Onde está o poder da TV?

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Pois é,

Onde está o poder da televisão?
ou
de como certas pessoas ainda insistem em dizer que TV é bom.

Isso é reflexo da estupidez humana. E é assim é que se faz a cabeça de um povo: deixa-o na ignorância (ver notícia a seguir) e enfia-lhe novelas e telejornais que cospem sangue e programas de auditório conduzidos por gente que sequer vergonha na cara tem, porque se tivesse jamais colocaria a cara na tv. Entope a cabeça com propagandas que só fazem aumentar o nível de frustração de um país cuja população possui 40% do seu povo vivendo abaixo do nível de miséria. Só faz aumentar a violência. A programação infantil é absolutamente violenta e induz às crianças a encararem a violência como coisa normal, natural. Afinal, vêem todos os dias isso na televisão.

Mais, um país que ocupa a vergonhosa 9ª colocação, entre os onze países da América Latina, na taxa de mortalidade infantil, só perdendo para Bolívia e Guiana. No Brasil, de cada 1000 nascidos vivos, 33 morrem antes de completar 1 ano e 35 antes de completar 5 anos (site da UNICEF www.unicef.org/brazil/).

Este é o povo que elege seus representantes. Como exigir de um povo, ignorante e esfomeado, que saiba punir os corruptos? Que saiba escolher seus representantes? E tem gente que ainda defende a anulação do voto, como se isso fosse resolver o problema!!! De que adianta, cara pálida, anular o voto? Sabem quantas pessoas são capazes, nesse país, de entender um mínimo que seja do que estão lendo? Sabem quantas pessoas, nesse país, são capazes de ler?

Ignorância, miséria e mortalidade. Esse é o retrato do Brasil. O poior cego é aquele que não quer ver, diz o ditado. Enquanto não pararmos de nos enganar achando que o Brasil é maravilhoso jamais esse país será um bom país para seu povo. Maravilhoso pra quem, cara pálida? Para os APENAS 26% que sabem ler e entender o que leem? E O RESTO, cara pálida? Faz o quê?

Um país que tem mais ONGs cuidando de crianças abandonadas do que o número de crianças abandonadas e, MESMO ASSIM, as crinças continuam abandonadas nas ruas. Como se explica isso? Um país de empresários que reclamam dos impostos quando na realidade não são eles que pagam os grandes impostos que oneram o povo (IR e ICMS), não pode ser sério. Um país cujo governo descaradamente desvia recursos da sáude e da educação para propósitos no mais das vezes escusos e escondidos em rubricas orçamentárias genéricas, não pode ser sério. Um país onde 66% dos analfabetos e 57% dos alfabetizados em nível rudimentar são negros, pode dizer se si que é um país que libertou seus escravos e que não é um país racista?

Pra quem duvidar, continue lendo a barbaridade que segue:

O Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa divulgaram, recentemente, o V INAF - Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (íntegra do relatório em pdf).

Segundo a UNESCO, "é considerada alfabetizada funcional a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita para fazer frente às demandas de seu contexto social e usar essas habilidades para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida. Pelo critério adotado, são analfabetas funcionais as pessoas com menos de 4 anos de escolaridade".

O relatório explica por que realizar uma pesquisa sobre esse tema:

"A iniciativa de fazer um levantamento nacional sobre o alfabetismo dos jovens e adultos é inédita no Brasil. Seu objetivo é gerar informações que ajudem a dimensionar e compreender o problema, fomentem o debate público sobre ele e orientem a formulação de políticas educacionais e propostas pedagógicas.

· Quais são as habilidades de leitura e escrita exigidas na vida cotidiana, no universo do trabalho e da participação social e política?

· Quantos anos de escolaridade e que tipo de ação educacional garantem níveis satisfatórios de alfabetismo?

· Que outras condições favorecem o desenvolvimento de tais habilidades ao longo da vida?

· Que subgrupos da população encontram-se em desvantagem e mereceriam atenção especial?

· Quais seriam as melhores estratégias para elevar as condições de alfabetismo da população?

Respostas a perguntas como essas podem orientar políticas, currículos e metodologias de ensino da educação básica. São úteis também para o desenho de políticas de educação continuada que garantam oportunidades de auto-desenvolvimento e qualificação profissional a todos os cidadãos".

