Pois é,

Este post vai parecer radical, e é.
Começo com uma pequena, porém importante, classificação: existem duas maneiras de se falar em aborto: tendo experimentado o aborto ou fazendo elucubrações mentais.
Dentre os que fazem masturbação, ops, elocubrações mentais, temos duas categorias: os que se agarram em conceitos religiosos e os que se agarram em conceitos científicos, sendo que a diferença entre eles resume-se a definir quando começa a vida ou a quem pertence a vida. Há, ainda, uma subcategoria, a qual sequer vou me referenciar mais do que essa frase já escrita: os políticos. Desconsidero por completo a opinião de QUALQUER POLÍTICO QUE SEJA, a menos que fale em nome de uma experiência própria e, aí, estará falando como pessoa.
Dentre os que têm ou tiveram experiência, devemos destacar os profissionais de saúde. Eles sabem, em boa parte, do que falam, quando falam sobre aborto. Sobram, finalmente, aqueles que SOFREM o aborto. Esses, e somente esses, para mim, são os que podem realmente falar sobre o aborto.
Aos que criticarem esse pensamento, achando que é possível falar de algo que NÃO CONHECEM E NÃO SABEM O QUE É, só digo uma coisa: nada, mas ABSOLUTAMENTE NADA do que disserem será válido diante da opinião que teriam, caso tivessem passado pela experiência.
Aos que usam argumentos religiosos (e aqui é importante fazer uma pequena diferença entre religiosos udi-grudi e pessoas de bom senso), digo logo (e pra encerrar o assunto com eles): se algo vai contra a lei de Deus, DEIXEM QUE DEUS JULGUE. E pronto. Não queiram transformar julgamentos humanos em divinos. Não usem o santo nome de Deus em vão! Não atribuam a ele pensamentos e morais pessoais, no mais das vezes pura hipocrisia.
Aos que se agarram ao Direito como base da sua defesa contra o aborto, afirmando ser crime, vamos deixar bem claro: o aborto legal existe, restrito ou não, mas EXISTE. Assim, a questão não é ser contra ou a favor: é de em quais casos aceitar ou não. É PURA HIPOCRISIA declarar-se contra o aborto mas aceitá-lo em alguns casos e em outros não. É o mesmo caso de se dizer que não existe pena de morte no Brasil. EXISTE E ESTÁ LÁ NA CONSTITUIÇÃO. Por hora, apenas num caso restrito. Mas quem garante que amanhã não ampliam os casos passíveis? Isso só será possível porque a pena de morte e o aborto FAZEM PARTE, SIM, DA CULTURA brasileira. Repito: é hipocrisia e mais um exemplo da ESTUPIDEZ HUMANA pensar que restringir é não existir.
Postas as condições, sigo.
Quem nunca experimentou um aborto JAMAIS saberá o que se passa no período que vai da descoberta da gravidez até o momento da decisão de fazer o aborto. É muito mais do que pensar em tirar "uma vida". A luta contra a moralidade imposta pode, na maioria das situações, significar a destruição de uma vida já existente. Exceções, que porventura confirmem a regra, existem. Pessoas há que não pensam duas vezes antes de "passar a faca" na besteira que fizeram. São a minoria. A maioria é constituída - quer queiramos ou não - de gente sem instrução, educação e alimentação suficiente para SABER o que está fazendo quando realiza seus instintos. Por essa razão é que não adianta usar o fácil argumento de que prevenir é fácil, de que tudo hoje em dia está disponível e de graça. ESQUECEM-SE, os defensores dessa tese, da ignorância e da miséria em que vivem mais de 50 milhões de brasileiros. Esquecem-se de que é muito fácil falar sem NUNCA ter pisado numa vila, numa favela.
Outra parcela, talvez um pouco maior, tem consciência do risco que corre ao transar sem as mínimas precauções, mas aí entram dois aspectos: acidente ou ignorância (ignorância, aqui, no sentido pejorativo, de mau caráter, de gente que está pouco se lixando para o que pode acontecer - homem e mulher, diga-se de passagem).
Tirando as exceções, a imensa maioria vê-se diante de uma situação que mudará suas vidas para sempre. E talvez isso seja muito mais importante do que "retirar" algo que sequer sabem se é vida ou não.
