Pois é,
Do Farol da divindade
Foi o 20 de setembro
O precursor da liberdade.
"... Pode-se, assim, calcular a atmosfera que reinava em Pôrto Alegre nos agitados dias que precederam o levante, e a tomada da capital pelos farroupilhas chefiados por Gomes Jardim e Onofre Pires.
No dia 18 de setembro, enquanto Braga, avisado, tratava da defesa da capital, José Gomes de Vasconcelos Jardim atravessava o rio Guaíba com 60 homens para juntar-se aos que anteriormente haviam atravessado com Onofre Pires que reunira mais outros por Viamão.
Nessa ímpia e injusta guerra.
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra,
De modelo a toda terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra.
Braga, entretanto, de nada tinha certeza absoluta. Mas, temeroso, tomava medidas e providenciava. A 19 oficiou ao Vice-consul português, Vitório José Ribeiro, solicitando-lhe "grande auxílio para o governo "...".
Ainda nesse mesmo dia 19 dirigiu o presidente provincial ofícios aos Juízes de Paz e Chefe de Polícia da cidade pedindo-lhes que tomassem tôdas as medidas necessárias para a defesa e que o avisassem de quanto soubessem, pois lhe 'constava que se prepararam movimentos anárquicos que deverão romper talvez em poucas horas'.
Mas todas as medidas foram inúteis. A preparação muito bem feita e os agentes revolucionários na capital, em ação conjunta, procuraram com notável eficiência atrapalhar por completo a ação do governo, espalhando os mais contraditórios boatos. E quando menos esperava, foi Braga avisado de que um grupo de revolucionários se aproximava da cidade, pela estrada da Azenha. Imediatamente mandou que Camamu assumisse a chefia da força e se dirigisse à ponte da Azenha a fim de impedir o avanço dos rebeldes.
Ser forte, aguerrido e bravo.
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo.
Os farroupilhas, porém, estavam òtimamente preparados. Nem mesmo espiões faltavam, sendo um dêles, e o maior, o dr. Magalhães Calvet, médico, que tinha entrada franca no palácio e assistiu à reunião com Camamu, mandando, logo, avisar Gomes Jardim e Onofre Pires, reunidos np alto da Aenha (hoje local do cemitério), das ordens do Presidente Braga.
Em vista disso, os colocaram os farroupilhas sentinelas nos ângulos mais escuros da ponte e aguardaram a visita do visconde. Pela meia noite, mais ou menos, êste apareceu com um grupo armado, para apoderar-se da ponte. MArchavam com cautela mas meio desprevenidos, pois julgavam ainda longe os revolucionários. Entretanto, ao se aproximarem, alguns tiros a esmo os atordoaram, fazendo com que os soldados recuassem. Camamu tenta avançar e novos tiros, desta vez claramente dirigidos a êles, se fazem ouvir, sendo Camamu ferido. Um de seus soldados, o célebre Prosódia, jornalista Antônio José da Silva Monteiro, pensando salvar-se jogou-se nas águas do Riacho. Mas, ferido também, morreu afogado. Não podendo conter seus soldados e ferido, o próprio Camamu iniciou a fuga. Os legalistas, em número que não se pode dizer exatamente, pois há variantes entre 60 e 300, aterrorizados se apresentaram em palácio, alta madrugada, afirmando Camamu ao Presidente Braga que os farroupilhas que marchavam contra a capital eram em número superior a mil. Na verdade, porém, não iam além de 200. Fernandes Braga, apesar de insistido para retirar-se para bordo de algum dos navios surtos no pôrto, não o fêz, julgando-se ainda garantido. Contudo, mandou sua família e os companheiros, bem poucos, que estavam no palácio que se recolhessem para bordo da escuna Rio-grandense, e ordenou ao comandante do 8º B.C., major João Manoel de Lima e Silva, que atacasse os rebeldes. Mas, bem a ordem não tinha saído do palácio já lhe traziam a notícia de que o 8º marchava ao encontro dos farroupilhas para a êles se reunir. Mandou verificar a exatidão da denúncia que foi inteiramente confirmada. Diante dos acontecimentos, e vendo-se sozinho, resolveu seguir também para bordo da escuna, levando, porém, consigo os dinheiros do Tesouro e da Alfândega.
E quando a aurora do dia 20 de setembro resplandecia sobre a cidade, e o sol enviava seus primeiros raios sobre a terra, os farroupilhas, sem mais um tiro, entre vivas e gritos de alegria, entravam na capital da Província, precedidos por Gomes Jardim, Onofre Pires e Lima e Silva, magnificamente montados.
Nessa ímpia e injusta guerra.
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra,
De modelo a toda terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra.
Bento Gonçalves que, de Pedras Brancas (hoje Guaíba) tudo assistia e ordenava, à tarde do dia seguinte fazia sua entrada triunfal em Pôrto Alegre".1
E assim, no dia 20 de setembro de 1835, começava a Revolução Farroupilha. Quase um ano após, em 11 de setembro de 1836, o General Antônio de Souza Neto proclamaria a República Rio-grandense.
1Walter Spalding, A Epopéia Farroupilha.









































Show!!!!Adorei!!!!
Um super beijo nessa coisa- gostosa-virginiana-gata-Clarissa.
beijos beijos
Graças ao seu blog, hoje conheci mais um pouca da história aí do sul. Desta gente aguerrida e ao mesmo tempo alegre e carinhosa.
Afonso, foi a Luma que me falou de vc. Adorei o seu blog. Também tenho orgulho de ser gaúcha depois passa lá no meu blog.Fiz uma homenagem singela mas de coração. É que morei por 14 anos no Rio de Janeiro, tanto que minhaS filhas são cariocas.
Bjos.
Bom dia....
Estou de fitinha vermelha hoje....
Parabéns gaúcho....
Bjs....
Afonso, ao contrário do que pensa (isso baseado em comentário seu no luz) estou por dentro de algumas particularidades da História do sul do país. E muito bom vir aqui e ver que existe patriotismo ainda nesse país. Bom dia!! Beijus
hehehehe, aquilo foi só uma provocaçãozinha carinhosa. bjs
Parabéns por se interessar tanto pela história de seu Estado.
Interessante que você coloca pra gente um lado cultural e até poético desta história. Nos livros esta luta é tratada simplesmente como uma luta de interesses econômicos.
Um dos objetivos, Simy, era justamente dar uma pequena mostra de que existiram outras coisas além do aspecto puramente econômico ou separatista da Revolução Farroupilha. Legal que tenhas falado isso. bjs
Feliz feriado! :-)
Como estou de férias (tirei uns dias pra ficar com as meninas), perdi o feriado, hehehe. abs
Afonso, estou adorando conhecer as histórias de sua terra. Parabéns por tudo. Beijocas
Gracias, Yvonne. Pena que não dá pra transformar o Chato num blog de história do RS. Não teria fãs, heheheheheh bjs