Os resultados apontam para uma situação estarrecedora:


Analfabetos

No grupo dos que, segundo o INAF, estão na condição de analfabetismo, a maioria é do sexo masculino (64%), tem mais de 35 anos (77%) e pertence às classes D e E (81%). Uma boa parte deles não está ocupada (41%) e, entre os ocupados, 41% trabalham na agricultura. Parte deles (22%) não chegou a completar nem um ano de escolaridade, mas 60% completaram de um a três anos de estudo. A desigualdade no acesso a oportunidades educacionais resulta numa distribuição desigual do analfabetismo entre negros e brancos: entre os analfabetos, 66% se declaram negros enquanto 28% se declaram brancos.
Outros dados relevantes sobre o perfil desse grupo são:

· 50% não recebem correspondência em casa;
· 38% verificam data de vencimento de produtos e lêem bula de remédio;
· 86% nunca vão ao cinema, mas 33% vão às vezes a shows e/ou espetáculos;
· 28% têm biblioteca pública a uma pequena distância (possível percorrer a pé) de casa ou do trabalho;
· 19% “lêem” algo do jornal e 12% algum tipo de revista;
· Não usam computador.

Alfabetização - Nível Rudimentar

Nesse grupo, há uma participação semelhante de homens e mulheres. Em relação aos analfabetos, aumenta a proporção entre 15 e 34 anos, passando de 23% para 39% do grupo. Quase um terço pertence à classe C e 64% às classes D e E. A taxa de ocupação desse grupo é próxima a do conjunto da população: 63%. A maior parte deles (49%) tem de 4 a 7 anos de estudo e 33% menos de três; 57% são negros, 39% brancos, 4% indígenas ou amarelos. Além disso:

· 47% recebem cartas e/ou cobranças em casa;
· 67% verificam data de vencimento e 77% lêem bula de remédio;
· 20%vão ao cinema e 43%vão a shows e/ou espetáculos;
· 41% têm biblioteca a uma distância pequena de casa ou do trabalho;
· 52% lêem alguma parte dos jornais e 48% algum tipo de revista;
· Somente 6% usam computador.

Essas pessoas só conseguem resolver as questões mais simples do teste.

Alfabetizados - Nível Básico

Nesse grupo, a participação das mulheres é um pouco maior que a dos homens (53% contra 47%). Também estão concentrados nas classes C (40%), D e E (45%) e a maior parcela (40%) tem de 4 a 7 anos de estudo. Outros dados a respeito desse grupo:

· 57% recebem cartas e/ou cobranças em casa;
· 41% vão ao cinema e 66% vão a shows e/ou espetáculos;
· 46% têm biblioteca a uma distância pequena de casa ou do trabalho;
· 72% lêem alguma parte dos jornais e 67% algum tipo de revista;
· 23% usam computador.

Que tarefas de leitura essas pessoas mostraram que conseguem realizar com facilidade? Por exemplo, num dos itens do teste, há uma notícia que informa que morreram num deslizamento a engenheira Maria Araújo, a médica Lucia Penteado e sua filha Alice. Ao ler a notícia, uma grande maioria dessas pessoas respondem corretamente à pergunta: Quantas pessoas morreram no acidente? Nas perguntas mais difíceis, a probabilidade deles acertarem é pequena.

Alfabetizados Nível Pleno

Como as mulheres têm, em geral, mais escolaridade que os homens, elas são maioria nesse grupo (53% contra 47%). Pelo mesmo motivo, também predominam aqui os mais jovens: 70% têm até 34 anos. Mais de um terço do grupo pertence às classes A e B e 41% à classe C. A maioria (60%) têm pelo menos o ensino médio completo, outros 25% têm de 8 a 10 anos de estudo, ou seja, no mínimo completaram o ensino fundamental. Além disso:

· 67% recebem cartas e/ou cobranças em casa e 53% recebem correspondência de banco;
· 64% vão ao cinema e 77% vão a shows e/ou espetáculos;
· 54% têm biblioteca a uma distância pequena de casa ou do trabalho;
· 83% lêem alguma parte dos jornais e 84% algum tipo de revista;
· 54% usam computador.

As pessoas nesse grupo conseguem realizar corretamente a maioria das questões do teste. Conseguem, por exemplo, localizar informações que constam de um documento para preencher um formulário. Comparando as resenhas de filmes da programação de TV, sabem reconhecer qual filme tem o comentário menos favorável. Conseguem buscar e relacionar vários itens de informação em textos mais longos, por exemplo, uma matéria de página dupla que descreve a anatomia e os hábitos da onça pintada".

Mais,

"A escolaridade da população brasileira refletida pelo INAF revela essa grande dívida educacional do Brasil: entre os brasileiros de 14 a 64 anos, só 47% chegaram a completar a 8ª série do ensino fundamental. Isso quer dizer que 63% não têm o nível escolar mínimo que a Constituição afirma ser direito de todos os cidadãos".