São dez, quinze, por vezes vinte dias em que as vidas envolvidas - homem e mulher - são sopesadas, pensadas, avaliadas. É puro sofrimento. Não pensem os masturbólogos que abortar seja uma decisão como escolher entre pepsi ou coca cola. Não imaginem que ver o sofrimento de uma mulher ao ter que tomar a decisão ou não pensem que manter-se consciente de que a decisão somente cabe a ela, seja fácil. E nisso não há diferença entre ricos e pobres: fazer aborto com algum açougueiro ou numa clínica chique, dá no mesmo em termos psicológicos. E mais, existem as famílias envolvidas, pois são muitos os casos em que os familiares acabam sabendo.
Aí reside a questão da descriminalização do aborto: provendo condições de minimizar os riscos físicos, teríamos melhores condições de dar assistência psicológica para homens e mulheres que o praticam. Aqui há um aspecto a diferenciar: homens participam, sim, do processo. Embora possam representar um número pequeno, muitos homens acompanham e NÃO APENAS PAGANDO, mas sofrendo junto.
Outro ponto - e certamente o mais importante - é que, QUER QUEIRAM OU NÃO os masturbóides de plantão, aborto É UMA DECISÃO DA MULHER. Os homens podem opinar e sofrer, mas é o corpo e a mente da mulher que estão envolvidos, E SÓ! O resto? Bem, o resto é querer aparecer dando uma de "entendido" no assunto.
Se alguém nesse país entende e respeita o significado da "dignidade da pessoa humana", há de querer a descriminalização do aborto. A sociedade deve dar amparo físico e psicológico para que as pessoas possam tomar decisões como essa, de abortar ou não. Sem que isso seja crime definido por um bando de hipócritas.
Façam aborto, depois venham conversar comigo sobre se isso é crime!











































tenho 13 anos, precisa ajuda, seja clinica ou remedio, obrigada
apartir de que idade o aborto pode ser feito sem autorizaçao dos pais?
rexp para meu email pf rubby_scp@hotmail.com
Preciso de uma clinica de aborto
Precisando de clinica de aborto ou remédio? entre em contato, posso ajuda-los. andreia39@gmail.com
Precisando de clinica de aborto ou remédio? entre em contato, posso ajuda-los.
apartir de que idade o aborto pode ser feito sem autorizaçao dos pais?
responda rapido pf
posso fazer um aborto com 16 anos? num hospital?
estou grávida e não posso ter esse filho,minha familia nunca iria aceitar neste momento da minha vida,tenho apenas 19 anos,e preciso mt fazer um aborto,estou de 4 mes,será que pode me dar o nome de alguns remédios que causem um aborto?
peço que me responda o mais rapido possivel,aguardo sua resposta,obrigada
estou grávida e não posso ter esse filho,minha familia nunca iria aceitar neste momento da minha vida,tenho apenas 16 anos,e preciso mt fazer um aborto,estou de 1 mes,será que pode me dar o nome de alguns remédios que causem um aborto?
peço que me responda o mais rapido possivel,aguardo sua resposta,obrigada!
Tenho 16 anos naum trabalho moro com minha
mãe e naum sei mais o ki fazer minha mãe me
ameaçou de me colocar pra fora de ksa por
causa do filho e a menina é de familia muito pobre
naum sei mais o ki fazer ...
axu ki a unica solução vai ser opitar por
um aborto a unica solução vai ser essa
gostaria de saber kual o melhor remedio
devo mandar a garota usar...
kem puder me dizer responda no e.mail
superdaniel_49@hotmail.com
fico grato presciso muito de opniões
agradeço...
Até Mais!
Realmente só quem passa por uma situação assim pode opinar, tudo é doloroso, a decisão e a ação, pois para mulheres com menos dinheiro só resta recorrer a remedios e esses causam dores fortissimas e muito medo de dar alguma coisa errada, passei por isso a um ano atraz, no fim deu tudo certo, mas sei que me lembrarei de todos os detalhes para sempre...
Quem pensa na criança que já existe? (a ciência sempre disse que existe vida desde a concepção, não vai mudar agora só de pretexto para o aborto, ou diminuir a culpa disso, issao sim é a verdadeira hipocrisia). Trabalho na saúde, e já vivi de perto a situação do aborto.
Olá Afonso,sempre fui hipócrita,até a presente data,achando q o aborto por opção era um erro, mas hoje me encontro numa situação bem difícel,pois estou grávida e por mais q eu quisesse ter esse filho,embora nw haja problemas de anomalias mas, nw seria possível,por n motivos, mas só mesmo nós as mulheres sabemos o q é ter q tomar essa decisão,felizmente me encontro em um país q o aborto é legalizado,senão,não imagino o q seria de mim e dessa criança...com isso só queria dizer como vc é fantástico...Parabéns
Em defesa da decisão da mulher sobre a maternidade, Afonso. É isso. [recuperando o fôlego...]
