raízes que nascem os valores que nortearão nossa conduta de cidadãos.
O estudo da vida de homens/mulheres que viveram em épocas nas quais "honra", "amor à terra", "retidão de caráter", "honestidade" e tantos outros valores de uma moral já praticamente abandonada e tão bem destruida pela mídia, nos permite resgatar o verdadeiro significado de CIDADANIA.
Cidadania não é, como querem modernamente, apenas ver seus direitos respeitados ou cumprir com suas obrigações, que, aliás, a grande maioria esquece, pois pensa apenas em "cobrar" e não em "dar" ou , ainda, um mero assistencialismo politicamente correto, travestido de solidariedade ou de voluntariado. Cidadania nasce do respeito aos valores maiores da convivência social e esses valores nascem na história da família.
Como alguém "sem passado" poderá aprender a respeitar o próximo se não aprendeu a respeitar seus próprios antepassados? A falta disso é que gera tantos crimes hediondos de pais matando filhos e filhos matando pais; de gente inescrupulosa com a coisa pública, pois sabe que ninguém cobrará mais do que dizer algumas palavras de indignação, que é o que está acontecendo atualmente: limitamo-nos a reclamar apenas. Atitude? Nenhuma. E nem poderíamos, pois já perdemos quase que totalmente a capacidade de ficar verdadeiramente indignados. E por quê? Porque perdemos os valores que antes eram valores da família.
Perdemos também o estudo da vida das grandes personagens da história. Hoje estuda-se apenas a história. Mas, e os valores que essa gente nos legou, onde estão? Se tenho falado aqui de alguns aspectos da história da Revolução Farroupilha, centrado na figura do meu tataravô, é para resgatar, mais do que simplesmente querer aparecer, que existiram profundos valores que formaram esse Estado e que não deveríamos, em momento algum, deles nos esquecer. Não é para destacar o Rio Grande do Sul dos demais. Não, pois todos possuem sua história de formação. É para que todos lembrem e busquem resgatar esses valores.
É para que as pessoas tenham orgulho de contar para seus filhos e netos a história da família e do seus Estados. Que se lembrem que um dia muitos já morreram defendendo esses valores para que pudéssemos estar aqui, nesse Brasil tão combalido e de valores esquecidos. Vi muita gente escrever, no dia 7 de setembro, posts falando do Brasil com escárnio, com desdém pela independência, sem respeito até. Gente que insiste em confundir governo com PÁTRIA; gente que, certamente, faz o mesmo com sua própria história, se é que a conhece.
Gente que não conhece ou não dá valor ao verso do hino Rio-grandense:
Escravo de si mesmo e escravo de representantes inescrupulosos, sem valores outros que não os de tirar proveito para si, pois sabem que a ninguém há de importar.
Um dos momentos de maior alegria que tive na vida, foi quando, após conseguir levantar toda a história das minhas famílias, pude contá-la para minha filha Fernanda e sentir que ali estava plantando a minha verdadeira árvore. E assim farei com a Clarissa.

Dizem que um homem deve ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro. Pois bem, eu digo que um homem deve ter filhos e neles escrever a história da famíla e neles plantar as raízes de uma vida digna.









































Eu tenho muita pena de não conhecer mais sobre a história da minha família. Meus avós eram imigrantes portugueses, e não conheço quase nada da família e dos costumes que deixaram para trás na década de 20.
Vou repetir o comentário que deixei no Marmota: Acho super bacana valorizar as tradições sejam elas históricas, folclóricas ou familiares. O fato de ter vivido a infância e a adolescência durante a ditadura fez com que eu rejeitasse por um bom tempo qualquer manifestação de patriotismo, numa clara confusão entre o regime militar e o amor à pátria.
Também sou dos que valorizam as origens. Tenho a genealogia como passatempo e a Internet tem me ajudado a descobrir ramos perdidos.
Começou como um arbusto genealógico e hoje já é uma árvore frutífera, dando frutos. Interessante foi descobrir "primos" em países distantes ajudando primos reais, só porque fucei os sobrenomes num google.
Gabriel será herdeiro desta informação.
Uma ressalva: estes valores de tradição familiar são ainda mais bonitos em pessoas sem referência, em abandonados, largado, orfãos ... que ao montar novas famílias conseguem numa nova saga familiar incutir os valores éticos e morais que não herdaram do seu sangue, que os pegaram da vida que se apresentou.
Meu maior orgulho é ver meu irmão adotivo ostentar nosso sobrenome, com o mesmo orgulho que eu sustento.
Lembrei de uma frase que também é interessante: minha dinastia começa comigo. E uma bem melhor começa com cada um de nossos filhos e filhas.
Vou usar um ctrl+c e ctrl+v no comentário da Yvonne, posso? Se eu tivesse um pai como você, talvez eu soubesse de onde raios veio meu sobrenome esquisito! :-)
Os filhos têm que se espelhar nos pais. Não entendi direito o que a Priscila quis dizer, mas acho que a juventude está no pé que está, tudo por culpa dos pais. Não se tem filho e joga no mundo. Alguns valores podem ter perdido o real valor por conta da ignorância em se querer modernizar as relações. Um filho tem que sentir vontade de voltar pra casa assim como nós cidadãos queremos voltar para nossa pátria. Meu pé já criou raízes apesar da cabeça ter procurado outros ares! Bom dia! Está orgulhoso da prole! Eu também ficaria! Beijus
Acredito que existam valores que só a família seja capaz de passar, como autoconfiança, credibilidade, amor ao próximo e etc. Infelizmente como a maioria das famílias estão se destruindo muito cedo, os jovens acabam por se tornarem individualistas, egoístas ou até mesmo se perdendo na idéia de que é cada um por si mesmo. A família é a base que nos sustenta para a vida toda.
Afonso... Você traduziu todo o real valor das palavras "família" e "Pátria".
Parabéns pelo post.
A propósito, sua filhota está linda demais. Pelo que me recordo de uma foto que você enviou há um tempão quando era mais jovem, ela se parece demais com você. Beijocas
Afonso, você não avalia como eu gostei do que você escreveu. Eu que tive educação rígida demais e quase militar, entendo perfeitamente bem o que você pensa sobre cidadania. Não tenho meios de fazer a pesquisa genealógica que você fez porque a minha família é toda atípica, mas sinto um orgulho imenso dessa família que eu tive oportunidade de conviver e de suas histórias. Beijocas