Pois é,
[07:00] Depois de uma semana em que até a Kaya me chamou de "muito sério" chegamos a um final de semana em que dá pra acreditar que Deus existe:
30 graus em pleno inverno de Porto Alegre.
Dá pra ser mais feliz? Claro que não!
O Chato agora tem música. Liguem as caixas!
[08:00] Uma nem tão curta. Sabem como faço para saber se devo ou não levantar quando acordo no meio da madrugada ou, dito de outra forma, como faço para saber que horas são? Pois é, daqui onde moro escuto os trens do metrô passando. A partir das cinco horas eles começam a circular. Assim, basta esperar um pouco e, se passar um, já posso levantar.
E é um prazer imensurável escutar trens passando. Muito andei de trem na minha vida. É, sou do tempo em que trens transportavam pessoas também. Aqui no sul tínhamos um, chamado de "Minuano". Era um apelido dado por que a linha ia de Porto Alegre a Uruguaiana, seguindo o caminho do vento Minuano (oeste-leste). O acesso a certas cidades, antigamente, só era possível de trem (isso lá pelos idos anos anteriores aos 70's), antes do país ser vendido para as multinacionais do petróleo.
Minha família é de Santana do Livramento (fronteira com o Uruguai). Naquela época ainda não existiam linhas de ônibus para lá. Íamos, nos finais de ano, de trem. Doze horas de viagem. Para um adulto poderia parecer um inferno ter que ficar por 12 horas dentro de um trem; pra mim, ainda uma criança desvendando o mundo, não; era uma aventura. Cada parada em cada povoado; cada apito avisando a chegada, as pontes, ah! as pontes. Tem sensação melhor do que passar por uma ponte de trem? Aquilo tudo era algo inacreditável: o trem passava bem devagarinho dando uma sensação de perigo, de que algo mágico estava por ou iria acontecer. "Meu filho, põe a cabeça para dentro que aí vem uma ponte", berrava minha mãe. Impagável a sensação do vento no rosto. Uma ponte poderia ter cortado a minha cabeça: teria morrido feliz. As curvas! O melhor das curvas era ir lá para o último vagão e ficar olhando o trem interinho lá na frente.
Quando, em 1969, meu pai foi transferido para comandar a guarnição de São Luiz Gonzaga (um dos Sete Povos das Missões), fizemos a viagem de Maria Fumaça. Dezoito horas de viagem. E eu tinha apenas 12 anos. Não parei um minuto sequer. Numa das paradas quase que fiquei para trás, hehehe. Foi a primeira vez em que tive que subir num trem andando. Alguém aí já experimentou subir num trem andando? Vai dizer que não é o máximo da sensação de risco?
Mesmo depois, quando comecei a andar com as minhas próprias pernas, continuei andando de trem. Já existiam as estradas asfaltadas e as linhas de ônibus. Ninguém entendia a razão de, podendo levar apenas 7 horas para ir a Livramento, eu preferia levar 14 de trem. Alugava uma cabine leito só para mim, só para poder ficar sozinho. Talvez seja daí que aprendi a observar as pessoas, os costumes, a simplicidade da gente do campo, pois ficava circulando pelo trem, ou no vagão restaurante, conversando com uns e outros; Nas inúmeras paradas, descia e circulava pelos arredores da estação conhecendo os vilarejos e suas gentes.
Era um mundo viajar de trem. Tínhamos tempo de sobra para ver e ser gente. Minha infância e adolescência foram marcadas pelo trem. A viagem mais longa que fiz foi de Porto Alegre a Montevideo: 24 horas dentro de um trem. Por sinal, uma das sensações mais prazeirosas da minha vida foi a chegada, com o dia amanhecendo, na estação central de Montevideo. As cores, o cheiro, o ar, a temperatura, tudo parecia um outro mundo, e era. Era uma cidade que eu não conhecia e era também a cidade de uma recém conquistada namorada. A paixão, o novo, o trem. Talvez por isso associe, até hoje, tudo o que acontece de novo na minha vida, a um trem. Pena que já são poucas as coisas novas; poucos trens ainda passam na minha lembrança. Adoro acordar cedo só para ficar escutando o trem passar, me faz levantar feliz todos os dias; me lembra de um tempo que não volta mais.
Baldeação. Palavrinha que me arrepia até hoje. Havia um certo fascínio em fazer baldeação. Não sei porque, mas que havia, havia. Hoje, nos aviões, chamam de conexão. Sem graça. Bonito mesmo é fazer baldeação. Conexão é sinônimo de incomodação; baldeação era sinônimo de ir em direção ao destino final. Fazer baldeação significava proximidade, expectativa, um descortinar de aventuras na chegada. Conexão é só subir e descer de aviões. Sem graça.