Tem uma música do Gabriel, que diz que a mãe era uma prostituta e tentou desde o início fazer o aborto. Tomou cachaça, remédio, purgante, pediu para um mendigo esmurrar sua barriga e nem assim conseguiu abortar. No dia do nascimento ela abandonou o bebê, que mais adiante virou um moleque de rua. Com 14 anos ele foi assassinado, após cometer vários crimes. Ele termina assim: Demorou, mas a sua patria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.
Nesse caso, e em tantos outros também, é melhor evitar o sofrimento desde cedo, além de várias trajédias também.
Tem uma música do Gabriel, que diz que a mãe era uma prostituta e tentou desde o início fazer o aborto. Tomou cachaça, remédio, purgante, pediu para um mendigo esmurrar sua barriga e nem assim conseguiu abortar. No dia do nascimento ela abandonou o bebê, que mais adiante virou um moleque de rua. Com 14 anos ele foi assassinado, após cometer vários crimes. Ele termina assim: Demorou, mas a sua patria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.
Nesse caso, e em tantos outros também, é melhor evitar o sofrimento desde cedo, além de várias trajédias também.
Tem uma música do Gabriel, que diz que a mãe era uma prostituta e tentou desde o início fazer o aborto. Tomou cachaça, remédio, purgante, pediu para um mendigo esmurrar sua barriga e nem assim conseguiu abortar. No dia do nascimento ela abandonou o bebê, que mais adiante virou um moleque de rua. Com 14 anos ele foi assassinado, após cometer vários crimes. Ele termina assim: Demorou, mas a sua patria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.
Nesse caso, e em tantos outros também, é melhor evitar o sofrimento desde cedo, além de várias trajédias também.
Emocionante, Afonso... e você falou do outro lado, da dor do homem que acompanha a mulher nessa jornada! obrigada pelo depoimento! um grande beijo!
Bom... Perfeito. Meu post navegando pelos mesmos mares. Até usei um monte de vezes a palavra hipocrisia também. :)
Mas é isso tudo mesmo.
Perfeito.
Abração!
Parabéns. O seu texto foi o melhor desta jornada. Às vezes é preciso de radicalismo mesmo.
Crime é a hipocrisia. Simples assim.
Afonso
Este é o teu texto mais pragmático... Para mim nesta questão toda o começo está antes do que aparentemente está. Nas condições de vida das pessoas, nos seus direitos básicos.
Afonso, em geral concordo com o que voce escreve mas hoje eu devo te dizer: extraconcordo e assino embaixo. Um abraço.
Perfeito o que escreveste, no meu ponto de vista. Ate porque foi exatamente o mesmo que eu escrevi no meu texto...
abraco
tema forte. tema polêmico. fico totalmente com a tua opinião. e concordo com a Viva quando ela diz: liberdade de optar.
o que me leva a pensar em outra questão polêmica e atual: as armas! mas vamos deixá-las para outro dia. :)
beijos e parabéns! grande texto!
Bom dia.....
Acho que para os homens é mais dificil....
Eles fazem parte.....mas não tem o poder de decisão.....
E quem nunca esteve na situação....nunca vai ter argumentos suficientes.....só se servirão de máscaras....
Bjs.....
Afonso, no blog do Edu está a história dos presentinhos. Beijocas
Afonso, concordo quando você diz que quem nunca passou pela experiência fala apenas de forma teórica (parece redundante, e é). Por isot sou a favor da descriminalização do aborto. Minha bandeira é a liberdade de optar pois só quem passa por esta situação pode saber o que é melhor fazer naquele momento. Aborto é questão de saúde pública e o Estado tem o dever de apoiar a mulher.
Esse urso num post sobre aborto é chantagem emocional? :-) Sabe que, sem brincadeira, até ajudou a dar uma noção do que seria o sofrimento pela escolha entre abortar ou não... Nossa, é brabo!
Afonso, acho q vc tocou numa tecla certa: olhemos pras pessoas q realmente sofrem, pra humanidade já existente q padece cruelmente, de fome, de falta de oportunidades, de desesperança. Para as crianças vivas-mortas q andam pelas ruas do mundo, sem educação decente, sem direito à saúde. Façamos cada um sua parte por um mundo melhor. Bjs.
