Pois é,
E pour si muove! Com esta frase Galileu Galilei (15.02.1564 - 08.01.1642) teria encerrado a leitura do texto da abjuração que lhe impuseram os inquisidores da Igreja Católica, em 22 de junho de 1633. Claro que a frase foi dita bem baixinho, pois senão jogavam-no ali mesmo na fogueira!
Este é um caso em que a estupidez humana supera a quebra de tabus e paradigmas. Galileu foi ferrenho defensor do sistema coperniciano, daí a frase "mas se move", referindo-se ao movimento da Terra. E é, também, um caso que demonstra cabalmente - como inúmeros outros - que não adianta se colocar contra a evolução do conhecimento humano. Podem matar ou queimar tantos quantos queiram, que a ciência seguirá seu rumo.
O que me deixa perplexo é o fato de ainda existirem pessoas, em pleno século XXI, que parecem ignorar esse simples fato: a evolução. Podem acreditar em Deus e se reconfortarem na religião, mas pelo amor a esse próprio Deus, que dizem ser piedoso, deixem a ciência ajudar as pessoas a terem uma vida digna.
Outra coisa bem diferente é a regulamentação dos usos do conhecimento humano. Mas aí estamos em outra seara, que foge ao tema.
Por uma ironia do destino, o homem que olhava estrelas e descobria planetas com seu telescópio rudimentar, passou os quatro últimos anos da sua vida cego. E, mesmo cego, ainda escreveu seu último livro.
Segue o texto da abjuração de Galileu, pra pensar no quanto essa humanidade ainda precisa de humanidade.
“Eu, Galileu Galilei, filho do falecido Vicente Galilei, de Florença, com 70 anos de idade, tendo sido trazido pessoalmente ao julgamento e ajoelhando-me diante de vós, eminentíssimos e reverendíssimos Cardeais Inquisidores-gerais da Comunidade Cristã Universal contra a depravação herética, tendo frente a meus olhos os Santos Evangelhos, que toco com minhas próprias mãos; juro que sempre acreditei e, com o auxílio de Deus, acreditarei de futuro, em cada artigo que a sagrada Igreja Católica de Roma sustenta, ensina e prega. Mas porque este Sagrado Ofício ordenou-me que abandonasse completamente a falsa opinião, a qual sustenta que o Sol é o centro do mundo e imóvel, e proíbe abraçar, defender ou ensinar de qualquer modo a dita falsa doutrina [...] Eu desejo remover da mente de Vossas Eminências e da de cada cristão católico esta suspeita correctamente concebida contra mim; portanto, com sinceridade de coração e verdadeira fé, abjuro, maldigo e detesto os ditos erros e heresias, e em geral todos os outros erros e seitas contrários à dita Santa Igreja; e eu juro que nunca mais no futuro direi, ou afirmarei nada, verbalmente ou por escrito, que possa levantar semelhante suspeita contra mim; mas se eu vier a conhecer qualquer herege ou qualquer suspeito de heresia, eu o denunciarei a este Santo Ofício ou ao Inquisidor Ordinário do lugar onde eu estiver. Juro, além disso, e prometo que cumprirei e observarei todas as penitências que me foram ou sejam impostas por este Santo Ofício. Mas se por acaso eu vier a violar qualquer uma de minhas ditas promessas, juramentos e protestos (o que Deus não permitia), sujeitar-me-ei a todas as penas e punições que forem decretadas e promulgadas pelos sagrados cânones e outras constituições gerais e particulares contra delinquentes assim descritos. Portanto, com a ajuda de Deus e de seus Santos Evangelhos, que eu toco com minhas mãos, eu, abaixo assinado, Galileu Galilei, abjurei, jurei, prometi e me obriguei moralmente ao que está acima citado; e, em fé de que, com minha própria mão, assinei este manuscrito de minha abjuração, o qual eu recitei palavra por palavra."









































Meu amigo, que post extraordinário. Cada vez que leio algo assim , mais me posiciono ao largo das religioes.
a mídia não consegue "comerme el coco". Deixo sempre a possível dúvida.
Também acho a história extraordinária, Nora. Fico a pensar se ele sabia que, ao abrir mão, naquela hora, das suas teorias, estaria deixando-as para o mundo. É sempre bom lembrar onde os fundamentalismos podem nos levar. bjs
Afonso, eu acredito piamente que sempre haverá alguma instituição que funcione como a Inquisição. Alguns se comportarão como Galileu, outros como Sócrates, mas sempre haverá um inquisidor com regras que não podem ser questionadas. A mídia e o comportamento imposto por ela são alguns dos inquisidores novos. É muito difícil ser contra ao que é estabelecido como correto por parte deles. Beijocas
Tens razão, Yvonne. A mídia é o Santo Ofício moderno. bjs
Oi, Afonso
Você disse bem:"a estupidez humana", pois não creio que Deus seja este ser tão insensível`às necessidades humanas, mas, que dá ao homem a inteligência para desenvolver-se.
abraços, garoto
É verdade, Denise. Pena que nem todos pensem assim. bjs