Por ironia do destino, talvez, meu primeiro emprego, quando adulto, foi justamente em uma empresa que fazia a fiscalização das obras do metrô de Porto Alegre (o Trensurb). Durante cinco anos participei da construção de uma linha de trem. Contei dormente por dormente, percorri à pé todos os 27 quilômetros e até hoje, quando PRECISO matar a saudade de um tempo que não volta mais, pego o trem em Porto Alegre, vou até o final da linha em Novo Hamburgo e volto.
A vida é linda quando se tem um trem para escutar todos os dias de madrugada...
[13:00] Começo aqui a análise do projeto de reforma do ensino superior entregue pelo, agora ex-ministro da educação, Tarso Genro.
Uma primeira boa nova: se aprovado, vai acabar o vestibular. Por quê? Porque, ao teor do §1º, do art. 6º, in verbis: "O acesso ao ensino superior depende de classificação em processo seletivo definido pela instituição de ensino superior.", isso significa que as instituições poderão definir um processo seletivo diferente do atual sistema de vestibular, desde que em acordo com o estabelecido pelo inciso IX do art. 17, que determina, aos entes de ensino superior o "estabelecimento de normas e critérios públicos de seleção e admissão de estudantes, levando em conta os efeitos sobre a orientação do ensino médio e em articulação com os órgãos normativos dos respectivos sistemas de ensino."
De outra parte, o projeto de lei é, a meu ver, sábio ao não estabelcer cotas para segmentos sociais específicos, determinando, apenas, que estes segmentos sejam considerados, em forma de diretrizes:
"Art. 42. São comuns às instituições federais de ensino superior as seguintes diretrizes:I – inclusão de grupos sociais e étnico-raciais subrepresentados na educação superior;"
e
"Art. 53. As medidas de democratização do acesso devem considerar as seguintes premissas, sem prejuízo de outras:I – condições históricas, culturais e educacionais dos diversos segmentos sociais;
II – importância da diversidade social e cultural no ambiente acadêmico; e
III – condições acadêmicas dos estudantes ao ingressarem, face às exigências dos respectivos cursos de graduação.
§ 1o Os programas de ação afirmativa e inclusão social deverão considerar a promoção das condições acadêmicas de estudantes egressos do ensino médio público, especialmente afrodescendentes e indígenas.
§ 2o As instituições deverão oferecer, pelo menos, um terço de seus cursos e matrículas de graduação no turno noturno, com exceção para cursos em turno integral.
§ 3o Será gratuita a inscrição de todos os candidatos de baixa renda nos processos seletivos para cursos de graduação, conforme normas estabelecidas e divulgadas pela instituição."
Muito bom, muito bom...Quem quiser o inteiro teor do projeto: Reforma Ensino Superior
[14:20] Fico triste ao ver uma boiada. Fico triste em ver que a naturea humana se converte em bovina. Fico triste ao ver tanta gente achar bonito falar mal do governo simplesmente para aparecer. Fico triste de ver tanta gente repetindo e repetindo bobagens sem nenhum fundamento, simplesmente seguindo alguns bois que se julgam líderes e formadores de opinião: nada mais são, pobres coitados (os líderes e seus seguidores), do que pessoas fadadas a engolir a própria língua, mais cedo ou mais tarde, porque é a única coisa que sabem fazer, escrever um monte de palavras sem nenhum fundamento; usam dos seus blogs para reverberar idiotices meramente raivosas.
Fico a imaginar, se pais forem, qual o tipo de cidadãos que estão a formar em seus filhos.
[15:05] Só não resolve o problema quem não quer. Taí a dica:
Abandonadas por Santo Antônio
Mulheres gaúchas Mais solitárias*
Porto Alegre 47,35%
São João do Polêsine 45,31%
Pelotas 41,76%
Bagé 41,48%
Santa Maria 40,97%
Mais solteiras
São João do Polêsine 29,19%
Porto Alegre 26,24%
Santa Maria 21,98%
Ivorá 21,29%
Passo Fundo 21,25%
- 35% das gaúchas são sozinhas. As brasileiras mais solitárias estão no Distrito Federal (44,32%) e no Rio de Janeiro (43,10%). As menos, em Rondônia (28,17%)
* Descasados(as), solteiros(as) e viúvos(as)
O perfil da solidão feminina no país
A instrução
- 32,91% das mulheres com um a três anos de estudo estão sozinhas
- 48,54% das mulheres com 12 ou mais anos de estudos estão sozinhas
Renda
- Mulheres sozinhas tem 62% mais renda que as acompanhadas
As soltitárias do país
- Das 50 cidades com mais solteiras que nunca viveram uma união, 33 são de Minas Gerais
- Das 50 cidades com mais viúvas, 33 são de Minas Gerais
- Dos 50 municípios com mais divorciadas, 22 são de São Paulo
Homens gaúchos
Mais solitários*
Charqueadas 43,98%
São João do Polêsine 40,20%
Ivorá 36,35%
Pinheiro Machado 36,14%
Lavras do Sul 36,05%
Mais solteiros
Charqueadas 34,19%
Ivorá 32,82%
São João do Polêsine 32,34%
Poço das Antas 31,39%
Boa Vista do Sul 31,09%
- 27,8% dos gaúchos são sozinhos, terceiro maior índice do país. O Rio Grande do Sul perde apenas para Santa Catarina (25,02%) e Paraná (27,8%). Os maiores solitários são os baianos (35,17%)
Fonte: Fundação Getúlio Vargas (FGV)









































Ribeiro do Valle é o sobrenome da família esqueceu??? Falei quando contou da sua! Esqueceu até do André? Muitas saudades! Beijus
Não, Luma, não esqueci, só não sabia que era nome de cidade. Saudades também bjs
1) Charqueada, com prisão e tudo, me parece uma boa cidade de se morar... :-)
2) Talvez as mulheres mais estudadas percebam que a maioria dos homens não vale a pena.