Afonso, tenho uma opinião meio ambigua sobre o aborto, sabe como é toda moeda tem dois lados. Tem casos em que o aborto se faz necessário e urgente, por isso deveria estar legalizado. Mas, penso na banalização do aborto como algo perigoso. Ele tornar-se um "método anti-concepcional", ao invés de haver a precaução passa existir a solução para os problemas, engravidou aborta.
Acho que se na hora de trepar foi fácil e vc vacilou, tem também de arcar com as responsabilidades do erro. O que deve existir é uma política real de educação de base, e prevenção efetiva (claro que sei da utopia disso), e que o aborto deve ser permitido, sim, mas em casos específicos.
Olá,
concordo plenamente com você.
O aborto é escondido debaixo do tapete pelo moralismo e pela hipocrisia.
Só quem já viveu é quem sabe.
Beijo
Que esquisito! Quando comentei não tinha nenhum comentário...
Primeira! Concordo com tudo o que disse. Dentro da filosofia do achismo, acho fácil (?)decidir entre ter ou não um filho, quando só isso está em questão. Quantas pessoas tidas como informadas têm uma gravidez indesejada? Temos várias formas de prevenir essa gravidez, mas as vezes acontece. E não é pelo erro e irresponsabilidade que a lei tem que amparar esses casos. Por isso, concordo com os casos de estupros e deformação fetal. No demais casos, concordo quando a Lúcia Malla diz que cabe a cada um decidir o que melhor lhe apraz. Isso quer dizer, o Estado não tem o direito de decidir o que é melhor para o individuo. O estado tem é que dar melhores condições de educação e sustento familiar. Beijus
Eu estou com a Viva. Liberdade de Optar e fim.
Crime? Não, não pode ser, mas assuma as consequências do ato.
Liberdade de Optar.
Tive uma gravidez ectópica ,com hemorragia e passei por uma cirurgia pois já não havia mais vida .Nunca vou esquecer do médico me mostrando em sua mão o feto para que eu acreditasse que ele estava morto.O sofrimento em todos os casos é real.Para mim gerar vidas é algo magnifico mas exige maturidade,equilibrio e muita doação.
Afonso, concordo em tudo o que você disse e adicionaria - não apenas substituiria - o que disse a Yvonne. Num mundo ideal, deveria haver condições tanto para quem quisesse ter o filho e mantê-lo pela vida afora quanto para quem decidisse não tê-lo.
Afonso, o que eu penso sobre o aborto está lá no Nós Por Nós. Beijocas
Afonso,
Obrigado pelo seu comentário. Claro que voce pode incluir meu post na lista de post de hoje.Eu só tenho que lhe agradecer. Esta é uma causa justa. Talvês estaremos salvando vidas. Concordo com voce É UMA DECISÃO DA MULHER, ela é dona do própio corpo. O seu texto é interessante. Não concordo quando voce diz: A sociedade deve dar amparo físico e psicológico para que as pessoas possam tomar decisões como essa, de abortar ou não.
Eu reescreveria assim: A sociedade, o govêrno, deve criar condições para amparar as mães que decidem ter o seu filho. Para aquelas que tenham tomado a decisão de matar o seu filho dar amparo físico e psicológico, para que elas possam sobreviver sem traumas. A sociedade deve ser conta o abôrto e desenconrajar qualquer forma de infanticídio.Abôrto continua a ser um crime. Todas as praticantes de abôrto que conheço tem remorsos do que fez. Eu não julgo ninguem. Elas mesmas se julgam, se condenam. O que sempre digo: o que passou é passado, tenta fazer do presente o melhor que voce pode. Não podemos mudar o passado, mas o futuro será o resultado das decisões que tomamos hoje.
Gostei muito de lhe conhecer.
Abraços,
Eunice
Afonso, eu nunca precisei fazer aborto, mas apóio totalmente a descriminalização para que o acesso a procedimentos seguros seja estendido às mulheres de baixa renda. E também para que todas possam fazê-lo fora do estigma da clandestinidade. É sem dúvida um momento difícil na vida de uma mulher (ou de um casal, se for o caso), já tive várias amigas que fizeram e sempre foi uma decisão dolorosa, mas da qual não se arrependeram. Hoje todas são mães muito felizes, porque aconteceu depois no momento certo.
É um momento difícil na vida de um homem também, Leila. Aqui não há que se falar em casal, apenas. Nessas horas, naquela hora em que cada um deita somente consigo mesmo, somos iguais, homens e mulheres. Meu post, embora irado contra a hipocrisia de quem é contra o aborto, é mais sobre o sofrimento do que sobre a descriminalização. bjs