Pois é,
Talvez tenha faltado ao meu tataravô o que sobrou em Chiquinho da Vovó: marketing. Autor da primeira letra utilizada no Hino Rio-grandense, Serafim Joaquim de Alencastre não soube propagar o feito, ou não teve tempo, pois faleceu em 1858, ao passo que Chiquinho da Vovó viveu até quase o final do século, segundo algumas fontes (outras dizem que morreu em 1856. Não confirmei os dados). Assim, a posterior letra de Francisco Pinto da Fontoura é a que foi adotada e permanece até hoje como sendo a letra oficial.
De qualquer sorte, fica aqui o resgate e registro da letra original, reproduzida no livro A Epopéia Farroupilha, do historiador gaúcho Warter Spaldind (ed. 1963). O hino fora composto após a tomada de Rio Pardo pelos farroupilhas:
"Possuiam os legalistas excelente banda de música organizada e dirigida pelo célebre maestro Joaquim José de Mendanha, mineiro de nascimento e d côr. Esta banda que Neto, na sua parte do combate, qualifica de 'rica' - 'fizemos presa de uma banda de música, que felizmente ficou intacta' (4-5-38) - foi incluída nas forças farroupilhas, conservando-se até 1840, quando, numa sortida dos imperiais sôbre Rio Pardo, êstes a resgataram. A pedido dos chefes farroupilhas compôs o maestro Mendana o HINO NACIONAL RIO-GRANDENSE, o Hino da República. Não o fez, entretanto, peça original: sôbre uma valsa do velho Strauss, mudando o ritmo e acrescentando parte nova para o estribilho, escreveu a música. A primeira letra que acompanhou a música foram uns versos alusivos à tomada de Rio Grande, escritos pelo capitão Serafim Joaquim de Alencastre. Mais tarde Francisco Pinto da Fontoura redigiu outros versos que ficaram populares porque o autor, também conhecido como Chiquinho da Vovó, poeta popular, viveu até fins do século ensinando a todos os seus versos ao som da música de Mendanha. O verdadeiro HINO DA REPÚBLICA, entretanto, foi o que divulgou o jornal O Povo, em seu número de 4 de maio de 1839, precedido das seguintes palavras: - '...postos de pé em torno do pavilhão todos os cidadãos e senhoras convidadas, cantou-se acompanhado da música o Hino da Nação', que noutra página foi transcrito como título HINO NACIONAL:Nobre povo Rio-Grandense
povo de Heróis, povo bravo,
conquistaste a independência,
nunca mais será escravo.(estribilho)
Da gostosa Liberdade
brilha entre nós o clarão,
da constância e da coragem
eis aqui o galardão.Avante ó povo brioso,
nunca mais retrogradar,
porque atrás fica o inferno
que vos há de sepultar.Da gostosa Liberdade ...
O majestoso progresso
é preceito divinal:
não tem melhor garantia
nossa ordem social.Da gostosa Liberdade ...
O Mundo que nos contempla,
que pesa nossas ações,
bendirá nossos esforços,
cantará nossos brazões.Da gostosa Liberdade ..."
UP: um alerta para que não pairem confusões: essa letra é de um autor anônimo. Por um tempo foi considerada a letra oficial. A letra composta por Serafim Joaquim de Alencastre é outra e vou publicar somente amanhã. A versão atual ficará para depois.

E não é que é? O link completo: http://jbonline.terra.com.br/papel/colunas/conexao/2005/09/11/jorcolcnx20050911001.html
Caramba! acabo de vir do jbonline e tá lá uma matéria sobre o verbeat!!! Parabéns! http://jbonline.terra.com.br/
Tinha que ter um mineirinho no meio e de Ouro Preto,
se não me engano.
Afonso, na escola estudamos todas as rebeliões que aconteceram na época: Cabanagem, Sabinada, Balaiada e a Farroupilha. Lógico que a Farroupilha teve maior destaque porque durou mais tempo. Mas parece que todas reinvindicavam as mesmas coisas; excesso de centralização política e a cobrança de tributos instituidos pelo Rio de Janeiro para sustento do novo Estado. Lógico que a isso se junta a miséria que o povo se encontrava na época.
A falta de liberdade gerou sofrimentos inspiradores para a composição dos hinos e homenagens as figuras da época, vide nomes das principais cidades do Estado do Rio Grande do Sul.
Estou gostando de ver estampado aqui no blog seu amor à terra.
Dê notícias da Clarissa!
Beijus
Sirvam nossas lasanhas
De modelo a toda terra
E agora teu tataravô chega falando em gostosa liberdade? Somos um povo gastronômico?
Abraço.
Putz, se achar já dá cadeia, esconder pra que a coisa se perca e depois você a ache deve dar chibatada!! Ok, ok... era só um notebook novinho, na caixa...
Clarisse chegou!
Minha princesinha linda!
foto no blog
abraço, garoto
É mais um Hino. Não enche a barriga de ninguém, mas é belo e inspirador.
Afonso, é muito legal ler essas histórias sobre o RS. Continue que eu estou gostando. Beijocas
Pior que sabe o que eu pensei? Em como é que sairia essa letra nos dias de hoje... "Só as cachorras, uh-uh-uh-uh!"