Pois é,
Gracias a todos que por aqui passaram e desejaram um feliz dia dos pais.
Um dos primeiros sentimentos esquisitos de que tenho lembrança, era quando meu pai ouvia o Lago dos Cisnes do Tchaikovsky. A música me causava um misto de terror e medo. Costumava ter pesadelos que associava à música, principalmente à abertura. Era como se estivesse sendo levado para um outro mundo, um mundo de fantasmas e caveiras. Diversas vezes acordava no meio da noite e enxergava as caveiras dançando no meu quarto. Coisas de criança, é claro!
Talvez a música realmente expresse um sentimento profundo de dor e abandono. Afinal, Pyotr Ilyich Tchaikovisky (07.05.1840 - 06.11.1893) era homossexual num país que considerava isso como um crime e bania as pessoas para a Sibéria. Para evitar maiores incomodações, casou-se com um aluna que só veio a lhe arranjar mais problemas, mesmo após a separação, ocasionada pela falta de cumprimento dos deveres maritais. Era um homem atormentado e algumas de suas composições podem muito bem ser resultado desses mergulhos pelo reino da depressão, a tal ponto que a história registra que teria se suicidado ao tomar, propositadamente, um copo de água não tratada durante uma epidemia de cólera, com apenas 53 anos.
Ainda hoje, ao ouvir a música, fico em estado de tensão. É linda, sem dúvida, mas se tivesse que escolher alguma música para associar ao frio e ao vazio, duas das piores coisas da vida, essa música seria o Lago dos Cisnes. O início e a valsa.
E por falar em morte, o artigo de capa da Superinteressante desse mês é sobre as experiências de quase-morte (EQM). Pessoas que foram dar uma espiadinha do outro lado e voltaram. Lars Grael, iatista medalha de ouro nas olimpíadas, é um dos que relatam EQM. É dele a seguinte frase:

"É uma coisa muito difícil de descrever. Nem imaginava que isso pudesse acontecer. Tive uma morte momentânea e me senti mais leve, com menos dor. Senti muita paz. Também me vi levantando do meu corpo. Voltei à vida, mas tive uma segunda parada e de novo me senti saindo do corpo. Era uma sensação menos nítida, acho que estava partindo mesmo. Foi coisa de segundos. Mas parece que o tempo ficou parado. Hoje vejo a vida por uma outra ótica. Meus valores mudaram e aprecio as coisas mais simples - um gole de água, um beijo de cada um da minha família. Tudo, tudo mudou" (negrito meu).
Já havia escrito sobre as mudanças que a gente tem ao perceber a finitude da vida. Não é necessário passar por uma EQM para ver isso. Por que será que tanta gente complica tudo, mesmo sabendo que vai morrer e que daqui não se leva nada? Nem mensalão?









































Olá.
Eu achei legal essa página, vi quanto as coisas podem ser marcantes e como o peso de uma experiencia, não necessariamente quase morte, pode mudar a vida.
Meu carro capotou 7 vezes e eu não tive nada, graças à Deus e, sendo assim, comecei a ver a vida com outros olhos e percebi q podemos descomplicar a vida, fazer com que tudo seja mais tranquilo e que podemos amar a todos sem neuras e com menos pudores.
Concordo contigo quando diz que tudo passa e que vamos morrer e nada vamos levar, nem mesmo mensalão, kkkk
Em relação a sua experiência da música, é bem interessante, isso mostra o quanto a nossa infância influencia na nossa vida adulta, conforme Freud sempre dizia.
Sucesso.
Todo pai ainda verde, como yo, se emociona com essas sentimentalidades. Saudações e longa e bela vida a Clarissa!
Seu post anterior sobre O Pai é emocionante...
Quanto às experiências de QM, já as tive e constatei: morrer não dói, mas pensar na danada é terrível.
Díficil aceitar que o ciclo de vida cumpra-se normalmente, ainda mais quando temos ligação afetiva com as pessoas envolvidas.
Algumas vezes tive sonhos esquisitos, saia do meu corpo e ficava no céu voando e olhando tudo pequenininho lá em baixo, era gostoso voar, ruim era passar por entre os fios e quando voltava para o meu corpo sempre acordava com uma sensação muito boa.
Não tenho medo da morte. Dizem que é bom sentir medo. Porque o medo ajuda a preservar a vida. Talvez por isso arrisque tanto.
Boa semana! Beijus,
Alguem [nao sei quem] ja disse - aproveite o dia! eh isso! beijos,
Eu gosto de algumas músicas clássicas, mas eu não tive em casa alguém que as escutasse... vez por outra, confesso que esporadicamente eu ouçoa alguma coisa. EQM, eu nem sabia que exite sigla... rs, ainda é um mistério pra mim. O meu avô chegou a de fato morrer, morreu mesmo! Os médicos dissera: "está morto". Mas algum tempo depois ele voltou à vida milagrosamente. Eu nunca perguntei a ele o que de fato ele sentiu naquele momento... preciso fazê-lo. Beijos
Afonso! Creio que este é um bom momento para ir a meu blog!
Grande abraço.
Afonso, eu não imagino e nem quero imaginar como deve ser o encontro com a Dona Perpétua. Eu morro de medo dela. Beijocas
Será porque tudo que é mais difícil é mais gostoso?? Difícil entender...