Sem dúvida que o relatório não poderia terminar de outra forma:

"O INAF perguntou aos entrevistados quais fontes eles mais utilizam para se informar sobre assuntos da atualidade. A televisão e o rádio confirmam ser as fontes mais populares, que atingem também os que têm nível de alfabetização mais baixo".

Ligar "A" e "B" agora é fácil. Com o nível de instrução existente e sendo a tv o meio mais utilizado para se informar e sendo esse meio o que é nesse país... chega-se a perfeita conclusão... E nós, aqui na blogosfera, por vezes discutindo tanta bobagem... é bom ler todo o relatório. Tem outras informações muito interessantes.

10 Comments

Post longo, mas cheio de conteúdo. Parabéns. Infelizmente para os políticos deste país, um povo burro, doente,com fome e desarmado é muito mais fácil de governar. Até o próprio povo Americano, você não tem notado que estão cada vez mais alienados? A mídia se transformou num poder, igual ao Livro do George Orwell.

Sempre ouvi minha mãe dizer "podem te tirar tudo menos seus conhecimentos..."

Eu tenho até taquicardia quando leio alguns blogs com textos vergonhosos e, pasme, muitos deles são de pessoas que se dizem super cultas! Mas o pior é sentir até falta de ar quando se ouve o Presidente dizendo algo do tipo: "minha mãe nasceu analfabeta". Sem mais.

Diga-se de passagem, o que tem de blogueiro e de leitor de blog que é analfabeto funcional não está escrito. Ou melhor, está. :P

toda razão, afonso.
belo post.
agora licença, que vai comecar a novela e o jornal.

Afonso,
penso que ainda pode-se ter esperança na alfabetização de adultos em nosso país, como disse Paulo Freire:" Do ponto de vista crítico, é tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o caráter educativo do ato político. (...) Isto significa ser impossível, de um lado, uma educação neutra, que se diga a serviço da humanidade, dos seres humanos em geral; de outro, uma prática política esvaziada de significação educativa. (...) Entendemos então, facilmente, não ser possível pensar, sequer, a educação, sem que se esteja atento à questão do Poder.”
Penso estar fazendo minha parte (pequena ainda) na alfabetização e conscientização política dos adultos com quem trabalho,e que, todas as noites, após um cansativo dia de trabalho, e com os olhos cheios de esperança, olham para mim,naqueles bancos escolares.
abraço, garoto

Emprego para os pais e educação para os filhos. Não descarto completamente a TV porque existem alguns programas bons, só ter opção, coisa que a maior parte do país não tem. Ontem mesmo vi uma reportagem sobre o trabalho escravo infantil no Brasil e isso é muito triste. Estou fazendo a minha parte. Nunca anulei o voto e não pretendo fazê-lo. De quebra ajudo minhas vovós e agora seus netinhos. Estou conseguindo em alguns bairros carentes juntar meninas para fundar uma escola de costura. São grãos que se juntam. Beijus

Educação puxa todo o resto Afonso. Eu costumo sempre procurar o lado bom do Brasil mas nisso está difícil. Nós avançamos muito pouco em educação e os investimentos ainda são baixos demais e ainda temos o problema da pobreza que causa uma grande evasão escolar. Eu acho o Bolsa Escola um ótimo programa de incentivo escolar. Se bem implantado pode resultar bons frutos no futuro.

Educação, educação, educação. Só isso que a gente precisa. O resto, a partir disso, se resolve.

Afonso, excelente post. Você falou sobre o poder da televisão que induz os indivíduos que não pensam a eleger os nossos políticos. É realmente um grande perigo. O pior é que eu não vejo solução por muito tempo. Escute bem o que eu estou falando: Roberto Jefferson não vai ser punido e vai voltar para a Câmara nos braços do povo que o elegerá novamente e porque? Porque o cara tem carisma, dom da palavra, dom da retórica e presença. São qualidades preciosas para um político. E qual o estado que o elegerá? O meu Rio de Janeiro que tem importância sob vários aspectos e um povo, EM PRINCÍPIO, mais lúcido, mas ainda assim as coisas não funcionam dessa forma porque quem vive na miséria não consegue raciocinar. Quando jovem eu fui instrutora do Mobral que foi muito criticado na época. Bom, eu era muito garota e não entendia bem o motivo de tanta crítica, mas uma coisa eu posso dizer: em cinco meses a gente conseguia com que um analfabeto aprendesse a ler e escrever. Não custa nada fazer algo igual. Beijocas

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on setembro 13, 2005 12:25 AM.

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