A primeira a gente nunca esquece

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Pois é,

Foi lá pelos idos dos anos 70, mais precisamente em 1974, que passei a escutar, definitivamente, música clássica. Já tinha o ouvido treinado, pois meu pai era quase fanático por música clássica e comprava todas aquelas coleções em fascículos (que guardo até hoje), além de diversos discos. Quando ele faleceu, em 1972, fiquei com a coleção de discos dele, mas não escutava.
Uma aposta feita no carnaval de 1974 acabou por me ligar à música clássica. Passávamos, meu irmão e eu, o carnaval em Santana do Livramento - nossa família é de lá - e numa das noites fomos apresentados a duas uruguaias amigas de uma amiga de infância. Prontamente nos dispomos a ciceronear as moçoilas castelhanas, uma loira e outra morena. A língua não era problema, pois criados ali pela fronteira, o espanhol era coisa corriqueira para nós.
Na segunda noite fizemos uma aposta: escolheríamos uma para cada um e quem conseguisse "ganhar" a sua levava um engradado de cerveja. Fiquei com a morena e não deu outra, ganhei. Ambas, é claro, a menina e as cervejas. Começamos a namorar. Afinal, sempre fui um rapaz respeitador e honesto.
Quando terminou o verão e ela foi embora para Montevideo, combinamos que eu iria visitá-la nas férias de inverno. E assim eu fiz. A primeira namorada estrangeira e a primeira visita a Montevideo (outras viriam, namoradas e viagens a Montevideo). Como tinha primos e tios morando lá, ficava fácil. Fiquei por uma semana na casa deles. Aí também tive outra primeira experiência: arroz gelado com maionese. E não tinha como negar o oferecimento da minha tia: come, Afonso, é um prato típico daqui. Logo eu, que detesto qualquer coisa fria à exceção de cerveja. Nunca mais esqueci.
Montevideo, naquela época, era uma cidade bonita (não sei como anda hoje em dia), levava jeito de cidade européia. Na 18 de Julho, principal avenida da cidade, havia um sem número de galerias com tudo o que se podia imaginar. Foi numa dessas galerias que, passando em frente a uma loja de discos, vi uma capa muito bonita. Entrei na loja e comprei. Não fazia a mínima idéia de quem era o compositor e nem da música. Só fui ouvir quando retornei para Porto Alegre. E nunca mais deixei de ouvir aquele que foi o meu primeiro LP: a Sinfonia do Novo Mundo de Antonin Dvorak.
Foi o estopim de uma era: ao longo dos anos virei freqüentador e sócio assíduo da OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) e de tudo quanto era concerto que por aqui havia. Comprei mais de 850 LPs, que até hoje escuto. Nesse mesmo ano acabei por namorar uma pianista clássica, tal era meu envolvimento. A bem da verdade, diga-se que o fato dela ser pianista foi pura coincidência, pois a conheci na rua, mas isso já é outro post.
Essa sinfonia, e principalmente o segundo movimento, que deve estar tocando, ficou associada a tudo o que acontece pela primeira vez comigo. E é o que ela representa, o novo.

Recententemente foi utilizada em um experimento que comprovou que "uma pessoa com sólida formação musical tem mais de 4 áreas diferentes do cérebro ativadas quando ouve música. Isso é o que demonstra uma experiência proposta pelo Museu da Ciência de Barcelona e apresentado por seu diretor, o físico Jorge Wagensberg, no último dia 9 de abril, durante o 4.º Congresso Mundial de Museus e Centros de Ciência, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro.
O fenômeno pôde ser claramente observado em duas ressonâncias magnéticas funcionais feitas simultaneamente, em uma violinista profissional e em outra voluntária com curso superior, sem nenhuma formação na área, que não tinha sequer o hábito de ouvir música. As duas se submeteram ao exame ouvindo a 'Sinfonia do Novo Mundo' de Dvorak.
Na mulher sem qualquer formação musical, a peça ativou apenas o córtex cerebral responsável pela audição.
Já na profissional de música ativaram-se sucessivamente essa área, uma outra relacionada à linguagem musical, uma terceira, considerada uma região pré-motora, na qual o cérebro 'planeja' os movimentos do corpo, e, em menor intensidade, uma quarta cujas funções ainda são desconhecidas".

Fonte: http://www.antena1.com.br/content.php?recid=979

2 Comments

eu tbm cresci ouvindo musica classica, mas nao so ela. meu pai sempre foi um ecletico e ouvia os classicos, mas tambem ouvia jimi hendrix, the who, nina simone. herdei muitos dos meus gostos dele, mas nunca consegui colocar a musica classica num nivel merecido. beijao!
Na verdade sou bem eclético também. Também ouvia e ouço (e tenho os LPs/CDs) dessa turma aí que citas, além de Led Zeppelin, Yes, Pink Flyd e todos daquela época. Quanto a colocar a música em um nível merecido, creio que ela já deve estar, pois senão já terias feito alguma coisa para mudar teus hábitos musicais. Dito de outra forma, não existe lugar merecido para gêneros musicais.bjs

E eu nasci na quarta-feira de cinzas, 27 de fev de 1974. Um dia serei um clássico! :-)
Pois é, aquela quarta-feira de cinzas foi muito boa pro mundo então. Eu de namorada nova e tu nascendo, hehehe. abs

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This page contains a single entry by D. Afonso XX, o Chato published on agosto 13, 2005 12:07 AM.

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