Será?? Homens do meu Brasil, tratem melhor das suas mulheres!
E tem a vantagem de ficar a meia hora de Porto Alegre, bem pertinho. hehehe. E, se a maioria dos homens não presta, tá ruim pra ti, hein? abs
Hoje vc está inspirado .Dentro de um trem o que menos importa são as horas .A viagem para dentro de você é um convite a paciência e reflexão.Para esta história ficar melhor só faltou um pão de queijo... uai!
Ontem eu estava, hehehehe. Realmente, numa viagem de trem a gente exercita a paciência e a reflexão. Quanto ao pão de queijo, não tínhamos isso por aqui naquela época. bjs
Oi, Afonso
Gostaria de aprofundar mais sobre a análise do projeto de reforma do ensino superior. Ainda não a li, mas, espero que venha acrescentar algo de novo e que melhore a qualidade da educação neste país.
Já havia lido sobre a pesquisa sobre homens e mulheres sozinhos. Acho que ando estudando demais... rs
abraço, garoto
Tomara que sim. O problema é que vai para o Congresso e lá eles dão um jeito de estragar. bjs
Solteira de São Paulo se lamenta: será que Deus andou mesmo fazendo um monte de panela sem tampa??
hehehehehe
Olha Tati, Charqueadas/RS, pelas estatísticas, tem homem solteiro sobrando. O problema é que lá fica a PASC - Penitenciária de Segurança Máxima do RS. Legal essa da panela sem tampa, não conhecia. bjs
A Histórias das linhas de trens no Brasil estão na família, veja http://www.estacoesferroviarias.com.br/g/guaxupe.htm e a melhor viagem; a entrada em Machu Pichu e o trem de volta para Cusco.
Quanto as mulheres; os homens têm medo de mulheres inteligentes...rs.
Saudade. Beijus,
Oba, de volta por aqui, heheheh. Que bom! Sabes que tenho por sonho fazer essa viagem. Começar pelo Brasil (Paraná) e ir até Machu Pichu. Já fizeste? Putz, deve ser de matar... ou morrer, pois dizem que é perigosa... bjs saudosos e vou lá no site agora mesmo.
Fui e voltei: Ribeiro do Valle é uma cidade? Pôxa, tenho uma leitora importante, hehehe.
Afonso, que lembranças gostosas as dos trens, não? Quanto aos solteiros, é triste constatar que quanto mais as mulheres estudam, menos elas são paqueradas. Beijocas
Interessante esse fato da pesquisa, Yvonne. Merece um estudo à parte. bjs
[07:00] o dia é dos deuses mesmo. pena q não é meu... working...
[08:00] isso de trens me lembrou uma teoria sobre viagens - by my cousin.
de trem ônibus carro carroça mula camelo ok. de avião é q é problemático, seu corpo vai em uma velocidade q a alma não acompanha. por isso uma sensação de 'perdu' logo no desembarque, o q demora mais ou menos tempo na recomposição, dependendo de quão lerda é sua alma pra te alcançar... [?!]
legal essa. Vai ver é por isso que gosto de trens: minh'alma lerda. bjs
tambem tenho otimas lembrancas das minhas viagens de trem - itarare - sao paulo - rio de janeiro. era muito bom. hoje tambem escuto os trens passarem da minha casa. no verao, com as janelas abertas, chega a dar nos nervos. eles passam a toda hora, trens de passageiros e os de carga, longos e pesados que fazem ate a minha casa vibrar... mas trens sao um charme e uma das maneiras mais gostosas de se viajar. :-)
Tão perto assim? E de noite como é que fica? Gracias pela visitinha. Vieste de trem? heheheh bjs
Bahhh...um conterrâneo e CHATO é muito pra mim (risos)...que ótimo to morrendo de saudades daí guri....passa no meu blog pra trocar figurinhas e me informar da minha terra...beijokas da Angel CHATA...rsss.
Teu blog é meio difícil para o Firefox. Tive que viajar de IE, heheh. Qualquer dia desse vou fazer um post sobre Porto Alegre. Já comecei a escrever. Aí matas as saudades. bjs